Bapoé
2 Oliver
“A cidade de 'Austad' localizada no país Hassweld, este a oeste da Europa, era conhecida por ter tornado-se a maior metrópole do mundo somente nestes quarenta anos de existência. E próspera pela sua educação, também com a melhor qualidade de todas.
Acabei de sair do meu túnel de trabalho, no restaurante que atuo como garçom. Relativamente mais cedo, costumo sair lá por umas sete horas, mas hoje saí às seis. Preciso ver o tal incidente com meus próprios olhos. Há alguns minutos quase todas redes sociais não param de bombardear, falando sobre o meteoro que caíra aqui em nossa cidade. A polícia já deve ter rondado o local, mas se der sorte consigo me aproximar. Tem que ser antes da NASA e estas coisas chegarem, ou se não vou perder a chance.
Estou caminhando pela avenida que leva diretamente ao tal local, que por coincidência é perto da faculdade onde estudo haha, hoje a coincidência tá rolando solta. A avenida está lotada, como sempre. Mas ainda to conseguindo escrever com o celular enquanto caminhão. O bom é que por aqui a criminalidade é muito baixa. Pelo menos eu, nunca fui assaltado nem nada do tipo. À minha esquerda só vejo prédios mesmo. À direita, tem mais uma zona comercial. Mas logo após a faculdade, alguns quilômetros só mais, começa a praia.”
Não, estou perdendo o foco da matéria. Desse jeito nunca vou ser um repórter assim como todos dizem... Dizia o rapaz para si mesmo enquanto guardava o celular simplesmente deletando o texto. Este era Oliver Walker. Tinha dezenove anos e almejava ser repórter, mas enquanto estudava para o mesmo, tinha de fazer bico para pagar a própria faculdade. Apenas isso, pois ainda morava com os pais. Um dos fatos por quais de longe não tinha orgulho. Desde os dezesseis era cobrado por isso.
E enfim chegou. Avistou a cratera enorme. Devia ter uns vinte por vinte metros, ele não era bom em matemática. Por sorte não estragara nada da faculdade, e não destruíra casas. Somente estragou um campo com uma praça. O único fato triste é que nesta praça jazia um ponto Wi Fi, pois não havia pessoas no momento por ali. Oliver tentou abrir caminho entre a multidão, esta que a polícia não conseguira conter. A própria polícia queria mais é ver também o tal meteoro. A multidão não chegava tão perto da borda. Oliver não conseguia nem mesmo prestar atenção nos avisos da polícia pelo alto-falante ou as discussões que estavam acontecendo, precisava ver com seus próprios olhos. Quem sabe conseguiria fazer uma matéria com isso?
Alguns estudantes dos quais ele já havia ouvido falar estavam ameaçando descer para ver o que lá havia. Era um grupo de playboys que passavam as aulas fumando maconha. Às vezes até ele mesmo era confundido, graças ao seu estilo. Neste momento mesmo vestia uma calça boca de sino, um colete sem nenhuma camiseta por baixo. Seus cabelos pretos cresciam para todas as direções e em seu rosto uma barba não feita, sem ela confundiam-no com um adolescente. Ele até agora não entendia o fato de cursarem faculdade se ficavam só nas bobeiras. Só status, deve ser. A polícia ameaçava usar armas de choques para pará-los. Durante esse tempo, a multidão voltavam-se a eles. Seria um momento perfeito para ter a chance de ir até lá observar, e até mesmo tirar uma foto. Empurrou um monte de pessoas para os lados, sem pensar, e foi até lá observar.
A queda deveria ser de uns dezessete metros, não era tão profunda como imaginara. Além de que haviam bastante formações rochosas quais poderia apoiar-se e até então descer. Forçou-se a visualizar. Neste momento, as pessoas já gritavam “louco” e outras coisas. E então enxergou. Conseguiu visualizar algo que parecia uma pessoa. Ela deve precisar de ajuda. Imprudentemente pôs se a descer pelas formações rochosas. Até que elas formavam uma espécie de escada, e ele ainda tinha um certo conhecimento sobre parkour. Um policial tentou chegar até ele para agarrá-lo ou algo assim, mas receberam ordens de não descer. Somente pegou o telefone e ligou para alguém, enquanto a equipe veio mais para perto. Mas Oliver apenas seguia descendo. Assim como ele pensava, não tinha nada a perder. Aproximou-se cada vez mais, até ficar uma rocha do fundo. Percebeu que a pessoa não tinha pele, e algo estranho, assim como toda ela na verdade era, existia em suas costas. E no momento que estava pronto para botar sua perna novamente para frente e puser-se para escalar, sentiu dedos agarrando sua perna. Queria gritar, mas não encontrou o fôlego. Algo puxou sua perna. E enxergou a pessoa. Criatura, talvez fosse o termo certo. Ambos cruzaram olhares. E a criatura usou sua perna para tentar levantar-se. Oliver sentiu todo peso do mundo em sua perna, e a criatura a puxou para baixo com força, arrancando-a. O sangue jorrou. A criatura conseguiu pegar impulso e desatou a voar para cima. Mas por sorte dele, Oliver nem teve tempo de sentir a dor pelo membro perdido. Com o impacto, voou alguns metros para o lado e bateu com a cabeça em uma rocha.
