Notas iniciais
Prólogo

Frederiksborg, Dinamarca.

Pesadelos e noites mal dormidas, era como eu vivia desde que meu primo Cristiano, conde de Rosenborg, filho mais novo do príncipe herdeiro Canuto e de sua esposa, a princesa Carolina Matilda foi assassinado, e antes que me perguntem, sim, sou descendente da família real, e não, não é algo do qual eu quero fazer parte. Apesar de um parentesco, que pela genética é considerado distante, meu primo tinha uma relação bastante próxima com a minha família, mais próxima do que vocês imaginam. Ele, além de meu primo, é também o pai biológico de meu irmão, Christopher, fruto de um relacionamento sem o consentimento real, que quase colocou em risco a relação entre a realeza e os demais, vulgo, plebeus. Para meu irmão, nunca foi um segredo quem realmente eram seus verdadeiros pais biológicos, que, na verdade, nunca encarou isso de uma má perspectiva ainda bem , não foi fácil, mas Cristiano estava sempre presente e acompanhou o crescimento de seu filho. Por sermos uma família descendente, por parte de minha querida mãe, da longa linhagem a qual pertence a realeza europeia, fazíamos parte do ciclo não só social, mas também econômico das famílias da Dinamarca. A morte de Cristiano foi algo que abalou a nós, principalmente ao Chris, de forma arrebatadora; ele sempre foi muito próximo, eu nasci já o vendo presente em minha família por causa do menino, que hoje chamo de irmão, e mal posso acreditar que amanhã já vai fazer um ano desde a sua morte, e eu continuo sonhando com a forma cruel e fria pela qual ele foi assassinado por aqueles malditos da máfia. Foi terrível a forma como seu corpo foi encontrado com uma simples mensagem abram seus olhos. Prazer, eu sou Katharine d' Médici e essa é a minha, breve e não tão emocionante assim, história de vida.

Frederiksborg, 25 de julho de 2014 — 7h50 AM

-Katharine, acorde! — disse Rosalie, a empregada, que batia constantemente a porta da jovem menina. — Acorde ou irei aí te acordar a força — disse, fingindo um tom sério.
— Já vou, general, eu já vou! — exclamouKatharine em tom de brincadeira. Mesmo que estivesse mais dormindo do que realmente acordada, seu humor matinal era algo invejado ali naquela casa onde residia sua família, os d' Médici. Se levantou e foi até a porta, destrancando-a para que Rosalie entrasse. — Então, qual a missão do dia, general? -Katharine sempre brincava com a empregada, apelidando-a assim quando ela assumia essa pose de general, pois todos ali sabiam que Rosalie era como um anjo. Apesar da meia idade, era uma pessoa doce e extremamente calma –Katharine que o diga –.
— A missão é que a senhorita já deveria estar pronta para não perder a aula! — disse, em meio a um sorriso materno, o qual fazia a jovem menina se sentir segura. — Vamos, menina, tome seu rumo! — disse em tom brincalhão.
— Mas, Rose, eu estou com taaaaaaaaanta preguiça — disse a menina em tom manhoso, enquanto puxava a mulher ali presente até a cama para se sentar e, então, deitar a cabeça em seu colo, para que a mesma pudesse lhe fazer um carinho gostoso. — Rose, que horas são? — disse enquanto fechava os olhos pra aproveitar melhor aquele carinho.
— Quase 9 horas, criança — disse a mulher, já prevendo a reação da menina, que no mesmo instante arregalou os olhos e abriu a boca. Rose segurou o riso.
— CARAL... — parou no meio da frase ao perceber o olhar de reprovação da mulher. — COMO ASSIM? EU-VOU-ME-ATRASAR-ROSE-E-A-CULPA-É-SUA — disse a menina, afobada, enquanto a mulher a observava com um ar de riso. — Não ri, é sério! — disse a menina, correndo pro banheiro na intenção de tomar um banho.
-Katharine, você não muda mesmo — disse a mulher, balançando a cabeça. — Ainda são oito horas, pode se arrumar com calma — gritou antes de deixar o quarto, dando risada.
— EU MATO VOCÊ, ROSALIE, EU MATO VOCÊ! — gritou a menina do banheiro, mesmo sabendo que provavelmente ninguém a escutaria.
De seu quarto,Christopher era capaz de escutar a briga que acontecia no quarto ao lado e só conseguia dar risada da irmã, que sempre caía na mesma pegadinha. O rapaz se levantou da cama, vestido apenas de uma boxer azul, e caminhou até o closet que ficava próximo a sua janela. Passando por ali, sentiu uma sensação estranha, como se alguém o observasse, mas quando virou a cabeça para poder olhar melhor, não viu nada fora do normal, então seguiu seu caminho. Aquela já não era a primeira vez que se sentia observado no seu próprio quarto, na verdade, aquela não era a primeira vez, porque desde que seu pai fora encontrado morto, assassinado a sangue frio, aquilo vinha acontecendo constantemente, mas ele não estava dando tanta importância, até agora.

