"A fumaça dos cigarros, fuligem e o reflexo alheio nas poças de lama pelo caminho só ilustram que tipo de ambiente é aquele; oculto, precário, mas especialmente encantador justamente pelos motivos mais estranhos. Que por mais escondido, e aparentemente maltrapilho, que pareça, tem um peculiar poder de atrair os mais diferentes tipos de indivíduos, que se dividem entre bêbados e cultos, delinquentes e moralmente corretos. Porque ali há um pequeno mundo contido; diferente e absurdamente real.
BEBEI AMIGOS, YO-HO!

Por conta da casa."


Bar Shinigami,

última mesa à direita.

Seis deles estavam presentes.

Longe dos poucos raios de sol que tocavam o chão, os seis garotos estavam escondidos pelas sombras.

–Pf... — o garoto do canto ri, incapaz de se conter mais.

Escondido atrás de um par de óculos coberto de fuligem, o segundo jovem compartilha da risada. Ele havia percebido também.

–Curinga, Cogumelo Fantasma — um par de olhos escuros e sombrios encara a dupla — Do que estão rindo?

–De você — eles respondem em coro.

O jogo é interrompido por um único e raro segundo de silêncio.

–Seus olhos, Domo... — Cogumelo Fantasma começa, o sorriso maligno cobrindo todo seu rosto — Estão vermelhos como sangue. Pode chorar pela sua derrota, eu deixo. — E então começa a rir novamente.

Domo olha para as cartas em suas mãos antes de esfregar seus olhos irritados com toda a fumaça dali. Quem afinal tinha escolhido aquela droga de lugar para o jogo da semana?! Ele solta um suspiro pesaroso, se levantando da mesa pois já sabia que iria mesmo perder.

–Onde vai? — Coelho de Preto pergunta, surpreso.

–Com esse baralho, não tenho chance contra vocês — E cada um dos seis ali presentes sabia que Domo tinha razão.

–Você não pode ir embora — Sinistro diz, pela primeira vez tirando os olhos de suas cartas.

Domo ri, sem desviar os olhos da saída. Nenhum daqueles seres iria impedi-lo de ir embora dali.

Caminhando a passos largos e silenciosos, ele alcança a porta. Porém, ao tocar na maçaneta, algo saiu inesperado e... errado, muito errado.

–Não abre — ele sussurrou, confuso.

Domo olha em volta, para aquele ambiente raro e peculiar em que agora estava preso.

–B-Barmen– ele disse, levantando a voz.

Com um asseno mudo, o único garçon dali aproximou-se do garoto.

–A porta não abre... — ele falou, sua voz perdendo-se na fumaça.

O homem a sua frente não se move. Não era a primeira vez que isso acontecia ali.

–Ela nunca abre — foram suas únicas palavras antes de voltar-se ao silêncio.

–Eu disse, não disse...?! — uma voz sussurra de repente em seu ouvido.

Domo dá um pulo antes de finalmente perceber quem estava ali. Sinistro.

Ficando diante do garoto, o olhar dos dois se encontra.

–Nós estamos presos aqui, para sempre — um sorriso cruel abraçava as palavras de Sinistro. E Domo sabia que ele nunca mentia.

Preocupado, ele olha em volta, como se buscasse alguém como ele ali. Não... diante daquelas criaturas, não havia ninguém. Ele era o único que ainda não sabia o que era aquele lugar.


Notas finais
E entãão!!!?