Notas iniciais
KOE CARINHAS!
Minha primeira original aqui no Nyah, espero que gostem!
Aceito comentários, lamentações, dúvidas, favoritos e recomendações asidlhfbas Não seja um fantasminha, eu sou legal, juro c:
To nervosa. Vou deixar vocês lerem.
Boa Leitura ♥
OBS: O nome da fic, Basket Case, é como uma gíria em inglês para Caso Perdido.

Olívia

I don't give a damn 'bout my bad reputation

Meus passos ecoavam no corredor silencioso do quinto andar do prédio em que morávamos. Odiava ter perdido a maldita aposta e ter que dar uma de serva pra eles. Girei a chave na fechadura da porta branca de número 505 em dourado, com dificuldade, já que segurava uma caixa de pizza quente na outra mão. Melissa, minha melhor amiga, era uma ilustre fã de Arctic Monkeys e insistiu até conseguir que o síndico me deixasse ficar com a porra do apartamento com esse número. Para quem não sabe, existe uma música de tal banda com esse mesmo nome, 505. Não é a toa que sempre que ela chega bêbada aqui em casa começa a cantar “I’m going back to five o’ five” e ri descontroladamente dizendo que é um gênio.

Enfim, depois de tanta luta, consegui entrar na casa e encontrei todo o meu bordel reunido. Mellie, sentada no banco do balcão usando o celular, entediada, praticamente saltou a me ver e juro que pude notar um brilho em seus olhos.

- Ai meu Deus, o amor da minha vida chegou! – Gritou empolgada. Que linda, ela estava com saudades de mim.

- Awn – sussurrei – Dá aqui um abraço.

Ao equilibrar a caixa na mão esquerda, estendi o braço direito para um abraço e... Fui totalmente ignorada. Mereço. Ela simplesmente pegou a caixa da minha mão e a segurou nos braços, apertando contra o peito, como deveria ter feito comigo. Os garotos acomodados no sofá sorriram do meu papel de trouxa. Como eu suporto viver com essa garota?

- Não se ache tanto, empregada. O amor da minha vida não reclama tanto igual você. Ela tem um cheiro incrível e... bacon! – Soltou um risinho alegre, colocando ume mecha do cabelo azul preso em um coque, atrás da orelha. – Além do mais você sabe que não sou de contato físico. E tá calor.

-Eu ainda não entendo como a gente come pizza toda hora – Inclusive àquela hora da manhã – E não engorda.

-Quem disse que tem hora pra comer pizza?

Melissa adorava fazer perguntas retóricas. Era irônico que ela gostasse tanto de comer besteira o dia todo, já que era filha da “melhor nutricionista da cidade”. Devia ser por isso que vivia aqui em casa. Não temos regras.

Suspirei, cansada de tanto subir escadas. Me esparramei no sofá de qualquer jeito e Charlie resmungou, por eu ter colocado as pernas em cima dele. Olhou-me questionando se aquilo era sério mesmo.

-Não me olhe assim, sabe que eu sou folgada mesmo. Aliás, cadê o Derek?

- Dormindo, — ele desviou o olhar da televisão e mirou em mim. – Como sempre.

Levantei e disse:

- Vou acordar ele.

- Vai na fé.

Nós levantamos simultaneamente e quando eu vi para onde ele ia me sentei no mesmo instante. Foi em direção ao balcão, onde Melissa já havia devorado metade da pizza. Ah, eu vou adorar ver isso e vocês vão já saber o porquê.

Dave, meu irmão gêmeo estava jogando um jogo qualquer no Xbox novinho. Ele parecia concentrado ao extremo. Cutuquei-o e ele bufou, fazendo cara feia. Cutuquei pela segunda vez e ele me ignorou. Eu não faria isso se fosse ele.

Desliguei o consolo. Eu sei, genial. Ele me fuzilou com o olhar e quase começou a gritar comigo, entretanto, antes eu fiz um movimento para ele calar a boca. Meu irmão estranhou. Sussurrei:

- Tu é chata. Sério, insuportável mesmo.

