Notas iniciais
Olá leitores, faz algum tempo que tenho sentindo essa ‘falta de vontade’ com as coisas que antes me alegravam demais. Ver desenho animado, ler, escrever, ir para a universidade, entre outros, se tornou mais um fardo para minha vida. Eu pensei que fosse apenas preguiça, que eu não estava me esforçando o suficiente, que eu não queria fazer aquilo o suficiente, então comecei a inventar desculpas para essa falta de vontade: meu trabalho me ocupava demais, a universidade me ocupava demais, eu estava doente (fisicamente), enfim. O que acontece que junto com esse desamino geral com a minha vida, uma tristeza muito forte me abateu, e tudo o que eu faço ultimamente da minha vida é ficar deitada chorando. Eu parei de ir às aulas, parei de ir pro trabalho, parei com tudo. Minha família, meu namorado, meus amigos ficaram preocupados demais comigo, até que eu surtei. Vocês não precisam saber disso, mas eu quero me explicar. Eu fui diagnosticada com depressão. E vou começar meu tratamento logo. Não acredito que os medicamentos sejam a resposta para minha doença, por isso vou tentar o caminho mais difícil: a conversa com estranhos. Estou me encaminhando para uma terapeuta, porque eu quero voltar a ser quem eu sou. Eu quero voltar a ser feliz e a sentir vontade de escrever. Eu quero voltar a ler, a sorrir, a me sentir bem comigo mesma. Eu quero e preciso voltar a amar. Sem pressão nos comentários, por favor, sem xingamentos e sem descer o nível. Eu fico agradecida que vocês gostem do meu trabalho, porque eu quero viver disso um dia, eu amo a ideia de ter gente consumindo minhas histórias. Eu adoro as amigas que eu fiz a partir disso. Eu peço perdão por não ter avisado vocês antes. Porém, não vou pedir desculpas pela demora nas postagens. Minha saúde vem em primeiro lugar, e acho que só quando eu estiver completa comigo novamente, minha escrita vai fluir como fluía. Espero que aproveitem o capítulo. Até o próximo. Sabrina Pierre.

Capítulo 14: Felicidade

HERMIONE GUARDOU A ÚLTIMA PEÇA NO ARMÁRIO APÓS PASSAR PANO NELA. Estava com calor e o suor escorria pelas costas. Havia feito o trabalho manualmente para desocupar a mente, que estava inundada de pensamentos impróprios com certo ex-sonserino, que por sinal estava entrando naquele momento na sala e completamente limpo.

Ela encarou-o por alguns segundos e ficou indignada com a injustiça da vida, aquele homem era lindo. Lindo demais para ser real. Lindo demais e consciente disso!

“Como faz isso?” Perguntou, os olhos navegando pelo corpo dele.

“O que?” Draco ergueu uma sobrancelha, escorando-se no batente da porta e cruzando os braços sobre o peito.

“Como continua com esse cabelo e roupas perfeitas depois dessa faxina?”

Draco riu, e se aproximou lentamente de Hermione, colocando os dedos embaixo do queixo dela e erguendo o rosto, fazendo-a encará-lo.

“Eu uso uma coisinha que você deveria conhecer bem...”

“Mágica?” Ela segurou a respiração, enquanto ele sorria de lado e aproximava o rosto cada vez mais.

“Também... E shampoo e condicionador.” Os dedos pálidos e longos atravessaram os cabelos volumosos dela, fazendo-a dar um pequeno gemido de dor. “Coisa que você não conhece mesmo.” Ele terminou a frase, e usando a mão que estava embrenhada nos cachos de Hermione, terminou com a distância entre eles.

Os lábios eram macios, mas isso ela já sabia muito bem, o coração dela disparou no peito enquanto os dedos foram de encontro ao peito do homem a sua frente. Hermione deixou-se levar pelo toque suave da boca de Draco, saboreando o sabor de chá e biscoitos que ele tinha. A cabeça estava em um turbilhão de pensamentos, imagens que passavam rapidamente deixando-a tonta, ou será que estava tonta pelo beijo?

Ela afastou o corpo de Draco, ainda com os olhos fechados e sentindo o gosto dele em sua língua.

“Não podemos, você ainda é casado...” Sussurrou, alisando o rosto dele. “Íamos devagar, lembra?”

Draco beijou a testa dela e se afastou lentamente.

“Claro, devagar.” Ele apertou a mão dela antes de soltá-la e andar em direção a outra sala. “Vou limpar lá dentro.”

