Basket Kissu

1 Capítulo 1 - Kiichi e Hachiko


Notas iniciais
É o primeiro, gente.... paciência kkk

O dia estava frio e chuvoso. Em dias como este tudo na escola parecia parado, ainda mais numa segunda-feira. O relógio não dava trégua e numa birra constante, não fazia o tempo passar!

Sashiko Matsumoto, mais conhecida como Hachiko pelos colegas, já nem dava mais bola para o que dizia o professor. E como uma tentativa de fazer passar o tempo, batia com o a ponta do lápis a mesa seguindo ao mesmo tempo os ponteiros do relógio.

O sinal finalmente tocou e as crianças que já estavam em guarda, levantaram-se quase ao mesmo tempo.

- E-está bem... – Surpreendeu-se o professor. – Estão dispensados...

Antes mesmo que completasse a frase, eles já estavam do lado de fora.

Finalmente liberdade, exceto para Hachiko que ainda tinha que ir ensaiar com o resto da banda. O grande jogo final da temporada aconteceria ainda esta semana, na sexta-feira ás oito da noite e por isso teriam que deixar tudo pronto.

Ninguém dava muita importância para a bandinha, honestamente, a escola inteira os desprezava. Mas para alegrar seus alunos, Kurenai-sensei sempre fazia questão de lembrar-lhes a sua importância, apesar de todos acreditarem na sua inexistência, dizendo:

- Nunca se esqueçam de que nós somos a base de tudo e que por ser base, muitas vezes somos tratados como lixo, porém, é importante que vocês mesmos saibam o seu valor e o resto não importa! Sem nós, as cheeleaders não passariam de magrelas usando minissaias pulando para cima e para baixo. Somos nós quem damos ritmo ao jogo e quem motiva não somente a torcida e também os jogadores!

Apesar de exageradas, essas palavras não só os motivava como também dava um up na autoestima.

- Você chegou, Hachiko! – Disse Makoto, o flautista.

- Sim! Desculpa o atraso, estava na sala de química no ultimo andar.

- Não tem problema. – Falou Aya, a trompetista número 5. – Kurenai-sensei nem ao menos chegou ainda!

- Sério?! Então podemos ir ensaiando enquanto ela não chega... se vocês quiserem. – Sugeriu.

- Está bem!

Hachiko apesar de tímida, sempre acabava contagiando a todos com seu entusiasmo. Por isso, todos a consideravam uma espécie de líder.

Acabou que ensaiaram praticamente metade do tempo que tinham sem a professora. Quando finalmente chegou, os pediu desculpas e vos disse que o motivo do atraso seria um novo aluno que acabara de ser transferido e a diretora lhe passou a responsabilidade de cuidar de toda a papelada do rapaz.

- Então quer dizer que temos um novo aluno? – Quis confirmar Akemi, saxofonista número 1. – Como ele é?

- É um garoto e tem dezessete. – Respondeu friamente.

- Quero dizer... Como é aparência dele...

- Não! Diga-me como é sua voz! – Interrompeu Reiko, trompetista numero 2. – A voz de uma pessoa pode dizer muito sobre ela, até mesmo mais do que a aparência!

- E no que isso interfere nos nossos ensaios?!

Sem dizer uma palavra, todos foram de volta aos seus lugares.

- Agora sim, vamos começar! – Ela pegou a batuta e deu algumas batidinhas como fazia sempre antes de começar os ensaios, uma espécie de ritual. – Espera. – Ela analisava sua mesa. – Mas que saco... Bem, Caixa 3... – Ela se referia a Hachiko. – Eu esqueci meu caderno de partituras na secretária... Poderia buscar para mim?

- Sim, sensei!

≠

- Aqui está, Sakamoto-san.

- Arigato Gozaimashita!

A escola SakuraHime era realmente grande! Já não havia mais alunos por ali, por isso era difícil de definir qual era o movimento por ali, mas pela energia, sentia-se que era bem agitada.

Mas neste momento, isso não era prioridade. O que Kiichi Sakamoto queria neste momento era achar a saída. A sensei que lhe ajudou com os documentos – a qual ele não se recordava do nome – havia lhe explicado onde ficava a saída mais próxima, acontece que o mesmo acabou se distraindo facilmente, como de costume, não prestando muita atenção.

- Caramba...

