Barriga de Aluguel
13 Confissão de Draco Malfoy
Notas iniciais
Capítulo 11: Confissões de Draco Malfoy
ELE ENCAROU O ESPELHO POR ALGUNS MINUTOS a mais do que o normal. Havia recebido uma coruja da garota do quarto avisando que havia feito um teste, e que o resultado fora negativo. Draco ainda tentava entender o conflito de sentimentos dentro de si, e num primeiro momento ficou desapontando. Receber a notícia de Astoria era uma coisa, recebê-la da garota dos encontros era diferente, mais íntimo. Depois, quando o baque da notícia passou, ele percebeu que isso significava mais encontros, e ele precisava desse tempo para descobrir quem ela era.
Ele encarou seus olhos cinza mais um pouco, até finalmente atingir o tempo máximo de protelação antes do trabalho.
DRACO ENCONTROU HERMIONE enterrada em uma pilha de documentos, ele sorriu para si mesmo, como ela podia resolver tantos problemas de uma única vez?
Com um sorriso de lado, ele escorou-se na mesa dela, e deliberadamente inclinou-se, fazendo sombra sobre os pergaminhos que ela lia.
“Malfoy, pode sair da frente da luz.” Ela disse seriamente, nem erguendo os olhos do pergaminho que lia.
“Precisamos conversar, o dia do seu encontro com um juiz foi marcado. Você sabe como é difícil conseguir um divórcio no mundo bruxo, então vamos repassar tudo para não ter nenhum erro.” Ele disse, sentando-se na cadeira em frente à mesa dela.
“Tudo bem, quando mais rápido me livrar disso, melhor.” Hermione cruzou os braços, enquanto Draco retirava da pasta os pergaminhos que precisariam rever. “Você retirou o pedido de pensão? Acredito que ele terá menos chances de ficar enrolando o processo se tivermos menos pedidos. Eu não preciso do dinheiro dele. Só quero minhas coisas intactas, e poder voltar para minha casa. O hotel é bom, mas eu estou cansada.”
Draco a encarou por alguns minutos, Hermione realmente parecia mais cansada, porém, ela também tinha um brilho ao seu redor, o mesmo brilho da época de escola.
“Sim, eu retirei.” Ele comentou, baixando os olhos para a quantidade absurda de trabalho na mesa dela. “Você deveria tirar uma folga. O seu processo é daqui a uma semana, você deveria estar descansada para enfrentar o cabeça-de-cenoura.”
Hermione assentiu, largando o corpo na poltrona confortável e tentando em vão relaxar.
Draco soltou os documentos com força na mesa e se ergueu. Com um sorriso malandro, ele deu a volta na mesa de Hermione e a puxou.
“Tive uma ideia brilhante.” Ele colocou ambas as mãos no ombro dela e apertou. “Nós vamos sair, e vamos ficar bêbados!” Disse com um sorriso enorme no rosto, como se fosse a ideia mais incrível que ele teve a vida inteira.
“Não...?” Hermione disse, estreitando os olhos e tirando as mãos dele de cima dela. “Nós estamos no meio do expediente!” Ela argumentou, passando por ele e andando até a janela. Como ela queria poder abri-la e respirar o ar puro, o perfume de Draco estava afetando seu corpo lentamente, como sempre afetava nos últimos dias.
“Qual é, Granger! Você quebrava as regras na escola o tempo inteiro!” Ele contra argumentou, pegando o casaco dela pendurado na cadeira e a varinha. “Apenas hoje, para relaxarmos, nunca mais te peço nada do gênero.”
Ela continuou encarando o encantamento que fazia a janela mostrar o dia lá fora, era oito e meia da manhã e ele queria sair para beber. Draco Malfoy estava fora da casinha. “Onde vamos achar bebidas a essa hora da manhã?” Perguntou descrente, apenas querendo apontar uma falha no plano perfeito dele.
O sorriso de Draco não sofreu nenhuma alteração. “Na minha casa, minha queridíssima esposa está viajando, e eu não tenho nenhum compromisso até mais tarde.”
“Somos assistentes do Ministro, não podemos simplesmente sair.”
“O Ministro está viajando com o líder dos Aurores, você deveria saber disso, Harry assumiu o lugar temporário do chefe de departamento.” Ele deu um passo na direção dela, e estendeu a mão. “Vamos, Granger, quantas vezes você já fez algo tão espontâneo?”
“Muitas?” Ela respondeu bufando, porém, ambos sabiam que ela já tinha se decidido. “Só dessa vez?” Perguntou nada confiante.
“Só dessa vez!”
JÁ ESTAVAM NA SEGUNDA GARRAFA DE FIREWHISKY, Draco estava estirado em um lado do seu escritório particular, a camiseta meio aberta, e sem sapatos, Hermione estava deitada de barriga para baixo no divã, rindo das histórias dele.
“Sério?” Ela perguntou, erguendo o rosto, os cabelos crespos tinham se soltado e caíam em seu rosto, os lábios estavam vermelhos e inchados e os olhos brilhavam por causa da bebida.
“Sim! Meu pai tacou o celular na parede e depois disso eu nunca mais comprei outro.” Draco colocou a mão na barriga, tentando controlar a risada. Havia contado para ela, da vez em que Potter o convencera a comprar um celular porque era muito mais rápido do que corujas. Seu pai havia encontrado o aparelho bem no momento em que ele começara a tocar, apavorado e sem varinha, Lucius tacou o objeto com força na parede, o quebrando no meio.
Hermione gargalhou mais um pouco, aos poucos a risada foi sumindo, dando espaço apenas para o silêncio e os pensamentos nublados que assombravam todos que bebiam um pouco demais.
“Por que você quis se separar do Weasley?” Draco perguntou depois de um tempo, enchendo mais uma vez seu copo de whisky.
