Seu preferido... Dentre todos os demônios, era o Deus da Morte o seu predileto. À frente do grupo, fora da vista deles, Imperatriz lambeu os lábios pintados de vermelho. Ela estava ansiosa para aquele reencontro.

Avançaram diante de um corredor esquerdo e seguiram para uma escada em aspiral em forma de serpente. Nenhum dos garotos conseguiu escapar das vozes... dos murmúrios das almas perdias que habitavam aquele ambiente.

Alcançaram o segundo pavimento. Uma única porta podia ser vista no fundo do aposento.

O som dos sapatos dos jovens tocando o chão eram o único sinal de que havia vida naquele lugar.

Imperatriz parou diante da porta, todo o grupo fazendo o mesmo gesto. A mulher tocou com a palma da mão a porta, como se assim pudesse alcançar alguma lembrança escondida ali por ela.

–Shinigami... sou eu, Imperatriz.

A resposta veio de um sopro invisível que moveu a porta, abrindo-a como se chamasse por cada um daqueles convidados.

Imperatriz, confiante e ansiosa, foi a primeira a entrar. Em seguida, a Pequena Dama de Espadas acompanhada pelos garotos.

Curinga abafou um grito quando viu o que aquela sala escondia. Um chão coberto por ossos humanos, o ar com aroma de sangue e podridão e, bem diante deles, sentado em seu trono feito de restos de demônios, estava Shinigami.

–O Deus da Morte... — Sinistro deixou escapar, se arrependendo no mesmo instante quando os olhos da criatura se encontraram com os seus.

Shinigami sorriu, o sorriso mais diabólico que qualquer humano jamais imaginaria ver.

–Esses humanos querem ir ao Céu e a Pequena Dama de Espadas, digo, o Anjo-Caído, quer guiar o grupo, mesmo sabendo que não pode voar mais.

–E então vocês vieram me procurar — a voz da criatura, ensurdecedora, paralisou cada músculo do corpo dos jovens. Ali, eles eram uma presa fácil.

–Sim... — Imperatriz disse, sendo a única que não se abalava diante daquele ser.

Shinigami proferiu um sorriso. Seus dentes eram afiados como diamante.

–Anjo-Caído... Você pode, sim, guiá-los e eu te emprestarei algumas das penas das minhas próprias asas para isso.

A Pequena Dama de Espadas o encarou, muda e perplexa.

–Mas haverá um preço a ser pago! — O Deus da Morte gritou, em pleno êxtase e ansiedade. — A alma de cada um desses humanos... Depois que cumprirem com o que desejam no céu, suas almas serão minhas.

Domo prendeu a respiração. Ele não ousou fitar os demais, mas, por um momento, ele descobriu o que era o desespero.

–O que me dizem...? — Coelho de Preto se virou para os outros. Seus olhos, outrora confiantes por trás das lentes, agora ganhavam um brilho escuro e infeliz. Eles estavam ficando cada vez mais sem saída.

–Não temos escolha... — Cogumelo Fantasma murmurou num sussurro.

Dark Carvalho encarou Shinigami. Seus punhos estavam cerrados quando ele proferiu as seguintes palavras:

–Nós concordamos.

E foi então que cada um deles, cada um daqueles seis garotos humanos, finalmente percebeu que já estavam mortos no instante em que puseram os pés dentro daquele bar.