Her POV

Reuni todas as forças do além pra criar coragem e sair debaixo daquele chuveiro, fiz minha higiene matinal e fui em direção ao closet e peguei minha roupa, que já estava separada. Vesti uma skinny preta, uma t-shirt branca com alguma frase aleatória, um cardigã por cima e calcei meu tênis. Enquanto dava um jeito no meu cabelo pra ele ficar pelo menos apresentável, eu tinha a sensação de estar sendo observada. Era estranha aquela sensação, mas sempre que eu olhava pra janela, não encontrava nada. Frustrante. Passei um pouco de corretivo nas olheiras, que por causa das noites mal dormidas já estavam ficando íntimas, blush, muito rímel e um hidratante labial qualquer. Passei perfume e me olhei no espelho.
— É, você já esteve melhor,Katharine — murmurei comigo mesma.
— Você continua linda, meu anjo -Chris disse enquanto caminhava até mim com um sorriso no rosto, eu amo o sorriso dele. Chegou mais perto e me abraçou. — Bom dia, pequena — disse ele enquanto depositava um beijo em minha testa.
— São seus olhos — disse em tom de brincadeira. — Bom dia, grandão — o abracei e dei um beijo no rosto.
Eu não sei o que seria de mim sem ele, me arrisco a dizer que ele é a pessoa que mais amo nesse mundo. Mesmo não sendo meu irmão de verdade, eu sinto que é como se ele fizesse parte de mim, desde sempre amigos, irmãos, cúmplices. Ele esteve lá nos piores momentos e nos melhores também, como na primeira decepção amorosa... -Kath, acorda! — disse ele, aumentando a voz enquanto estralava os dedos na frente do meu rosto. É, acho que eu viajei um pouquinho. — Por onde anda sua cabeça? — disse, dando um sorrisinho de lado.
— Naaa, você não gostaria de saber — resolvi entrar na brincadeira e fiz uma cara maliciosa, que causou uma risada nele.
— Você não presta — “jura, colega?” foi a primeira coisa que me veio à mente assim que comecei a rir. — Vem, vamos descer pra tomar café da manhã e depois eu te levo pra escola antes de ir trabalhar — apesar de ser novo, 27 anos,Chris já era chefe da equipe de investigação da Interpol.
— Como nos velhos tempos? — perguntei, e ele assentiu com a cabeça. — Como eu senti falta disso — disse, o acompanhando em direção à cozinha. Por causa de seu trabalho e os recentes acontecimentos, era muito difícil convivermos como antigamente, sempre juntos.

[...]


