Barreiras

1 Leo - Not Pleasured


Notas iniciais
Olá pessoal... Minha terceira fic! E acho que vou seguir com ela, kkkk Leiam aqui por favor! O nome de cada capítulo vai ser o POV e depois o nome, em inglês (porque eu amo inglês) e cada um vai ter uma música tema, e uma imagem se possível, que não precisa ser exatamente referente ao capítulo. Não existe uma tradução literal para esse título: "pleasured" significa "com prazer", como se você cumprimentasse uma pessoa "prazer te conhecer"e "not" significa não. Então, seria "não tenho prazer em te conhecer" Boa leitura! E leiam lá embaixo!

Paradise — Coldplay

www.youtube.com/watch?v=1G4isv_Fylg

***

Eu estava andando em direção a floresta, quando fui impedido por Annabeth. Na verdade, eu estava correndo, porque havia dias que eu não ia ao Bunker 9, continuar o projeto de Festus. Mas isso não importa.

­—Preciso que faça algo pra mim. — ela disse, com os olhos cinzas brilhando.

—O quê? — perguntei desinteressado, fitando a floresta por cima do seu ombro. Ela entrou no meu campo de visão.

—Uma meia-irmã minha chegou ao Acampamento, mas não posso fazer o tour com ela, tenho que dar aulas de grego antigo. — ela explicou — Pode fazer isso pra mim?

Encarei Annabeth por alguns instantes. Ela era uma das melhores pessoas que eu conhecia, e após me ajudar a construir o Argo II e enfrentarmos tantas coisas juntos, não posso negar que tínhamos uma amizade forte, mas seus olhos cinzentos ainda me intimidavam.

—O.k. — suspirei por fim — Faço o tour com sua irmã.

—Ótimo — ela sorriu — ela está na Casa Grande. Obrigada, Leo. — murmurei um “de nada” e ela saiu correndo em direção ao anfiteatro.

Rumei para a casa grande, reclamando comigo mesmo o fato de não poder trabalhar com Festus e criando esquemas na minha cabeça, quando notei uma menina que nunca havia visto antes. Deduzi que deveria ser a irmã de Annie.

Ela estava de costas pra mim, sentada na varanda da Casa Grande e conversando com Quíron. Ela tinha uma aparência atlética, como a irmã, e fiquei me perguntando se era regra todas as filhas de Atena terem esse visual. A única diferença é que ela parecia ter um pouco mais de curvas (não me entendam mal...). Mas o que mais me chamou a atenção foi o cabelo.

Era muito longo, batendo na base das costas, e bem cacheado, bagunçado, mas de um jeito bonito. A cor me intrigou. Da primeira olhada, pensei que fosse cor de mogno, como o de Piper. Conforme ia me aproximando, fui notando que o tom de castanho estava mais para um chocolate. Quando finalmente entrei na varanda, já não sabia mais a cor. Podia ser louro-escuro, ou castanho-claro.

—Oi, muchachos. — cumprimentei — Annabeth me pediu pra acompanhar a irmã dela.

Quíron assentiu, como se já esperasse por isso.

—Leo Valdez, essa é Hanna Corrêa. Hanna, esse é o Leo. — ele fez as apresentações. Quíron havia falado o sobrenome dela de um jeito estranho, hesitante, como se não soubesse a pronuncia correta. Soou algo como “Courreia”. Se estava errado, Hanna não se importou.

Permiti-me analisar um pouco a menina. Tinha a pele branca, não muito bronzeada. O rosto era calmo, as sobrancelhas levemente arqueadas, os olhos curvos, não como se fosse oriental, mas sim como se estivesse te analisando. O nariz era empinado, e a boca bem desenhada. Isso lhe conferia uma aparência de metida, e não gostei muito dela (pode me chamar de preconceituoso). Essa fisionomia, mais o cabelo, o corpo e o sobrenome, me fizeram crer que ela não era americana. Pra minha surpresa, ela sorriu.

—Oi Leo, prazer em te conhecer. — ela desceu da varanda e se aproximou de mim. Não sei o que tinha em mente, mas fez uma expressão confusa, se lembrou de algo e deu dois passos para trás, me estendo a mão — Hanna Corrêa, filha de Atena.

—Leo Valdez, filho de Hefesto. — apertei sua mão, não a achando mais tão metida assim — O prazer é meu, chica.

