Vivien ficou em choque. Ela olhou para os lados e pôde finalmente entender o motivo de tantas pessoas continuarem ali, encarando-a como se uma coisa ainda estivesse faltando. O menino lindo, loiro e forte era ninguém menos que Ryan Rivers, aquele que Lauren havia beijado enquanto namorava Shane. Provavelmente não haveria coisa pior para se fazer. E mesmo sem ter havido como saber que era, entre tantos outros, o menino que Lauren havia se relacionado, Vivien sentia-se culpada e envergonhada.

Ela tentou ajeitar seus cabelos, jogando-os ao redor do rosto em uma tentativa de esconder suas bochechas vermelhas de nervosismo e vergonha.

- O que foi? — perguntou Ryan, dando uma risada — Se for por causa do beijo, saiba que o seu é ótimo — e mais uma vez riu.

Ele passou seus braços pela cintura de Vivien tentando aproximá-la mais. Ela deu um passo para trás, afastando-se dele empurrando-o com as mãos. Parecia que Ryan ainda não havia reparado que estava sendo observado por toda a multidão do Salão Principal.

- Ai, meu Deus — disse Vivien, baixinho.

- O que aconteceu? — perguntou Ryan. Agora sua expressão estava um pouco mais séria, mas mesmo assim ainda não parecia muito preocupado — Aconteceu alguma coisa?

- A pior das coisas — respondeu Vivien, olhando finalmente para Lauren.

Lauren encarava a garota com ódio. Seus olhos brilhavam por causa das lágrimas que se acumulavam e ela os coçava antes que qualquer gota pudesse cair por seu rosto, tentando evitar o que pudesse parecer um sinal de rendimento e humilhação.

- Por que todo mundo está olhando pra gente? — perguntou Ryan, agora mais sério.

- Merda, merda! — exclamou Vivien — Lauren... — começou ela, andando em direção à menina ainda parada.

Sebastian levantou-se para talvez apartar uma briga caso ocorresse. Mas Vivien foi cautelosa, e parou a alguns metros de distância de Lauren.

- Eu não sabia que ele era... meu Deus... eu não queria fazer isso. Quero dizer, eu não sabia que ele era o menino.... o Ryan — engasgou Vivien.

E finalmente Lauren fez algum movimento. Ela esticou a mão na direção de Vivien, e lhe fez um gesto obsceno com o dedo.

- Vai se foder, garota — disse ela, e saiu pesadamente do salão.

Vivien esperou que a menina fosse bater nela quando Lauren passou ao seu lado, mas isso não ocorreu. Da outra mesa, Louise levantou-se de um salto e saiu correndo em direção de Lauren. Sebastian puxou Vivien delicadamente pelo braço e a sentou de volta à mesa em que estavam sentados. Ryan ainda estava parado no corredor, sem entender nada do que estava acontecendo. Mas ele já não parecia mais estar sério. Muito pelo contrário: quando seus olhos encontraram os de Vivien, ele apenas disse com movimentos de sua boca:

— Depois a gente se fala, linda.

A menina ignorou a fala e encarou os amigos. Grant estava perplexo, Sebastian e encarava pronto para escutar um desabafo. Betsy e Harmony seguravam as duas mãos de Vivien.

- O que foi que eu acabei de fazer? — perguntou Vivien.

- Como assim? — rebateu Sebastian — Você não sabia que aquele era o Ryan?

Todos na mesa olharam Sebastian com impaciência. Algumas vezes, era preciso muita paciência para lidar com Sebastian e sua inocência.

- Pela minha cara de surpresa que devo ter feito, Sebastian, acho que eu não sabia — respondeu Vivien.

- Vivien, foi muito forte! — exclamou Betsy.

Vivien a encarou.

- Quero dizer, você quis provar que poderia beijar mais meninos na escola... E acabou provando, sem saber, com o Ryan, né — explicou-se Betsy.

- Eu estou me sentindo muito mal — reclamou Vivien — Eu não queria ter feito isso. E menos ainda na frente de toda a escola.

- Relaxa, Viv — acalmou-a Vincent, que havia acabado de chegar — Oi, gente — cumprimentou ele — Eu estava sentado com Lauren e Louise. E acho que Lauren teve o que mereceu...

