Balada Vermelha
1 Prólogo: A Filha do Fogo.
Notas iniciais
Existia um grande continente isolado do resto do mundo, era um continente recheado do verde das plantas e do branco da neve. Dividido em sete reinos, liderados por sete grandes lideres: Dollus de Do Minnore, o primeiro rei dos homens, sumo-sacerdote de Bragi, o deus da poesia e da magia e patrono de Aensgrïrr, a cidadela flutuante; Hilda de Re Minnore, a sétima filha de Idun, deusa dos lares e do matrimônio e a segunda deusa do panteão; Rebeca de Re Minnore, senhora da caça, acolita de Niddhog, o deus dragão, matrona da cidade sem nome; Milena de Mi Minnore, a brutal, senhora do fogo escarlate e embaixadora de Tyr, deus da guerra, chefe de Brännheim; Fabricia de Fa Minnore, a sábia, matrona de ninguém, líder do povo livre, mestra de Aengard, a fortaleza de ouro. Solange de So Minnore, primeira cavaleira de Balder, deus da justiça, matrona de Solus, cidade-templo do sol. Larissa de La Minnore, a antipática, senhora de Gardnïkr e fiel seguidora de Frigga, deusa da natureza, e por ultimo, Siph de Si Minnore, a enigmática, mentora de Simphonia e seguidora de ninguém.
Em Mi Minnore, na cidade de Brännheim, uma jovem garota de doze anos vivia. Seus cabelos tão longos e ondulados no mais vibrante tom de ruivo, sua pele tão clara quanto o dia, seu rostinho de semblante sempre afiado e feroz, cheia de sardas, como se fosse um leopardo. Seus olhos que tinham a mais vibrante cor verde do distrito onde morava. O nome da menina era Helga, filha de Greta, a metalúrgica.
Os dias de Helga eram sempre cheios de monotonia: acordava de manhã, tomava meio pão com um copo de leite, e então ia aos seus afazeres na oficina de sua mãe, uma oficina pequena, onde somente o fogo da fornalha iluminava e esquentava o local, que era cheio de materiais bélicos e domésticos espalhados pela parede e pelos barris e cestas que estavam na pequena sala, assim como uma enorme e pesada bigorna de ferro, tão negra e surrada por conta das incontáveis vezes que sua superfície deu de encontro com o metal quente. Também havia uma bacia d’água, uma mesa onde havia utensílios de artesanato, uma pedra de amolar enorme com pedal e encima da mesa, o confiável martelo de sua mãe. No seu tempo livre, Helga costumava se reunir com as outras crianças da rua, sempre humilhando e menosprezando os meninos (não era nada surpreendente, visto que sua mãe também era uma misandrina, ou seja, uma mulher que despreza homens), sempre bancando a durona e a mandona. Helga adorava dançar e brincar de guerreira, sendo a melhor nessa “brincadeira”. Quando Helga não estava dançando ou brincando, ela voltava aos afazeres da oficina, e uma das partes que ela mais gostava era de testar as novas espadas que sua mãe fazia. Apesar de ser uma menina magricela, Helga era forte, muito forte, e já conseguia arrebentar espadas recém-criadas e feitas do mais duro bronze. Como artesã e metalúrgica, porém, suas habilidades deixavam a desejar, pois esta garota tinha a paciência de uma brasa no meio de feno. Helga infelizmente nunca conheceu seu pai, nem se quer sabe quem ele é, pois, segundo sua mãe, seu pai era um canalha imprestável, que fugiu da sua responsabilidade como um pai (então causando a misandria de sua mãe). Helga desde então vem seguindo o exemplo de sua mãe, e vêm tratando todos os homens como canalhas imprestáveis.
Em uma manhã nublada na cidade, Helga é acordada por sua mãe eufórica. Era extremamente normal para Helga ser acordada de forma tão bruta, mas algo estava errado: Sua mãe não só estava eufórica, mas também estava assustada.
— Acorda garota! Temos que sair daqui! AGORA!
— Hnnrr... Que houve...?
— Apenas se levante e vam’bora!
Meio zonza por causa do sono, Helga saiu de sua cama com lençóis acinzentados e bagunçados, e foi lentamente caminhando até um pires de água fria que tinha no corredor que dava pra pequena sala de estar, mas foi interrompida abruptamente por sua mãe -Greta- que a apressou.
