Basket Case
6 Brutal love
Notas iniciais
Fomos a um restaurante chinês, mas o treinador não veio conosco. Ele deu uma desculpa idiota e foi embora. Pelo jeito era combinado. E gostei disso, pois acho que estou começando a ter uma paixãozinha pelo Capitão e isso é ridículo.
Nós jantamos e fomos passear pelas ruas. Eu estava sem a carteira, e tinha gostado de um vestido preto de renda, daí ele comprou para mim. Não me sinto confortável com isso já que eu tenho como pagar, mas ele insistiu. Vou pagá-lo mesmo assim.
– Sei que você pode interpretar de maneira errada. E adoraria que isso acontecesse... Você não que ir para minha casa? Depois te levo para a sua. – Diz, e começa a ficar ruborizado.
Em outras pessoas isso é fofo. Mas em mim é ridículo.
– Claro.
Espero que não de merda nisso tudo.
Chegando lá já tínhamos falado de tudo, e rido de tudo. Ele é uma pessoa impressionante. Eu só tinha notado que os filhos dos cientistas que trabalham com meu pai treinavam lá hoje. E o Matthew me contou tudo o que sabia deles. Contou-me coisas do meu irmão, que são super constrangedoras.
Resolvemos assistir um filme. Decidimos assistir um filme de comédia, não me lembro do nome. Rimos tanto que chegamos a chorar e nossas barrigas não pararem de doer. Mas não porque o filme era engraçado, não que não fosse, mas é que tiramos tanto sarro de coisas que relacionamos com ele que foi inevitável.
– Incrível. – Digo.
– Sim! – Concorda. – Sabe, estive refletindo e esse foi o melhor dia que tive em minha vida inteira. Nunca pensei que fosse conseguir tê-lo algum dia.
– Não exagere! Mas posso dizer o mesmo. Não tive muito contato com formas orgânicas de vida. – E solto uma risada. – Não sou uma pessoa muito comunicativa.
– Isso não da para notar. – Diz ele, sem sarcasmo.
Mas mesmo assim bufo. Não tinha notado que ele se aproximou.
– Sério, não estou brincando. – Diz ele sério.
– Ok. – E dou um sorrisinho de escárnio.
Ele faz uma careta, fingindo aborrecimento. Estou me divertindo com isso.
– Então, ainda quero saber por que você veio aqui e não foi embora, antes de jantar, quando soube que o Dwayne não viria conosco.
– Bem... Eu acho que... Foi porque eu vi o quanto você mudou. E você poderia ter me xingado e me dito para sair, no momento em que eu fui falar com você. Você não o fez. E ainda me ajudou.
– Hum... Entendo... – Ele sorri.
Ele se aproxima mais, e eu o encaro.
E por um instante, os olhos azuis dele encaram os meus. Ficamos em silêncio. Ele hesita não me surpreendo. Eu deito no sofá. Vejo umas pastas em sua mesa. Ele diz que vai ao banheiro, eu digo que tudo bem. Vou até a mesa. São arquivos da... S.H.I.E.L.D.? Planos, projetos e táticas. Mas, como? Ele volta à sala.
– Você tem algo a me dizer? – Pergunto, não consigo conter a raiva.
– Ah... Você viu as pastas. Bem, eu trabalho para eles.
– E então é por isso que meu pai me deixou voltar, por que você é um agente e provavelmente foi punido. Só quero te fazer uma pergunta, você me deixou ganhar? Na segunda vez que lutamos. Você deixou, ou não?
– Não, eu não deixei. E eu sou um dos cientistas, então quem executou a punição foi o seu pai. Não sou agente.
– Você é um cientista? Ah... Você é o que faltou a reunião naquele jantar.
– Sim, e seu pai não pega leve comigo. Já que eu cantei a mulher dele uma vez. E agora espanquei a filha dele.
Meu celular vibra. Uma mensagem.
“Briguenta, se você não voltar logo (AGORA), eu vou buscá-la. Vai ser constrangedor e não precisamos de uma cena. Apesar de eu adorar fazer isso de vez em quando. Você tem dez minutos”
– Acho melhor eu ir para casa.
– Eu te levo. E não tente me fazer mudar de idéia. – Diz ele, eu dou de ombros.
Chegamos à torre em sete minutos. Outra mensagem chega ao meu celular.
“Briguenta, mande-o subir junto. Precisamos conversar.”
– Você. – Digo– Sobe junto.
– Seu pai quer conversar? – Pergunta.
– Sim.
Saio na frente. No elevador, ele diz:
– Sinto muito. Não imaginei que descobriria tão rápido.
– Hum.
– Sabe, você quase me descobriu antes. Num dia que você foi à sala onde deixamos todos os projetos.
– Que pena.
– Por que está tão brava. Eu não fiz nada de mais. – Diz ele com calma, tentando não mostrar a raiva.
– Porque na única vez que eu me identifico com alguém, essa pessoa mente para mim.
– Hum... – Diz ele, mas dá para notar seu sorrisinho. Já que não consigo encará-lo.
A porta do elevador se abre.
– Onde estiveram? – Pergunta Barton.
– Na minha casa. – Diz McConaughey.
