Bargain
4 Dirty Talk
Notas iniciais
Tobias
Eu e Tris caminhamos por alguns quarteirões, até chegarmos em um restaurante de esquina, que não me parecia muito grande, mas que dava a impressão de ser aconchegante.
— Viu, eu disse que não era longe e eu não precisávamos ter vindo de carro — Ela disse, me cutucando levemente.
— Ia poupar tempo — Eu disse, dando de ombros.
— Tobias, pelo amor de Deus — Ela disse, parando de andar para me encarar — São quatro quarteirões. E você quer poupar tempo pra quê? Pra voltar a se enfiar num prédio fechado, sem ver a luz do céu e trabalhar como um condenado?
— Basicamente — Eu respondi, dando de ombros.
— Você vai acabar ficando como aqueles velhos chatos, que só trabalham — Ela resmungou, entrando no restaurante sem esperar por mim. Suspirei e entrei em seguida.
A garçonete nos levou até uma mesa no canto esquerdo lo local. Lá dentro era realmente bonitinho. Tinha um certo charme rústico. Era realmente um lugar que eu podia imaginar Tris frequentando. Ela conhecia uns lugares fofos e desconhecidos pela maioria das pessoas.
— Qual é o problema de eu querer ir trabalhar? — Eu perguntei, assim que nos sentamos. Tris me encarou duramente.
— O problema é que um mês atrás, você nem sabia se era isso que você queria realmente fazer — Ela disse, sem desviar os olhos de mim — Agora, você não quer sair de lá. O trabalho vai te consumir, se você não tomar cuidado.
— Tris, não é bem assim. Eu só quero fazer as coisas direito — Eu resmunguei, ficando bravo com ela — Eu estou realmente atolado de coisas pra ler, papeis para assinar, contratos para revisar. Tem muita gente me pressionando.
— Um mês atrás, quando a gente se conheceu, você se lembra? — Ela perguntou, sem realmente me dar tempo para responder — Aquele é o Tobias que é meu amigo. Aquele é o Tobias que me prometeu que além de trabalhar, também ia curtir a vida, se divertir — Ela argumentou, fechando a cara para mim novamente e suspirando em seguida — Bom, em todo caso, eu prometi que não ia te deixar ficar daquela forma.
Eu pensei no tempo que nós havíamos gastado juntos ultimamente. Ainda passávamos nossos fins de semana daquela forma, quando Tris não tinha nenhum evento pra organizar. Sexo sem compromisso e alguém pra poder conversar e confiar. E era por causa dessa amizade que eu estava aqui, esperando pra ver o que Tris tinha pra falar.
— Eu sei que você está sobre muita pressão, sei que não é fácil aguentar a comparação e a desconfiança, especialmente no primeiro mês, mas não deixa esse seu cargo tirar de você o que você mais tem de bonito, tá legal? — Ela disse, olhando em seguida para fora da janela e evitando me encarar. Eu suspirei. Eu desconfiava que ela estava querendo falar isso desde nosso último encontro, no fim de semana anterior.
Tris estava certa. Eu estava me perdendo. Eu não ia correr a duas semanas já, por que queria dormir mais, porque ficava no escritório até muito tarde. Mal saia da empresa pra almoçar, e sempre que saia, era com pressa pra voltar. Meus fins de semana, quando não estávamos juntos, eram jogados na cama, dormindo.
— Você está certa — Eu disse, suspirando.
— Eu sei — Ela respondeu, sorrindo. Ela era a pessoa mais incrivelmente convencida que eu conhecia. Eu ri.
— Sabe, acabamos de ter nossa primeira briga — Eu disse, dando um beliscão na palma da mão dela e levando um tapa em seguida — Acho que agora estamos em um nível oficial de relacionamento.
Ela gargalhou, me fazendo rir também.
— Você tem razão — Ela disse, segurando a minha mão delicadamente — Mas isso não muda o fato que eu estou certa e você errado.
— Claro que não — Eu disse, rindo — Você é master em estar certa — Eu disse. O clima entre a gente já estava normal.
A garçonete voltou e anotou os pedidos.
— É sério que você vai comer panqueca com calda de caramelo, milkshake e torta de maçã uma hora dessas? — Ela perguntou, assim que a garçonete saiu — Você sabe que é hora do almoço, né?
— Você pediu salada com fritas e coca cola light — Eu dei de ombros — Cada um com a sua dieta — Ela riu — E outra, nossa discussão me desgastou, preciso de energia.
— Você está ingerindo gordura, e não proteína — Ela disse, sugestivamente.
— Eu odeio quando você vem com essas respostas cabeça — Eu disse, rindo — O que me dá energia para voltar a trabalhar são coisas doces e calóricas.
