Bakuhatsu - Chakura Konemasu
7 Invasão
Notas iniciais
"Determinação… uma qualidade que define ninjas, cujos feitos são relembrados por uma toda eternidade no mundo ninja. A determinação molda e perpétua na mente dos ninjas, transformando-os e dando-os força que vai muito além do nosso entendimento. Ela pode fazer do homem tolo um sábio, permitindo assim se achegar aos sons e conhecimentos que ecoam em nosso subconsciente, que anteriormente era quase impossível ouvi-los.
Seu pai, Namikaze Minato foi um desses ninjas, que perante muitas atrocidades que distorciam a sua grande visão do mundo ninja, respondia a elas com grande apreço."
Lembrava da forma esquisita da Kyuubi no youko me dizer os parabéns, por ter passado no teste de sobrevivência, que claro, inevitavelmente havia passado junto com os outros dois membros do meu time. Mas também estranhei o fato de que ela havia feito menção do nome do meu pai, apesar de que o modo como ela o mencionou instigava um pouco de ódio, e eu que pensava que ela já havia superado essa fase.
Depois do término do teste, o clima entre nós do time 7 se tornou um pouco mais amigável, e a tensão não se fazia sentir muito, apesar de que o Kakashi-Sensei havia dito que, ainda faltava muito para que o nosso trabalho em equipe ficasse a cem por cento em sintonia. O garoto Uchiha em sua defesa apenas disse que, tudo era culpa minha e da Sakura-chan, porque passávamos a maior parte do tempo brincando do que treinando.
Eu apenas ignorei a sua afirmação para não destruir a frágil união no time.
......................................................................................................................................................
Era quase noite, e a luz do sol já começava a ser ocultada pelas densas nuvens, pensei por uns instantes o quão intenso o dia de hoje havia sido até agora, o que na realidade me fazia ficar contente por uns momentos.
Eu estava em meu apartamento, deitado e totalmente exausto em minha cama na tentativa de descansar o máximo possível, para não ficar sonolento no dia seguinte. Mas na verdade o meu corpo estava todo dorido, principalmente as mãos era como se eu havia sido molestado por touros furiosos durante todo o dia.
Eu estava começando a cair no sono quando…
— Moleque?! Se eu fosse você não adormecia agora.— Falou a Kyuubi.
— O que foi agora? – Questionei maldisposto.
— Para que falar, se você pode ver por si mesmo.—
— O quê? – Arqueei uma sobrancelha. Era incrível como a raposa gostava de me fazer de idiota, mas fazer o quê…
— Isso será que nem um teste. Quero que você use a sua habilidade de sensoriamento e me diga o que vê. –
Para não ficar discutindo inutilmente com a raposa, até porque ela ganharia na mesma, decidi levar avante a sua sugestão… melhor dizendo a sua ordem.
Logo que acedi o meu medíocre modo sensorial, comecei a sentir uma pequena, muito pequena, quantidade de chakra que deambulava do lado de fora do meu apartamento, ora estava na parte traseira ora estava na frente ou nos lados do apartamento, o que não só tornava quase impossível para mim prever as suas acções, mas também era meio esquisito.
Sei lá, penso que estive uns cinco ou dez minutos em alerta até que vi minha janela sendo aberta, o que me provocou um calafrio de espinha seguido de um forte aperto em meu estômago. Muitos diziam que era um mau presságio.
Fiquei completamente passado, com a ideia de que alguém que eu desconhecia havia entrado em meu apartamento. Eu até poderia saber quem era, por meio da leitura de chakra ou coisa parecida mas infelizmente eu era novo nesse negócio de rastreamento, que até os únicos chakra que talvez eu seja capaz de identificar é do Sasuke e Sakura.
Pensar também que fosse um deles a invadir agora o meu apartamento seria uma grande loucura, porque Sasuke não é do tipo que tem curiosidade de fazer uma visita ao seu inimigo mortal, e Sakura não suporta a ideia de me ter ao pé dela, a não ser que hoje ela finalmente havia se apercebido de que anda sempre atrás do cara errado… o que foi?! Nunca é demais para sonhar.
Indo ao que interessa, tentei me mover mas a exaustão em meu corpo era tão grande que congelei completamente em minha cama, e a única coisa que consegui fazer foi fechar meus olhos, caindo assim em desespero total.
— Moleque?! Você é mesmo um chapado.— Disse a Kyuubi.
— Desculpa? –
— Vem alguém em seu apartamento e você resolve fingir que está dormindo, inacreditável.— Ria a raposa.
