Bargain
28 Stay with me
Notas iniciais
Tobias
Sinto alguém me cutucando levemente e abro os olhos, ainda meio perdido. Tris ainda dormia pacificamente nos meus braços. Levanto os olhos e vejo a enfermeira me olhando atentamente. Ela estava acompanhada do médico que Shauna tinha me dito que tinha atendido Tris.
— Bom dia — Ele fala, antes que eu possa raciocinar tudo que estava acontecendo — Você deve ser o namorado e pai das crianças — Ele diz e eu confirmo, com um aceno de cabeça ainda sonolento — Desculpa incomodar, eu vim ver como ela está — Ela fala. O médico era novo e me parecia o tipo de pessoa muito tranquila.
Eu cutuco Tris delicadamente, torcendo para não assustá-la. Ela abre os olhos e boceja, me parecendo um pouco perdida. Ela olha pra mim e em seguida para as duas pessoas paradas a nossa frente, parecendo tentar sintonizar tudo que estava acontecendo.
— Bom dia — Ela diz, se sentando e se encostando em mim. Eu dou um beijo em sua testa enquanto os outros dois respondem ao cumprimento.
— Eu vim dar uma olhada em você e ver se já posso te dar alta — O médico a informa e ela concorda com a cabeça. Ele pergunta como ela está se sentindo e ela reclama dos remédios fortes que tinham feito ela tomar. Eu abro um sorriso. Tanta coisa acontecendo e ela reclamando dos remédios que causavam sonolência.
O doutor a examina e diz que ela e os bebes etão bem, o que me faz sentir mais alivio ainda. Ele dá alta, mas diz que qualquer coisa que ele sentir, era pra voltar imediatamente ao hospital.
— Eu disse que não era nada demais — Ela fala, olhando pra mim — Você não precisava ter ficado desesperado e voltado pra Chicago antes do previsto — Ela faz uma pausa — Não que eu esteja reclamando — Ela sorri e eu a beijo delicadamente.
— Você me conhece — eu digo, a abraçando — Eu sempre vou super reagir a qualquer coisa que diga respeito a você ou a nossos bebês.
— Eu te amo por isso — Ela diz, me dando um beijo.
— Eu também te amo — Eu respondo, recolhendo as coisas dela que estavam espalhadas pelo quarto. Nós íamos embora dali.
Nós nos dirigimos para a garagem do hospital vagarosamente e de mãos dadas.
— Você quer fazer o quê? — Eu pergunto, dando um beijo nela — Quer ir pra casa, quer ir tomar um café da manhã em algum lugar? — Eu abro a porta do carro pra ela e a ajudo a entrar.
— Acho que nós podemos parar em algum lugar pra tomar café — Ela responde assim que eu entro do lado do motorista — E depois eu queria passar na nossa casa — Ela diz e eu sorrio — Era pra eu ter ido lá ontem, mas…
— Combinado então — Eu respondo, dando partida no carro e saindo do hospital. Tris liga pra Shauna, agradece por ela ter ajudado e informa que já tinha deixado o hospital.
Eu dirijo até um café perto da nossa futura casa. Nós descemos e passamos pela porta, sendo levados à nossa mesa em seguida. Vejo Tris me observando atentamente.
— Que foi? — Eu pergunto, rindo. Ela abre um sorriso.
— Nada — Ela diz simplesmente, dando de ombros — Só estou pensando na minha sorte — Ela sorri pra mim e eu dou uma risada, aproveitando para sentar ao seu lado. A atendente nos enrega o cardápio.
— E eu pensando em como você é a melhor coisa da minha vida — Eu digo, ganhando um beijo dela em seguida — E a mais teimosa também — Eu acrescento, a fazendo dar uma gargalhada.
— Eu ainda estou me acostumando com o fato de que eu não preciso mais resolver tudo sozinha — Ela diz, me dando um beijo na bochecha enquanto eu a abraço.
— Confessa logo que você é teimosa — Eu digo, brincando com ela, que me dá uma cotovelada de leve — Ou melhor, que você é muito teimosa. Absurdamente teimosa.
— Eu não — Ela diz, simplesmente — Você é teimoso. E preocupado — Ela arqueia a sobrancelha — Mais uma vez, não que eu esteja reclamando de você ser a pessoa mais fofa e mais preocupada do mundo.
