Banho de Lua
3 Capítulo 3
Sandman está pensativo e sério, sentado sobre o galho de uma árvore, na frente de uma das janelas do hospital, da onde pode ver o enfermeiro trabalhando, levando uma senhora até seu quarto. “Ele não dorme nunca?”, Sandman pensa. Mas foi só isso passar pela sua cabeça que o enfermeiro trocou de turno com uma colega.
O jovem sai e Joy o segue. O enfermeiro sente algo por trás e se vira, para checar suas costas. “Não tem ninguém… Mas por que continuo sentindo que alguém está me observando?”, ele pensa, suando frio. O enfermeiro entra em sua casa, come alguma coisa e vai dormir. Sandman se senta no chão, ao lado da cama do enfermeiro e coloca sua mão sobre os olhos do jovem, que já está em um profundo sono.
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Um vulto vem andando sobre a água do mar. Quase não é possível ver o vulto, pois o pôr-do-sol alaranjado vivo brilha fortemente. O vulto vem se aproximando, ficando cada vez mais visível e aquilo que era um pequeno borrão preto se revela em, nada menos, que Sandman. Ele sorri.
O enfermeiro, surpreso, se vira para Sandman:
– Você é…
– Am? Você me reconheceu?
– … o moço que veio concertar a minha carroça? — o jovem aponta para uma carroça tombada na areia e sem uma das rodas.
Sandman fica surpreso com a resposta do enfermeiro.
– É? Na verdade eu queria uma carona, mas posso tentar fazer algumca coisa com ela. — ele responde, depois de pensar um pouco.
Sandman se aproxima da carroça e ergue seus braços. Seus dedos se contraem A areia ao redor da carroça começa a se movimentar, até se erguer uma parede de areia e envolver a carroça, formando uma circunferência. Sandman cerra os punhos e fecha a cara. Quando ele abre as mãos, a bola de areia começa a se desmanchar e, aos poucos, uma carroça novinha em folha vai se revelando.
– Oh! Muito obrigado! — o enfermeiro, todo alegre, corre para a carroça e sobe nela. — Mas ainda preciso de um cavalo…
Sandman, já sentado ao lado do enfermeiro, ergue as mãos novamente e faz sua mágica, criando um cavalo de areia. O enfermeiro sorri com brilho nos olhos para Sandman, que retribui um sorriso sincero.
A carroça começa a andar pela praia.
– Ah! Este pôr-do-sol é lindo! — o enfermeiro suspira, enquanto olha para o forte alaranjado do sol, no horizonte.
Sandman fica meio sem jeito por um momento. Suspira e pergunta:
– Você é enfermeiro, né?
Espantado, o enfermeiro se pergunta: “Como ele sabe??”, e também fica sem jeito.
– Como ela está?
– Ela?
– A Terminal.
O enfermeiro se indaga: “A Terminal?”. Uma imagem da jovem menina, de quem ele cuidava no turno da noite, aparece. “Aaah…”, ele pensou.
O enfermeiro, com os cantos dos olhos, fitou Sandman, que está cabisbaixo e um pouco envergonhado. “Ele…”, o enfermeiro pensou, “… eu já vi ele. Naquela noite? Sim, naquela noite.”. O enfermeiro fica incomodado e cabisbaixo.
– Ela… — ele tenta formular uma resposta.
Sandman olha para o enfermeiro.
– Ela… ela faleceu naquela noite.
Sandman arregalou os olhos e logo os abaixou, tornando sua expressão num misto de surpresa e tristeza. “… ele gostava dela… Mas foi melhor eu ter contado a verdade.”, o enfermeiro pensou, enquanto engolia em seco.
– Eu vou descer aqui.
– O… o quê? Eu… eu…
O enfermeiro fica mudo, pois não sabe o que dizer e não quer que seu acompanhante vá. Sandman se levanta e uma tempestade, muito forte, de areia começa, bloqueando a vista do enfermeiro, que protege seu rosto com os braços. Mesmo assim, ele tenta ver se seu acompanhante está bem. Ao final, a tempestade acaba, deixando o jovem abaixar seus braços, que já estão doendo um pouco.
O enfermeiro acorda do sonho com um pulo.
– AH! Arf… arf… — ofegante, ele olha em volta e percebe que está acordado, em seu quarto. — Droga! — ele bate no chão e abaixa a cabeça. — Talvez… eu não devia ter dito aquilo… — ele pega um pedaço de papel e um pincel e começa a rabiscar algo. — … preciso pedir desculpas… — ele pensa alto.
Quando acaba de desenhar, ele larga a folha em cima de uma mesa e cai deitado no chão. O desenho era nada mais, nada menos do que um retrato, o mais fiel possível que as habilidades do enfermeiro deixavam, de Sandman.
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