Bar Shinigami
17 Capítulo 17
O Último Serafim esboçou um sorriso de compaixão. Ele via a determinação — o desespero — no interior de cada um daqueles pobres garotos. Mas ele não podia fazer nada para ajudá-los.
–Desculpe... Os humanos foram criados para viver um período limitado de vida. E quando essa vida é tirada deles, nem mesmo eu posso fazê-los voltar à vida...
–Não é justo — Coelho de Preto retrucou. Era a primeira vez que ele parecia ficar fora de controle. — Nós perdemos tudo para chegar até aqui! Nossas lembranças, nossas vidas e até mesmo nossas almas, não nos resta mais nada!
A face do Serafim se tornou muda e impenetrável.
Perdidos e desorientados, ninguém mais sabia o que fazer.
–Espera... — Como uma luz que surgia na escuridão, a Pequena Dama de Espadas se lembrou de um detalhe que podia mudar tudo. — As armas.
Ninguém pareceu se importar.
–As armas! — ela repetiu — Vocês têm um relógio que para o tempo, então, se ele faz isso, pode voltar no tempo também!
Um por um, o rosto dos garotos voltou a ganhar cor.
–Sinistro! — Coelho de Preto gritou, agitando repetidas vezes os braços no ar. — Volte àquela sexta-feira e mude o passado.
Enquanto isso, na Sala dos Portais, Domo e Curinga aguardavam, ansiosos.
–E se eles precisarem de nossa ajuda, o que faremos? — a dúvida corroía Curinga por dentro.
Os dois garotos trocaram um olhar mudo e depois encararam Azael. Observando o gigante de fogo, Domo parou por um instante e estudou o próprio anel em seu dedo... fogo. Mas será que as chamas alcançariam o céu?
–São chamas demoníacas — Azael falou, notando a dúvida do humano.
–Então alcançam? — Domo perguntou, receoso.
–Exato.
–Sobre o que estão falando? — Curinga perguntou, perdido na conversa deles.
Mas não houve tempo para resposta. A corda amarrada no punho de Curinga foi puxada depressa. Três vezes seguidas, esse era o sinal.
–Agora é nossa vez... — o garoto disse, ficando pálido.
Domo sorriu e se levantou.
–Eu tenho uma ideia.
Ás pressas, os dois se dirigiram para a frente do portal. Azael apenas os observou em silêncio.
Esticando a mão que continha o anel, ele ordenou que as chamas, quentes, saíssem. E foi exatamente o que aconteceu.
–Wow! — Curinga disse, quase perdendo o fôlego diante da força contida daquele anel transformado em arma.
–E que o fogo chegue até vocês! — Domo gritou, na mais esperançosa das intenções.
De volta ao Reino do Céu, sinistro encarou os amigos e em seguida o relógio.
–E-eu posso voltar no tempo? — perguntou aos dois celestiais a sua frente.
Sendo um objeto modificado por um demônio, Pequena Dama de Espadas não sabia a resposta...
–Tente — Serafim argumentou, dando de ombros. — O que mais você tem a perder?
E pela primeira vez, ele viu que aquele ser tinha razão.
Quando Dark Carvalho abriu a boca para falar que o celeste estava certo, ele parou, um cheiro e um brilho estranho vindo dos céus dominando sua atenção.
Era fogo.
Coelho de Preto percebeu com horror o erro que havia cometido quando agitou os braços instantes atrás.
–Essa não... — ele murmurou, atordoado. — Domo!
Cogumelo Fantasma voltou-se rapidamente para Sinistro.
–Vá depressa, Sinistro. Volte no tempo e mudo o passado. Salve as garotas, salve a gente!
O garoto encarou o relógio diabólico pela segunda vez. Um nó prendeu sua garganta. Tudo estava nas mãos dele.
Trêmulo, ele tentou esboçar um último sorriso.
–Vejo vocês na sexta-feira — E desapareceu bem diante dos amigos.
As chamas alcançaram o céu.
E o céu se transformou num inferno.
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