Bara No Mirai
22 Capítulo 21
Notas iniciais
“Ira... Sim, um sentimento forte e incontrolável que pode acabar com tudo e todos, algo assustador e ambíguo. Quero matar... Quero abusar do seu corpo ate que sua consciência se desvanecer, ver você apodrecer na minha própria escuridão, o forte odor do sangue faz com que a minha mente que tanto demorei a mudar, se perca novamente. Não preciso de mais nada, além de você ao meu lado... Você vai estar sempre aqui, e isso acabou se tornando em algo cômodo para mim... por você, vou aprender a me conter. ”
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-Ruki... –Assim que Teru foi embora, percebi Reita parado na porta de pé ao meu lado, mesmo que eu ainda estivesse agachado.
-... –Apenas levantei minha cabeça para olha-lo... Seus olhos pareciam perdidos.
-Outra hora vou te levar para falar com Aiji... –Quem?
-Tá bom... –Depois de dizer isso, ele simplesmente foi embora, virando as costas para mim. Me deixando sozinho de novo...
“Mas eu ainda amo ele.”
“Sei que só vou me machucar mais e mais, mas não vou abandoná-lo.”
-Chega... O que será que aquela garota fez no fim? Se matou? –Me levantei, e segui calmamente para aquela casa escura, não sei mas as pessoas ao meu redor, sempre estiveram assim...? Tão... Distantes?
Aquela casa parecia abandonada... Entrei do mesmo jeito, a porta estava aberta, o lugar estava mais escuro do que antes. Na sala, no sofá e no chão ainda continham marcas da minha traição e de meu acordo.
-Onde você esta? –Falei baixo.
Subi as escadas, o corredor negro, mas a porta do quarto de Mikaelli estava aberta, havia uma única luz oscilante saindo de lá... Me aproximei lentamente, pensei em chamar seu nome, mas não o fiz.
Ao chegar na porta, vi algo um tanto estranho.
-Mikaelli... –Ela estava deitada na cama, dormindo ao lado de Satoshi... Ela o havia trocado e agora ele usava um blazer negro, o quarto era iluminado por algumas poucas velas e haviam rosas vermelhas por todos os lugares...
Suas mão pequena e branca sobre o corpo de Satoshi, parada sobre seu peito que já não batia, ela estava sozinha dividindo a cama com a pessoa que amava.
Sua pele era tão branca quanto porcelana...
“Ela parecia estar morta...”
-... –Me aproximei da garota e me sentei na beirada da cama ao seu lado, sua pele estava gelada, mas ela ainda respirava fraco... –Mikaelli. –Sussurrei em seu ouvido, enquanto tirava o cabelo de seus olhos.
-Ru...chan... –Ela disse lentamente por meio de um bocejo.
-A garota se levantou devagar, seu vestido estava muito amassado, ela devia ter dormido bastante.
-O que faz aqui, Ruki-chan?
-Vim te visitar, queria saber como você estava.. –Menti.
-Você esta indeciso, não é?
-...
-Desculpe Satoshi-san... –Ela beijou os lábios do morto. –Vou sair com o Ruki... Mas eu voltarei para pegar os seus ossos e levar comigo depois... –Isso é muito macabro para uma garotinha, mas quem sou eu para falar alguma coisa?
Ela se levantou da cama e nesse momento, as velas se apagaram deixando o quarto escuro.
-Você quer mesmo que eu te conte, ou vai esperar que Reita lhe diga, e só veio aqui para se esclarecer? –Não tinha contestar contra ela, assim como Reita, ela parecia sempre saber de tudo.
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Reita Pov’s
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“Quero matar...”
Andar pelas ruas, qualquer um que me visse diria que eu estava sem rumo, apenas caminhando sozinho, mas eu sabia onde estava indo... Eu sentia a necessidade de estragar a vida de alguém por inteira.
“Eu ainda tenho o celular de todos...”
Liguei...
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-“Alo?”
-Hizaki...
-“Reita?!”
-Há quanto tempo...
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Hizaki Pov’s
-Afinal, quem era? –Kamijo estava do meu lado preocupado por Teru que tinha saído durante a noite sem avisar ninguém....
-Ninguém importante. –Disfarcei. –Mais importante, precisamos ver logo onde aquele garoto foi...