Ela riu, se despediu de Quíron, e começamos a passear pelo Acampamento. Eu lhe mostrava as coisas, explicava um pouco, e Hanna assentia, fazendo um comentário ou dois. Quando eu dizia alguma coisa em espanhol, seus olhos brilhavam, reconhecendo a língua. Mas ela não parecia latina. Quando eu fazia uma piada, ela ria levemente. Era bem simpática, a Hanna. Tinha o riso fácil, e bom humor. De vez em quando, me fazia rir também.

Não sabia quantos anos tinha, mas não era mais velha do que eu, e era bem alta; o topo da minha cabeça batia na linha de seus olhos, deviam ser uns quatro ou cinco centímetros de diferença. Seus olhos eram bem escuros, completamente negros, mas cintilavam a todo tempo. Ainda a achava um pouco metida, mas até que era uma menina legal.

Decidi tentar descobrir um pouco sobre ela.

—Você com certeza não é americana. — afirmei — De que país veio?

A garota me olhou de um jeito estranho, meio temerosa. Desviou o olhar.

—Talvez depois eu te conte. — ela mordeu os lábios — O... Lugar de onde eu venho sofre muito preconceito. Os americanos não gostam muito.

—Ninguém aqui tem preconceito algum! — disse, chocado. Pensei em quebrar o gelo com um pouco de humor — Quer dizer, não gostamos muito de monstros. Você sabe, eles saem quebrando tudo, matando semideuses... E deixam uma sujeira enorme por onde passam! Se você for pra floresta um dia desses, não recomendo o uso de sandálias. Uma vez eu...

Hanna começou a gargalhar. Ponto pra mim.

—Você é bem engraçado, Leo Valdez. Você... — ela pensou um pouco, acho que procurando o tempo verbal correto. Quase podia ver sua mente pensando, as engrenagens se mexendo e traduzindo da língua materna para o inglês — Você seria um bom amigo. Na verdade, deve ser. Deve ter muitos amigos aqui.

—Um bocado. — admiti. De uns tempos pra cá, minhas barreiras começaram a ruir. — Seu inglês é muito bom. Praticamente sem sotaque. — verbalizei o que estivera pensando.

—Obrigada. O inglês das pessoas do meu país é considerado sem sotaque. Faço curso desde os seis anos. — ela fez uma pausa. — Tenho catorze, sabe. Agora, eu nem traduzo mais... Já penso em inglês. Minha vida gira em torno disso. De vez em quando, me pegava falando em inglês com meus amigos!

—Devia ser bem engraçado! Você poderia pregar peças neles! Depois te ensino alguns truques. Espere, catorze! Caramba, como você é alta. E eu, nessa minha baixeza, com meus 16 anos. — fiz um geste amplo com os braços, como se dissesse: “Hey, olha pra isso!”.

—Dezesseis? — Hanna Corrêa cerrou os olhos, verdadeiramente me analisando. Se já achava seus olhos normais intimidadores, agora meu estômago estava nos meus pés. — Você ainda vai crescer. É nesse idade que os meninos dão o último estirão de crescimento. Eu, por outro lado, paro por aqui, 1,70 de altura. — pensou um pouco — Não é tanto assim, pra uma mulher adulta, e você provavelmente vai ficar mais alto do que eu.

Suspirei de alívio silenciosamente quando ela parou de me encarar. Não queria que Hanna me levasse a mal, mas seu olhar parecia esquadrinhar minha alma, me arrancar os pensamentos mais profundos. Minha antipatia voltou um pouco.

—Bem, eu espero. É meio chato pra mim. Antes eu não ligava tanto, mas agora eu tenho uma namorada, e é meio estranho.

Vi algo relampejar em seus olhos. Um pouco de raiva, ou um brilho maldoso, se divertindo às minhas custas. Senti o sangue subir nos meus ouvidos. Que garota chata! Como pude pensar bem dela? Decidi manter distância de Hanna dali em diante.

—Espero — ela disse secamente — que estejam felizes.

—Estamos muito bem, obrigado. — respondi de modo ríspido. Apontei uma construção. — Aquele é o chalé de Atena, número 6. Suas coisas já devem ter chegado.

Ela me olhou de um jeito estranho, como se estivesse magoada. Mas não era ela quem tinha começado? Hanna saiu batendo os pés.

O tour tinha chegado ao fim.

***

Enquanto afastava alguns galhos da trilha, pensava o que Hanna iria falar pra Annabeth sobre o tour. Se ela iria se fazer de vítima, choramingando, ou se iria dar uma descrição vaga com uma expressão de desprezo. Talvez um pouco dos dois.

“Bem,” pensei, “de qualquer forma, Annie me mata.”