Eu não queria estar ali, na verdade, aquela rotina de vida de estudante já estava me cansando. Agradeço por só ter mais alguns meses de tortura pela frente. Assim que entrei na escola, dei de cara com Ashley, minha melhor amiga, me esperando encostada nos armários do corredor.
— Bom dia, chuchuzinho — fiz careta. — Como sempre atrasada, que feio, mocinha — “sabia”, pensei comigo mesmo, eu sempre me atrasava, não a ponto de perder a primeira aula, mas me atrasava e ela sempre reclamava.
— Defina bom dia, amor da minha vida — olhei-a, sorrindo.
— Você não gostaria de saber... — sorriu maliciosa. — Quais são seus planos pra hoje à noite? — perguntou ela enquanto caminhávamos pelo corredor, cheio de gente, até nossa sala. Estávamos cursando, juntas, o último módulo da pós em direito e processo penal, no fim eu acabaria como meu irmão, trabalhando para o nosso país.
— A pergunta certa seria: quais são os SEUS planos para a MINHA noite? — lhe perguntei com ar de riso, era sempre assim, ela arranjava alguma festa ou algo do tipo e me carregava junto. Sim, me carregava, porque nem sempre eu queria ir.
— Aprendeu rápido, hein? — rolei os olhos. — Então é o seguinte, festa na casa do Luke às 21h — disse, dando um sorrisinho sapeca. Luke era um dos garotos mais conhecidos da escola, conhecido por sua fama de pegador, por ser riquinho e, ah, já ia me esquecendo, por sua beleza. Não vou mentir, não, ele é a perdição em pessoa, com aquele cabelo, aquele corpo, aqueles olhos, e se não fosse meu namorado e a Ashley, eu com certeza... Ok, realidade chamando.
— Eu acho que você deveria parar com essa história entre você e o Luke, sabe, ele é um cara legal, mas...
— Eu sei, eu sei. Não vale o chão que pisa.
— Não sei como você consegue, sinceramente.
— Consigo o quê?
— Ficar com ele, não que seja algum sacrifício... — sorri maliciosamente, e ela me beliscou. — Na verdade, o que eu não entendo mesmo é o fato de você não se apegar... Na boa, como você consegue?
-Kath, meu amor, não se apegar é uma dádiva, você vê a pessoa indo embora e ainda dá tchauzinho — ela tinha razão. — Inclusive, você deveria tentar... — não respondi. — Enfim, nós vamos a festa, ok?
— Tudo bem, eu vou falar com oScott, se ele for, eu vou — eu disse.Scott e eu já namorávamos há um tempo.
— Flor do meu jardim, acho que você não entendeu direito — disse, se aproximando, e cochichou no meu ouvido, como se contasse um segredo. — Você vai, isso já está decidido — eu não disse?!
— Tudo bem, eu vou. Não é como se eu tivesse escolha mesmo — suspirei, derrotada.
— Sabia que você não me decepcionaria, minha cara pupila — disse, sorrindo vitoriosa, enquanto entrava na sala e rumava aos nossos lugares de sempre.
Sentei ao lado da janela, e Ashley se sentou a minha frente, mas logo colocou seus fones de ouvido e abaixou a cabeça como quem pretende dormir um pouco.
— Preguiçosa! — eu disse em um muxoxo. Olhei ao meu redor e constatei que aos poucos a sala ia se enchendo, mas ainda continuava com uma boa quantidade de cadeiras vazias, eu não tinha nada pra fazer, então me virei para janela e comecei a encará-la, como se fosse a coisa mais interessante do mundo – e no momento era mesmo –, quando desviei meus olhos dos jardins e olhei pra frente, eu o vi. Estava parado do lado de fora, encostado em uma árvore. Ele vestia uma calça preta, tênis surrados, uma jaqueta por cima de uma blusa branca; mesmo com óculos escuros, eu tinha certeza que ele me olhava, de forma analisadora, assim como eu o olhava. Sua pele era clara, tinha um rosto que parecia ter sido moldado por alguém com adoração ao perfeccionismo, e mesmo com tanta roupa, percebi que ele tinha um corpo no mínimo... er... Interessante (?!). Ele abaixou os óculos até a ponte de seu nariz, me encarou e sorriu. Correspondi. Eu não sabia quem ele era, mas algo em meu íntimo diria que eu o conheceria em breve. Deixei meus pensamentos de lado e decidi que depois perguntaria algo à Ash. Com a menor vontade, olhei pra frente e prestei – ou pelo menos tentei – atenção na Sra. Matilde, que tagarelava algo que eu não fazia a menor ideia do que era.