Hermione sentiu frio depois que ele se afastou, o corpo praticamente implorando pelo corpo de Draco. Era como se ela não pudesse controlar os próprios nervos, como se cada membro dela tivesse vida própria, que para continuar vivendo precisassem dele. Ficou difícil de respirar devido à carga elétrica e de emoções no mesmo momento.

Hermione deu um passo involuntário para frente, ao mesmo tempo em que Draco virava o corpo novamente para ela.

“Sabe...” Ele andou rapidamente até ela, passando os braços pela cintura modelada da morena e a puxando com força para si. “Só uma vez, não ia machucar ninguém...”

Hermione acenou positivamente, agarrando os cabelos macios dele e puxando o rosto para o seu.

“Não, não ia.”

Draco sorriu, sentindo o hálito quente do hálito dela.

“Só uma vez...” Ele sussurrou.

“Sim, só uma.” Ela respondeu no mesmo tom, beijando-o novamente.

ELA ALISOU O CABELO SUADO DELE E SORRIU SATISFEITA, Draco ainda tremia por cima dela, respirando profundamente.

“Então é assim?” Ele perguntou contra a pele úmida dela.

“O que?” Ela indagou confusa, ainda perdida nas sensações.

“Estar apaixonado por alguém.” Os olhos castanhos encontraram os cinzas, e ali ela tinha certeza do que queria. Ela sorriu e o beijou novamente, os corpos lentamente voltaram a se mexer no mesmo ritmo suave.

Cada fibra dela podia senti-lo indo fundo e voltando, não parecia que eles haviam acabado de destruir a mesa da cozinha de tão calmos que estavam enquanto deslizavam o corpo um no outro.

Foi tão intenso quanto o da primeira rodada, mesmo parecendo mais calmo e sutil, com um grunhido contra os lábios rosados de Hermione, Draco descarregou todo o tesão que sentia, a junção do gozo de ambos escorrendo pelas pernas de Hermione. E uma sensação prazerosa de queimação se espalhando por seus membros. Ela gemeu contra ele, também deixando o corpo flutuar nas emoções.

Ele respirava fortemente no pescoço dela, apertando o corpo macio como que para se certificar de que era real, que era ela sob ele.

Hermione alisou o cabelo suado dele, comentando em seguida que agora ele não estava mais perfeito. Draco riu e rolou para o lado, apertando-a em seus braços novamente.

Não contaram o tempo, mas Hermione percebeu que o dia estava acabando e que ela estava faminta depois de tanta atividade física.

“Isso é o que se pode chamar de um dia produtivo.” Draco comentou, fazendo desenhos aleatórios na barriga dela.

“Com certeza.” Hermione apoiou a cabeça no ombro dele, praticamente adormecendo.

“Vou pedir a comida, e acho melhor nos movermos para a cama, porque minhas costas não aguentam outra rodada no chão.” Eles riram, leves e sem preocupações, presos naquele pequeno momento do universo que pertencia somente a eles.

“Tudo bem, eu vou arrumar a cama e depois vou tomar um banho, encontro você no chuveiro.” Ela se ergueu e saiu para o quarto dando risadinhas.

Após banhados, devidamente alimentados e exaustos pelo dia, acabaram adormecendo um no braço do outro, esquecendo-se completamente das consequências que os aguardavam no mundo real.

HERMIONE ESTICOU O CORPO E ADMIROU O HOMEM deitado ao seu lado na cama, deu um beijo leve em seus lábios e saiu à procura de algo para fazer de jantar.

Ela estava na cozinha, sacolas do mercado mais próximo espalhadas na mesa, o cheiro de carne bem temperada no ambiente, cantarolando uma música alegre e perdida em pensamentos, quando a campainha tocou.

O coração dela parou e subiu à boca, quem poderia ser? Ronald? Não, impossível, ela armou as proteções contra ele. Harry? Mas, como ele saberia que ela estava ali? Astoria? Isso é ainda mais improvável. Respirando lentamente, ela secou as mãos suadas no avental que estava usando desde que chegou do mercado e andou em direção à porta.

Pansy, Ginny e Luna passaram rapidamente pela soleira, levando Hermione com elas, falavam todas juntas sem parar, deixando Hermione tonta.

“Meninas?!” Hermione disse nervosa, sem tirar os olhos do corredor que dava em direção ao quarto principal, onde Draco estava dormindo. Nu. Depois de terem transado que nem coelhos.