-Sim... –Quando eu via o quão preocupado Kamijo ficava por Teru, eu desejava infinitamente que essa preocupação, fosse para mim.
O queridinho da pessoa que eu gostava, mas e daí, depois de passar todos esses anos com o Kamijo, mesmo antes de conhecermos o Teru, eu já não era capaz de ter a atenção desse príncipe maldito...
“Reita havia dito que queria falar comigo...”
Não sou bobo para pensar que isso não era uma armadilha, mas o que aquela calopsita queria a essa altura do campeonato? Normalmente ela ligaria pra o Teru se precisasse de algo, sim, sempre foi assim, então por que agora?
Eu preciso ir, e não quero preocupar ninguém, deveria dizer para Kamijo? Afinal, pra que eu faria isso? Ele iria acabar querendo ir junto e eu não to afim de mais problemas... Eu deveria encontra-lo no parque, amanha afinal já era bem tarde...
É o que eu farei, irei vê-lo, e darei uma desculpa para que o príncipe não fique preocupado ou coisa assim...
-Você deveria parar de se preocupar tanto com Teru...
-Mas ele nem mesmo atende o celular!!
-Ele já não é mais uma criança! Pare de trata-lo como tal!
-Vocês são piores que recém-casados tendo uma DR... –Ruka aparecera com Yomi agarrado em sua camiseta esfregando os olhos...
-O Teru é o que agora, filho de vocês? –Yomi completava o outro meio dormindo...
-Calem a boca vocês dois!!!!!
-Waaa! A Hime ta de TPM hoje, que medo... –Yomi já não parecia mais ter tanto sono e correu para trás de Ruka...
-Ora seu gnomo maldito!!! –Antes de voar no pequenino, Teru chegou em casa...
-Ah... O-oi pessoal... –Ele parecia bem sem graça ao ver todos ainda acordados àquela hora... E brigando pra ajudar ainda.
-Teru!!! Onde diabos você se meteu a essa hora?!! –Kamijo foi o primeiro a perder a compostura ao ver o garoto.
-Eu... Fui falar com Reita... –Espera, mas o Reita tinha acabado de me ligar...
-E como foi que você achou ele? –Kamijo sempre mantinha a calma, mas ele estava se esforçando até demais nesse momento...
-Eu... Encontrei o Uruha pelo meio do caminho... Daí, ele me levou até o Reita...
-Você tem noção do risco que você correu?!! Por que não atendeu o celular?! –Agora até Kamijo já estava gritando...
-Me desculpa... –Teru apenas abaixou a cabeça, ele não retrucou nem nada...
-Teru... –Yomi? Será que o baixinho vai encrencar de novo por causa do Reita? –Está tudo bem?
O menor se aproximou do outro, passando por mim e por Kamijo que ficamos até surpresos por sua maturidade... Ele abraçou o Teru.
-Satoshi... –Mais um nome que eu não ouvia já há algum tempo...
-O que aconteceu? –Kamijo, o nosso príncipe pedófilo bipolar, agora se mostrava bastante carinhoso com sua criança...
-Kamijo... Quero falar com você depois... –Ele abraçou forte, Yomi e derramou algumas poucas lágrimas...
É sério isso de ele deixar todo mundo curioso e só ir falar com o príncipe depois? É agora que eu vou mesmo falar com o Reita...
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Teru dormiu abraçado a Yomi, e o sono dos dois foi velado por seus acompanhantes...
Acordei cedo, não ia aguentar ver aquela cena... Que porcaria, viu... Fui ver a calopsita psicopata, mesmo que na verdade estivesse bem cedo e eu sinceramente achava que ele não estaria lá naquele horário, mas eu não queria ver o Teru nos braços de Kamijo.
Me surpreendi, ao ver Reita, lá sentado sobre a fonte da praça, a observar as coisas ao seu redor, ele estava lá antes mesmo de mim.
-O que te fez me chamar aqui? –Sua presença era um pouco incomoda.
-Sua gentileza é sempre algo lindo princesa... –Aquele sorriso sínico em seus lábios. –Então... Como vai sua conquista ao príncipe?
-Deixe de brincadeiras... –Isso doía demais... – O que você quer afinal?
