Barriga de Aluguel

2 O chá das cinco na mansão Malfoy


Notas iniciais
bem rapidinho né? não se acostumem. REVISADA PELA LINDA DA CORA 1/7/14

O chá das cinco na Mansão Malfoy.

A GUERRA TINHA ACABADO E COM ELA MUITAS COISAS MUDARAM. Anos se passaram e Hermione foi à única do Trio de Ouro a voltar para Hogwarts e se formar. Agora ela ocupava um alto cargo dentro do Ministério, era colega de trabalho de Draco Malfoy e enfrentava um processo de divórcio demorado e cansativo.

“Mas que merda.” Xingou baixinho, relendo o pedido do advogado de seu futuro ex-marido, Ronald Weasley. “Abusado de uma figa, aquela casa é minha.” Draco entrou na sala e a encarou por alguns segundos.

“Tudo bem aí, Weasley?” Perguntou com um ar zombeteiro e recebeu em resposta um tinteiro em sua direção. “Qual é, Hermione, isso é hilário. Você e o pobretão, melhor, ex-pobretão, se separando. O mundo bruxo não fala de outra coisa.” Ele sorriu e se escorou na mesa dela, se inclinando para ler uma parte do processo. “Nossa. Ele quer depenar você.” Comentou com um assobio.

“Eu não sei qual é o problema dele! Juro.” Hermione lançou a mão ao ar e se encostou à cadeira de couro. “Ele é rico. Jogador de Quadribol. Ele não precisa de nada. Por que ele quer simplesmente tudo?”

“Hum...” Draco fingiu pensar. “Por que você pediu o divórcio? Por que ele ainda é louco por você? Por que você disse que não o ama mais? Ou porque você nunca foi a nenhum jogo dele... Acho que a última opção, eu ficaria possesso se você nunca fosse a nenhum jogo meu.” Ele piscou e andou até sua própria mesa.

“Isso não tem graça, Malfoy. Vocês, homens no geral, são F.R.U.S.T.R.A.N.T.E.S.” Ela soletrou a palavra. “Isso, frustrantes.” Ela virou-se em direção à janela e encarou a neve.

A vida dela tinha dado uma guinada e tanto. Nos últimos meses seu casamento com seu melhor amigo tinha desandado. Acontece que cada um deles estava em um momento diferente. Hermione aos poucos foi perdendo o interesse pelo marido e companheiro dos últimos cinco anos. Agora com vinte e dois anos, ela queria crescer ainda mais na sua carreira de secretária sênior do ministro, enquanto Ronald queria que ela ficasse em casa e lhe desse uma ninhada de filhos. Hermione tentou ao máximo prolongar seu casamento, mas chegou ao ponto que não fazia bem a nenhum dos dois. Então o divórcio pareceu a saída saudável. Mas Ronald ficou extremamente ofendido, e vinha cada vez com um acordo mais maluco e inaceitável.

“Eu quero que você me represente.” Ela mirando a janela.

“Oi?” Draco perguntou, tirando o rosto dos pergaminhos. “Falou comigo?”

“Sim. Você é o melhor advogado depois de mim mesma. Eu quero que você me represente.” Ela disse simplesmente, se virando e o encarando.

“E desde quando você confia em mim?” Ele perguntou, rindo.

“Desde que trabalhamos anos aqui e você nunca tentou me matar ou me passar para trás.” Ela se ergueu e andou até ele, largando os pergaminhos de seu divórcio em cima da mesa dele. “Eu posso pagar o seu horário. Eu sei que não somos melhores amigos, mas temos um relacionamento bom e ‘saudável’. Por favor.” Ele a encarou e abriu a boca em choque.

“O.k.” Ele pegou os pergaminhos e os colocou na pasta. “Eu vou ver isso em casa e te respondo. Pode ser?”

“Claro. O que temos para hoje?” Perguntou, sentando-se novamente.

“O ministro quer que revistemos os contratos de importação e exportação com o Ministério da França.” Ele levitou alguns pergaminhos para a mesa dela e deu um sorriso de lado. “Boa sorte.”

Após alguns minutos de trabalho, Hermione já tinha feito algumas correções nos documentos e educadamente sugerido outras mudanças que estavam fora de seu alcance. Seus olhos estavam cansados e o dia baixava pela janela. Seu expediente estava quase terminando e ultimamente isso tinha sido a melhor parte do seu dia. Isso era atípico de Hermione. Ela amava o trabalho e tudo relacionado a ele. Porém, sua vida estava uma bagunça e ela estava hospedada em um hotel enquanto o inventário de tudo que ela partilhava com Ronald era feito.

“Você deveria aceitar a proposta de dormir na casa do Potty.” Malfoy disse depois de avaliar a colega de trabalho por um tempo. “Você está péssima.”

“Sério?” Ela ergueu o rosto e o encarou, séria. “Você é pior do que o Ronald. Ele pelo menos aprendeu a ser mais sensível depois de anos. Você continua grosso.”