Madiall estava vivo novamente. Sua consciência retornara, e usando aquelas asas esqueléticas, voou novamente. Sentia-se mais poderoso do que nunca. Viu homens sob a borda de sua cratera apavorados, pegando armas. Elas eram mais modernas do que em sua época, quando o homem disparou Madiall percebeu. Ele teve que desviar por um bom tempo, pois o homem deveria já ter disparado mais de oitenta balas sem ter que recarregar. Enquanto isso a população fugia. Mas ele teve de fazê-lo. Conseguiu aproximar-se e com as garras perfurou a cabeça do homem. Naquele momento, sentira uma sensação, era milhares de vezes melhor do que quando matou anjos. E o cadáver daquele homem começou a contorcer-se. Ocorreu uma transformação similar a que Madiall passara. E então aquele monstruoso homem agarrou pelos braços uma criança que fugia e quebrou seu pescoço. Mas a criança não se transformou. A mãe gritava desesperada, e Madiall que pôs um fim nela. Arrancou sua cabeça do corpo, mas esta não se transformou. Viu carros com mais policiais vindo, e teve de desviar novamente das infelizes balas. Mas ele era mais rápido do que qualquer humano. Agarrou outra pessoa. Havia muitas vítimas para usufruir por horas. E atirou-a sobre um dos políciais. Quando este caiu, o semelhante de Madiall já estava destroçando os outros. O homem tentou pegar um rádio para provavelmente chamar alguém, mas não deu tempo. Madiall pisou sobre sua cabeça, esmagando. E um outro então surgiu. Viu os dois seguir para uma rua destroçar mais humanos. Rasgavam-nos, desmembravam-nos. Não importava como, eles matavam todos, sem distinção. Não importava raça, posição social, cultura ou religião. Todos sucumbiriam perante eles, Madiall sabia. Agarrou uma garota qualquer que jazia no chão, pois tentara fugir de suas asas, e com uma joelhada, quebrou seu pescoço. Quando o fez, um garoto em um súbito ataque de fúria tentou lutar contra ele.
– Filha duma puta. – Gritou, enquanto lágrimas corriam por sua face. Corriam como ele corria para tentar fazer algo, mesmo que provavelmente soubesse que seria em vão. – ELA ERA MINHA NAMORADA, SEU FILHO DE UMA PUTA – Isto fora algo que ofendeu Madiall. Não sabia que idioma ele falava, mas era capaz de ouvir. No céu, todos falavam a mesma língua, pensou. Ele até estava reconhecendo sua coragem. Cravou suas garras no peito do homem, e arrancou seu coração. E o garoto, transformou-se também em um deles. Devorou o cadáver da namorada esquecendo tudo que praguejou. Estes serão verdadeiramente soldados perfeitos, Madiall pensou. Em um reflexo, desviou de algo como um míssil. Por pouco não o acertara. Um dos carros dos policiais estava equipado com algo parecido com um morteiro, mas muito mais compacto. Ele lembrava dos tais tanques de guerra, mas este carro não perdia velocidade por causa da arma. Disparou mais duas vezes, mas ele conseguiu desviar de todas. Apesar de compacto, os misseis continuavam lentos nesses quarenta anos. Havia dois homens no carro, um no morteiro e o outro dirigindo-o. Graças ao fato que o morteiro não conseguia inclinar tanto ao ponto de atirar no próprio carro, Madiall passou direto e com o braço, arrancou o motorista pela janela, e esmagou sua cabeça. Perdendo o controle do carro, atropelou bastante pessoas. Chocou-se em uma parede e começou a pegar fogo. Explodiu, matou mais uma dezena de humanos. E nenhum se transformou.