/Her POV

A menina caminhava distraidamente pelos corredores em direção à saída, finalmente estava livre de todas aquelas pessoas que só viviam de aparências e rótulos. Ela estava distraída, mas seus pensamentos estavam a mil, não conseguia tirar da cabeça aquele rapaz que vira mais cedo, o que ele estava fazendo lá? Por que ele estava lá? Ela não sabia, mas estava trabalhando arduamente para achar em sua cabeça uma resposta para aquelas perguntas. Tamanha era a distração não percebeu o namorado, que a esperava encostado em seu carro.
Scott a chamou quando percebeu que a menina passara reto.
— Hey,Kath! — disse o rapaz em um tom consideravelmente alto, com a intenção de chamar a atenção da garota, que sorriu quando o viu ali parado.
— Oi, meu amor — disse ela, com um sorriso encantador no rosto, aquele era o sorriso preferido deScott.
— Senti sua falta, pequena — disse, abraçando-a pela cintura e depositando um beijo carinhoso em seus lábios.
— Eu também — disse com um meio sorriso no rosto, de fato sentira falta deScott, ela o amava, não tinha dúvidas sobre isso. Mas mal se lembrou do namorado desde o momento em que vira aquele rapaz que a encarava mais cedo, seu mistério despertou nela um tipo de interesse.
De longe havia alguém que os observava e não estava nem um pouco contente com o que via. Aquilo seria mais difícil do que o previsto.
— Então... vamos? — disse ele, encarando-a com o sorriso no rosto. Ela assentiu com a cabeça, e ele abriu a porta para que ela entrasse, a menina entrou e sorriu para o rapaz em sinal de agradecimento. Ele fechou a porta e foi até seu lugar, para que pudessem sair dali o mais rápido possível e irem para sua casa. Ele não acreditava no que estava vendo.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou a menina ao namorado, que parecia tenso ao seu lado, olhando fixamente para algum ponto a sua frente.
— Não, não aconteceu nada, anjo -Scott balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos e sorriu pra menina, que o olhava de maneira preocupada. — Tá tudo bem, meu anjo, relaxa — se curvou até ela e depositou um selinho em seus lábios.
— Se você diz... — deu de ombros. Mesmo desconfiada, não quis entrar em detalhes. O casal conversava animadamente enquanto saíam dali e iam em direção ao apartamento do rapaz. — Hmmmm, tem alguma coisa faltando... — disse a menina, com uma cara pensativa. O rapaz arqueou a sobrancelha, olhando-a pelo canto do olho, esperando o que estava por vir. — AH! Já sei! — disse em tom de animação. — MÚSICAAA! — exclamou, sorridente como uma criança.Scott riu suavemente. Ela ligou o rádio e procurou por sua estação preferida de rádio, estava tocando uma música conhecida e se animou quando os primeiros acordes começaram a sair pelos altos falantes. -BETTER RUN FOR COVER YOU’RE A HURRICANE FULL OF LIES AND THE WAY YOU’RE HEADING NO ONE’S GETTING OUT ALIVE- cantava de um jeito exagerado e desafinando, mas não se importava, até mesmoScott, que parecia incomodado com a música, resolveu deixar isso de lado e se deliciar com a empolgação da garota, vez ou outra até a acompanhava.
Muitas outras músicas tocaram até que o casal finalmente chegasse ao seu destino, o prédio deScott.
— Sabe, eu senti tanto a sua falta — disseKatharine enquanto o rapaz terminava de estacionar o carro. — Senti falta dos seus beijos... — sussurrava ao ouvido do rapaz, roçando seus lábios ali no lóbulo de sua orelha. — Senti falta do seu toque... — colocou a mão na coxa do menino, acariciando-a perigosamente perto de sua virilha.
— Não teve um dia em que eu deixei de pensar em você — colocou a mão em sua nuca e a puxou para um beijo caloroso e intenso. Era incrível a sincronia com a qual aquelas bocas se moviam, suas línguas se moviam em uma sincronia perfeita e, no momento, um tanto quanto selvagem. Aquela distância entre seus corpos parecia a incomodar, pois a mesma saiu de seu lugar e sentou no colo do rapaz, que ficou entre as suas pernas. Beijavam-se de uma maneira feroz, o desejo e a saudade ali transbordavam. Ela já não sabia mais o que fazer com as mãos, por isso decidiu emaranhar seus dedos no cabelo do rapaz, ora ou outra os puxando. Movia-se no colo do garoto como se de fato estivessem no ato; ele não tinha pudor algum em explorar o corpo da garota com suas mãos, adentrou a mão por debaixo de sua blusa e foi ao encontro de seu seio esquerdo, massageando-o. Desceu seus beijos pela nuca da garota, mordiscando-o e sugando levemente sua pele macia e aveludada.Katharine suspirava, e a cada minuto que se passava, as coisas avançavam, mais um pouco ali e terminariam só Deus sabe onde.Scott explorava seu corpo cada centímetro pouco a pouco, os movimentos da menina em seu colo já estavam começando a afetar sua sanidade, passeava suas mãos sem pudor algum pela coxa da garota, puxando-a mais pra si e apertando-a.Katharine era capaz de sentir a excitação do rapaz e suspirava conforme suas intimidades se friccionavam naquele movimento, ela queria mais contato, na verdade, ela precisava de mais contato.
— Seu apartamento. Agora — murmurou as palavras num sopro de voz em meio ao beijo.Scott não perdeu tempo em sair do carro e levar a menina consigo, ele queria aquilo tanto quanto ela. Por sorte o elevador se encontrava à sua espera, e durante a longa jornada até o décimo quarto andar, o casal se beijava da mesma forma intensa de antes, mas de forma mais comportada, pois a porta poderia se abrir a qualquer momento e ter aquela cena presenciada por alguém não seria nem um pouco agradável. Chegaram no 14º andar eScott já foi a puxando pra dentro do apartamento, mal entraram e ele fechou a porta e encostouKatharine ali e a beijou. Com suas mãos em sua cintura, ele a puxava mais contra seu corpo em busca de contato, estava se preparando pra tirar a blusa da garota quando uma terceira pessoa ali na sala pigarreou, assustando-os e fazendo com que se afastassem imediatamente. A menina o olhou com cara de espanto, jáScott o fuzilava com os olhos.