– Já são duas da manhã, o que estavam pensando? – Diz Thor.
– Olha se vocês têm algo a nos dizer digam. Vocês sabiam que eu não voltaria no tempo estipulado. E por que ele teve que subir junto?
– Pois, Loki está raptando agentes e agora todos os envolvidos com a S.H.I.E.L.D. terão que ficar aqui desde simples agentes que não estão em campo, até filhos e amigos de heróis. A torre nesse período foi modificada. Pois desde que começamos a observar Loki tivemos que adaptar alguns andares.
– Ok. Só isso?
– Basicamente. – Diz uma voz masculina. Fury.
Certo, ele me causa arrepios. O cara é assustador. Não pela sua aparência, mas pelo seu jeito de falar e até andar. A maneira como se comporta, apesar de tê-lo conhecido agora, já dá para notar.
– Ok, vou para o meu quarto. E nem sonhem que vou dividí-lo. – Digo.
Dito isso saio apressadamente. Mas um braço me para. Steve. Mas que droga, eles podiam me deixar em paz por um segundo pelo menos.
– Não, você não vai ficar com um quarto só para si. Temos muita gente na torre e não podemos usar outra base ou quartel general.
– Tá e com quem eu vou dividir um ou o quarto? – Pergunto encarando-o.
Ele me estuda, seus olhos me fitando da cabeça aos pés, sem demorar em parte alguma. Um olhar prático. Científico. Para ter certeza de que eu vou aceitar a noticia.
– Comigo, e nós vamos ficar no meu quarto.
– Por que no seu? Qual o problema do meu? – Questiono.
– Nenhum. – Diz, dando de ombros. – Só que daí não terei que deslocar minhas coisas.
– Mas nem fodendo. Nós vamos para o meu. – Esbravejo.
Continuamos com isso por meia hora. Até que ele desiste. Ficamos no meu quarto. Só que ninguém sabe que o meu quarto tem umas portas extras. Na verdade duas. São salas, não muito grandes. Mas eu guardo os MEUS projetos lá. Então, se alguém descobrir eu me ferro. Sei que é hipocrisia repreender o meu pai e a S.H.I.E.L.D. por montarem armas que, provavelmente, nem eles sabem como manusear. Já que eu continuo a criar esse tipo de projeto.
Ajudei o Capitão a fazer as malas e se mudar para o meu quarto. Todo o tempo que levamos para fazer a mudança ele reclamou. Parecia uma criancinha fazendo birra. Acho que era para ver como eu reagiria, já que ele começou a rir depois que terminou de fazer aquela cena.
– Sabe, nós não precisamos colocar outro colchão. Podemos dormir junto. Uma vez que já fizemos isso. – Diz ele, me puxando para perto.
Eu acho que nunca vou entender as pessoas. Todas são terrivelmente bipolares. Já estou ficando da cor de um tomate, pois ele agora está me apertando contra seu corpo. O toque dele ferve contra minha pele. Mas, antes que algo pior aconteça alguém pigarreia atrás de nós. Ele me solta com força demais, eu caio e vejo o Clint. Não tinha notado, mas os olhos do Rogers estavam extremamente azuis. Um azul psicótico. Eu sei que isso não existe, mas me lembra os olhos de um psicopata. Sim, eu tenho retardamento mental.
– Bem... Não querendo interromper nada, mas, eu vou dormir com vocês. Seu quarto é grande o bastante para umas quatro pessoas. E provavelmente o Banner ficará aqui conosco.
– Tudo bem. – Fala o Capitão, ele está da mesma cor que eu. – Precisa de ajuda?
– Claro. E você mocinha, vá pedir ao seu pai que traga mais dois colchões.
– Siiiiim Senhor. –Ele ri, e eu saio.
Meu pai já tinha escutado. E quando cheguei ao fim do corredor ele já estava com os dois.
O resto do dia foi basicamente o mesmo, tive que ajudar quem precisasse. Fiquei em um quarto com três homens, não posso dizer que meu pai está adorando a idéia. Sério, ele está surtando. E me fez ficar com ele o resto do dia. Contei sobre os novos projetos, ele disse que gostaria de vê-los, por mim não tem nenhum problema. Mas, ele diz que não quer que o Fury descubra, então é melhor sermos discretos. Ele também disse que eu deveria mostrar para o Bruce, porém somente num dia que estejamos a sós nós dois no quarto. Depois de falar isso, ele fez uma careta de nojo. E eu não pude evitar o ataque de riso.
Como eu ajudei todos que estão hospedados na torre, estou exausta. Vou para o meu quarto não tem ninguém. Pego as roupas, mas acabo me esquecendo da blusa. Tomei um banho quente e bem demorado. Começo a me vestir e agora que terminei o banho que notei que faltava a blusa. Me esqueci que estava dividindo o quarto. Saio do banheiro sem a blusa. E com o que me deparo? É claro, os três estão no quarto! Eles me olham boquiabertos. E minha cara começa a esquentar, espero que não de para notar.
– Olha, até quando você vai cometer esse tipo de erro? – Pergunta Rogers, rindo.