- Não, não precisava ter sido daquele jeito... — disse Vivien.

- Mas por que deveras você gritou o nome do Ryan daquele jeito? Sabendo que a Lauren não parava de te encarar? Acho que quem estava na torre de Astronomia ouviu claramente o seu grito! — disse Harmony.

- Meu Deus, gente! Sei lá. Foi meio que automático — respondeu Vivien — Quero dizer... O nome estava na ponta da língua. E todo mundo fica muito aliviado quando finalmente conseguimos lembrar do nome! Aí eu falei um pouco mais alto, mas foi só por satisfação... Não quis fazer isso de propósito.

- Agora não importa, se você quer saber — disse Vincent, curto e grosso.

- Verdade — concordou Grant — O que foi feito está feito. Não tem como agora chorar.

- Acho que a Louise deve estar conversando com a Lauren e dando conselhos à ela — comentou Vincent — Se isso te faz melhor, quem sabe depois você não se esclarece um pouco mais e pede desculpas? — sugeriu — Não precisa tornar-se amiga dela.

Era realmente uma boa ideia.

- Talvez eu faça isso... — disse Vivien — Mas se ela não me pedir desculpas também...

- Ah, querida — começou Betsy — Isso aí eu tenho quase certeza que Lauren não fará.

Vivien passou os olhos pelas mesas. Na verdade, era um modo disfarçado apenas para olhar para o lindo garoto que Ryan era. Mas era claro que Vivien olharia para ele apenas para ver se ele a encarava, e não para ficar admirando sua beleza.

E foi positivo. Quando encontrou Ryan, lá estava ele encarando a menina, com um sorriso sedutor. Ele piscou seus olhos para ela, e lhe mandou um beijo.

- Só pode estar brincando... — disse Vivien baixinho.

- O que foi? — perguntou Harmony.

- O Ryan agora pensa que tem chances comigo... — respondeu Vivien para toda a mesa — Acabei de vê-lo e ele me mandou um beijo.

- Talvez ele esteja brincando — disse Harmony.

- Ele piscou pra mim — retrucou Vivien.

- Amiga, investe! — disse Betsy.

Vivien e Harmony voltaram os olhares para a garota.

- Como? — perguntou Vivien.

- Ai, por favor! — pediu Betsy — Você acha que se o Rivers quisesse me dar uns amassos eu estaria ficando com este traste? — perguntou ela, apontando para Grant.

- E é assim que sua auto estima fica lá em cima... — comentou Grant.

- Vivien, ele é muito gato! — continuou Betsy, ignorando Grant — Na minha opinião, um dos mais bonitos da escola.

- Não, Betsy! — negou Vivien — Pra piorar ainda mais a situação?

- Você quem sabe... — disse Betsy — Eu pegaria fácil...

E quando Betsy olhou para o lado, pôde ver Grant a encarando, muito sério.

- Muda essa cara, querido — disse ela — Porque se o Ryan quiser, vai acontecer!

- Você é realmente um amor — retrucou Grant.

- E pensar que há alguns minutos eu estava pensando em conversar com a Lauren a respeito do que aconteceu entre nós — comentou Vivien.

- Provavelmente agora está tudo acabado — disse Sebastian — Não me leve a mal, Viv, mas beijar o Ryan foi a última gota.

- Eu preciso ir — disse Vivien, levantando-se da mesa — Ainda preciso finalizar um trabalho de História da Magia. Vejo vocês mais tarde.

Os outros cinco na mesa despediram-se da garota, e Vivien começou a andar para fora do Salão. E ao passar ao lado de Ryan, pôde ver que ele estava levantando-se do banco. Vivien fingiu não ter visto aquilo, e apressou o passo.

Mas seu braço foi puxado pelas mãos do garoto. Vivien pôde ver os músculos de seu braço, e ela sentiu vontade de beijar Ryan mais uma vez. Só mais uma vez.

- Opa, espera aí — disse Ryan — Por que tanta pressa?

- E-eu preciso fazer um trabalho de... um trabalho — respondeu Vivien, atrapalhada.