Finalmente cheguei ao Bunker 9, e a porta rochosa já estava aberta. Lá dentro, Calypso tecia alguma coisa em seu tear. Apesar de não ser semideusa, ela ficava no Acampamento, e parecia gostar do lugar.

—Oi, Calypso. — cumprimentei, e a beijei na testa.

—Está atrasado. — ela reclamou, mas afagou meu cabelo, e percebi que não estava brava comigo.

—Desculpe. Tive que fazer um tour com a novata.

—A filha de Atena? — Calypso parou de tecer. — Annie estava ocupada, então.

—Sim, e pediu pra primeira pessoa que viu na reta, ou seja, eu, pra ficar no lugar dela. — ela assentiu.

—Bem, acho melhor começarmos logo, então. Compensaremos o atraso. — começamos a trabalhar.

Era bom ter Calypso me ajudando. Durante muito tempo, eu fazia tudo sozinho, mas desde que ela chegara, vivia me ajudando. Era bom, ter companhia. Quando eu estava trabalhando, ficava tão concentrado que as pessoas achavam que eu não notaria a presença de alguém, então ficavam por poucos minutos. Mas eu sentia a presença das pessoas, e era reconfortante trabalhar com alguém do meu lado. Principalmente com Calypso, do mesmo jeito que fizemos para sair de sua ilha, alguns meses atrás. Já sabíamos os movimentos um do outro.

Apesar de Festus já estar funcionando (e muito bem, modéstia à parte), eu queria dar alguns retoques nele, e havia outros projetos no Bunker, novas alas pra descobrir, novos inventos pra fazer, novas coisas para consertar. Calypso me ajudava com tudo isso. Ela não era a melhor namorada do mundo?

—Então, como ela é? — ela me perguntou.

—Quem, Hanna? — franzi a testa. Estava meio difícil trabalhar naquela fiação. — Não tão legal. Meio metida. — contei pra Calypso em detalhes o passeio.

—Talvez ela estivesse interessada em você. — e deu de ombros. Festus fez um chiado, como uma gargalhada.

—Ora, fique quieto. — encarei Caly.

No começo, achei que ela seria ciumenta, já que tantos caras abandonaram ela, e pelo jeito que me acusara de ter namorada, na ilha. Mas depois que ela percebeu que eu estava falando a verdade, que eu realmente gostava dela, passou a confiar mais em mim. Respeitou minha amizade com Piper, Hazel e Annie, e até se tornara amiga delas. Até mesmo de Annabeth, nossa! A namorada do ex-amor dela, Percy! Mas ela parecia ter perdoado a ambos. Imaginei que, se um dia ela desconfiar de algo, não vai dar vexame. Vai me chamar e conversar comigo, de igual pra igual.

—Ela pode ser uma encalhada também. — sugeri — Está com inveja do nosso amor.

—Leo, que cruel! — ela estava meio sorrindo, meio horrorizada. Me deu um soco fraco no braço. — Retire isso agora mesmo.

—Eu retiro. Talvez.

Ela riu de verdade e me beijou. Puxa, devíamos fazer isso mais vezes.

—Pensei que estivessem trabalhando, não se agarrando. — Jason gritou da entrada.

—Não estávamos nos agarrando. — Caly corou. — Seu superman loirão.

Acho que ela não sabia realmente o que era um superman, mas compreendia o quanto aquilo irritava ele.

—Além disso, eu não falo nada sobre você e a Piper. — completei. — Seu loirão. De onde você tirou isso? — perguntei, e Calypso deu de ombros.

(N/A: leitores de Estilhaça-me entenderam!!)

—Saiu na hora.

—Hey, hey, parem com isso! Vamos, é hora do jantar. — ele chamou

—Ok, loirão. — respondi, e Jason saiu praguejando algo sobre elfos latinos estúpidos.

—Ele ficou com raiva. — Caly ergueu as sobrancelhas.

—Ele vai ficar bem. Vamos.

Nós demos as mão e seguimos para o refeitório.

***

Eu já tinha ouvido pessoas de outros países, como da Europa, comentarem como era estranho que escurecesse tão cedo em Nova Iorque, ou da Ásia, comentarem que escurecia tarde. Pra mim, era simplesmente normal que às cinco da tarde o sol estivesse se pondo.

Sem querer, procurei Hanna pelo refeitório, e me surpreendi com seu cabelo novamente: àquela luz alaranjada, ele parecia pegar fogo. As mechas mais centrais estavam louro-douradas, e os fios que escapavam ganhavam um tom cobre. Me perguntei se ela realmente filha de Atena, pois eu já tinha ouvido falar que existiam filhas de Afrodite que podiam mudar de aparência.