“Eu não sei.” Hermione virou o corpo e encarou o teto de madeira do escritório. “Um dia eu acordei, depois de uma discussão nossa, e encarei-o dormindo ao meu lado. Ronald parecia exatamente o mesmo, ruivo, sardas... enfim, eu percebi que apesar da aparência, ele não era mais o homem com quem eu havia me casado. Eu percebi que em algum momento desses cinco anos que ficamos juntos, algo se perdeu. Acho que forçamos um pouco o relacionamento logo depois da guerra, querendo afogar nele tudo o que havíamos perdido. Talvez, se tivéssemos esperado e não casado tão cedo... talvez tivesse dado certo.” Ela suspirou, lembrando de como tinha sido difícil. “Ele não aceitou bem, ele acreditava que devíamos ser uma família perfeita, que eu estava agindo assim porque havia colocado o trabalho acima de tudo.” Os olhos castanhos encontraram os cinzentos do outro lado da sala. “Eu percebi que eu não amava Ronald o suficiente para dar uma família a ele. Percebi que não o amava o suficiente para seguir em frente.”
Draco apertava o copo com força, algo dentro dele se identificou com a história, entretanto, ainda eram casos diferentes, Hermione havia casado por amor, Draco nunca tivera isso... Talvez, nunca tivesse.
“O que foi?” Hermione ergueu-se e parcamente andou até ele, atirando-se ao seu lado no sofá, a mão dela apertou o seu braço. “O que você tem?”
Draco sentiu um aperto na garganta, agora acreditava que ter bebido muito havia sido uma péssima ideia, seu coração estava apertado e tudo isso era relacionado a uma garota que nem tinha um rosto. Seu casamento estava arruinado. Sua vida estava virada. Ele queria tanto libertação, queria tanto se ver livre disso de uma vez por todas, queria paz.
“E-Eu...” Ele respirou fundo. Depois da guerra, Draco assumiu muitas responsabilidades, a de limpar o nome da família foi uma delas. O casamento arranjado era a entrada para a sociedade e ele teve que aguentar pedra sobre pedra tudo o que o destino lhe deu.
Ele nunca teve um momento depois da guerra para colocar a cabeça no lugar, ele deixou de estar sob a pressão de Voldemort para entrar na pressão da sociedade.
Os braços de Hermione passaram ao redor de seu pescoço, e ele se sentiu pressionado contra o corpo macio dela, foi como se a barragem de uma grande correnteza tivesse explodido. Ele se agarrou com tanta força nela, despejando entre soluços e lágrimas tudo o que se passava dentro de sua cabeça. Sem perceber, Draco Malfoy havia acabado de confessar para Hermione que estava apaixonado por outra mulher.
“Eu nunca senti isso antes, assim...” Ele a encarou, o rosto ainda molhado e avermelhado pelas lágrimas, por algum motivo ela também chorava, mas a mente entorpecida dele não registrou isso. “Eu acho que...” Ele nunca terminou a frase. Hermione se jogou em sua direção, agarrando com força o rosto úmido dele entre as pequenas mãos, e a boca dela colidindo com força contra a dele.
Em um primeiro momento, tudo o que Draco conseguiu assimilar foi os lábios quentes e macios dela. Os olhos se fecharam com o impacto, e ele acabou caindo para trás, trazendo o pequeno corpo dela para cima do dele.
Hermione mordeu o lábio inferior dele, abrindo a boca dele e o beijando com tanta vontade que Draco ficou sem reação.
As mãos dele a pegaram pela cintura, e a apertaram inconscientemente, seu coração batia acelerado e sua mente dava voltas, Hermione estava o beijando. Hermione...
Draco afastou-se um pouco, e foi o suficiente para quebrar o clima. Hermione deu um salto do sofá.
“Merlin!” Ela encarou Draco, que estava abrindo e fechando a boca como um peixe fora d’água, ainda tentando entender tudo que se passava. “Eu sinto muito, eu... Me desculpa.” Com pressa e sem jeito, ela começou a juntar suas coisas no chão.
“Hermione, espere...” Draco ficou em pé e tentou alcançar o braço dela, tarde demais, porque ela aparatou bem na sua frente.
Sem pensar duas vezes, Draco aparatou em frente ao hotel onde ela estava hospedada.
Ele correu pela recepção em direção à escada, subindo tão rápido que quando chegou ao andar do quarto dela, estava completamente sem ar.
Sentindo dor pelo corpo, ele andou lentamente até a porta com os números 602.
Ele bateu uma vez, e não ouviu resposta. Bateu a segunda, e continuou sem ouvir nada.
“Hermione... Hermione, por favor, abra a porta para mim.” Draco colocou a cabeça contra a madeira da porta, respirando lentamente, tentando recuperar o fôlego perdido. “Vamos conversar, por favor.”
Ele fechou os olhos, e socou com fúria a porta, a fazendo tremer.
“Draco...” A voz macia e baixa de Hermione veio do outro lado da porta, ele podia dizer que ela estava chorando e por algum motivo isso apertou ainda mais seu peito. “Por favor, vamos conversar amanhã.” Ele sabia que ela estava exatamente atrás da porta, provavelmente colada a ela. “Por favor...” Ela soluçou, e Draco sentiu vontade de estourar a porta e entrar no quarto.
Porém, ele respirou fundo, deu um passo para trás e repensou no que faria.
“Você jura que não vai fugir de mim amanhã?” Ela não respondeu. “Só... Por favor, não seja uma covarde, Granger... Seja a garota que você foi na guerra.” Dizendo isso, ele saiu do corredor, em direção a saída, deixando Hermione chorando contra a porta de madeira do hotel.
Fale com o autor