- Não precisa ficar nervosa — disse Ryan, soltando mais uma de suas sedutoras risadas — Eu só queria dizer pra você que eu sinceramente espero que continuemos a nos ver.

Vivien arregalou os olhos. É claro que ela queria dizer sim.

- Eu não sei... Foi um erro muito grande eu ter feito aquilo — disse ela — Não deveria ter acontecido mesmo.

- Relaxa, Vivien — disse Ryan — Você já disse que não sabe. Significa que você não tem certeza. E eu aposto que você quer, mas a consciência pesa — e mais uma vez, sorriu.

Vivien iria desmaiar pelo desejo de beijar aquele menino.

- Olha, Ryan... — começou ela — Seja o que for que aconteça entre nós, não acontecerá agora. Não antes de eu resolver algumas coisas...

- Eu sei do que se trata — disse ele — As pessoas me falaram depois. Que azar o seu, hein? Foi logo me beijar... Se bem que isso é uma sorte, não é?

Vivien corou.

- Eu já estou te deixando sem graça — disse Ryan — Mas saiba de uma coisa: se você quiser que ninguém saiba, eu não vou ligar. Ir pra um lugar escondidos, um lugar escuro... Isso me anima.

Ele passou seus braços musculosos por Vivien, e deu um abraço na garota. Disfarçadamente, enquanto a abraçava, pegou a mão da garota e a botou em uma parte íntima demais. Vivien concluiu que pelo menos naquele instante, Ryan estava realmente muito animado.

Vivien rapidamente afastou-se do garoto, e ficou vermelha mais uma vez. Mas agora era de raiva.

- Nossa, se assustou com alguma coisa? — riu ele.

- Olha, isso poderia ter acabado com qualquer coisa que você pudesse ter comigo — começou Vivien. Ela não se preocupou tanto com o fato de pessoas terem visto aquilo, porque foi realmente algo discreto — Mas eu vou te desculpar, mas já sei que você é um babaca. Eu não sou mais uma das oferecidas que devem ficar de joelho pra você, garoto.

E ela não esperou para ver a reação de Ryan. Saiu logo assim que disse aquilo, com muita raiva, e tentando esvaziar sua mente sobre o fato que acabara de acontecer.

*****


Os dias estavam passando rápido. Já era dia 22 de dezembro, e um Natal chato, na opinião de Vincent, se aproximava. Junto de Eric, Sebastian e Louise, os quatro haviam enfrentado uma fila imensa para entrarem na Dedosdemel. Faltavam apenas mais quatro pessoas para entrar, e eles seriam os próximos. Impacientes, pois faltava pouco tempo para o expresso de Hogwarts partir. Alguns minutos de atraso, e eles teriam que ficar na escola, atrapalhando os planos de suas famílias.

Vincent e Louise haviam parado de ficar há alguns dias. Ele achava Louise muito bonita e simpática, e havia sido uma decisão de ambos terminarem. Shane havia superado aos poucos o divórcio dos pais, mas mesmo assim permaneceu com a decisão de ficar em Hogwarts no Natal. Eric e Harmony estavam cada vez mais juntos, e algumas vezes deixavam escapar um "amor" quando chamavam um o outro. E isso era motivo para todos zoarem o casal. A relação de Vivien e Lauren não teve nenhuma melhora, mas depois do incidente de Vivien e Ryan, os conflitos de ambas as partes havia acabado. As duas não se falavam, e se não fosse por Louise e Vincent, que eram os que mais sentavam-se junto de Lauren, a menina ficaria sozinha. Pois Shane, Eric, Betsy e o resto sentavam-se mais com Vivien.

"Pobre Lauren", pensava Vincent. Ele estava certo de que Lauren havia vacilado muito, mas conseguia entender que ela tentou sim voltar a namorar Shane, e que não conseguia enteder a decisão do ex de não reatar o namoro.

- Menina, entra, entra! — disse Louise para uma garota distraída quando as portas abriram-se para ela — Da próxima vez, eu passo na sua frente!

A garota entrou assustada, e Eric começou a rir.

- Instintos de sobrevivência — riu Louise — Não pode dar mole!

- Será que vamos demorar tanto tempo assim? — perguntou Eric — Ficaremos para trás.

