Basket Case
17 21 Guns
Notas iniciais
Ele até conseguiu ter me acordado, mas acho que meu corpo não entendeu que tinha que acordar. Ele falava comigo, mas eu não entendia nada do que ele falava. Sua voz estava longe.
– Loki... Eu não estou ouvindo nada que você está falando.
Ele veio mais perto. Falou mais alguma coisa. E eu bufei.
– Loki sua voz ainda perece estar muito longe para mim. Acho que logo passa.
Ele sentou ao meu lado na cama e ficou esperando. Acho que ficamos uns quarenta minutos esperando que passasse.
– Está me ouvindo agora?
– Sim estou.
– Ótimo. O que aconteceu?
– Não sei. Mas sobre o que você quer conversar?
– O casamento. Está disposta a conversar sobre isso?
– Claro.
– Então... Vamos nos casar amanhã.
– E aquele negócio de não me apressar.
– Não posso continuar com você aqui se não nos casarmos o mais depressa possível. Sou o novo rei e isso não ajudaria na minha imagem.
– Hum... Ok.
– Tudo bem mesmo?
– Claro. Mas ainda acho que você está inventando tudo isso.
– E estou. Mas realmente ouvi alguns cidadãos falando sobre isso. E não de uma maneira positiva.
– Tudo bem.
– Como ainda é dia você vai provar seu vestido. Espero que goste, eu o escolhi. Com o resto não é necessário se preocupar. Já vi tudo.
– Bem rápido você.
– Só porque eu te amo.
– E quer que eu esteja logo presa a você.
– Ah, não veja assim. Pense que vai passar muito tempo perto de uma pessoa que ama muito.
– Por que não.
– O que foi... Arrependida?
– Não sei. Eu acho que sou bipolar. E nunca vou conseguir me entender.
– Provavelmente ninguém vai conseguir se entender. Todos somos bipolares e você recentemente teve algumas perdas.
– É.
– Tudo bem. Vá provar seu vestido.
– Você pode vir comigo?
– Claro.
Ele me beija e então vamos até outro cômodo. Se eu fosse sozinha com certeza iria me perder, o lugar é tão grande que acho impossível eu conseguir algum dia decorar como sair e encontrar os quartos que eu precise ir.
O quarto parece um ateliê. É lindo. O estranho é que não havia ninguém lá.
– Vá provar e então me mostre se couber sem nenhum ajuste.
– Sim.
É lindo, o vestido. Ele é justo até minha cintura e solto dali para baixo. É tão rodado quanto um vestido de princesa. É tomara que caia e branco. Um branco perolado e o tecido é liso. É um vestido simples ao mesmo tempo em que não é. Ele é simplesmente perfeito. E coube sem precisar fazer ajustes.
– E então coube? – Ele pergunta.
– Sim.
– Vai me mostrar?
– Já vou. Mas termine de fechar o vestido para mim.
– Claro.
Abro a cortina para ele entrar. Não que eu tivesse que tê-la fechado para colocar o vestido. Mas é o hábito. Ele fecha o que falta e envolve minha cintura com seus braços. Ele fica me olhando pelo espelho. Eu tento sorrir, mas começo a chorar. Ele me vira e eu coloco minha cabeça no seu peito. Ele afaga meu cabelo.
– Eu sei. Estou te pressionando de mais. – Ele diz.
– Está tudo bem. Eu só estou um pouco abalada emocionalmente. Eu vou superar.
–Com certeza vai.
Ele me levanta minha cabeça, afaga meu rosto.
– Você é perfeita meu amor.
– Por quê?
– Por que não seria?
– Eu não sei.
– Eu te amo.
– Eu também te amo.
Ele aproxima mais seus lábios do meu e quando eles encontram os meus, mais uma vez sinto sua paixão por mim. O que alivia a dor em meu coração pela perda. Ele começa a abrir o vestido que acabamos de fechar. Mas antes que a cena fique “pior” Frandal entra.
– Loki precisamos falar sobre alguns... Oh... Me desculpem. Falo com você depois. – Ele diz.
– Frandal, fique. – Loki diz, ele fecha novamente me vestido.
Frandal entra e me cumprimenta.
– Você está linda Emma.
– Obrigada. Eu preciso sair?
– Não sei. Loki?
– Acho melhor. Troque de vestido e volte para o nosso quarto.
– Sim senhor.
Ele ri.
– E, por favor, não me chame assim.
– Ok.
Me visto rápido.
– Loki eu ainda não sei chegar até o quarto sozinha. Com certeza vou me perder.
– Tem alguém ali fora? – Loki pergunta para Frandal.
– Não. Mas posso levá-la para o quarto e voltar.
–Melhor, vamos juntos levá-la e então vamos a sala habitual. – Diz Loki.
– Tudo bem.
Seguimos em silencio. Loki está abraçado a mim. Chegamos ao quarto, ele me beija e diz que logo me chamará para conversar novamente. Já que quer me dizer mais algumas coisas. Dessa vez não durmo por medo daquilo acontecer novamente. Olho alguns livros que estão ali.
