–Então vamos tornar este mundo um lugar melhor. Acha que não consegue? — Sinistro sorriu, desafiando o garoto.

–Vá embora daqui — Foi tudo que Valete de Ouro disse em resposta.

Sinistro respirou fundo. Ele precisava pensar em alguma coisa que pudesse convencê-lo a mudar de ideia.

–Se não consegue fazer isso por você mesmo — Sinistro iria apostar tudo o que tinha nas suas próximas palavras — Faça por aqueles que precisam de você.

–Ninguém precisa de mim.

–Pudim de Mel, Bolinho de Arroz Cinzento... Acha que ninguém mesmo se importa com você?

Diante do silêncio de Valete de Ouro, a resposta estava clara.

–Curinga! — Coelho de Preto gritou, esperando que de alguma forma sua voz alcançasse o colar que o garoto tinha em mãos. — Parem de lançar as chamas!

Um estrondo e em seguida as seguintes palavras dançaram aleatórias no ar:

–Coelho de preto...? — Para o alívio do grupo, era a voz de Curinga — Vocês estão bem?

–Não! — Todos disseram juntos.

–Foi um engano aquele sinal. — Coelho de Preto murmurou — Foi culpa minha não ter prestado atenção.

–Então não precisavam de ajuda?! — Aquela era a voz de Domo.

–Não... -O céu está em chamas. — Cogumelo Fantasma disse, quase como se fosse uma ironia.

–U-usem água purificada — Curinga disse — É o que o Azael está nos dizendo aqui.

–Pode deixar comigo! — Dark Carvalho exclamou, tirando de dentro daquele pedaço de pano que antes não passava de uma meia, uma mangueira prateada. O jato foi liberado no instante em que ele mirou o céu.

–Serafim... vamos consertar esse estrago que fizemos. — Dark Carvalho falou, vendo que pouco a pouco o fogo começava a desaparecer.

Como as últimas lágrimas que escorrem de um rosto, o vermelho do céu começou a clarear até alcançar a brancura imaculada mais uma vez. Era como se o céu jamais tivesse chorado.

Mas a sensação de missão cumprida durou pouco.

Quando o grupo procurou pelos celestiais, encontraram os dois sozinhos em um canto.

–O que você fez, Pequena Dama de Espadas... — Serafim tinha os olhos fixos numa mancha escura que crescia nas costas da garota. Uma mancha que avançava mais e mais.

Coelho de Preto fitou o Anjo-Caído. Então era aquilo que ela estava tentando esconder deles?

Agachando-se ao lado do Serafim, o jovem disse:

–Como podemos te ajudar, Pequena Dama de Espadas? — a voz dele saiu sincera, preocupada.

Ela girou o pescoço, lutando para as palavras saírem de sua garganta.

–Vocês não têm muito tempo. Precisam encontrar o Sinistro e os outros.