-Nee... Hime-chan, vamos conversar um pouquinho, o que acha? –Ele se levantou e veio em minha direção...
-Conversemos aqui mesmo então! –Cruzei meus braços, ele é perigoso...
-Qual o problema? Tem medo de ficar em um lugar fechado comigo? Nesse ponto Teru foi bem mais corajoso que você... –O que aconteceu ontem? Ei sei que ele está apenas fazendo isso para me provocar... –Então, Hi-za-ki-san... Vamos?
-Tudo bem... –Eu cai, na armadilha por culpa de meu próprio ego...
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Uruha Pov’s
-Yuu... –Ele me apertava com força... –Me desculpa, eu, só fiz aquilo porque...
-... –O que eu ia dizer exatamente? Iria passar por cima do meu orgulho e dizer tudo pra ele? Sim... Afinal eu havia dito a mim mesmo que o faria...
Tomei fôlego e disse:
-Eu fiz aquilo, por que eu quis! –É, admitir é mais difícil do que eu pensei. –Eu achei aquilo certo, fiz o que para mim era o melhor! –Para de falar, por favor... Lágrimas escorriam por meus olhos, mesmo que eu falasse firmemente, eu estava chorando. Não queria dizer aquilo, o que eu dizia e o que eu fazia eram verdadeiros opostos.
Minhas pernas fraquejaram... E Yuu me segurou...
-Tá bom... Eu entendi... Mas e eu? Você pensou em coisas demais para fazer o que fez, preferiu abrir mão de tudo... Mas como eu ficava??? Me remoendo esse tempo todo?!!! –Ele estava agressivo, mas eu já esperava que ele fosse me espancar ou algo assim, e se ele o fizer, eu não vou revidar... –Uru... Não, Kou... Eu te amo...
-?! –Como?! Ele tomou meus lábios agressivamente, suas mãos seguravam meus ombros e aquilo doía...
Era agressivo e bruto, mas eu disse que não iria lutar, não importa o que ele fosse fazer...
-Você acha que fez o melhor sem pensar no que eu preferia... No que seria bom para mim também ou para os dois ao mesmo tempo! –Ele esbravejava...
-Yuu, eu...! –Quase!! Arregalei meus olhos, se eu tivesse dito mais alguma coisa, poderia ter acabado com uma marca permanente em minha boca... Aquilo era um grampeador... De onde demônios tinha aparecido um grampeador?!!!
-Não se mexa Kou... Ou poderá ser perigoso... –Eu não conhecia esse lado dele, se bem que com tudo o que estava acontecendo isso era o mínimo que eu iria ver... Apenas assenti vagarosamente com a cabeça, eu até tinha algumas fragrâncias comigo, mas eu não quero revidar, eu já fugi demais agora mereço esse desfecho...
A carícia daquelas mãos geladas e rudes por meu corpo, o gosto de ferro... Aquele negócio já havia cortado a minha boca, mas e dai? O que eu mais queria era ter o Yuu pra mim de novo não importa que eu tivesse que morrer por isso.
-Kou... Senti sua falta... –Por mais que essas fossem de certa forma juras de amor, esse sentimento estava mais para algo doentio... O corpo dele já estava sobre o meu na escuridão daquela sala... Minhas mãos amarradas em minhas costas, ele ainda segurava aquele grampeador em minha boca.
Sua língua passando por meus mamilos, minha camiseta estava levantada e ele fazia o que queria... Eu mal conseguia gemer por culpa do grampeador. Suas mãos desciam por meu ventre, abrindo o zíper de minha calça de forma bastante agressiva... Ele tirou aquele negócio da minha boca acabei soltando um gemido e alguma saliva escorria por meus lábios... Ele tirou minha calça e minha boxer junto de uma vez...
-Aqui já está bem desperto, e eu nem o toquei... Deixemos assim mesmo então... Kou... –Seus olhos não tinham brilho, mas me viam profundamente. –Por quê? –Lágrimas... Seu tão de voz ficara tão infantil e suplicante de repente...