-Você vai gostar de ver aquilo. – olhei-o maliciosa.

Charlie havia acabado de sentar no banquinho ao lado da garota de cabelo azul. Ela estava com a boca totalmente vermelha, de molho de ketchup.

-Não divido – ela pronunciou assim que notou ele, puxando a caixa de pizza pra si.

Ele riu e olhou pra baixo.

-Você definitivamente não parece você quando tá comendo pizza.

Levantou o dedo até o canto da boca dela e de lá retirou um pouco de molho de tomate. Assim que o fez, levou à boca e lambeu o dedo. Ela soltou uma gargalhada.

- E você é nojento.

- E vocês tem que procurar um motel – Eu e Dave brincamos em meio a risos.

Esperávamos conseguir que a Skinnier corasse, mas sempre parecia impossível. Ela era uma garota cheia de si, segura. Parecia que ela construía um muro de confiança ao seu redor, e esse era indestrutível.

Nota mental: Fazer Melissa Skinnier ficar envergonhada virou questão de honra.

Ao invés disso, apenas se ajeitou no banco e tomou um gole de refrigerante.

- Vou passar no petshop e comprar dois gatos pra vocês cuidarem das catorze vidas deles.

- De gato aqui já basta eu, chuchuzinho. — Foi a vez de o idiota loiro falar. Todos riram – Que foi? Vocês sabem que é verdade mesmo.- Ele virou o rosto com o nariz empinado e voltou a se preocupar com o videogame.

-Seu irmão? – Vi um punk sentar ao meu lado com um copo de alguma bebida qualquer. Neguei com a cabeça.

-Nem conheço. – Tomei o copo da sua mão e cheirei a bebida – Tá falando sério que vai tomar vodka às dez horas da manhã?

-Sim. — Ah, foda-se. Tomei um pouco da bebida forte. Ele arregalou os olhos e gargalhou de mim. – Opa, vai com calma, princesa. – Desferi um soco no seu ombro, assim que entreguei o copo. Ele sabe que odeio a merda desse “adjetivo”- Ai, caralho.

Levantei e fui em direção ao quarto em que provavelmente ele estaria dormindo. Resolvi fazer um espetáculo para acordá-lo. Não to criando vagabundo nessa casa pra estar dormindo até essa hora da manhã.

- BORA ACORDAR QUE AS CANAS NÃO VÃO SE CORTAR SOZINHAS! – Ele apenas se remexeu – MEU DEUS DEREK, DESSE JEITO TU VAI ENTRAR EM COMA.

-Se você gritar mais alto, Deus escuta. – Ele só virou de lado, colocou o travesseiro sobre a cabeça tentando tapar os ouvidos, e dormiu de novo.

-Acorda seu merda! – Silêncio – Ok, você que sabe. – Preparei a garganta — I DON’T GIVE A DAMN BOUT MY REPUTATION (N/A: Bad Raputation — Joan Jett).

Eu cantava em alto e bom som, pulando no colchão de molas do garoto moreno, enquanto ele ainda tentava se levantar, sem sucesso. Os ruídos sonoros que saíam da caixa de som que em forma de caveira, vinha do meu gosto excelentíssimo por música. Poderia acordar toda a vizinhança no raio de um quilometro. Eu ao menos me importava? Claro que não.

- Caralho, Ozzy! Será que dá pra ser um pouquinho menos escandalosa? Abaixa essa merda! — Derek era o meu escravo favorito. Aquele que chamávamos carinhosamente de picolé de leite gritava comigo. Eu só balancei a cabeça, em uma espécie de bate cabelo, demonstrando que não me importava. – Sua filha da puta, eu quero levantar.

- No pula-pula da vida você é o que cai e eu sou a que fica pulando e não deixa você se levant... — Eu teria terminado a minha memorável frase se não fosse a queda que levei por conta de um golpe baixo daquele infeliz. O idiota do Derek segurou meu pé e eu me desequilibrei, caindo. – Seu merda, se eu tivesse morta, você ia se culpar pelo resto da vida.