Começou destruindo um prédio, que ficava perto de uma das esquinas. Algumas pessoas foram esmagadas, e do meio delas, um “demônio” assim como Madiall reconhecera eles veio de lá, voando com asas em carne viva.
– Você consegue me entender? – Perguntou. Mas não obteve resposta. O demônio apena olhou-o. Eles pareciam não ter consciência, apenas agiam por instinto. Nesse momento o pânico da população estava infinitas vezes maior. A polícia havia deixado de lado os ataques contra si e começara a focar na evacuação. Perceberam que não tinham chance. Seus demônios massacravam impiedosamente as vítimas, de qualquer jeito que fosse. Sim, graças a mim eles existem, então são meus.
Desatou a voar para não ficar de fora da diversão. Por algum motivo pensava que estava voando bastante mais rápido do que à última vez. Deu por si olhando novamente para cratera, e conseguiu enxergar um grupo de jovens tentando descer até lá. Teve vontade de matá-los, e então foi fazer. Estavam pondo-se para escalar com cordas. Nove. Mas a cada momento parecia que mais pessoas chegavam para perto deles, aliando-se. Eles querem resgatar aquele retardado lá no fundo, está claro.
E então chegou no meio deles. Quando pousou seus pés no chão, recuaram. Dois começaram a correr, outros eram mais sensatos. Era difícil acostumar a mover sua cauda, as asas já tinha experiência. Enrolou-a em volta do pescoço de um deles e o próprio rapaz fez o trabalho. Estrangulou-se. O outro caiu no chão, e começou a rastejar para trás. Bateu suas costas no muro de uma casa. Era olhado como um leão olha suas pressas. Ele então juntou as mãos e começou a rezar. Mas isso não te adiantará, rapaz. Não faz diferença alguma rezar para um deus, católico ou o que quer que seja.
Caminhou lentamente e colocou suas mãos sob a cabeça dele, e então a segurou. A pressão fora tanta que havia pensado que iria deslocá-la de seu respectivo local. Mas não o fez. Queria brincar com ela, sentir o pânico em suas mãos, assim como sentira quando mataram seus pais. Colocaram uma arma em seu peito e violaram-no. Mas isto era antes, quando ainda era apenas um mortal.
– Por favor, suplico-lhe. – Falou o jovem tremendo. Apesar de estar vestido com um casaco que aparentava ser bastante quente. Tenho toda a vida pela frente.
– Assim como eu a tinha. – Não sabia se ele entenderia o que estava falando, mas falou. Odiava pessoas que tinham a vida fácil e acham um mal perder. Apertou mais forte a cabeça do rapaz, que gritava por socorro. Teria uma morte lenta, assim como ele mesmo a teve.
Mas então, sentiu uma outra sensação nova. Não como matar humanos ou sentir seus panicos. Percebeu que já a sentira alguma vez. Quarenta anos atrás. E então percebeu. Sua mão estava cortada ao meio, a mão que segurava a cabeça do rapaz. E olhou para o lado e deu-se conta de um outro rapaz. Não era muito musculoso, até então era magro, não deveria passar de vinte e dois anos, com uma faca na mão. Podia sentir seu medo, mas, mesmo assim, aqueles olhos pretos fitava-o de igual para igual. Cortou utilizando sua cauda o rapaz que estava matando e partiu para cima do outro, o filho da puta que havia o lembrado de uma coisa. Aproximou-se dele, que permanecia em posição de guarda. Deu um passo, e mais uma vez sentiu a mesma sensação. Em suas costas, muitas balas foram cravejadas. Olhou para trás e viu novamente a polícia, atirando nele. Pegou impulso e começou a voar o mais rápido que podia, deixando um trabalho incompleto. Deixando o rapaz que o lembrara de que novamente era um mortal.
Na cratera, o grupo de estudantes daquela faculdade estavam tentando dar um jeito de carregar o corpo do jovem, até então desmaiado, para superfície. Parecia que com a intervenção da polícia estava mais calmo. Mas logo Marcus voltou a ouvir gritos e um monte de sangue. Ouvia mais disparos, e conseguiu ver um daqueles seres novamente. Estava até então teorizando sobre o que seriam, tentando evitar ao máximo os pensamentos religiosos, já que seria uma afronta a tudo que estudara.
– Conseguem puxá-lo? – Perguntou um rapaz alto e loiro. Até então este parecia ser o mais responsável deles. Marcus não conhecia ninguém de lá. Acabou juntando-se a eles no meio da confusão. Por sorte aquele rapaz não estava morto, então era mais fácil carregá-lo. O dia estava querendo tornar-se noite, algo ruim. Precisavam dar conta disso rápido.
