Bargain

2 Bargain


Notas iniciais
Oi babes! Cara, muito obrigado a todos que estão lendo a fic e tal, muito obrigada por todos os comentário

Tobias

Era fim de tarde de domingo, quase 48 horas depois de eu e Tris termos deixado a festa na casa de Shauna. Eu ainda não acreditava que nós tínhamos passado um fim de semana inteiro juntos e praticamente pelados.

Tris era simplesmente demais, em todos os sentidos. Com ela, era natural transar, conversar, ou até mesmo ficar deitado na cama, em silêncio. Não tinha cobranças, não tinha nada, além de uma forte atração e um nível de entendimento que era difícil obter com qualquer pessoa. Como eu disse, com ela, era natural.

— Preparado para seu grande primeiro dia, senhor presidente? — Ela perguntou, enquanto eu cozinhava e ela arrumava a mesa.

— Não. Definitivamente, não — Eu respondi, me virando para encará-la — Eu não sei o que esperar, Tris. Não sei se vou agradar, se vou fazer certo, se as pessoas vão gostar de mim e tudo mais. Todo mundo vai me comparar com o meu pai.

— Deixe que comparem — Ela disse, se aproximando de mim e se encostando no balcão — Eu sobrevivi a não sei quantos anos de escola sendo comparada ao meu brilhante irmão. As pessoas, e eu me refiro aos meus pais e a praticamente todos os professores, inspetores, coordenadores e diretores, sempre faziam questão de me lembrar como meu irmão era melhor que eu, como ele era brilhante e esforçado e tudo mais. Me incomodava, no começo, depois, eu simplesmente comecei a ignorar.

— Ser presidente de uma empresa é um pouco diferente — Eu disse, suspirando.

— Não, não é — Ela rebateu — Você só tem que mostrar pra todo mundo que você e seu pai não são a mesma pessoa, vocês não pensam da mesma forma e que agora, poderoso chefão, quem manda lá é você e se geral quiser manter o emprego, eles que te respeitem.

Eu cai na risada. Ela era inacreditável.

— Como você fez as pessoas enxergarem que você não era seu irmão? — Eu perguntei, já prevendo mais uma história maluca.

— Bom, até o nono ano, eu simplesmente fingia que não escutava quando elas se referiam a Caleb. Quando eu fui para o primeiro ano do ensino médio, a primeira coisa que eu fiz no inicio do ano letivo foi invadir a sala dos professores, minutos antes das aulas começarem e me apresentei — Ela deu de ombros e eu ri.

— O que exatamente, você falou? — Eu perguntei.

— Ah, eu me lembro muito bem — Ela sorriu — Senhoras e senhores, bom dia, meu nome é Beatrice Prior, e não, eu não sou um xerox do panaca do Caleb. Eu tenho vida social, sabiam? — Ela deu uma gargalhada antes de continuar — E só para constar, vocês ficarem citando todos os prêmios que ele ganhou, os A mais no boletim e como ele era comportado em sala, não vão me fazer mudar de ideia. Tenham um bom dia.

— Eu não acredito que você falou isso — Eu disse, incrédulo — Você realmente tem alguns parafusos a menos.

— Foi bom eu ter falado. Com a exceção de alguns professores com quase setecentos anos, o restante não passou o ensino médio todo me comparando com ele. Eles diziam que eu era até mais espirituosa do que Caleb.

— Até sem conhecer seu irmão, eu posso dizer que você é mais espirituosa — Eu acrescentei, rindo.

— E até porque, eu sempre me dei bem na escola. Claro, nunca fui um gênio com muitos A mais nem nada assim no boletim, mas minhas notas focavam entre B mais e A. Com exceção de física, que era entre B menos e C — Ela sorriu — Mas eu sempre me dei bem com as pessoas, o que Caleb era incapaz de fazer. Sempre participei de teatros, aulas ao ar livre, trabalhos voluntários — Ela me olhou — Era eu quem organizava as festas da escola, durante meus anos lá. Acho que foi assim que eu decidi o que eu queria fazer da vida. Minhas festas sempre foram um sucesso.