- Relaxa. Vaso ruim não quebra.

Idiota. Insuportável. Chato. Odeio-o.

Revirei os olhos sentados no chão, tentando reunir forças para me levantar. Corei violentamente. Preciso de umas aulas com minha amiguinha de cabelo azul. Só agora percebia que ele estava só e somente de cueca boxer. Podia ter a visão do corpo de um deus grego na minha frente. O abdômen definido que levara milhares de garotas nojentas para aquela mesma cama. Ele nunca ligava de volta para nenhuma, era definitivamente um quebra corações, e nem eu que chego a ser a pessoa mais íntima dele, sei do porquê.

Stonem deve ter notado minha vermelhidão por que riu logo em seguida. Odeio o fato de meus pais serem irlandeses legítimos. Odeio o fato de ser branca assim. Odeio ainda mais corar por qualquer merda.

- Você tem que aprender a não me acordar de manhã cedo – Abriu um sorriso presunçoso, erguendo o canto esquerdo da boca e me olhou com a sobrancelha prepotente levantada – Eu poderia estar indecente.

//

Almoçamos uma pizza de ontem que eu guardei na geladeira. Pizza no outro dia é uma delícia. Passamos o resto da tarde morrendo no ócio. Charlie estava sentado no chão ouvindo alguma música de suas bandas punk e tocando uma bateria imaginaria. Derek estava jogado mesmo sofá que eu e parecia estar com tanto tédio quanto eu. Melissa estava dando uma surra do cacete em Dave no videogame. Era um jogo de luta, Mortal Kombat se não me engano, Eles dois não cansavam de jogar aquilo.

-Tá apelando, não é justo! – O garoto loiro resmungava bravo, apertando os botões do controle freneticamente. Achei que ia quebrar.

-Pff... Desculpa de perdedor – Ela mordeu o lábio e soltou um risinho esnobe com os olhos vidrados na televisão – Agora preste atenção nisso. – Fez uma combinação de movimentos. Vi seu personagem se transformar em uma espécie de palhaço maníaco e atirar com uma arma para SubZero. Nenhuma bala saíra da arma, apenas uma bandeirola com os dizeres “BANG!”. Mais uma vez atirou e dessa vez estourou a cabeça do carinha de roupa azul – K.O I WIN. – Deu um salto do sofá e se posicionou na frente dele. Colocou as mãos na cintura e inclinou-se para frente. Mostrou a língua. Estou começando a ficar preocupada com a saúde mental dos meus amigos. – TROUXA. Devia ter apostado.

- Vocês não cansam de jogar? – Charlie fez dos meus pensamentos, suas palavras.

- Você não cansa de se meter na vida alheia? — Mellie rebateu. Essa menina é a mestre das cortadas. Ele revirou os olhos.

- Quero meus créditos. – Eu disse.

- Já chega de videogame por hoje. – Derek fechou a cara e desligou o console. – Tenho uma ideia melhor.

Todos nós sorrimos para ele com um olhar de expectativa.

- Filme?

- Filme! – O gritinho de animação veio de mim.

- Ótimo, porque eu vi um filme dos Minions daora que já tem pra baixar. – Todos olhamos com tédio estampado na cara para a garota. – Que é?

- Vai ser terror. Polteirgest pra ser mais exato. – Derek abriu seu pior sorriso malandro para ela e recitou o bordão do filme. Pude ver a enorme expressão de arrependimento que era formada na sua cara. – “Eles sabem o que assusta você”.

Vi a menina se encolher no sofá, abraçando as pernas. Era engraçado que uma garota tão séria quanto ela, e tão misteriosa de certa forma tivesse medo de filmes de terror.

- Eu não tenho medo dessas besteiras. – Ergueu o nariz e cruzou os braços. Parecia que ela estava tentando se convencer disso. Seguramos o riso.

- Ok. Vou colocar o filme, então.