– Puxar é fácil. Não há jeito de escalarem com ele.
Quatro deles estavam carregando o rapaz, mas não tinha forma de escalarem. Um jeito talvez fosse colocar o jovem aos poucos nas protuberâncias rochosas, mas ai então não haveria jeito de alguém subir, já que estas eram pequenas demais.
– Jimmy? – Perguntou aquele loiro. Marcus então olhou para o grupo inteiro de rapazes inquietos. Não aparentavam sentir medo. Discutiam uns com os outros, permaneciam sentados e até conversando. Conseguira enxergar até algumas garotas no meio deles, mas eram muito poucas.
– Que bosta, tinha um encontro com a Amanda hoje. – Um deles até estava com pensamentos um tanto quanto infantis. No meio a tanta tensão se preocupando com um mero encontro.
– A Amanda? Aquela que tá cursando medicina? – Perguntara um deles – CARALHO, SE TIVESSE IDO ATÉ MORRER PRA ESSES BICHOS PODERIA, MAS MORRERIA EM PAZ!
Marcus perguntava-se quem seria essa Amanda, já que até então cursava o mesmo curso que ele. Nunca tinha prestado atenção nos colegas, apenas focava em si mesmo. Talvez fosse de outro turno, pensou.
E o tal Jimmy então revelou-se, totalmente diferente do que imaginava. Um homem de mais de dois metros com uma espessa barba na face. Começou a escalar e quando parou de pé, estendeu os braços e disse, com uma grave voz:
– Me passa ele. – E os quatro, unindo as forças, conseguiram levantar o corpo e alcançar para o tal Jimmy. – Alguém tem uma corda?
E não é que alguém alcançou-a? Marcus perguntava-se que tipo de gente eram, para carregar uma corda junto de si. E o cara enrolou a corda em todo o corpo do rapaz inconsciente e prendeu-a em sua cintura. E daquele jeito começou a escalar, sem parecer ter algum problema com o peso. Marcus até ficou preocupado se ele não enforcaria o rapaz, mas deixou de lado estes pensamentos. Quando encontraram-no, ele poderia até mesmo morrer de hemorragia, mas ele demonstrara todo seu talento em medicina improvisando um jeito de estancar os ferimentos. O coitado havia perdido uma perna…
– Esse é o Jimmy que conheço. – Aquele mesmo louro falava enquanto observava Jimmy escalando. Virou para o lado para falar com um esguio rapaz. – Você, Adam. É o mais ágil aqui. Deve escalar em questão de segundos. Vá na frente para ajudar Jimmy qualquer coisa.
– Não exagera, não sou o melhor aqui. – E pôs a escalar, em menos de um minuto já havia escalado um terço da altura, dez metros. – Mentira. Jura que conseguiriam fazer isso tão rápido.
–Você. – E agora estava falando para Marcus – É o estudante de medicina.
– Marcus. Marcus Liehardt.
– Chamo-me Klaus. Não conhece ninguém aqui, não é? Também não conhecemos você, mas fez um ótimo trabalho com o corpo. Não temos a menor noção do que está acontecendo, mas qualquer coisa, sinta-se parte do nosso grupo. Dependendo da situação, teremos que esquecer até as famílias... Tá parecendo aqueles filmes de apocalipse, sabe? – Marcus assentiu com a cabeça e ficara pensando até formular a resposta.
– Na verdade tenho um lugar para ir. E seria uma boa se fossem também. Meu pai é médico, pode ajudar com o ferido, e o local é afastado da cidade, próximo a praia.
– Poderia ser uma boa. Mas primeiramente observaremos o perímetro. – Virou-se de lado novamente -- Leon, sabe dirigir não é? – Um outro rapaz de braços cruzados em um canto assentiu com a cabeça. Parecia ser um dos mais calmos. Na verdade todos estavam despreocupados. – Dependendo das condições acabaremos tendo de roubar um veículo… Agora todos, eles já estão alcançando o topo, provavelmente.