Enquanto estava imóvel acompanhei delicadamente os seus sincronizados e cautelosos movimentos, enquanto se aproximava cada vez mais de mim. De seguida, tive aquela impressão de que os seus dois olhos se encontravam fixos em minha pessoa, coisa que me fez se sentir completamente desconfortável porque não podia retribuir o meu olhar também.
Eu contava cada segundo para me ver livre dessa situação de grande desconforto, e a situação acabou por piorar quando não conseguia perceber a sua localização, parecia até que havia eliminado completamente a sua presença em meu apartamento.
Eu desesperado decidi juntar a máxima coragem que ainda havia em minha pessoa, e temerosamente abri meus olhos.
Quase pulei para trás com o que vi, e só não soltei um grito extremamente afeminado porque… bem… não seria nada bom para a minha reputação e porque também estaria dando crédito ao intrigante ninja desconhecido que se encontrava de pernas para o ar, se apoiando no teto que estava bem acima da minha cama.
A distância que separava seu rosto do meu, eram apenas de alguns centímetros o que me fez engolir em seco. Tanto as suas roupas como a capa sinistra que trazia com ele eram pretas, e cobria o seu rosto com uma mascara aquela do tipo assustadora, igual a dos ninjas pertencente a raiz da ANBU.
Estava meio complicado para mim perceber direito qual era a cor dos seus cabelos, apesar de que o seu aroma me era muito familiar. A única coisa que me impedia de lembrar direito onde e quando é que eu já havia sentido o cheiro, era o som dos meus descontrolados batimentos cardíacos e, que, surpreendentemente aceleravam cada vez mais.
Enfim…
O ninja me olhava fixamente, mesmo não sendo possível para mim enxergar os seus olhos que se encontravam ocultos na mascara, era como se estivesse esperando por um sinal ou movimento meu, para assim dar inicio a sua missão de assassinato contra mim ou qualquer outra coisa que o levou a vir em meu imundo apartamento.
Tentei pensar em mil formas e deixas que me pudessem livrar dessa situação, mas infelizmente todas eram meio bobas como por exemplo, tiro a sua mascara e efectuo um grande golpe em seu rosto mas, isso tudo tinha de ser feito na velocidade da luz por isso… fora de questão. Ou poderia fingir um desmaio, mas é meio estúpido por isso… fora de questão.
O outro era fazer a cara mais brava possível, mas pensando direito isso só aceleraria a sua desconhecida missão por isso… também fora de questão. A outra era para mim retirar rapidamente a sua mascara, e na tentativa de o fazer esquecer da sua missão, eu o beijaria o mais rápido possível independentemente do género, mas quem estou tentando enganar… se ela ou nesse caso ele (ainda era meio confuso para mim) fosse um homem… eca… a minha vida nunca mais seria a mesma.
Havia mais alguns planos, que empalideceriam no quesito idiotice se comparados com outros, eu até meio que fico envergonhado só de pensar neles, por isso é melhor nem contar.
Estivemos nos encarando, por alguns minutos onde fiz grandes expressões e lancei vários olhares como, o olhar apaixonado seguido de um piscar de olho, a carinha de gatinho assustado, a cara de pateta, tantos outros que podia jurar que o ninja desconhecido estava contendo grandes gargalhadas, para não estragar o seu ar de mauzão.
Por outro lado, em meu subconsciente a Kyuubi não parava de rir da cena idiota que eu fazia, que com muita pena de mim sugeriu uma solução. Mas antes tinha de me lembrar onde coloquei minha bolsa ninja. Foi ai que conclui que da próxima vez colocaria junto a mesa do despertador, e não em qualquer lugar em meu apartamento.
Quando lembrei da sua localização arrastei lentamente as minhas mãos por baixo dos lençóis, e cravei forte meus punhos nele sem perder de vista o ninja desconhecido nem por um segundo.
Joguei rapidamente os lençóis para cima que acabou por cobrir o ninja em fracções de segundo. Me levantei velozmente da minha cama, e tentei alcançar a minha bolsa que contêm argila mas tive de descartar da ideia ao ver uma chuva de churikens vindo em minha direcção, o que me fez parar por uns instantes e visualizar o meu adversário.
Foi incrível como ele se livrou rapidamente dos lençóis, o que me levou a crer que ele não está em meu apartamento para brincar de esconde e esconde comigo.
Agora eu estava com meu pijama idiota, acompanhando lentamente os movimentos do ninja desconhecido que vinha para cima de mim, e subitamente senti um grande aperto em meu estômago, como se meu corpo me estivesse dizendo que é uma má ideia lutar contra ele.
Ele decidiu atacar com uma voadora, que nem me dei ao trabalho de desviar, não era só por causa da exaustão em meu corpo mas também por causa de uma análise da Kyuubi onde disse que, eu cairia bem por cima da bolsa ninja, o que diminuiria um pouco a minha enorme desvantagem.