Her POV

Juro que, se fosse possível, eu abriria um buraco ali no chão, me enterraria e só sairia de lá na próxima década. Acho que nemScott sabia da presença daquele homem ali, homem esse que eu não faço a mínima ideia de quem seja. Eu devia estar com a maior cara de idiota, qual é, ele me pegou desprevenida, não é minha culpa. Apesar de aparentar ser mais velho, o homem ali parado – pelo qual, no momento, eu estou nutrindo uma imensa antipatia – tinha uma aparência bonita, um rosto com expressões marcadas, cabelos pretos que, devido ao corte, ficava sobre seus olhos, que eram de um tom muito bonito de verde oliva, seu físico também não deixava a desejar. Podia até ser um deus, mas ainda assim não tinha o direito de acabar com o momento daquele jeito.
— Eu vou pra casa... — disse, frustrada. Aquele homem já tinha estragado tudo, não tinha o porquê de eu continuar ali.
— Eu te levo -Scott disse em um tom irritado, pelo menos eu não era a única frustrada da história.
— Não, não precisa, amor. Minha casa é aqui pertinho, vou andando mesmo... — indiquei o homem ali com a cabeça e sorri amarelo.
— Tem certeza? — afirmei com a cabeça. — Então tudo bem — ele se aproximou, colocou a mão em minha nuca e depositou um beijo carinhoso em meus lábios. — Desculpe por isso — sussurrou em meu ouvido, me causando arrepios.
— Tudo bem, não esquenta — disse baixinho, não, não estava tudo bem. Mas aquilo não foi culpa dele. — Bom, vou indo, tchau — dei um selinho noScott e acenei para o homem ali, que acenou de volta, agora ele era educado, huh? A mãe dele deveria ensinar que tem certos momentos que a gente não pode interromper assim. Abri a porta e saí caminhando em direção ao elevador.
-Katharine! — virei pra trás e viScott que me chamava, com metade do corpo do lado de fora da porta. — Hoje tem a festa do Luke, espero que você não tenha esquecido... Passo pra te buscar às nove, pode ser?
— Tudo bem — sorri amarelo e acenei com a mão antes de entrar no elevador e descer.

Passei pela portaria do prédio deScott, resolvi ir caminhando mesmo. Depois daquela fatídica tarde, eu realmente precisava um ar livre, na verdade, eu estava frustrada. Desde que oScott viajou para tomar conta de uma das empresas do pai, eu não o vira, já se passava quase duas semanas que eu não o via nem nada, aí vem esse homem e estraga tudo assim. Qual é, eu tenho necessidades carnais, beleza?