“Eu só me considero sincero, Granger.” Hermione sorriu ao ouvir o nome de solteira. Teria que se acostumar com aquilo. Não que Malfoy a chamasse de outra maneira. Ele nunca a chamava de Weasley. Fazia isso apenas para incomodá-la depois que o divórcio começou. “Vai lá, Granger. Eu sou o máximo.” Ele sorriu de lado e olhou o relógio. “E vou para a casa porque minha mulher é maluca.”

Hermione se ergueu e com magia organizou suas coisas. Draco abriu a porta e esperou-a passar. E juntos seguiram até o elevador.

“Astoria pega pesado em casa?” Perguntou, curiosa. Draco fungou e deu de ombros.

“Ela está paranoica porque não consegue engravidar.” Ele respirou fundo. “Eu já a mandei relaxar, mas é impossível. Ela anda me levando à loucura. Às vezes eu sinto vontade de ficar mais no trabalho. Então, eu me lembro de que isso é mania sua, e não minha. E desisto.”

Hermione mordeu os lábios e ficou em silêncio. Na verdade ela sentia um pouco de simpatia por Astoria, desde o acontecido em Hogwarts. E devia realmente ser decepcionante não poder fazer nada a não ser ficar em casa e tomar conta da Mansão Malfoy.

Não era novidade para ela que o casamento entre os dois era puramente negócio. Pelo menos da parte de Draco, que nunca demonstrou amor pela mulher. Em todos os jantares, Hermione via um brilho no olhar da loira, que não estava no olhar do loiro. Não que Hermione pensasse que Draco fosse capaz de amar alguém. Pelo menos ele não traía a mulher.

“Ter um filho faz parte do negócio de casar com você?” Perguntou com toda a sinceridade que possuía, enquanto eles entravam no elevador em direção ao Átrio.

“Sim.” Ele respondeu, dando de ombros. “Faz parte de carregar o nome Malfoy.” Ele suspirou fundo. “Eu queria que minha vida fosse diferente, Hermione, mas não é.”

Hermione prendeu o ar, Draco raramente usava o seu nome. Ela ficou em silêncio e ele também. Então, em silêncio, cada um foi para sua respectiva casa.

O DIA ESTAVA CINZA E A RUA EXALAVA um cheiro ruim, fechou a janela e voltou-se para o quarto. Hermione odiava aquele hotel. Fungou o nariz pela décima vez. Já havia avisado ao ministro que estava doente, então outra advogada iria ocupar o seu lugar. Odiava mesmo aquele hotel.

Preguiçosamente, deitou-se na cama e pensou em tirar um cochilo. Não dormia direito há anos e se sentia nesse direito agora. Queria se esquecer naquela tarde tudo sobre Ronald, o Ministério, sua vida pessoal extremamente fracassada e todo o resto, e se concentrar apenas em sua doença.

Porém, isso não foi possível. Assim que começou a sentir que dormiria, uma coruja branca começou a bater na janela que ficava de frente para a cama. Bufando e irritada, Hermione se pôs de pé e abriu a janela. A coruja voou para a pequena mesa do outro lado do quarto e começou a bicar o café puro e sem gosto de Mione.

Ela atravessou o quarto e pegou o pequeno bilhete preso na pata da coruja, acariciou sua cabeça e recebeu uma bicada dolorida no dedo.

“Ai! Sua vaca.” Hermione espantou o bicho, que se empoleirou ao lado de sua própria coruja. Pelo jeito só iria embora com uma resposta.

Ainda mais irritada, se é que aquilo era possível, Hermione abriu o pequeno pedaço de pergaminho e leu o bilhete que estava escrito com uma letra que ela não conhecia.

Weasley,

Fiquei sabendo por meio do meu marido que você entrou em processo de divórcio. Espero que não se incomode por eu tomar a liberdade de lhe escrever. Eu tenho um favor para lhe cobrar. Espero você para o chá da tarde.

E sim, fiquei sabendo que está doente, mas isso não vai tomar muito do seu tempo.

Espero uma resposta. E uma positiva.

Astoria Malfoy.

“O quê?” Hermione franziu o cenho e releu o bilhete umas dez vezes. Como ele não explicava nada além daquilo, ela se sentiu na obrigação de ir ao encontro. Ainda se lembrava da luta em Hogwarts, e como se não bastasse tudo aquilo, Astoria mexeu com sua curiosidade. E a curiosidade de Hermione Granger era imensa.

ELA TOMOU O BANHO MAIS LONGO DE SUA VIDA e se deu ao direito de aproveitar ao máximo da tarde, inclusive pediu o champanhe mais caro e se esbaldou como nunca. Hermione não tirava folga, e mesmo achando um pouco exagerado, queria extravasar todo o estresse acumulado naquelas últimas semanas.

Meia hora para as cinco Hermione estava perfeitamente vestida para um encontro social à tarde. Um vestido creme que lhe batia no meio das coxas e uma pequena bolsa onde colocou sua varinha. Com um pouco de preguiça, ela enfeitiçou o cabelo para prendê-lo em um coque solto.