Ungi de dor ao ser pontapeado, mas estranhei quando alcancei a bolsa. Levantei lentamente, e olhei para o ninja, percebi que tinha aquele ar de superioridade como se tudo que aconteceu até agora e virá a acontecer, já estava planejado até aos mínimos pormenores.
Dei uma olhada em meu apartamento que se encontrava pior do que o normal, e em uma tentativa de não piorar mais o seu lastimável estado, joguei uma bomba de fumaça roja para o chão e sai pela janela acompanhado pelo ninja desconhecido.
Agora estávamos correndo de telhado em telhado das casas da aldeia, e enquanto eu corria olhava ao redor para ver se dou de caras com alguém familiar, mas era como se desde o momento que coloquei meus pés para fora do apartamento, as coisas e as pessoas haviam congelado ou simplesmente desaparecido da vila.
As ruas estavam totalmente desertas, sem ao menos um bêbado a vista. Passamos por algumas casas cujas luzes estavam acesas, mas na sua maioria pareciam estar desabitadas e em outras apenas eram visíveis sombras de pessoas imóveis nas janelas, o que me fez duvidar da minha pobre sanidade.
E agora só havia um pensamento em minha cabeça " alcançar rapidamente a casa da floresta, para ser ajudado pelo meu senpai, isso se ele lá estiver". Mas também não tinha muita certeza de que aguentaria chegar até lá.
Quando entramos na floresta, o meu corpo ficou mais pesado e ao virar o meu olhar para o ninja, admirei o fato de ele estar a uns quatro metros atrás de mim o que não era bom sinal, por isso comecei a amassar argila, o que também não era uma boa ideia, porque só iria piorar ainda mais a minha exaustão.
Mas eu não fraquejei nesse momento e quando terminei joguei insectos explosivos, cujos tamanhos eram iguais a minha mão, e que fariam de tudo para impedirem que o ninja me alcançasse.
Vi em pequenos flashes enquanto ele se debatia para evitar os insectos explosivos, que dificultavam o grande desfecho da sua perseguição.
Já perto da casa, parei de fugir depois de sentir uma dormência em meus pés que durou uns oito segundos. Eu respirava ofegantemente e encarei o ninja desconhecido que também me encarava, agora a ideia de sair correndo em direcção a casa estava fora de questão, principalmente por causa do meu estado actual.
Tive a ideia de fazer um Kage bunshin, cujo clone teria como missão procurar o meu senpai, enquanto eu tentaria aguentar a batalha o tempo possível. Mas aconteceu algo que eu não previ, logo que terminei a execução do Kage bunshin, meu corpo começou a ficar dormente paulatinamente.
Notei que o clone também estava passando pela mesma situação que eu, mas eu estava nem ai para dor que mandei ele completar a sua missão. Logo que o clone se pôs a correr a dor aumentou intensamente o fazendo assim desaparecer, agora tive certeza absoluta que o meu destino estava traçado há muito mas há muito tempo e que também o meu fim era quase inevitável.
Para não cair em profundo desespero me mentalizei que ainda tenho hipóteses de sobrevivência, e que apenas precisava de um plano, apenas de um simples e genial plano. Estive pensando se atacava de que modo, a primeira opção que me veio em mente e que sempre me vem em mente foi Taijutsu, mas penso que seria uma grande burrice minha se eu me aproximar dele, sei lá que coisa estava escondida em sua capa sinistra, e ainda mais com a dormência que se instalava por todo meu corpo, não me parecia uma boa opção.
Coloquei minha mão sobre a bolsa que contém argila mas me arrepiei, ao ouvir um sorriso maléfico do ninja como se estivesse a espera desse meu movimento.
— Uzumaki Naruto… — Falou o ninja, ganhando toda a minha atenção.
Não sei porquê mas acabei congelando dos pés a cabeça, era como se ele havia suspirado baixinho em meu ouvido, com aquela voz e ruído aterrorizador igual ao som de uma mascara de mergulho… sinistro.
Pensei até que alucinei quando ele havia pronunciado meu nome mas, a realidade me corroeu por dentro, ao sentir uma presença atrás de mim. Rapidamente a imagem do ninja que estava a minha frente desapareceu como se nunca havia ali estado, e me perguntei se as coisas poderiam piorar ainda mais.
Me virei lentamente todo apavorado, mas de uma certa forma essa experiência não me era estranha como se eu já tivesse testemunhado em um passado distante, mas que ainda se encontrava reprimido em minha consciência.
