Bargain
24 Game on
Notas iniciais
Tris
Era uma terça feira chuvosa. Acordo com o despertador de Tobias tocando insistentemente. Ele se mexe na cama até achar o celular.
Eu aproveito para me levantar também. Eu havia acordado bem disposta e de bom humor, o que significava que seria um dia produtivo para voltar à decoração da nossa casa.
— Parece que tem alguém que levantou bem disposta hoje — Tobias diz, brincando comigo e me dando um abraço. Fazia uns dias que eu acordava com vontade de ficar na cama o dia todo e com vontade de comer tudo que eu via pela frente.
— Já tava na hora de sair dessa cama um pouco — Eu respondo, dando um beijo nele.
Nós vamos para a cozinha e eu preparo o café enquanto ele faz as panquecas. O apartamento dele estava uma zona, porque nós estávamos decidindo o que seria doado e o que nós levaríamos para a nova casa. Caixas estavam espalhadas pelo espaço todo.
Nós tínhamos decidido ficar só aqui pra não ficar num vem e vai entre o meu apartamento e o dele. Era mais fácil assim. Me apartamento já estava praticamente vazio. Eu havia decidido manter o espaço para fazer de escritório. Eu precisaria de um quando começasse a trabalhar e lá era perfeito. Não era muito longe da nossa casa e nem da empresa de Tobias.
— O que você vai fazer hoje? — Ele pergunta, me dando um abraço forte logo em seguida.
— Eu tava pensando em decidir as cores da casa — Eu informo — Alguma sugestão? — Eu pergunto, já sabendo que ele provavelmente diria que confiava em mim pra decidir isso.
— Tanto faz — Ele respondo — Tudo menos laranja ou amarelo. Eu odeio essas cores — Ele faz uma careta fofa, o que me faz rir — Mas confio em você.
— Se bem que… — Eu começo, meio pensativa — Eu acho que vou deixar as cores pra depois, porque eu preciso saber o sexo dos bebês primeiro, aí eu já decido tudo junto.
— Você é um gênio — Ele diz, me assustando — O sexo dos bebês. Eu sabia que estava esquecendo alguma coisa — Ele diz e eu tento me sintonizar — Já deram os quatro meses, nós precisamos marcar a próxima ultrassonografia.
— True — Eu digo, olhando pra ele — Por Buda, Tobias. Já passaram quatro meses. Daqui a cinco meses nós vamos ter duas coisinhas pequenas pra cuidar e amar. E morder — Eu acrescento, fazendo-o rir.
— Zeke me pergunta todos os dias quando vamos descobrir o sexo das crianças porque ele não aguenta mais viver sem saber — Ele me diz e eu dou risada.
— Shauna idem — Eu conto — Ela está me deixando louca, juro. Assim como a sua mãe também está me deixando louca e agora a minha mãe também — Eu digo — Por que as pessoas não podem ser um pouco menos impacientes?
Nós nos sentamos à mesa para tomar o café da manhã. As panquecas dele estavam divinas, como sempre. Eu vivia por elas todas as manhãs. Tobias era um ótimo cozinheiro e eu agradecia aos deuses todos os dias por isso, porque assim eu sabia que as nossas crianças não iam morrer de fome nem ter uma intoxicação alimentar caso eu tivesse que cozinhar.
— Como vai a sua relação com Natalie? — Ele pergunta, colocando café na caneca.
— Eu tô tentando — Eu respondo — Eu acho que eu percebi que eu não a odeio — Eu dou de ombros — Mas ainda é muito difícil de esquecer.
— Você é tão forte — Ele diz, fazendo carinho no meu rosto — Te admiro imensamente por isso.
Eu dou um sorriso pra ele. Eu estava tentando arduamente pelo menos conviver pacificamente com a minha mãe. Ela estava tentando também. Eu tinha decidido não ficar lembrando o que tinha acontecido e nem ficar jogando na cara dela. Ela sabia o que tinha feito e estava tentando reparar. Eu não precisava ficar lembrando-a.
Evelyn estava sendo uma intermediadora maravilhosa. Natalie não estava forçando a barra, então eu só a via quando Evelyn estava junto, o que eu agradecia imensamente. Eu nunca perguntava do meu pai e Natalie nunca comentava sobre ele. Desde aquele dia na festa de Marcus, eu nunca mais tinha o visto.