“Acho que está bom.” Hermione havia visto Astoria poucas vezes depois da guerra, mas ela parecia uma cópia perfeita de Narcisa Malfoy. Pelo menos no comportamento. E Hermione não se sentia à vontade com a ideia de um chá com a mulher. Ainda mais na Mansão Malfoy. Seu antebraço ainda doía com a cicatriz feita por Bellatrix da última vez em que esteve naquela casa. “Por Merlin, que isso termine logo.”

Agarrando sua varinha, a bruxa aparatou em frente aos grandes portões da mansão.

Respirou fundo e adentrou no grande jardim. De longe podia ver alguns pavões. Exagero. Isso com certeza era uma característica forte daquele lugar. Ela nem chegou a bater na porta, um elfo doméstico a abriu e fez uma reverência exagerada.

“Sra. Weasley, a Sra. Malfoy lhe aguarda. Por aqui, por favor, senhora.” O elfo lhe piscou os grandes olhos dourados e seguiu pelo grande salão de entrada.

“Por favor...” Hermione lhe chamou, o elfo virou-se e sorriu.

“Betyz, sou Betyz, senhora. Betyz gostar muito da senhora.” Ela disse.

“Por favor, Betyz, me chame apenas de Hermione ou Srta. Granger.” Ela pediu delicadamente, e chegou a ver lágrimas nos olhos da elfo. Hermione teria uma conversa muito séria com Malfoy quando ela voltasse ao trabalho na segunda-feira.

Betyz continuou o seu caminho, tomando um corredor sinuoso que se abria em uma espécie de estufa. Sentada em uma mesinha branca, estava Astoria. A mulher vestia um tubinho vermelho que se destacava contra a pele exageradamente branca e levava à boca uma pequena xícara que continha algo fumegante.

“Hermione Weasley.” Ela sorriu e ficou em pé quando avistou Hermione, percorrendo o espaço entre elas e abraçando a castanha. “Que bom que veio. Sente-se.” Hermione seguiu para a cadeira de frente à que Astoria ocupava e ficou esperando enquanto a mulher dizia ordens em um tom baixo para Betyz, que novamente se curvou e desaparatou com um estalo.

Astoria sentou-se novamente e voltou a bebericar de sua xícara, sorrindo jocosamente para Hermione.

“Sirva-se, querida.” Disse, entregando um bule da mesma cerâmica das xícaras para ela. “Creme? Leite?” Perguntou, distraída.

“Leite. Apenas um pouco.” Hermione ergueu a xícara que já tinha chá verde para a loira. “Então...” Ela bebericou do próprio chá. “O que você queria me pedir?”

“Não temos pressa, não é mesmo?” Astoria estendeu um prato com sanduíches para Hermione, que recusou com um aceno.

“Você disse que não ia tomar muito do meu tempo.” Hermione disse séria, segurando a xícara no ar. Astoria ergueu os olhos azuis da própria xícara e trincou os dentes.

“Sua família tem alguma doença genética?” Perguntou, levando um biscoito aos lábios rosados.

“O quê?!” Hermione arregalou os olhos e soltou a xícara no pires. “Não... Por quê?”

“A minha parece ter...” Astoria comentou com um suspiro pesado. “Eu não posso ter filhos.” Ela disse, dando de ombros e encarando a porta por onde Hermione tinha vindo.

“Ah!” Hermione olhou para as mãos que estavam agora em seu colo. “Isso é realmente ruim... Mas, como eu posso ajudar? Recomendação para adoção?” Ela não conseguia fazer a conexão daquilo com o favor que devia a Astoria.

A loira soltou um riso seco que fez Hermione se arrepiar.

“Não seja tola. Um herdeiro de um Malfoy tem que vir de um Malfoy!”

“Hum... Eu sinto muito mesmo que você não possa ter filhos, Astoria, mas eu não entendo o que eu tenho a ver com isso.” Hermione começou a se sentir sufocada naquele lugar, apesar do ar ser fresco. Algo lhe mandava correr pela porta e não voltar atrás. Ela chamava aquele sentimento de sentido de guerra, e ele havia lhe salvado por muitas vezes antes.

“E eles sinceramente chamam você de a bruxa mais brilhante da sua geração?” Hermione não sabia se aquilo era uma pergunta retórica, então se manteve em silêncio. Astoria balançou a cabeça e continuou. “Você vai tê-lo.”

“Ter o quê?” Perguntou, curiosa e preocupada.

“Meu filho. Com Draco. Você vai colocá-lo no mundo. Você, Hermione Weasley. Futura Granger. Vai ser minha barriga de aluguel.” Ela disse com um sorriso.

Hermione se pôs em pé em um salto.

“Você ficou maluca?“ Atirou contra a mulher.

“Não.” Astoria ergueu-se lentamente e Hermione percebeu tarde demais que a bruxa tinha a varinha na mão. “Não mesmo.” Ela apontou a varinha para a castanha e antes que a mesma pudesse reagir à loira, já tinha ouvido o feitiço. “Imperio.”

Continua...

Notas finais
alguém?