-Yuu... Eu não vou fugir e muito menos brigar com você ou qualquer coisa do tipo, por isso por favor, desamarre minhas mãos... –Quero abraçá-lo... Yuu devia ter feito dezoito esse ano, ele ainda não conhecia nada praticamente, sempre teve uma vida feliz ao lado de seu amiguinho, e nós estragamos tudo isso...
-Mentira... Você está mentindo! –Que lindo... Acho que eu destruí a cabeça dessa criança...
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Hizaki Pov’s
-Hizaki-san? Acorde...
Quando abri meus olhos, estava em um quarto estranhamente claro, era branco... Tudo branco... Que lugar agonizante...
-Então... Eu devo perguntar por que estava desacordado e como vim parar aqui? Ou, o que você vai fazer comigo em um lugar desses? –Meu tom de sarcasmo era tanto, que ele parecia triste pela resposta... Ou não.
-Sabe Hime-sama... Eu ando tão perdido... Por que não me ajuda? –Um sorriso infantil, isso era assustador... Por que mesmo que eu acabei assim? Ah é... Por causa do meu orgulho e da minha inveja daquele maldito do Teru...
-Ajudar...?
-Sim... –Ele se aproximou muito de mim, a ponto de eu sentir sua respiração em meu rosto, dei um passo para trás e ele me segurou. –Me ajudar a clarear a mente?
-Co-como eu poderia ajudar em algo assim?! –Tentei empurrar ele...
-Simples Hime-chan... Vamos brincar...
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Reita Pov’s
Aquela pele branca... Hizaki realmente deveria se cuidar muito para tê-la assim tão macia...
-Hime... Por quanto tempo mais você vai aguentar isso...? –Passei minhas mãos por suas coxas levantando seu vestido... –Você merece algo melhor que o Kamijo não acha? –Ele gemia... De dor.
Eu havia amarrado aquele corpo cinturado em uma cama que continha algumas tiras de couro... Para amarrar lógico. Seus braços, um de seus braços esticados... E nele, eu estava colocando, a mãos nuas, alguns quantos pregos, naquela pele macia que derramava o lindo líquido...
-Hime... Grite pra mim... –Eu sussurrava em seu ouvido enquanto acomodava mais um prego... Ele segurava desesperadamente seu grito, sua dor...
-Você é doente Reita!!!!! –Hizaki usou pouco de forças que tinha pra gritar isso...
-Não era esse tipo de grito que eu queria... Acho que vou ter que colocar mais um...
-Não... Pare!! PARA!!!! Ahhhh!
-Que expressão linda. Continue assim, e quem sabe assim eu, não. Isso é impossível... Você só vai conseguir sair daqui hoje, se for para ser incinerado e ir com o vento...
-Reita... –Amarrei um lenço branco em sua boca...
-Agora chega de gritar... Me cansei de sua voz... –Voz... Eu quero ouvir a sua Ruki... Gritando por compaixão...
-Hum!!!!! –Não lute, pode ser pior...
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-Hime... Você, o que sente por estar só? Você me entende? –o olhar perdido de Reita, poderia ser confundido com o de uma criança, o riso simplório em seus lábios, a mente que desejava a liberdade... Pois já não se aguentava por estar presa a toda essa mentira, mentira tão grande que ela própria assumiu o lugar da verdade... –Me responda!
Hizaki ainda tinha um lenço em seus lábios, o que não faria diferença afinal ele sentia suas forças que iam se esvaindo pouco a pouco, sua visão turva... Até sentir a dor de ter os pregos que havia sidos colocados nele, serem arrancados um por um...
O grito abafado pelo pano que enchia a sala... O choro de lamento da criança que ria... Por mais que suas lágrimas caíssem Reita ria com desespero...
-Por favor Hime... –O ultimo prego havia sido retirado, Hizaki respirava fraco, a dor que sentira aos olhos de Reita havia sido algo lindo. –Você não vai me ajudar, não é? Então não preciso mais de você...
Sim... Reita pegara uma coroa feita de rosas vermelhas, e colocou na cabeça de Hizaki...
-Adeus Hime-sama... –O ultimo olhar de Hizaki para o enfaixado, não fora de ódio...
Reita viu os lábios da princesa se moverem para uma ultima palavra enquanto o loiro voltava com um produto, pelo cheiro gasolina, e uma caixinha de fosforo...
“Eu sinto muito...”
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