Nossos olhares se cruzarem, e eu me preparei para uma expressão de surpresa, seguida por nojo ou desprezo. Mas quem ficou surpreso fui eu. Hanna me deu um sorriso tímido, e seu olhar tremulava, como se ela precisasse me dizer algo.

Enquanto Caly ia cumprimentar as meninas, eu me dirigi para a mesa de Hefesto, ficando de frente para o pôr do sol e de costas para a praia. Nyssa, minha meia-irmã, me cutucou.

—Hey – ela chamou minha atenção — ficou sabendo da novata?

—Bom, tecnicamente, fui eu que apresentei o Acampamento pra ela. Por quê? — nesse instante Jake se sentou estrondosamente à mesa e entrou na conversa.

—A menina — ele sussurrou aquele sussurro estranho, parecendo um grito rouco — é uma lenda!

—Por que, deuses? — sussurrei também.

—Porque só hoje, ela resolveu cinco das equações mais difíceis do chalé de Atena e fez uns sete cálculos pra gente! — Nyssa respondeu, também sussurrando — Ela chega a ser quase tão inteligente quanto Annabeth!

—Por que estamos sussurrando? — Jake perguntou, voltando a voz normal — Enfim, talvez ela não seja exatamente uma lenda, mas todo mundo está falando dela. Connor e Travis conseguiram o histórico escolar dela... Três sílabas: PER-FEI-TO!

—Ela vai ser de grande ajuda. — os olhos de Nyssa brilhavam.

—E além de tudo ela é... UAU! Uma gata! Você teve sorte, Valdez! — Jake não tirava os olhos da mesa de Atena, e os campistas estavam meio incomodados, mas Nyssa quebrou o contato visual começando a reclamar algo sobre machismo e os outros meninos tentavam especular a nacionalidade de Hanna, enquanto as meninas emburravam e faziam cara feia.

Depois de comermos, nos juntamos aos outros chalés e fomos ao anfiteatro, pra roda de cantoria. Alguns campistas resolveram ir pra cama, incluindo Calypso, então me despedi dela e procurei Jason e Piper, mas outra pessoa me chamou a atenção.

Hanna estava parada na entrada do local, as mãos nos bolsos do short jeans, parecendo envergonhada. Ela acenou pra mim, e se aproximou. Não estava entendendo nada, mas ela começou a falar.

—Quero pedir desculpas. — ela soltou rapidamente. Não tinha certeza se havia entendido direito.

—Pedir... O quê?

—Quero me desculpar... Por ter agido daquela forma mais cedo. — ela estava bem nervosa, torcia a barra da blusa, passava a mão pelo cabelo, colocava no bolso e recomeçava. Poderia ter um bom grau de hiperatividade — É só... Você falando da sua namorada, me trouxe algumas lembranças ruins. Digo, não que seja ruim você namorar, eu só me lembrei de algo ruim, eu não queria causar má impressão, digo, eu nem te conheço direito... Merda! — ela disparou e bateu a mão na testa.

—Ah. — eu não sabia o que dizer — Você se lembrou do seu... Hum... Ex-namorado?

—O quê? — ela piscou — Ah, não! Na verdade, é uma história meio longa, e chata, cheia de loucuras e dramas meus. Você não quer saber. — ela riu. — Bem, de novo, não quero que você pense que estou me metendo no seu relacionamento. Só... Escapou.

—Tudo bem. — respondi. Ela parecia estar falando a verdade.

—Que bom que resolvemos isso. — ela sorriu timidamente. — Até mais, então.

—Não vai ficar e cantar? Pode se sentar com a gente! — gritei antes que me contivesse. Ela acenou, já distante.

—Minha voz é horrível! — ela respondeu, e eu acenei de volta.

Enquanto me sentava com Jason e Piper, sentia que minha antipatia por Hanna se dissipava aos poucos. Deu pra ver em seus olhos... Alguém já a machucara.

Talvez ela não fosse mesmo má, afinal.

Notas finais
HEYYYY!!! Apresentando Hanna, a personagem mais foda de todas *-*Mentira, foi mal, Hanna, mas existem outras OC minhas mais legais (e estão só na minha cabeça, porque não consigo escrever!!) Provavelmente cada capítulo vai ser postado às terças, mas eu demoro muito a escrever, e só tenho 5 prontos, então, paciência comigo por favor! Tradução da música =====> http://www.vagalume.com.br/coldplay/paradise.html Bjs!