Eu havia conversado com Caleb esses dias atrás. Nós também estávamos tentando voltar a conviver novamente e ele parecia curioso para conhecer os sobrinhos que viriam. Ele também não forçava a barra, mas tinha me apresentado Susan. Ela parecia uma garota legal.
Tobias termina seu café e volta para o quarto. Quando ele reaparece, já está usando terno e gravata e já está pronto para ir trabalhar. Ele estava numa fase muito boa, apesar de contrariado por Marcus estar impune ainda. Eu viva dizendo a ele que uma hora ou outra a verdade venceria e ele parecia ter se apegado a essa frase e parado de sofrer pela insuficiência de provas para ir ao tribunal.
— Anjo — Ele chama, me abraçando — Eu já estou indo. Você quer carona? Eu posso te esperar, se você quiser.
— Não precisa amor — Eu digo, me levantando da cadeira e dando um beijo nele — Não decidi ainda o que eu vou fazer hoje — Eu acrescento e ele me dá um beijo.
— Cuidado com o trânsito — Ele diz, e depois se despede com mais um beijo — E me liga se precisar de alguma coisa.
— Pode deixar — Eu falo. Eu raramente estava dirigindo. Eu preferia não o fazer, já que trânsito podia ser altamente irritante e o médico já tinha me alertado sobre estresse. Mas eu abria as exceções nos meus dias de muito bom humor, tipo hoje.
Tobias estava sendo um anjo na minha vida. Além de tomar conta de mim, ele nunca reclamava dos meus desejos por comidas altamente esquisitas nem das minhas bruscas mudanças de humor, embora eu raramente descontasse o meu mau humor nele. Ele geralmente apaziguava toda a minha irritação com o mundo.
Eu coloco as louças na pia e já aproveito para lavá-las, para não deixar acumular. Fico pensando no que eu faria hoje, já que eu esperaria para saber o sexo dos bebês para decidir a tinta. Faço uma nota mental para ligar no consultório e marcar a ultrassonografia.
Vou até p quarto e troco de roupa. Coloco calça legging, que era única coisa que eu usava ultimamente, calço botas, coloco uma camisa e jogo um moletom por cima.
A campainha toca, me fazendo ir até a porta tentando adivinhar quem seria. Talvez Shauna. Me surpreendo imensamente quando abro a porta e dou de cara com Marcus Eaton.
— Bom dia, Beatrice — Ele diz rapidamente.
— Bom dia, Marcus — Eu respondo — Tobias saiu faz uns vinte minutos — Eu o informo.
— Eu vim aqui para falar com você — Ele diz, me surpreendendo. Eu o convido a entrar e digo para que ele não repare na bagunça. Eu me mantenho em silêncio, esperando que ele fale — Eu quero que você peça para Tobias desistir do processo — Ele diz.
— Marcus, eu não vou fazer isso — Eu digo, serenamente.
— Se você pedir, ele desiste — Ele diz, parecendo não ter me escutado — Ele te ama mais do qualquer coisa e até eu notei isso.
— Eu não vou pedir para ele fazer isso — Eu repito, fazendo ele me olhar duramente.
— Acho que você não está entendendo a gravidade do que está acontecendo, Beatrice — Ele diz e eu o encaro.
— Eu entendo exatamente o que está acontecendo, Marcus — Eu digo, sem alterar o tom da voz — E acho que é você que não está entendendo. Tobias não vai recuar. Você devia tentar ser honesto pelo menos uma vez na sua vida e aceitar as consequências dos seus atos — Eu acrescento, friamente. Ele me dá um olhar gélido, mas eu não recuo.
— Já vi que foi uma completa perda de tempo ter vindo falar com você — Ele diz, me olhando ameaçadoramente. Eu sustento o olhar dele — Mas avisa pro seu namorado que é melhor ele desistir enquanto é tempo — Ele fala — Principalmente agora que ele vai ter uma família.
Meu corpo gela inteiro com essa frase dele. Eu entendo isso como uma ameça, e sei que ele não vai me falar mais nada.