Ela olhou desconfiada para Dave, mas assentiu. Parecia uma criança mimada tentando se provar adulta.

- A pipoca tá saindo. Espera aí. – Charlie gritou da cozinha. Ele tinha um dom pra fazer pipoca. Se a carreira como músico que ele pretendia não desse certo, virar pipoqueiro era uma opção viável.

Já estávamos todos prontos para assistir. Eu deitada no sofá menor, com um balde de pipoca nas mãos, Charlie, com outro recipiente de pipoca, junto de Melissa em alguma posição confortável no sofá maior – muito amor –e Derek e Dave sentados no chão e encostados no sofá em que eu estava deitada.

- Vocês sabem que eu tenho trauma de palhaços, né?

- Nosso primo, Vincent, tem trauma de escolas e o ano letivo dele está para começar. — Dave falava. — Acho que você não está na pior. *

Meu irmão colocou o filme para reproduzir. Era bom, mas não superou minhas expectativas. O antigo era melhor. Os gritos da menina de cabelo azul que tinha medo dessas coisas assustavam mais do que o próprio filme. Derek fazia piadinhas escrotas sobre ela e não deixava ninguém assistir, até que houve uma parte em que estávamos todos tensos. Todo mundo sabia que naquele momento aconteceria algo muito assustador e o silencio prevaleceu.

Ouviu-se um barulho de porta rangendo. Não era no filme, quem dera fosse. Vi Skinnier tomar um susto e jogar o balde de pipoca para cima, sujando tudo. Já era noite e o escuro tomava conta da casa. Ela olhou pra Derek e gritou com medo:

- É AQUELE PALHAÇO DE SATANÁS, TENHO CERTEZA. – A cena seria cômica se não nos encontrássemos naquela situação. – ELE VEIO ATORMENTAR A GENTE! CHAMA OS MEDIUMS, A POLICIA, A BULANCIA – Acredito que era pra ser ambulância, mas o medo nem ao menos deixava ela se falar. – PEGA O SAL GROSSO, OS CRUCIFIXOS. A GENTE VAI MORRER.

- Calma, cara. Se controla. – Charlie se virou pra ela e balançou os ombros da mesma. – Vai ficar tudo bem. Ei idiota, você não tem um taco de beisebol? – Derek assentiu. – Vá lá, a ideia foi sua.

- Eu não.

- Tá com medo? – Perguntei.

- N-não. Eu só não estou disposto.

- Que seja, eu vou. – Bufei e lancei a indireta – Sou o homem da casa mesmo, suas bichinhas.

Eles quatro mandaram eu ir tomar nos lugares. Era apenas a verdade inegável.

Peguei o taco que estava do lado do raque da televisão e fui caminhando devagar até a porta. Pulei encima de algo, ou alguma coisa com cheiro familiar. Sempre soube que demônios usavam disfarce.

- MORRE DIABO, MORRE – Gritei batendo incontrolavelmente na coisa.

- Calm...AI CACETE! OLÍVIA, PARA!

Só quando concentrei a vista em quem eu estava batendo foi que me surpreendi.

- Alarme falso! – Avisei para os meus amigos – Mas olha, não deixou de ser um demônio. O que você tá fazendo aqui?

Notas finais
No começo, abaixo do nome da pessoa que vai narrar o capítulo tem uma frase em inglês. A tradução da Olívia é " Eu não tô nem aí pra minha má reputação."
* O Vincent é protagonista da fic de um amigo (user: Vinícius Moura) que ainda vai ser postada. Assim que for, passo o link para vocês.
E aí? Querem saber quem é esse possível demônio que a Ozzy quase exorcizou? O que acharam?
Meu cast para os protagonistas:
Olívia Zicklabel - Karol Queiroz
Dave Zicklabel - Austin Butler
Derek Stonem - Cameron Dallas
Charles McPhee - Andy Biersack (2014-2015)
Melissa Skinnier - Bárbara Palvin
Qualquer coisa, chama lá no twitter: @espinnosauro
Espero você aqui no próximo ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.