- Isso não! Eu abro mão dos feijõezinhos para embarcar no expresso — disse Sebastian.

- Calma! Tem uns quatro pagando os doces — disse Louise, quase colando o rosto no vidro da vitrine para enxergar melhor — Ah!

- O que? — perguntou Eric.

- Eles estão vindo! Somos os próximos! — respondeu Louise.

Sebastian abriu um sorriso.

- Rápido, só temos alguns segundos — começou Louise, puxando os três em sua direção — Sebastian, você cata os feijõezinhos. Eric, cuide das varinhas de alcaçuz e os tabletes de nugá. Vincent, avance nos fios dentais de menta. E eu cuidarei dos sapos de chocolate!

- Eu não estava querendo nada disso... — comentou Sebastian.

- Foda-se — disse Louise — E lembrem-se: ninguém é o mesmo lá dentro. Mordam, arranhem e matem, mas consigam os malditos doces.

- Eu estou com medo — disse Sebastian.

- São só doces, Sebastian — disse Vincent.

- Estou com medo da Louise — respondeu Sebastian.

E entã, quatro meninos saíram correndo da loja. Provavelmente para não se atrasarem para o expresso.

- AGORA! — gritou Louise.

Ela entrou na frente, afastando com as mãos duas meninas que estavam na sua frente.

Os meninos entraram logo atrás, ainda um pouco asssutados. Sebastian levou tudo a sério, e corria pela loja procurando pelos feijõezinhos. Já Eric foi andando tranquilamente em direção às varinhas de alcaçuz, que ainda estavam em bastante quantidade nas prateleiras.

Eric reconheceu que Louise, pelo menos em algum ponto, estava certa: os estudantes ali dentro estavam bastante eufóricas. Um empurrando o outro, e alguns até mesmo discutindo por algum doce. Mas Eric também entendia que tudo aquilo também era devido ao medo de não ficar para trás. Ele mesmo não queria, e Eric lembrou-se de se apressar.

- Todos já pegaram? — perguntou Louise, em algum lugar da loja.

- Sim! — responderam Vincent e Sebastian.

- Não — respondeu Eric.

- Pelo amor de Deus, Eric... — reclamou Louise. Em poucos segundos, a menina já estava parada ao seu lado, pronta para lhe ajudar — E então? O que falta para a senhorita pegar?

- Os tabletes... — respondeu Eric, impaciente.

Louise foi atrás dos tabletes, que ficavam duas prateleiras atrás da que Eric estava. Mas ela não demorou lá. E quando voltou, estava de mãos vazias.

- Os tabletes não ficavam naquela prateleira? — perguntou ela, apressada.

- Sim. Não conseguiu achá-los? — perguntou Eric.

- Não, eu não consegui! — Louise respondeu preocupada.

- Calma, Louise. Talvez estejam espalhados, tá vendo? — e Eric apontou para a sua prateleira. Ao lado das varinhas de alcaçuz, haviam fios dentais de menta espalhados — Estão todos misturados. Vamos continuar procurando.

- A minha mãe quer tanto um tablete... — lamentou Louise.

- A minha também, mas nós não vamos desistir, né? — perguntou Eric.

- Claro que não! Vamos procurar! — gritou Louise — Sebastian! Vincent! Venham aqui!

Vincent apareceu em alguns segundos ao lado de Eric, e Sebastian ainda os procurava.

- Você pode falar um pouco mais alto? — perguntou Vincent.

- Mas eu já estou gritando! — gritou Louise.

Vincent tapou os ouvidos.

- Foi uma ironia — respondeu ele.

- Me desculpe — disse Louise. Sebastian havia acabado de chegar — Muito bem. Precisamos de achar os tabletes de nugá. Não estão aqui. Devem estar espalhados.

- E precisamos de mais ou menos quantos? — perguntou Sebastian.

- Pelo menos um pra cada um. Agora vão! — gritou Louise.

Ela saiu na frente, empurrando as duas mesmas meninas que havia empurrado antes. Eric foi para as últimas prateleiras. Verificou cada uma cuidadosamente, sempre atento para achar qualquer embalagem dos tabletes. E no meio de algumas caixas de feijõezinhos (que também não deveriam estar ali), ele conseguiu achar duas delas.