– Aaaaah, eu me esqueço! Mas que merda! – Pego a blusa, coloco-a rápido e me sento na cama. Acho que nunca vou aprender.
Eles estão rindo de mim e isso só piora minha raiva. Clint senta do meu lado e diz, apertando minha bochecha:
– Não fica bravinha! É que é diferente, e aposto que o Steve não fez por mal. – Diz ele zombando.
– Sei. – Digo.
– Não vai jantar? – Pergunta Banner.
– Não estou com fome. E sim já faz umas duas semanas que eu não como nada. Não, eu não me sinto fraca.
Ele me olha e depois joga as mãos para o alto, fingindo desistir de mim. Eu dou uma risadinha.
– Então o neném já vai dormir? – Diz Barton, ainda tirando sarro. Já que eu não desfiz a careta.
– Não, só vou... Sei lá, acho que vou ficar aqui refletindo um pouco?
– Tipo? O que você tem para pensar? – Diz ele curioso. Agora todos estão me observando.
– Em algumas coisas. – Digo.
– Bem, então nós vamos. – Diz Banner, Rogers o segue. Mas Barton fica por isso ele pergunta. – Não vem Barton?
– Não agora, quero falar com ela.
– Tudo bem.
Os dois saem e ficamos a sós.
– Então?
Eu tinha me levantado para pegar uns livros. Ah, e eu terminei aqueles livros. Não me recordo dos nomes, mas são ótimos.
– Você sabe por que o Rogers fez aquilo com você? – Diz ele como se estivesse pronto para atacar.
– Não faço a mínima idéia. – Digo olhando seus olhos.
O azul dele é o mesmo que Steve esteve a algumas horas. Isso não é normal. Ele se aproxima. Meu pulso começa a doer, tem um corte nele. Fiz o corte enquanto ajudava o Matthew. Esse Barton nota, limpa o corte e coloca um curativo. Seu toque é igual ao do Capitão, extremamente quente.
– Nós não te falamos nada do Loki, não é?
– Nunca. Por quê?
– Sinceramente, não sabemos muita coisa, mas ele está se aproximando. E procurando suas próximas vitimas. Ainda planeja dominar o mundo. Tolice, não acha? – Diz ele como se tivesse achado um tesouro. – E você também não deve saber por que seu pai, o Stark, não conta, não é?
– Sim, é uma grande tolice. –Digo desconfiada, ele ainda segura minha mão, que está fervendo. – E não, não tenho a mais remota idéia do por que.
– Hum. – Murmura ele.
Ele se aproxima, nota uma cicatriz que tenho na barriga, pois a blusa está meio curta. Quando a toca, era como se toda dor que eu já senti na vida estivesse concentrada ali. Minha visão começa a ficar turva e eu caio de joelhos na frente dele. Depois de alguns minutos, era como se um filme daquela noite, a que ganhei a cicatriz, passasse em minha mente. A dor se intensifica. Barton se ajoelha, quando me encara seus olhos já não eram mais azuis. Estavam verdes. Um verde muito familiar.
– É assim que eu quero ver vocês. De joelhos implorando misericórdia. E acho que subestimei minha sorte e meus desejos. Espero que ainda se lembre daquela noite. – Ele passa a mão na minha bochecha. – Nunca vi alguém resistir tanto. Ainda não sabia que ele tinha uma filha. Eu notei sua presença. Perguntei-me por qual motivo você estaria aqui com eles. E hoje você me disse.
“É claro que eu poderia ter descoberto por outros meios. Mas eu tinha que ouvir isso de você. É notório, também, que eu não tenho mais nenhuma atração por você. Agora que descobri que você é filha de um deles. – Ele disse, enfatizando a última palavra com nojo. – Tenho que devolver seu amiguinho, mas nos veremos em breve.”
– O que aconteceu? – Pergunta Barton desnorteado.
– Foi o Loki. – Digo, a dor ainda era lancinante.
– O que? Como?
– Algum tipo de possessão. – Eu estava arfando de dor. Ele olha para mim com preocupação.
– O que foi? O que ele fez? O que eu fiz? – Diz ele passando a mão na testa e agarrando seus cabelos.
– Nada. Nada mesmo, Clint! – Digo. – Eu estou bem! Só me ajude a chegar até a cama.
Ele me ajudou. Então eu disse:
– Vá jantar. Por favor.
E ele foi. Então notei um bilhete na minha cama. Peguei-o e li.
“Isso é apenas uma amostra do meu tão amplo poder. Não tente nenhuma gracinha, minha donzela. O estrago que vou causar a todos vocês é muito maior do que a limitada imaginação de seus amados colegas e parentes. Mas, infelizmente, para que o meu plano seja perfeito, eu vou precisar de uma pequena cooperação da sua intrigante pessoa. Estou sonhando com nosso próximo encontro, espero que seja tão bom para você quanto está sendo para mim. Não faça nenhuma gracinha, mesmo eu não tendo mais nenhuma atração por você, eu não quero que minha donzela saia beijando qualquer reles mundano. Já que ainda pode ter um Deus. Sonhe comigo minha donzela. E aproveite a dor.”
A dor se intensificou. E eu apaguei.
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