— Aí, viu — Eu disse, desligando o fogão — Destino. Você foi destinada a isso. Eu fui praticamente lançado no mundo dos negócios, sem nem mesmo saber se é isso que eu quero.

— Love, nós estávamos bêbados na sexta, mas eu me lembro de te dizer pra fazer um teste. Se não for isso, chute o balde e bola pra frente — Ela disse, me dando um abraço.

— Eu só não quero ser aquele típico executivo que praticamente mora no trabalho, não tem vida social, não tem amigos, não se diverte e tudo mais. Eu quero ter uma vida, e não quero que esse cargo tire isso de mim. Eu não quero ficar igual ao meu pai — Era a primeira vez que eu falava isso em voz alta, fazendo com que tudo se tornasse mais real ainda.

Desde que eu me entendo por gente, meu pai era o presidente da Eaton’s Corporation, e eu havia visto de perto os estragos que isso podia causar. Um casamento infeliz, brigas e mais brigas com a minha mãe, chegar em casa muito tarde todos os dias, tão cansado que não tinha tempo pra mim ou pra qualquer outra coisa. Ele chegava, comia alguma coisa, ia tomar um banho e em seguida, ia dormir.

— Eu prometo não te deixar ficar assim — Ela disse, sorrindo.

— Promete mesmo? — Eu perguntei, arrancando mais um sorriso dela.

— Se for preciso, eu invado a empresa e te arrasto de lá — ela segurou a minha mão — Promessa. Ah, e saio te puxando pela gravata.

— Combinado — Eu disse, enquanto colocava o macarrão em uma vasilha de vidro.

Nós dois nos sentamos, e eu servi a ambos, enquanto ela colocava vinho em nossos copos.

— Sabe que essa foi a coisa mais louca que eu devo ter feito na minha vida inteira — Ela disse, me fazendo rir.

— Duvido — Eu respondi, pensando que provavelmente era a coisa mais louca que eu tinha feito também.

— Sério — Ela sorriu — Eu e você, na minha casa, na minha cama, por dois dias inteiros. Foi um fim de semana muito intenso. Eu nunca tinha feito isso antes.

— Se te serve de consolo, nem eu — Eu respondi. Era realmente uma coisa muito louca. Dois dias atrás, nós éramos dois desconhecidos, que estavam bêbados e afim de se divertir. Agora, parecia que nós nos conhecíamos desde sempre. Eu havia contado pra ela coisas que nem mesmo Zeke sabia. — Mas eu tenho a impressão que nós ainda vamos fazer umas coisas muito loucas.

Ela concordou com a cabeça, rindo.

— E aliás, se o negócio da presidência não der certo, você definitivamente pode abrir um restaurante — Ela falou — Isso aqui está divino.

— É só macarrão com queijo, Tris — Eu respondi, rindo.

— Eu sou a pessoa que queima pipoca de microondas, vive de pizza, fast food, restaurantes que não sejam muito caros, embutidos e enlatados. Isso aqui tá muito bom.

— Obrigada — Eu disse, rindo — É a minha especialidade.

— Sério, pense sobre virar um chef — Ela riu — Com comida grátis pra mim, de preferência.

— Claro que sim. Vou colocar o nome do lugar de Madame Prior.

— Ia ser um sucesso.

Essa nossa conversa fiada fez com que alguns pensamentos passassem pela minha cabeça. Eu encarei Tris.

— O quê? — Ela perguntou, depois de engolir o que estava mastigando.

— Estou pensando em uma barganha — Eu respondi, sorrindo.

— Barganha do tipo vou ferrar alguém e me dar bem, ou do tipo vamos fazer um negócio meio amoral.

— Do tipo vamos fazer um negócio meio amoral — Eu respondi — Eu e você.

— Sou toda ouvidos — Ela respondeu, sorrindo.

— Vamos continuar com esse nosso lance — Eu propus — A nossa amizade com todo o resto incluso.

Ela me deu um sorriso totalmente safado.

— Só se você topar cozinhar mais vezes.

— Fechado — Eu estendi a mão por cima da mesa.

— Fechado — Ela apertou a minha mão.

Notas finais
Gostaram??