“Oi?” Pansy perguntou sorrindo, levando a mão ao pequeno volume no seu abdômen.

“O que vocês estão fazendo aqui?” Hermione andou para perto da cozinha, passando a mão nervosamente pelos cabelos volumosos.

“Ah… Procuramos você no hotel, como você não estava lá, presumimos que estava aqui…” Ginny encarou a amiga por alguns segundos e franziu o cenho preocupada. “Você está bem Hermione? Parece nervosa.”

Hermione abriu a boca para responder quando o som da porta do quarto fechando fez todas as mulheres na sala ficarem em silêncio.

A pergunta era muito óbvia no rosto das amigas dela: quem está aqui?

A resposta veio logo em seguida, quando Draco surgiu na entrada da sala, vestindo a calça do dia anterior e fechando a camiseta. O cabelo estava úmido e lhe caindo na testa, todas as mulheres dirigiram os olhares para ele, que pareceu não ter notado nada.

“Granger, você podia ter ligado a televisão mais baixa, seja lá qual fosse o filme, isso me assustou e eu caí da cama…” Draco parou de falar quando ergueu os olhos para a cena perante ele. “Bem… Hum…” Ele encarou Hermione e piscou os olhos.

Foi quando a gritaria começou, Hermione foi esmagada contra Pansy que choramingava algo que parecia ser agradecimentos a Merlin, Ginny começou a chorar ao mesmo tempo, abraçando Draco e dizendo algo sobre ele ter tomado a decisão certa, enquanto Luna apenas batia palmas e falava sobre Nargos e alguma conspiração da vida.

Após a gritaria cessar e Hermione e Draco serem liberados das prisões, ou abraços, que estavam, todos se sentaram para almoçar em um completo silêncio constrangedor.

Foi quando os olhos azuis de Ginny encontraram com os castanhos de Hermione, eles estavam inquisitórios, como se procurassem por algum segredo que Hermione mantinha. Ela desviou o olhar e se concentrou no seu prato de comida.

“Eu ajudo na louça.” Ginny disse assim que todos terminaram, pegando os pratos e indo para a cozinha. Hermione entendeu o recado e a seguiu.

Pansy e Luna foram para sala, seguidas por Draco.

Não demorou muito para a ruiva entonar suas dúvidas.

“Ele é o cara casado com quem você estava saindo?”

Hermione encarou a água que estava escorrendo pela pia, não queria mentir para sua melhor amiga, entretanto também não tinha como contar a verdade sem se matar. Escolheu por uma resposta neutra.

“Isso é muito mais complicado do que um caso fora do casamento... Eu e o Draco decidimos que só ficaríamos juntos depois que ele resolvesse tudo com a Astoria, porém, uma coisa levou à outra e acabamos na cama juntos. Não vai acontecer de novo, até ele resolver o casamento dele. Eu queria poder te contar todos os detalhes que cercam isso. Só o que te posso dizer é que eu, Hermione Granger, dormi com Draco pela primeira vez ontem. E pedir pra você aceitar isso e confiar em mim.” Hermione sentiu os braços da amiga envolta de si, e quase chorou de alívio em saber que as coisas estavam tomando o rumo que deviam tomar.

O resto da tarde ocorreu tranquilo, até o horário das meninas partirem e Draco e Hermione voltarem para o hotel.

DRACO SORRIU E A BEIJOU NOVAMENTE, ERA INACREDITÁVEL ESSA SENSAÇÃO de tê-la em seus braços, queria poder ficar assim por um tempo indeterminado. Porém, não podiam, visto que logo Astoria chegaria e eles deviam resolver isso primeiro.

“Vejo você amanhã no trabalho?” Ele perguntou contra os lábios vermelhos e inchados dela.

“Com certeza.” Hermione sorriu e beijou levemente a ponta do nariz dele, dando espaço para ele sair do pequeno quarto de hotel.

“Tchau, Granger.”

“Tchau, Malfoy.”

ASTORIA PISOU NO CHÃO DE MÁRMORE DA MANSÃO MALFOY após aparatar do Ministério para o terreno, o dia estava agradável, a temperatura perfeita, o completo oposto da loira mal humorada, ela estava irritada, magoada, fulminante! Tinha sido traída pelo marido! Como ele ousou tomar uma decisão tão importante sem consultá-la primeiro? Quem Draco Malfoy pensava que era para decidir o futuro deles sozinho? Alguém pagaria caro por isso, e pagaria com juros.