[...]


Antes de entrar em casa, olhei na garagem, ao lado da casa, pra ver se alguém se encontrava ali e se seria somente eu e Rosalie como sempre. Eu quase não via mais meus pais como antes. Papai estava sempre ocupado com os negócios da família, mamãe vivia sempre cheia dos mistérios e ocupada e vivia para o trabalho – porém, fazer parte da equipe de investigações deve ser algo, no mínimo, interessante. Afinal, você convive com tudo quanto é tipo de coisa, em tudo quanto é tipo de situação –. Sorri ao perceber que ali tinha mais carros do que o normal. Não sei como, mas minha família inteira se encontrava ali, digo, meus pais e meu irmão. Entrei em casa e logo me deparei com meu pai, sentado na sua poltrona e lendo seu jornal, o barulho da porta fez com que ele levantasse a cabeça e, quando me viu, um sorriso reluziu em seus lábios.
— Papai! — fui até ele e o abracei. — Estava com saudades! — disse baixinho.
— Eu também estava, minha princesa — sorriu terno e apertou os braços ao redor do meu corpo. Como eu amava aquele abraço. — Como andam as coisas por aqui? — perguntou, me soltando daquele abraço.
— Hm, até onde eu sei, tudo na mesma. Tudo bem — sorri. — E os negócios, como vão? — antes que ele respondesse, mamãe apareceu ali.
— Criança — mães e seus apelidos, tsc. — Que saudades de você, minha princesa — quem vê pensa que eu tenho nove anos de novo. Abracei-a forte.
— Também senti sua falta, mamãe — sorri e, mesmo que eu não pudesse ver, tinha certeza de que ela sorria também.
— Olha só pra você, tá tão mulher, tão linda... — disse ela, se soltando daquele abraço e tomando meu rosto em suas mãos. Quem vê pensa que fazia dois meses que não nos víamos, mas só fazia duas semanas.
— MÃE! — exclamei em tom divertido, meu pai ria daquela cena.
— Onde você estava? Afinal, você já deveria estar em casa quando eu cheguei e... — antes que ela continuasse, a interrompi.
— Eu estava com oScott, mamãe — ela diminuiu um pouco seu sorriso. Não sei por que, mas ninguém ali naquela casa parecia gostar dele, na verdade, de nenhum de meus namorados. — Bom, eu vou subir, qualquer coisa estou no quarto — de fato eu estava muito cansada e estava me poupando de um sermão, pois sabia que ela começaria a falar, e, se eu não saísse dali logo, ouviria sua palestra. Porque ela não fala, ela dá palestra; iguais aquelas chatas que tinham na escola de vez em quando.
Subia tranquilamente as escadas em direção ao meu quarto e, quando cheguei ao topo, vi queChristopher me esperava, estava parado com uma expressão séria no rosto e com os braços cruzados na altura do peito. Ih, lá vem.
— Fui te buscar na escola, e a Ashley me falou que você já tinha ido embora — aquilo foi um brilho nos olhos dele quando ele falou da minha amiga? Hmmmmm. — Com quem você foi embora,Katharine?
— Fui com oScott, general — disse em deboche, não sei por que toda aquela implicância.
-ScottParnel?
— Sim,meu namorado.
— Eu já disse tantas vezes pra você se afastar desse rapaz...
— Mas eu não vou, ele é meu namorado e não é a sua implicância que vai mudar isso.
— Um dia ele vai te magoar, e eu não vou estar aqui pra poder te reerguer como das outras vezes.
— Não vai ser preciso, ele não é como os outros e não vai ser como das outras vezes!
— Quem garante? — arqueou uma das sobrancelhas.
— Ninguém — disse baixinho, mais pra mim mesma do que pra ele, que pareceu escutar, pois soltou um suspiro cansado e entrou em seu quarto, batendo a porta com um pouco mais de força que o necessário.
Entrei no meu quarto, bati a porta e fui pra cama. Pelo menos ali nada daria errado, por enquanto. Cruzei os braços atrás da cabeça e suspirei cansada, o teto parecia tão interessante que não percebi o momento exato em que peguei no sono enquanto o observava.