- Esquece isso e vai logo se vestir e juntar suas coisas! Pegue também uma espada, capacete e escudo. E faça o quê fizer: NÃO. FIQUE. PARA. TRÁS!
— Hã? Ok... Mãe, o quê está acontecendo?
— Re Minnore está invadindo!
-... Como é?!
— Sem tempo a perder, garota! Faça o quê eu mandei ou te deixo pra traz!
Helga logo acordou de sua sonolência, e rapidamente foi ao pequeno salão onde estava localizada a fornalha, e pegou um escudo médio de madeira e ferro, circular, com o emblema de Mi encrostado no centro do escudo: Uma águia dourada segurando a nota Mi em suas garras. Depois ela foi aos mostruários na parede, e pegou uma espada longa, comum, sem nenhum adorno especial e recém-afiado de ambos os gumes. Logo depois ela procurou um cinturão e uma bainha para a espada. Depois de ter se armado, Helga foi para a fornalha e procurou na parte superior o seu capacete favorito que ela usava quando brincava com as crianças. Era um capacete velho e surrado, mas bem resistente, com proteção nasal e uma viseira, ele cobria toda a parte superior da cabeça e ia folgando na parte da nuca, dando a intender que o velho capacete tinha sido feito especialmente para a cabeça da menina.
- Vamos embora rápido, minha filha! Antes que as Rene—.
Um estrondo da porta da frente interrompe Greta, que já está com seu martelo de batalha sacado e pronto pra combate e caminhou até a entrada da oficina. Lá ela encontrou Helga em postura de batalha contra três cavaleiras com as armaduras de escamas e os símbolos de Re encrostados em seus tabardos. Num momento de adrenalina pura, Greta saltou da passagem que dava em um corredor que levava a cozinha, quartos e banheiro da casa, e desferiu um golpe violento na segunda guerreira a entrar pela porta, utilizando a velocidade, peso e força de seu corpo para cima da vítima, que sem tempo para reagir, teve sua cabeça completamente afundada, com capacete e tudo mais, pela potência do golpe. A guerreira caiu no chão, com sua cabeça completamente destroçada, mas isso não bastou: Greta aproveitou que já havia ganhado o terreno para as duas guerreiras, e logo desferiu um segundo golpe, não tão poderoso quanto o primeiro, mas serviu para nocautear a primeira guerreira, que levou um belo golpe na altura do pescoço, cuja qual a armadura não protegia, e caiu sem ar no chão, sufocando com sua traqueia afundada. A terceira guerreira que ainda estava para entrar na oficina — com medo — mas ao mesmo tempo enraivecida sacou seu gládio e começou a correr em direção a Greta para uma estocada na altura do peito, Greta percebeu e deu um pulo para traz e recuou seu martelo na mão esquerda, a guerreira chegou à distância ideal e realizou a estocada, mas Greta — que não era leiga em espadas e combate — esperou o momento certo e agarrou a gladio pela lâmina com sua mão direita e a guiou para abaixo de seu braço esquerdo, que já estava se levantando para desferir um poderoso golpe no nariz da guerreira, que é jogada para traz, mas não foi o suficiente para derrubá-la. Greta não perdeu tempo: Ela avançou em direção a guerreira ferida, e com um giro de baixo para cima com o seu martelo de guerra na esquerda, desferiu um poderoso gancho que acertou bem na base direita do maxilar da intrusa, que pela força do impacto, caiu dura no meio da rua.
Helga estava surpresa, e ao mesmo tempo imóvel em sua postura de combate ao ver sua mãe, uma mulher que ela sempre soube que era turrona e durona na queda se transformar em uma verdadeira máquina de esmagar corpos.
Era a primeira vez que ela via sua mãe entrando em combate. Seus olhos verdes ficaram abertos de surpresa e admiração, e seu peito aos pouquinhos era preenchido por um respeito e amor maiores ainda à mulher que a havia gerado e criado. Logo seu momento de admiração foi cortado pela voz estrondosa de Greta, que gritava para que ambas fossem logo embora para a Casa Comunal de sua velha amiga: Griselda, a Brutal.
-Para de sonhar acordada e vamos embora, Helga!
Helga acordou de seu transe e recobrou a seriedade da situação, correndo em direção à sua mãe e se preparando para um eventual combate pela sobrevivência.
- Onde a senhora acha que estaríamos seguras?
— A essa altura Milena e Griselda já devem estar juntas para preparar a retomada da cidade. Então nós deveríamos ir para a ‘Lince Faminta’—A Casa Comunal de Griselda.