— Eu sempre vou cuidar de você — Eu digo, no mesmo instante que a garçonete traz o nosso pedido — E você não devia estar comendo alguma coisa mais saudável não? — Eu pergunto só pra atiçar, olhando o copo de café, o pedaço de bolo de chocolate e os cookies. Tris me olha feio e eu dou risada.
— Tira o olho da minha comida — Ela responde, rindo — Foca no seu milkshake acompanhado de brownie e pão com Nutella e pensa bem em quem é menos saudável.
— Um a zero pra você — eu digo, dando uma mordida no pão. Ela ri. Eu simplesmente amava quando ela ria. Era como se preenchesse tudo dentro de mim. Ela toma um gole de café, resmungando que estava sem açúcar logo em seguida.
Nós dois terminamos o café da manhã e depois voltamos para o carro, rumo a nossa casa. Eu consigo perceber algumas diferenças na casa ao estacionar o carro. Por fora, tanto as paredes quanto as portas e janelas já estavam com nova cor.
— Por favor, me fala que você não odiou as cores do exterior — Tris fala, me olhando atentamente. Eu dou um sorriso pra ela.
— Eu amei — Eu digo, saindo do carro e dando a volta, para ajudá-la.
— Espero que você goste da parte de dentro também — Ela diz, me dando um sorriso — Não está pronto ainda e as coisas estão todas bagunçadas, provavelmente, mas vai ficar legal — Ela complementa, abrindo a porta da frente e passando por ela. Eu a sigo de perto, fechando a porta atrás de mim.
Realmente, a casa estava uma bagunça — caixas espalhadas para todos os lados, ainda com os celos das lojas — mas estava tudo ficando lindo. A sala já estava pintada e mobiliada, assim como a cozinha. Todos os banheiros da casa também já estavam devidamente azulejados e mobiliados.
Os quartos e os escritórios ainda precisavam da pintura e da instalação das mobílias, mas parecia que tudo já estava encaminhado. Tris realmente não brincava em serviço. O exterior da casa era o que mais estava atrasado na obra. As pinturas já estavam feitas, mas ainda precisava colocar grama, fazer o jardim, azulejar a piscina, distribuir os móveis, terminar a área de churrasco, a varanda e a garagem.
— Você sabem quem está cuidando do design da casa? — Eu pergunto, a abraçando — Tô querendo contratar. Isso aqui tá ficando demais — Eu completo, ganhando um beijo dela.
Tris se afasta de mim, pegando um pequeno vaso de flor que estava na bancada da cozinha e indo em direção à porta de ligação com o lado de fora. Ela estava no meio do caminho quando para de andar e o vaso cai de sua mão. Vejo-a ficar paralisada. Eu demoro alguns segundos para reagir, mas corro em sua direção.
— Tris? — Eu chamo, desesperado, a olhando atentamente — O que aconteceu? — Ela olha pra mim e eu vejo seus olhos se encherem de lágrimas — O que você está sentindo? — Eu pergunto, entrando em pânico. Ela se limita a pegar uma das minhas mãos e encostá-la em sua barriga.
— Eles… eles mexeram — Ela diz e eu abro um sorriso, encantado com o acontecido — Foi a primeira vez que eu senti — Ela sorri e eu toco sua barriga com as duas mãos. Nós ficamos parados, desse jeito por um bom tempo.
Eu consigo perceber um leve movimento. Nós dois trocamos um olhar. Os olhos dela estavam cheio de lágrimas e eu desconfio que os meus também. Esse momento só não superava quando ela tinha dito que também me amava e quando ela tinha aceitado se casar comigo.
— Eu amo tanto você — Eu digo, a beijando — Eu amo vocês — Eu completo e ela joga os braços ao redor do meu pescoço, me dando um beijo em seguida.
— Nós também te amamos — Ela responde, escondendo o rosto no meu peito — Muito — Eu beijo o topo de sua cabeça.
Nós enrolamos mais alguns minutos ali, mas depois voltamos para o meu apartamento. Tudo que eu mais queria agora era poder passar o resto da tarde com ela, debaixo de um edredom e assistindo algum filme ou alguma série. Por mim, nós poderíamos continuar dessa forma pro resto da vida.
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