— Eu vou passar o recado — Eu respondo, indo em direção à porta e a abrindo. Eu estava deixando claro que era hora de ele ir embora. Ele sai pisando duro e não se despede. Eu bato a porta atrás de mim e a tranco, respirando fundo em seguida.
Minutos depois eu saio de casa e me dirijo para a Eaton’s Corporation. Eu podia simplesmente ligar para Tobias, mas eu o conhecia. Ele era bem capaz de ter um ataque se eu contasse que o pai dele tinha ido falar comigo.
Estaciono o carro e passo pela porta de entrada rapidamente.
— Me fala que você já sabe o sexo dos meus afilhados — Zeke diz, ao me encontrar no meio do saguão.
— Vou ligar no consultório hoje pra marcar a consulta — Eu o informo e ele me da um abraço.
— Finalmente — Ele diz. Nós dois cumprimentamos Cara e entramos no elevador — O que que o Tobias esqueceu em casa pra te fazer vir aqui? — Ele pergunta, segurando a porta do elevador e me deixando sair.
— Não é o que, mas quem apareceu lá em casa pra falar comigo — Eu digo, suspirando. Zeke me olha.
— Quem? — Ele pergunta.
— Marcus — Eu respondo, ao mesmo tempo que nós chegamos na sala de Tobias. Zeke nem se dá ao trabalho de bater. Ele abre a porta e nós entramos, fazendo Tobias levantar os olhos de uns papeis e nos encarar.
— Minha namorada e meu melhor amigo entrando na minha sala ao mesmo tempo. Isso não pode ser bom — Ele diz, se levantando da cadeira, cumprimentando Zeke e me abraçando.
— Eu estava só chegando na empresa quando encontrei com ela — Zeke responde — E ela me contou uma coisa bem curiosa e eu quero escutar o restante da história — Ele dá de ombros e os dois me encaram.
— Seu pai apareceu lá em casa hoje, uns vinte minutos depois que você saiu — Eu digo, rapidamente.
— O que ele queria? — Tobias pergunta, franzindo a testa.
— Me pedir pra falar com você e te fazer desistir do processo — Eu digo — E foi quando eu disse que não faria isso que aconteceu uma coisa entranha.
— O que ele fez? — Tobias pergunta, me olhando se cima a baixo e verificando se eu estava bem.
— Ele me disse para pelo menos te passar um recado — Eu faço uma pausa — Ele te disse para desistir enquanto ainda é tempo, principalmente agora que você vai ter uma família.
— Ele te ameaçou? — Tobias pergunta, parecendo furioso. Zeke franze a testa.
— Não diretamente — Eu respondo — Mas eu não tenho certeza sobre o que ele espera ganhar com isso — Eu digo.
— Como assim, Tris? — Zeke pergunta.
— Marcus está apelando — Eu digo — Ele está tentando plantar o terror, o que, pra mim, quer dizer que vocês e a polícia estão chegando perto. Eu acho que ele só está fazendo uma jogada.
— Pode não ser isso — Tobias diz, andando de um lado para o outro, me parecendo bem irritado.
— Mas pode ser — Eu digo, dando de ombros — A última cartada.
— Tris, eu não sei — Ele diz — Se acontecer alguma coisa com você por causa disso eu nem sei o que eu sou capaz de fazer.
— Não vai acontecer nada — Eu digo.
— Bro, você devia informar a polícia — Zeke diz — Deixa eles sabendo que pode ser algo mais grave e tal. Marcus está jogado com a sua cabeça.
— Boa ideia — Tobias fala — E eu vou ver se consigo uma ordem de restrição contra ele — Ele acrescenta — Se ele chegar perto de você mais uma vez, eu mato aquele filho de uma puta.
— Love, respira — Eu digo — Você não vai conseguir resolver nada se estiver nervoso dessa forma. Não foi nada demais — Eu acrescento.
Nós conversamos por mais alguns minutos e Tobias informa ao delegado responsável pela investigação o que Marcus tinha feito. Zeke liga para Shauna, que concorda em sair comigo e me ajudar a decidir o exterior da casa, para ver se Tobias se acalmava um pouco.
Eu me despeço deles e encontro Shauna no saguão minutos depois.
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