[...]


Acho que dormi demais, já se passava das 7h30 quando finalmente consegui abrir os olhos. Fechei os olhos por mais alguns momentos e quando os reabri, já eram 8h10, estava na hora de me arrumar. Levantei e caminhei em direção ao banheiro, começaria pelo banho.

Scott's POV

Eu terminava de me arrumar em frente ao espelho, vestia uma calça skinny preta – alguns números maiores que o meu, que caía mostrando um pedaço da boxer vermelha que eu usava – e uma blusa branca. Passei um perfume qualquer e, com a mão, baguncei meus cabelos na tentativa de deixá-los arrumadamente bagunçados. Calcei, por fim, os vans que estavam ali por perto e saí, estava quase na hora de buscarKatharine.
Apesar de ser pertinho a casa dela, eu fui de carro, afinal, a casa do Luke era longe. Eu não tinha falado com ela desde a hora em que ela saíra de minha casa, mas tinha certeza que o fato de hoje cedo tinha a deixado brava e ela tinha todo o direito. Steve não tinha motivos para aparecer lá em casa e, pior, depois que ela saiu, ele só deu um recado rápido e saiu. Ele estragou a minha tarde por nada! Eu sabia o que eu tinha que fazer, até o papa sabia. Não preciso de babá, pai, obrigado.
Estacionei em frente à casa daKatharine e mandei um sms avisando que eu tinha chegado. Batucava no volante enquanto a esperava, não ia entrar. Eu sabia que não era bem vindo ali, ela nunca me falou nada, mas o olhar do irmão dela dizia tudo quando eu o via. A porta da casa dela se abriu, revelando ali uma Rosalie que sorria abertamente e acenava pra mim, correspondi; provavelmente ela era a única ali, fora minha namorada, que não tinha nada contra mim, a passagem se aumentou e por ela passou umaKatharine que estava linda, ela sempre estava, mas hoje ela estava extremamente sexy, usava um vestido preto frente única colado ao seu corpo – mais curto do que eu recomendaria – e nós pés usava um salto alto vermelho. No rosto tinha uma maquiagem suave, e seu cabelo estava todo sobre o ombro direito, deixando à mostra seu pescoço, que parecia chamar pelo meu toque. Ela sorriu quando me viu, e eu saí do carro para abrir a porta pra ela.
— Você está linda, meu amor — sussurrei após selar seus lábios em um beijo calmo quando se aproximou. Ela sorriu em resposta e entrou no carro quando a porta se abriu. O caminho foi tranquilo até a festa, e quando chegamos, a casa já estava lotada.
Tinha pessoas que se pegavam ali no jardim mesmo, outras já tinham invadido as piscinas e outras só curtiam a festa. Fui entrando e puxandoKatharine junto pela mão. Eu percebi os olhares alheios voltados para a minha garota enquanto entrávamos e não me importei, sabia que naquela noite – assim como todas as outras – ela seria só minha. Sou um cara de sorte.
— Vou pegar uma bebida, você quer alguma coisa? — perguntei.
— Uma cerveja cairia bem — sorriu.
Me deixei levar por aquele mar de gente que dançava e pulava de acordo com a musica, o cheiro de bebida e suor já era perceptível no ar. No caminho encontrei algumas pessoas e as cumprimentei, fui até a cozinha para pegar as bebidas e acabei estragando o clima do casal ali.
— Desculpa aí, cara — murmurei, já de saída com as bebidas em mãos, e voltei até aKath que já não se encontrava mais ali, mas não foi difícil achá-la no meio daquela multidão.
— O que uma moça indefesa assim faz perdida no meio de tanta gente? — disse, sorrindo, e entreguei a bebida em suas mãos, ela bebeu quase metade do conteúdo em um só gole.
— Estava esperando meu herói chegar e me salvar — passou os braços pelo meu pescoço e me beijou suavemente, fez menção de se afastar, mas eu a puxei pela nuca, aprofundando aquele beijo, pedi passagem e ela não hesitou ao permitir que nossas línguas iniciassem uma dança sincronizada ali. Sem parar aquele beijo, fui a puxando em direção à parede ali próxima, onde vários casais já se agarravam sem pudor algum. Me encostei na parede e a puxei pra mim, minhas mãos passeavam em seu corpo, que pressionado ao meu causava uma sensação boa. Suas mãos se encontravam em meu cabelo, o bagunçando ainda mais, eu sabia que ela queria o mesmo que eu, e dessa vez eu não a deixaria na mão. Desceu seus beijos pelo meu pescoço, dando mordidinhas e chupões que provavelmente deixariam sua marca para trás. Abri meus olhos e vielenos encarando do outro lado da sala, ele percebeu que eu o vi, então abriu um sorriso e levantou a bebida no ar.
-Kath — disse em um sopro de voz enquanto ela se deliciava em meu pescoço. -Kath — murmurei mais alto dessa vez, mas não adiantou. -Katharine! — ela se afastou e me olhou sem entender.
— Que foi,Scott? — perguntou, irritadiça.
— Tô com sede. Vou pegar uma bebida, você quer?
— Sério,Scott? Sério?
— É rápido, eu já volto — ela deu de ombros e eu saí dali, indo em direção aos fundos da casa. Steve me pagaria caro por isso depois.