— Que vão acabar entupindo suas veias — Ela completou.
— Eu te detesto — Eu disse, mandando um beijo pra ela em seguida. Ela adorava implicar comigo, principalmente por conta da minha alimentação. Ela não era a rainha de comer coisas saudáveis sempre, mas eu comia muito mais bobeira.
— O que você vai fazer hoje? — Ela perguntou, mexendo em uma mecha de cabelo.
— Ainda não sei — Eu disse — Zeke disse que seria bom se eu fosse na despedida de solteiro do Ted, já que ele convidou todo mundo da empresa, mas não tenho certeza.
— Por quê? — Ela perguntou.
— Não tenho muito contato com ele. Ele é assistente do Zeke — Eu respondi — Não sei se eu me sentiria confortável num lugar com todos os caras da empresa. Digo, fora o Zeke e alguns outros, eu mal converso com eles fora de uma sala de reuniões ou para pedir que façam alguma coisa.
— É uma ótima oportunidade pra você conhecer todo mundo um pouco melhor — Ela respondeu — Ou deixar que eles te conheçam.
— Você acha mesmo? — Perguntei, desconfiado.
— Acho — Ela respondeu, ao mesmo tempo em que a garçonete voltava com nossos pedidos — E você sempre pode ir embora mais cedo.
— Ou a gente podia… — Eu comecei, mas ela me interrompeu.
— Tenho um evento hoje, love, desculpa — Ela sorriu — Mas podemos nos encontrar depois.
— Minha casa ou sua casa? — Eu perguntei, dando um sorriso.
— Minha casa — Ela respondeu, tirando uma chave de um pequeno chaveiro e em seguida me entregando-a — Caso você chegue primeiro, vai poder entrar.
— Agora já tenho uma cópia da chave — Eu disse, tomando um gole do meu milkshake — Isso significa que eu estou perdoado por ter trabalhado em excesso esses últimos dias?
— Depende — Ela disse, me encarando — Isso vai se repetir?
— Não, love, isso não vai se repetir — Eu respondi, prometendo para ela e para mim também. Eu não ia me tornar alguém parecido com o meu pai.
— Então está perdoado — Ela sorriu. Eu tirei meu chaveiro do bolso e tirei a cópia da chave da minha casa de lá. Entreguei pra ela — Pra você entrar quando quiser.
— Bom, não estranhe se começar a sumir comida da sua geladeira — Ela disse, apertando a minha mão de leve.
— Vou colocar um cadeado na geladeira, por precaução — Eu disse, rindo e fazendo-a rir também — Mas, em todo caso, qual é o evento que você está organizando hoje?
— Uma milionária solteirona resolveu gastar dinheiro — Ela deu de ombros — Então decidiu dar uma festa árabe. Tá sendo até divertido organizar tudo — Ela sorriu — Fiz uma pausa só pra vir almoçar com você.
— Você é um anjo — Eu disse.
— Anjo — Ela repetiu, mordendo o canto dos lábios em seguida.
— Anjo caído seria mais apropriado — Eu disse, me perguntando no que ela estava pensando — Porque você não presta. Nem um pouco.
— Assim você me faz pensar em mais coisas maliciosas ainda, love — Ela disse, me fazendo respirar fundo, pra não perder o juízo. Ela saiu da cadeira de frente a mim e veio se sentar ao meu lado.
— Definitivamente, você está me provocando, Tris — Eu disse. Essa mulher ainda ia me deixar louco, eu tinha certeza disso. Ela passava os dedos delicadamente pela minha nuca, me dando um beijo no pescoço em seguida.
— Hoje a noite a gente coloca toda essa discussão em pratos limpos — Ela disse, dando um sorriso — Ou melhor, em lençóis limpos.
— Eu mal vejo a hora — Eu disse, já prevendo um fim de semana animado — Mas, se nós tivéssemos vindo de carro, podíamos muito bem ter uma preliminar.
— Nem pensar — Ela disse, terminando de tomar sua coca — Não teria a mínima graça — Eu discordei com a cabeça. Ela estava me provocando de propósito. As mãos dela passaram pelo meu abdômen, parando no cós da minha calça.
Nós saímos do restaurante alguns minutos depois e caminhamos de volta para a empresa. Eu aproveitei o momento para passar a mão na bunda dela, ganhando um sorriso safado como resposta. Eu tinha a impressão que o restante do dia passaria rapidamente. Tudo o que eu mais queria agora era eu e ela, nus, em uma cama.
Quando chegamos, ela me deu um beijo de despedida. Eu respirei fundo antes de entrar no prédio.
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