- Consegui! — gritou ele — Consegui achar os tabletes de nugá! Mas só dois!

- Onde?

- Tabletes?

- Eu também quero!

- Ele está ali!

As pessoas dentro da loja encararam Eric como se ele fosse um pedaço de carne. E em seguida avançaram para o lugar onde ele estava. Elas corriam empurrando umas as outras, completamente loucas.

- Meu Deus — disse ele.

- Eric, corra! — disse Vincent — Ou você vai ser pisoteado ou esmagado. Ou os dois!

Eric saiu do lugar depressa, enquanto alguns tentavam perguntar a ele onde havia achado os tabletes. Eric não respondeu, e rapidamente encontrou-se com Sebastian. Ele entregou um tablete a ele e o outro deixou em seu bolso.

Ele avistou Vincent no fundo da loja, agora quase sem pessoas amontoadas, e Louise desesperada mexendo em algumas caixas de sapos de chocolate com esperança de encontrar mais alguns tabletes.

Quando Eric olhou para Vincent novamente, pôde vê-lo levantando um tablete de nugá para ele. "Esperto, Vincent", pensou ele. Vincent não gostaria de ser pisoteado por centenas de pessoas se ele também gritasse que mais um tablete foi achado.

Louise havia percebido que todos haviam achado, e apenas ela era quem faltava para o achar o tão valioso tablete.

- Que droga! Sou a única a não achar um tablete nessa droga! — reclamou ela.

- Calma, Louise. Vamos te ajudar — disse Sebastian.

- Então continue a procurar nas outras prateleiras, e eu continuo nessa — sugeriu ela.

Louise continuava espalhando as caixinhas de doces que encontrava pelas prateleiras. Então, de repente, se deu conta de que tudo aquilo era ridículo. Na verdade, estranho. Todos ali estavam tão apressados para comprar doces porque estavam atrasados para o expresso. Mas depois do Natal, tudo estaria de volta nas prateleiras, e ela poderia comprar quantos tabletes quisesse.

Falaria para a sua mãe que compensaria levando três tabletes para ela no recesso. Era isso. Pararia de procurar agora.

- Galera... — começou ela — Eu desisto. Vamos indo que ainda tenho que colocar algumas coisas na mala e...

Mas ela parou de falar de repente. Ali no chão, quase brilhando, estava provavelmente o único tablete restante em toda a Dedosdemel. Estava a menos de dois metros de distância, atrás de uma multidão que poderia pisotear o tablete a qualquer momento.

- Então vamos — chamou Sebastian.

- Não! Espera! — gritou ela.

Louise correu como se não houvesse chão os poucos metros que a separavam do tablete. Ela ajoelhou-se para pegá-lo, e quando sua mão apenas encostou no tablete, um segundo depois outra mão o pegou e começou a levá-lo.

- Ei! — gritou ela para um menino do sétimo ano de Corvinal que segurava o tablete — Isso daí é meu!

- Seu? Você pegou? — perguntou ele.

- Garoto, me dá isso! — pediu Louise.

- Você pegou? — insistiu ele.

- Não! Mas eu ia pegar! Eu encostei nele antes de você! — rebateu Louise — Apenas não o peguei.

- Sai, pirralha. Isso é meu — disse o garoto, e deu as costas à ela.

- Pirralha é a mãe — disse ela baixinho.

Louise pulou nas costas do menino.

- Devolve! Devolve! — gritou.

Sebastian estava prestes a chorar de tamanho medo de Louise.

- Meu Deus, o que há com essa garota? — perguntou ele.

- Provavelmente uma possessão... — sugeriu Vincent.

Todos os pensamentos de deixar para comprar os tabletes depois do Natal foram por água abaixo. Pelo menos não desistiria do doce por causa do menino esnobe que praticamente o roubou dela.

- Sai de cima de mim, garota! — gritou o menino, tentando puxar Louise pelas pernas.

Louise pegou algumas caixas de feijõezinhos e começou a bate-las na cabeça do menino.

- Ai ai! — disse ele — Sua doida! Toma, pega isso aqui.