Caminhava lentamente, meio sem rumo, olhando tudo em volta na esperança de achar alguma placa ou sei lá o que. Uma garota loira veio correndo em sua direção e os dois acabaram esbarrando. Ele apenas cambaleou e se segurou na parede, mas ela caiu no chão.

- Ai...

- Gomen...

- E-está tudo bem...

Ele estendeu a mão para que ela se levantasse, e quando a mesma levantou o rosto. Ela tinha uma delicada face abonecada, com olhos bem grandes cor de mel. Um lindo cabelo cacheado dourado na altura dos ombros que destacavam sua belíssima face.

“Parece um anjo...” – Pensou.

Quando ela segurou a mão de Kiichi, ele soltou na mesma hora, fazendo-a cair novamente.

-Ai!

- G-gomen...

A garota o encarou com desaprovação e se levantou por contra própria.

-N-não foi de propósito!

A moça não respondeu, ajeitou as roupas com algumas batidinhas e continuou seu caminho. Kiichi ficou sem reação por alguns segundos, mas logo deu a persegui-la até voltar para a secretária. Quando ela saiu de lá, deu de cara com o rapaz e se assustou.

- Você está me seguindo?

- Não! Quer dizer...

- E-eu tenho que ir... Com licença.

- Bye...

Os dois ficaram se encarando, até que Kiichi se tocou e tentou abrir espaço para que ela passasse indo para a direita, ela se atrapalhou e foi para a esquerda, ou seja, para a direita também... ambos ficavam trocando de lados ao mesmo tempo, pareciam que não ia dar a lugar nenhum, até que pararam juntos, encararam-se novamente e depois, cansada, a garota disse:

- Bem, Douzô...

- Espera! Façamos assim: Vamos os dois para a direita.

- Hai!

E assim foi feito. Ela começou a seguir o seu caminho, quando Kiichi se deu conta de que ainda não tinha achado o SEU PRÓPRIO caminho e finalmente pensou em perguntar.

- Sumimasen... – A moça se virou para escutá-lo. – A saída... onde... fica?

- Ah, sim! Fica na segunda direita seguindo em frente. – Ela apontou para o lado oposto de onde estava indo. – Vai sair no pátio principal! Não tem erro!

- Arigato Gozaimasu!

- Douitashimashite. – Despediu-se com um sorriso tão brilhante que deixou Kiichi com as pernas bambas.

- Como se chama?

- Hum? Eu me chamo Sachiko Matsumoto... Mas todo mundo me chama de Hachiko.

- Eu me chamo Kiichi Sakamoto.

- Hajimemashite! – Ela o analisou. – Você é novo por aqui, certo?

- Hum, cheguei ontem na cidade. Acabei de entregar as papeladas, começo na sexta.

- Okaeri, Sakamoto-san! – Mais um sorriso. – Ah! Eu tenho que ir agora, Kurenai-sensei vai me matar!

- Bye...

Aquela garota tinha uma aura incrível! E mesmo depois de já ter saído, sua energia continuou estremecendo todos os átomos daquele lugar! Só de lembrar-se daquele sorriso brilhante, Kiichi se derretia por completo!

Durante a tarde inteira, a garota não saia de sua cabeça! Uma pena que a sua memória fosse tão curta que nem se lembrava do nome completo de sua Musa.

“Como se chamava? – Pensava. – Hachi... do que?”

- Kiichi... – Makoto, pai de Kiichi, bateu na porta. – Está ai?

- Entra...

- Como foram as coisas na escola? Conseguiu finalizar a matrícula?

- Sim! Começo sexta-feira.

- Isso é bom! – Ele suspirou aliviado. – O que acha de sairmos pra comer uma pizza? Só pra comemorar...

- Pode ser!

- Só não deixe sua mãe ficar sabendo.

- Pode deixar. Ah. Ah!

≠

Desde a hora da entrada, foi uma sexta bem agitada. A escola se preparava para receber um grande publico para esta noite. Era a final das regionais de basquete e por isso tanta animação.

O ensaio da banda com as cheeleaders aconteceu logo pela manhã, pouco antes da primeira aula. Está certo de que por conta do nariz empinado das tietes de pompons houve algumas intrigas, porém, digamos que foi um bom ensaio. Pelo menos quanto a musica, tudo estava correto.

Logo em seguida, Kurenai-sensei os dispensou então, cada um foi para sua determinada sala.