Vi o ninja com os meus olhos arregalados, engoli em seco quando ele abria a capa que trazia vestido e quando a abriu acabei caindo e recuando ao ver armas ninjas, mas várias armas ninjas de tamanhos diferentes… até havia algumas cujo tamanho me fez engolir em seco. Se a sua missão fosse de me fazer borrar de medo com certeza havia conseguido completá-la agora mesmo.
O ninja se abaixou como se quisesse que eu visse as suas armas mais de perto e disse – Quando eu vejo garotos como você completamente despreparado e aterrorizado eu sempre digo… eu gostei de ti, e eu ti quero, nós podemos fazer isso da forma mais fácil ou da forma mais difícil, a escolha é tua… então o que me dizes?—
Porra… desculpem o palavrão, mais o que raios é que está acontecendo aqui, até parece que estou tendo um pesadelo do tipo que real, mas não estou lembrando o momento em que cai no sono, e também que merda é essa que ele acabou de falar isso… isso não faz sentido algum.
Não consegui abrir minha boca para falar alguma coisa, apenas fiquei calado olhando para as enormes armas. Tentei mover meu pés mas não fui correspondido, tentei mover os braços aconteceu a mesma coisa, parece que finalmente a dormência acabou tomando conta de todo o meu corpo… o que é simplesmente perfeito.
O ninja deu um leve suspiro.
— O teu silêncio dá a entender várias coisas, mas eu consigo perceber que você é do tipo que gosta de fazer as coisas da forma mais difícil. Por isso tentarei não te desiludir.—
Mal o ninja terminou a sua fala, sacou duas espadas e fechou o casaco, se as minhas pernas não estivessem dormentes com certeza estariam tremendo nesse preciso momento. Ele levantou a espada com o intuito de desferir um golpe, não é aquele tipo de golpe que suga a vida de alguém na primeira tentativa mas sim na décima ou mais adiante. Só de pensar que seria feito aos pedaços suei frio e fechei meus olhos aterrorizado a espera do início da chacina, mas comecei a ver flashes de minha vida e lembrei que a única pessoa no mundo ninja que me fazia borrar de medo com suas geniais brincadeiras era…
— Onee-san?! – Gritei, depois de conseguir tomar o fôlego.
O ninja parou por uns segundos… dez para ser mais específico, como estava nos momentos finais de minha vida, eu tinha que contar cada segundo que ainda adentrava ar em meus pulmões.
Ele me olhava enigmaticamente e subitamente jogou ao chão a espada que estava em sua mão esquerda e retirou sua mascara.
— Você continua muito lento em perceber as coisas.—
Suspirei de alívio ao ver seu rosto, que até escorreu lágrimas em meus olhos. Depois de me recompor tentei levantar mais não consegui.
– Qual era a tua ideia? Me fazer morrer com um ataque cardíaco? –
Ela soltou um leve sorriso e jogou a capa no chão.
— Foi divertido, tal como antigamente. –
— Não achei graça nenhuma. – Retruquei.
Sempre detestei um pouco essas brincadeiras da Yugao Onii san, mas sempre gostei da forma como ela improvisava nas suas representações de vilã porque eram completamente geniais.
Ela estendeu sua mão com o objectivo de me ajudar a levantar.
— Falei com o Kakashi, ele disse que você se saiu muito bem no teste de hoje, por isso resolvi te fazer uma surpresa. –
— Dessa vez você me apanhou desprevenido, mas a próxima vez sairei vencedor. –
— Se eu fosse você não teria assim tanta certeza. –
Me apoiei em seu ombro. Ela me olhou, provavelmente confusa com o meu ato.
— Acho que não sou capaz de andar. – Sorri, meio constrangido.
— Se você quiser eu posso te levar as costas. –
Meneei a minha cabeça negativamente.
— Não, eu sou demasiado crescido para essas coisas e também… — Nem terminei a minha fala e lá estava eu sendo colocado nas suas costas.
— Deixe de ser teimoso, pode descansar que eu te levo para casa. –
Deitei meu rosto em seu cabelo, cujo aroma acabou me levando no mundo da imaginação e eu olhava vagarosamente para o chão enquanto ela corria sobre as árvores.
Olhei para os lados depois de ver ela parar de correr sobre as árvores, e começar a caminhar por um trilho desconhecido para mim. Chegamos em uma parte da floresta que eu desconhecia a sua existência, e embatíamos em vários galhos e trocos que tinham como objectivo ocultar o que estava por detrás de uma vasta junção de árvores.
Quando finalmente passamos por todas elas, não acreditava no que os meus olhos estavam enxergando. Haviam me contado histórias sobre esse lugar, mas nunca pensei que algum dia teria a oportunidade de pisar os meus pés em seu solo ou até mesmo sentir o aroma daquele lugar, mas lá estava eu no…
Fale com o autor