Ele esticou o tablete para Louise. Antes que pudesse descer das costas dele, ela certificou-se e pegou o tablete e o colocou em seu bolso bem fundo.

- E isso é pra você aprender a não roubar o docedos outros. E nem me chamar de pirralha.

Louise pegou outra caixa de feijõezinhos e tampou na direção do menino. Mas ele abaixou-se, e a caixa foi diretamente na cabeça de uma menina que estava no meio da multidão.

- Ai! — disse ela. Ela abaixou-se e pegou a mesma caixa de doce que Louise acidentalmente tampou nela. Porém, ela tampou diretamente no menino que estava ao lado de Louise, de costas para ela.

O menino olhou para trás e viu a menina olhando para ele.

- Idiota! — disse ele à atiradora. Ele abaixou-se para pegar uma caixa, enquanto a menina que Louise havia atirado a caixa também providenciou mais uma caixa. Os dois então miraram-se por um tempo. E simultaneamente, atiraram as caixas em direção um a outro.

Infelizmente, ambas as caixas acertaram pessoas totalmente diferentes. E as mesmas ficaram igualmente irritadas.

- Guerra de doces! — gritou Louise.

- Você está louca? — disse Eric.

Mas era tarde demais. Caixas e mais caixas estavam voando pela loja. Feijõezinhos coloriam o ar, jogados de um lado ao outro. As duas atendentes, uma mulher jovem e uma outra mais velha, olhavam assustadas e gritavam tentando apartar a guerra.

- Vamos sair daqui! — gritou Louise, rindo.

Sebastian estava parado, assustado, e já havia levado duas caixas na cabeça. Vincent e Eric estavam abaixados atrás de uma prateleira, mas nenhum dos dois tampavam alguma coisa.

- Mas ainda não pagamos, Louise! — disse Vincent.

- Vamos sair sem pagar! — sussurrou Louise em seu ouvido — Sebastiaan! Vamos! — gritou ela, e um feijãozinho de cereja entrou em sua boca.

Sebastian correu para o lado da menina. Louise olhou para a guerra, e o menino que havia pegado seu tablete estava levando várias caixas na cabeça.

- Bem feito, babaca! — disse ela aos risos.

Os quatro saíram de loja disfarçadamente, mas nem precisavam: as atendentes tinham seus olhos apenas para os estudantes que riam com a guerra de doces.

Eric e Louise saíram da loja rindo, e Vincent olhava para os dois surpreso, mas com um sorriso.

- Louise, você começou uma guerra — riu Eric.

- Você é completamente pirada — disse Vincent.

- O importante é que conseguimos "comprar" tudo o que queríamos! — disse ela.

Quando os três olharam para Sebastian, o menino estava agachado. Ele havia acabado de vomitar em pequena quantidade.

- Meu Deus, Sebastian! — disse Louise — Você está bem?

Eric e Vincent ajudaram Sebastian a se levantar.

- Agora estou melhor — respondeu ele, recompondo-se rapidamente.

- O que aconteceu? Recebeu algum soco no estômago? — perguntou Vincent.

- Não, muito pior — respondeu Sebastian, enquanto os quatro já caminhavam de volta para Hogwarts, prontos para contar sobre a guerra de doces que presenciaram — Engoli um feijãozinho de vômito.

Notas finais
Algumas considerações importantes: uma pessoa que eu conheço pessoalmente e que leu minha fic me disse que há alguns erros de português e palavras repetidas, letras avulsas e afins... Eu gostaria de dizer que escrevo os capítulos em um bloco de notas, já que o Microsoft Word não abre no notebook da minha mãe. E ele poderia me indicar alguns erros de palavras. Porque, modéstia à parte, eu escrevo muito bem quando o assunto é gramática.

Mas algumas vezes a pressa não me ajuda, e acabo deslizando em alguns erros. Então, por favor, desconsiderem.

O capítulo dessa vez foi pequeno, mas a parte na Dedosdemel foi divertida de se escrever. Garanto que o próximo capítulo, o de Natal, estou realmente muito animado para escrever. Algo muito importante irá acontecer.

E aos outros, espero suas opiniões. Abraços,

PEDRO ROGERIO