/Scott's POV

Her POV

Eu não acredito que ele tinha interrompido aquele momento para ir buscar uma bebida, sério, aquilo foi desnecessário e, além do mais, ainda tinha bebida na garrafa dele. Suspirei irritada.
Se passaram 10, 15, 20 minutos desde que ele foi buscar aquela bebida e ainda não tinha voltado. Onde estavaScott? Eu não sabia, não era possível que alguém demorasse tanto tempo assim para buscar uma bebida. Tá na hora de sair daqui, já que pra mim não rolou, não quero ser empata foda de ninguém. Saí daquele canto, onde só tinham casais se pegando, com alguns já até ultrapassando o limite do que era permitido em público, e fui em direção à sala, onde realmente acontecia a festa, pelo menos pra quem estava interessado em curtir a noite e não tirar o atraso, se é que me entendem. A casa do Luke era o que se poderia chamar de mansão, a sala onde rolava a festa era enorme. A batida que ecoava pelas caixas de som, junto ao jogo de luz, fazia uma sintonia perfeita, fazendo com que só por estar lá você tivesse vontade de dançar até o último resquício de noite desaparecer. Exatamente o que eu vou fazer. Deixei-me levar pela galera que já se estava dançando e entrei na vibe.

/Her POV

A menina dançava como se o mundo fosse acabar na manhã seguinte, resolveu deixar de lado o fato de seu namorado ter sumido e aproveitar a festa sozinha, já que Ashley também havia sumido. Ela não percebeu o rapaz, que vira mais cedo, do outro lado da sala, encarando-a fixamente, como quem tira a roupa de alguém só com os olhos. Ele a encarava de um modo tão intenso que lhe causava aquela estranha sensação de estar sendo observada. Reza a lenda que se o seu olhar sobre uma pessoa for muito intenso, ela acaba sendo atraída, e foi exatamente o que aconteceu. No momento em que seu olhar encontrou com o dele, foi como se uma força sobrenatural sustentasse aquele olhar, fazendo com que ela não conseguisse desviar os olhos para outro lugar, mas de fato ela também não o queria fazer, aquele par de olhos lhe causava certo arrepio na espinha, um desconforto bom. Pareciam tão intensos, expressivos e ao mesmo tempo em que diziam tudo, não diziam nada. Ele tinha um olhar tão encantador, tentador, convidativo e ao mesmo tempo tão errado. Errado, era incrível como aquela palavra fazia com que seus sentidos se manifestassem de uma forma tão incomum e perigosamente atrativa. Algo a fazia achar que ele era a resposta que ela já procurava há algum tempo, mas qual era a pergunta? Ela não sabia, mas descobriria. O namorado da menina se aproximou, a abraçando por trás e beijando sua nuca, ela desviou os olhos do menino e encarou o namorado, que trazia no rosto uma expressão indecifrável.
Desviou seu olhar do namorado na tentativa de reencontrar novamente aquele belo par de olhos, mas para sua surpresa, ele tinha desaparecido.