E todos obedeciam-no. Era bom, um líder para impedir que entrassem em caos. Marcus juntou-se a eles, e começou a escalar. Com a mão, empurrou aquele longo cabelo albino para trás, para não atrapalhar a visão. A subida fora fácil, mas quando chegaram no topo, viram algo. Era enorme e tinha uma pele molenga. Seu olhar era apavorante e havia um traço ridículo, uma língua solta. Mas só encarava-os. Estava em meio a cadáveres, iluminados pela lua que havia nascido E tentou avançar contra Jimmy. Klaus começou a escalar cada vez mais rápido, e quando a criatura aproximou-se, um clarão luminoso impediu-a. Balas estavam sendo disparadas por um rifle em sua direção. A criatura era jogada para trás, debatendo-se e sem uma reação clara. Mesmo assim aproximava-se de Jimmy, que neste momento corria. E então agarrou o rapaz desacordado. E aproximou a cabeça para tentar devorá-lo com sua mandíbula, provavelmente. Jimmy virou-se num impulso e tentou afastá-la chutando, mas não teria como disputar forças contra ela. Mais uma vez a criatura fora impulsionada para trás pelos disparos, e Jimmy conseguiu mais alguma distância entre ela e ele mesmo. E as luzes dos disparos cessaram de vez. Já fora dois pentes… e Marcus ouvira o som de algo caindo no chão, e logo mais um par de passos juntou-se a eles. Provavelmente são os de Klaus, pensou. O grande homem estava em algum lugar iluminado por um poste de luz, um dos únicos que ainda permanecia de pé, só era possível vê-lo, ele e outro cadáver ao lado, ambos encostados em um muro. E então viu o apavorante rosto da criatura, indo em direção deles. Coitado desse Jimmy, deve ter sentido o pior hálito de sua vida. E aquela face da criatura começou a direcionar-se para baixo, aos poucos. E então soltou-se de seu desprezível pescoço, e caiu no colo de Jimmy.
Finalmente conseguiu levantar-se e começou a correr, mais outros a sua volta faziam o mesmo. Mas antes de chegar aos dois, agora já com os olhos acostumados a escuridão, viu Klaus parado em sua frente. Olhando para um outro jovem, perto do cadáver da criatura. Seus cabelos eram tão pretos que não davam para notar na escuridão. Era esguio e consideravelmente musculoso. Estava limpando um facão com um pedaço de roupa. Quando acabou olhou para o grupo de pessoas que estavam a sua volta, e então falou. Não falou alto, mas parecia ter bastante certeza no que dizia.
– Há armas em meio a pilha de cadáveres policiais.
– Quem é você? – Perguntou Klaus.
– Um estudante. Vocês também são, não é? Já vi vocês pelo campus.
– Antes disso, Klaus, cadê o Adam? – Uma das garotas que Marcus vira perguntou temerosa.
– Não o vi desde que subiu aqui, meus pêsames, Rapha – Falou Jimmy enquanto limpava sua roupa. O rapaz continuava pendurado em suas costas.
– Qual o seu nome, carinha que salvou meus companheiros? – Perguntou Klaus.
– Henri… – Klaus continuou esperando – Stratio.
– Devemos-lhe a vida, Henri. – Klaus cumprimentava-o – Tem algum lugar para onde possa ir, pelo jeito precisaremos.
– Não, cara. Moro sozinho.
– Pessoal, cumprimentem Henri e Marcus. Os nossos dois novos integrantes. – Então receberam um monte de cumprimentos. Marcus não prestou atenção no turbilhão de nomes que ouvira.
Mais tarde cinco deles receberam as armas dos policiais mortos. Henri, Klaus e o Grande Jimmy estavam entre estes. Outros dois receberam-nas também. Marcus era novo no grupo, lógico que para ele nem foram oferecidas. Henri também era, mas este tinha matado uma das criaturas. Provou que elas são mortais, então qualquer teoria de serem demônios não conta, pensou.
– Então pessoal, alguém tem um lugar para ir?
– Estou preocupado com meus pais … – Um deles dissera. Mas a maioria morava sozinho. Por fim ninguém demonstrou haver algum lugar seguro para irem.
– Então. O Marcus aqui disse que o pai dele pode fornecer abrigo, a casa fica perto da praia e tals. Além de ser médico…
– Sim. Mas como estamos sem sinais telefônicos e a rede de internet ficava ali onde agora está a cratera…
– Leon, roube um carro. – Falou Klaus.
Todos olharam surpresos para ele. Quando assentira com a cabeça e foi procurar algum lugar, iluminado pela potente luz de seu celular.
– Precisaremos de no mínimo cinco-seis carros – um deles interveio.
– Então roubaremos cinco carros. Acho que alguns aqui sabem dirigir. – Mais da metade concordou.
Fale com o autor