- Ohayo, classe. – Disse o professor de matemática. – Sentem-se, por favor!

Assim que todos se acalmaram, ele abriu a porta e fez um sinal com a mão para alguém quem estava do lado de fora, dizendo-o para entrar. Uma figura alta, magra, com cabelos longos e escuros e olhos verdes entrou. Era nada mais nada menos que aquele garoto estranho e engraçado de ontem, Sakamoto.

- Classe, este é Kiichi Sakamoto. Ele acaba de ser transferido e...

- Hachi-sempaaaaaaaaaaai! – Gritou Sakamoto, interrompendo o professor.

Pelo visto ele tinha notado a loira sentada no fundo da sala.

- Quer dizer... – Ele corou ao ver que todos o encaravam. – Hachi-senpaaaaaaaaaaai. – Sussurrou.

- Pois bem... – Disse o professor confuso e sem jeito. – Sente-se e vamos começar a aula.

Sakamoto escolheu justo o lugar ao lado de Hachiko e a encarou por algum tempo antes de começar a puxar assunto.

- Oi! – Disse sorrindo e sussurrando.

- Oi. – Respondeu timidamente no mesmo tom.

- Estou aqui, finalmente!

- Eu percebi. – Sorriu.

- Eu não parei de pensar em você a semana toda!

Hachiko ficou sem respostas, sentindo sangue subir e o rosto avermelhar, desviou o olhar.

- Kawaii!

- Com licença! – Interrompeu o professor. – Já vi que o Sakamoto-san chegou com a corda toda! Que tal vir resolver essas questões aqui na lousa?

- Não, valeu... – Respondeu sorrindo. – Não estou com muita vontade de escrever por enquanto.

“Ele é mesmo um cabecinha de vento sem noção!” – Pensava Matsumoto enquanto torcia para que o professor não a chamasse.

— Isso não foi uma pergunta. – Disse o professor severamente enquanto lhe estendia um giz. – Vamos.

Ele revirou os olhos e bufou. Depois piscou para a moça e se levantou. Para a surpresa de todos ali presente, ele resolveu facilmente as questões sem nem se quer fazer uma pausa para pensar, foi completamente automático.

Quando terminou, devolveu o giz para o professor e sorriu. O sensei, envergonhado, pediu para que ele se sentasse e depois, tomou folego e ainda com vergonha, começou a explicar a matéria.

Por outro lado, Kiichi e Hachiko conversaram a aula inteira.

O rapaz era muito divertido e parecia ser bem inteligente, mas era bem desligado e se distraia fácil, então não passava de um bobão.

Só assim que a aula de filosofia terminou, os dois se separaram. Hachiko pretendia encontra-lo no intervalo, acontece que Kurenai-sensei acabou marcando o ultimo ensaio geral para esta hora, por tanto acabaram não se encontrando.

Nem se quer deu tempo de ir para a casa, após a aula. Tiveram que ficar lá para ajudar a preparar a quadra e receber os visitantes. Depois foram rapidamente colocar os uniformes.

A apresentação das cheeleaders e da banda abriu o jogo. Dançaram Wa$$up (Wassup). Claro que as tietes agitadoras de pompons ficaram com toda a glória, mas nada disso importava. Todos estavam felizes com a apresentação.

Quando a partida começou estava tudo bem, pelo menos para o time da casa. Fizeram doze pontos, mas logo o time visitante começou a virar, os três primeiros tempos passaram e o jogo estava bem disputado. Somente no quarto tempo é que o tome visitante começou a reagir.

A torcida da casa já estava um tanto desanimada, alguns já tinham até ido embora. Foi quando um dos jogadores acabou se machucando e precisava ser substituído. O treinador pediu um tempo e reuniu todos os jogadores.

- Hachi senpaaaaaaaai! – De repente, Sakamoto-san acenou do outro lado da quadra.

Hachiko acenou de volta um tanto tímida.

- É o aluno novo! – Disse Reiko. – Que gatinho!

- Como vocês se conhecem? – Quis saber Makoto.

- Ele está na minha sala de matemática e também na de literatura.

- Por que vocês estão todos com esses uniformes bonitinhos? – Perguntou Kiichi.

- Sempre quando nos apresentamos, nos vestimos assim. – Respondeu Makoto.