São livros de magia. Pego um deles e começo a lê-lo. Tento fazer o feitiço, mas o que me intriga é que consigo ler as palavras da “língua” Asgardiana. Tento várias vezes até que consigo, era um feitiço simples de levitação. Ou pelo menos eu achei simples. Mesmo assim me assusto por ter conseguido fazê-lo.
Continuo com o livro e tento reproduzir mais feitiços. Alguns demoro mais para conseguir do que outros. Não noto que fiquei tentando reproduzir esses feitiços até anoitecer. Paro por algum tempo processando o que acabou de acontecer. Sif entra no quarto e diz que vai me acompanhar até a sala onde foi servido o jantar.
– Por que vocês três que, pelo que soube, eram amigos do Loki estão agindo como seus empregados? Vocês são guerreiros não servos dele. – Pergunto.
– É que... – Ela dá um meio sorriso. – Nós meio que somos, mesmo tendo sido amiga dele, eu e os outros, como você mesma disse, somos guerreiros do exército de Asgard. Que agora é dele.
– Mas ele abusa, não é?
– É... Mais ou menos.
– Hum.
– Sabe, baseada na última experiência que tive com uma humana, você não é nada mal.
– Acho que é por que eu não estou com Thor, não é?
Ela fica quieta e um leve rubor toma conta de seu rosto.
– Me desculpe, passei dos limites. – Digo.
– Não tudo bem. Acho que está certa.
– É. Bem, vamos?
Chegamos à sala e Loki fica me olhando.
– O que foi?
– Por que não se trocou?
– Eu precisava fazer isso?
– Bem... Eu gostaria que o fizesse.
– Tudo bem. Na próxima vez eu me lembrarei disso.
– Ok. Sirvam-se. – Ele diz a todos na mesa.
Sirvo-me, não pego muita comida e muitos na mesa ficam me observando. Eu não estava muito confortável, agora só está pior. Eu queria sair dali, eu meio que tinha aprendido o caminho dali até o quarto, pois não eram tão distantes. Mas Loki pediu que o esperasse.
Quando ele termina parece que um século havia se passado. Ele se despede e eu tento fazer isso, mas ninguém mais está me olhando. Não sei se fico aliviada ou chateada. Mas sigo Loki, que vai à minha frente.
– Meu amor... – Ele diz segurando a porta para que eu passe.
– E então o que quer me dizer?
– Bem, quero lhe explicar o porquê de tudo que fiz a você lá na Terra.
– Sério Loki, não precisa...
–Então, naqueles dias eu senti a energia de uma feiticeira. Não são todos que podem fazer feitiços e bruxarias, especialmente quando estamos falando de humanos. Mas, quando cheguei à cidade onde você morava antes de se mudar para New York, senti mais forte aquela energia.
Ele fez uma pausa. Andou um pouco pelo quarto, como se tentasse se lembrar mais nitidamente daquelas cenas.
– Como não a encontrei de primeira, eu fui criando mais uma lista de mortos na Terra. Então eu te encontrei e no momento que te toquei você irradiou todo seu potencial ainda bruto. Mas eu ainda tinha esperanças de poder lapidá-lo. Porém aquele não era o memento certo. E eu também pensei em te matar, pois temia que você pudesse um dia ser melhor do que eu, mas me lembrei que você morava na Terra.
– Então vai me matar agora?
– Nunca. Pense um pouco minha donzela, eu poderia tê-la matado antes e não ter colocado esse feitiço em você. Eu aprendi a amá-la e realmente a amo.
– Aprendeu? Sou tão difícil de amar?
– Não, você interpretou minhas palavras da forma mais errada possível. Na realidade a dificuldade não era amar você, mas eu conseguir amar alguém. Eu perdi a única pessoa que eu amava, a minha mãe. E você me lembrava um pouco ela, mas logo se mostrou muito diferente e uma pessoa que é impossível não amar.
– Hum...
–Agora que pude trazê-la aqui, posso também lhe ensinar algumas magias. E eu andei te observando aqui em Asgard, um pouco antes de jantarmos. Vi você realizando alguns feitiços.
– Me desculpe eu não deveria ter mexido nos livros. Eu não sabia...
– Que é tão talentosa. Você nasceu para ser uma grande feiticeira. E você vai ser minha esposa a partir de amanhã, você pode mexer no que quiser.
– Ok. E quando você irá me ensinar?
– Não será tão cedo quanto eu gostaria, estou resolvendo algumas coisas agora que voltei. Mas será o mais cedo possível.
– Ok. E eu tenho mesmo que treinar com os guerreiros?
– Sim, é melhor que isso seja feito.
– Tudo bem. Só mais uma pergunta. Por que eu consegui ler os livros?
– Como assim?
– Eles estão todos escritos na língua Asgardiana. E então?
– Ah, isso é por causa do feitiço que eu coloquei em você. Provavelmente, é por que eu sei ler nessa língua.
– Hum...
– Vamos dormir?
– Isso.
Nos deitamos virados de frente um para o outro. Ele apóia sua cabeça na minha e ficamos assim até cairmos no sono.
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