Não demorou a ouvir a música clássica trouxa tocando no escritório dele, Draco estava em casa, e pelo visto parecia muito feliz. Vai durar muito pouco essa felicidade! Pensou, enquanto largava as malas com um estrondo abafado no chão. Os elfos cuidariam das bagagens, agora ela cuidaria do marido.

As duas portas foram abertas sem a menor cerimônia e com força desnecessária, bateram com força contra a parede, fazendo Draco guardar o Profeta Diário.

“Olá.” Disse para a futura ex-esposa, que o fuzilou com os olhos. Ela pareceu que ia se engasgar com algo. “Quer me falar alguma coisa?” Ele perguntou enquanto preparava um chá, sem se virar em direção a ela em nenhum momento.

“COMO ASSIM CANCELOU O CONTRATO? EU FICO FORA POR ALGUNS DIAS E VOCÊ FICA MALUCO?” Astoria andava de um lado para o outro da sala, praticamente arrancando os cabelos dela, Draco estava sentado com uma xícara de Lady Grey na mão, admirando a decoração da sala de estar da mansão.

“Astoria...” Ele a olhou pela primeira vez naquela noite, os olhos azuis-bebês brilhando de raiva. “Eu quero o divórcio.”

Ela parou no meio da sala, era como se o tempo estivesse estacionado, ninguém se mexeu naqueles minutos que se seguiram depois do anúncio. Draco esperando por algo da mulher, e Astoria achando que estava enlouquecendo.

“O que?” Ela perguntou baixo, virando-se para ele e dando um passo em falso para trás.

“Eu já entrei com o processo, minha mãe já sabe e me apoia totalmente, seus pais ainda não foram avisados, porém, creio que uma coruja do Ministério chegue até Paris logo. Eu não estou pedindo o divórcio, não literalmente, eu estou informando que vou tê-lo. Você pode assinar e facilitar nossas vidas, ou pode deixar ir pelos meios jurídicos e demorados.” Ele largou a xícara na mesinha e se pôs de pé, limpando alguma sujeira imaginária do robe bruxo que usava naquela noite. “Se escolher a segunda opção, que eu sei que pretende, saiba que eu vou fazer tudo ao meu alcance para que você saia sem nenhum tostão do casamento. E bem, eu sou advogado do ministro... tenho muitas coisas ao meu alcance.” Ele andou em direção à saída da porta, apenas parando para falar uma última frase. “Suas coisas foram enviadas a um chalé em Wales, o seu preferido, as seguranças da mansão serão ajustadas assim que você aparatar para lá, e não será mais bem-vinda aqui. Eu sinto muito que tenha demorado tanto para perceber que eu nunca vou conseguir amar você de novo. Você deixou de ser a Tory que eu conheci e se tornou uma estranha. Esse casamento acabou há muito tempo.” Ele sabia que falando friamente desse jeito parecia muito com o menino que foi em Hogwarts, porém, também sabia que se tomasse uma iniciativa mais calorosa em relação ao divórcio, Astoria não levaria a sério. Não era tempo de brincadeiras e de piedade por ela. Ele poderia se arrepender disso depois, agora ele precisava ser feliz de novo, e pra isso, necessitava do divórcio.

DOIS DIAS HAVIAM SE PASSADO DESDE O PEDIDO DE DIVÓRCIO DE DRACO, eles decidiram que levariam o envolvimento deles bem lentamente e sem estardalhaço, Hermione não queria a vida divulgada novamente nos tabloides, já bastava todo o alvoroço sobre o seu divórcio com Ronald.

Poucos amigos sabiam do envolvimento recente dos dois, apenas Ginny, Blaise, Harry, Pansy e Luna, os que eram realmente mais íntimos.

Hermione estava feliz. Feliz como não era há muitas semanas. Não tinha mais o estresse do divórcio, nem a vaca da Astoria rondando seus pensamentos. Ela estava leve e solta, extremamente em paz consigo mesma e com sua vida.

A casa estava quase pronta para recebê-la novamente, havia dado os pertences que deveria dividir com Ronald de mão beijada, menos problemas para resolver. Depois de um trabalho cansativo de limpeza, com ajuda – nem tanto – de Draco, tudo estava indo para o caminho certo.

Hermione estava feliz. Feliz demais.

Notas finais
Agradecimento especial para minha beta: Cora linda. E para as meninas do grupo BITCHES que veem me dando um apoio enorme nesse momento da minha vida. E a todas as leitoras e leitores que tem paciencia comigo. Obrigada