- O que vocês estão apresentando? – Ele ainda parecia confuso sobre tudo.

- Nós somos a banda da escola. Nosso trabalho é animar a torcida. – Explicou Aya. – Quer dizer... sem usar saias mostrando o útero para a escola inteira.

- Oh, entendo...

- Eu sou o trompete número 5. – Falou Aya

- Eu sou o flautista. – Makoto.

- Trompete número 2. – Disse Reiko.

- Eu a saxofonista 1. – Akemi.

- Hum... E você, Hachi- senpai? – Ele perguntou.

- Toco caixa. Número 3. – Respondeu.

- Por que vocês são numerados?

- É pra ajudar na hora de dividir nas partituras e de indicar quem toca o que. – Disse Akemi. – Foi ideia da nossa sensei.

- Oh... entendi! E pra que serve uma banda de escola?

- De acordo com a nossa sensei, somos base de tudo! Somos nós aqueles que dão ritmo ao jogo e anima a torcida.

- E as cheeleaders? – Perguntou inocentemente. – Achei que fossem elas quem animassem as coisas...

- Que nada! – Respondeu Aya um pouco irritada com a comparação. – O que são dessas magrelas sem a gente?!

- Hum, é mesmo! – Concordou.

Todos ficaram em silencio por um tempo, se entre olhando e desconfortáveis com a falta de assunto. Como esperado, Kiichi foi quem quebrou o gelo:

- Isso tudo, é tipo uma fanfarra, né?! – Sorriu.

- Uma fanfarra?! Como assim?! Não somos uma simples fanfarra! – Aya falou com fogo nos olhos. – Você fala como se fossemos apenas uma BANDINHA de escola!

- E não são?

- Sakamoto-san! – Disse Hachiko, afim de cortar a confusão por ali mesmo. – Como foi seu primeiro dia na escola?

- Hum... não sei. Só lembro de ter falado com você hoje e depois quando me toquei estava vindo pra cá.

- Que cabeça de vento. – Comentou Aya.

- Aya-chan... – Sussurrou Makoto.

Kiichi olhou para o placar e depois analisou os meninos jogando.

- O que foi, Sakamoto-san? – Perguntou Reiko.

- Hachi-senpai, você gosta de basquete? – Ele pareceu nem tê-la ouvido

- Não muito...

- Se eu fizesse uma sexta perfeita pra você, você ficaria feliz?

- S-sim... eu acho...

- Isso faria você sair comigo?!

- C-como?!

Kiichi nem se quer perdeu tempo, foi rapidamente conversar com o técnico.

O técnico Miura-san abriu um sorrisão e pediu para que um dos jogadores no banco emprestasse sua camisa a ele. Depois, conversou com o juiz que o fitou desconfiável, mas deu de ombros e assentiu com a cabeça. Logo, Sakamoto já estava na quadra.

O outro técnico ficou confuso e mirou Miura-san com olhos de fera, franzindo a testa.

Durante alguns segundos, Kiichi ficou parado na quadra, assim que pegou a bola, como um raio ele foi para a direção oposta, deixando todos os jogadores e o técnico da casa aflitos e os visitantes com um sorrisão na cara de orelha a orelha. Ficou batendo a bola até o tempo máximo permitido e depois, mais rápido ainda, avançou para a cesta certa, desviando de todos e pouco antes de chegar a linha dos três pontos deu um pulo incrível, para cortar a defesa inimiga e arremessou, fazendo três pontos e talvez a jogada perfei...

- Ainda não está perfeito! – Exclamou.

Assim que pegou a bola novamente, brincou um pouquinho com a bola e arremessou de novo, fazendo mais uma cesta de três.

- Merda! Não é o bastante para a Hachi-senpai!

Ele fez várias jogadas fascinantes. O técnico nem precisou falar nada, os jogadores já sabiam: era só passar para o Cabeludinho!

E assim ganharam o jogo.

Até mesmo o técnico do outro time quis cumprimenta-lo, diferente de seus jogadores que poderiam pular em seu pescoço a qualquer momento.

Ele caminhou tristonho até chegar a Hachiko novamente.

- Por que está triste? – Perguntou a loira. – Você foi incrível!

- Mas não foi perfeito! Não para você!

- B-bem... ganhamos graças à você, Sakamoto-san!

- Então quer dizer que podemos sair?!

Notas finais
O que acharam?! ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.