— Mi-Milena?! A Rainha vai estar presente na casa da Tia Griselda?!
— Sim. Por isso, se comporte! Agora vamos!
Logo, Helga e Greta partiram para à ‘Lince Faminta’ – Casa Comunal de uma das Líderes Mercenária mais brutais e sem escrúpulos de Mi: Griselda “Lince” Thornborn.
As ruas até a Casa Comunal eram feitos de paralelepípedos, tendo suas casas e prédios uma ao lado da outra, quase que coladas. Raramente havia um beco que levava ao porão ou a um depósito. As casas eram variadas: Seus tamanhos e materiais variavam muito uma da outra, tendo casas pequenas de madeira e reboco perto de casas bem grandes feitas de madeira, reboco e ferro negro. Havia charretes, barris e cestos dos mais variados pelas ruas, plantas nas sacadas de algumas casas que possuíam um segundo ou terceiro andar, e fumaça saindo de suas inúmeras chaminés. Aquele distrito em particular tinha um clima bem vitoriano, clima este que havia sido completamente pervertido e distorcido em se tornar um deserto metropolitano, contendo somente algumas manchas de sangue, marcas de corte e furos nas paredes, espadas e alguns cadáveres jogados pelo chão (Mais de cidadãos minenses do quê de soldados renenses). Greta e Helga conseguiam escutar alguns gritos ao correrem pelas largas ruas. Pelo caminho até à ‘Lince Faminta’, Greta e Helga encontraram algumas guerreiras renenses. Helga não matou nenhuma, porém Greta era sem compaixão, e esmagava e triturava suas adversárias, algumas das guerreiras que Helga enfrentava fugiam após ver o que Greta era capaz de fazer, e assim elas foram atacando as soldados de Re Minnore enquanto que libertavam alguns habitantes da opressão renense.
- Sua idiota! Por que as deixou fugir?!
Helga não respondia, seus olhos estavam completamente dilatados, seu corpo tremia de ansiedade e medo. Sua mãe havia esquecido: Helga ainda era uma criança que só estava acostumada a lutar com pessoas bem maiores do quê ela, mas ela nunca havia matado nem se quer a uma mosca, logo entendo sua hesitação. Greta recolheu seu martelo de batalha depois de ter estraçalhado o crânio de uma guerreira renense, e foi logo confortar sua filha.
- Escuta aqui minha filha, se você deixar, essa gente vai matar você, a mim, e a todas as pessoas que estão ao redor. Se não matarem, vão nos transformar em escravos ou então coisa pior. Matar faz parte da vida, pra termos o quê comer, nós temos que matar um animal ou uma planta. Elas estão querendo tomar a nossa casa, e se as deixarmos fugir, elas vão voltar. Então na próxima, você vai MATAR todas as que você encontrar. Estamos entendidas?
Greta dizia estas palavras enquanto ela se agachava e pegava nos ombros da pequena ruivinha, enquanto a encarava olho no olho. Helga apenas respondeu com um balanço de cabeça positivo, reconhecendo o quê sua mãe havia falado. E as duas se abraçaram.
Após o momento das duas, Greta e Helga resumiram sua corrida até a Casa Comunal. Passaram das ruas espaçosas e caóticas de Brännheim para os becos mais estreitos, tentando evitar mais confrontos, e assim chegar ao seu destino. A tática realmente funcionou, porém, ao chegarem ao Distrito Tyrsdas (o distrito dos assuntos de guerra), elas viram que quase todos os prédios, incluindo a ‘Lince Faminta’. Greta e Helga tiveram seus olhos arregalados de espanto, sangue, cinzas e fogo decoravam a cena do distrito onde havia os maiores guerreiros da cidade. Cadáveres completamente destroçados de ambas as guerreiras renenses e minenses, muitas delas de alta patente decoravam o macabro cenário. Até mesmo cidadãos comuns e membros influentes da câmara minense estavam no emaranhado de corpos, e no meio da carnificina, três figuras estavam de pé, em postura de combate: Uma figura humanoide, bem alta e proporcionalmente forte, usando nada além de suas mãos para combate e do bafo flamejante que brotava de sua boca e nariz, a figura de uma mulher atlética, usando uma alabarda e uma armadura de escamas esverdeada, a ultima figura era um homem, alto e forte, de cabelos brancos e longos, usando nada além de dois sabres curvadas.
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