Bailarina de Gelo
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Não há sensação melhor, do que se sentir em casa. Finalmente eu havia voltado para Bournemouth, o lugar onde nasci e cresci, o lugar do qual fui mandado embora por causa de alguns erros. Há um ano atrás, meus pais decidiram me mandar para um internato no Japão como forma de punição pelas coisas que fiz. Amélia e Joshua esperavam que esse castigo resolvesse meu problema de comportamento. Dois Iludidos.
Passei o pior ano da minha vida naquele internato — que por sinal, eu ainda não havia conseguido decorar aquele nome estranho. Todos os alunos de lá eram tão certinhos e caretas, isso me enlouquecia, não parecia que eu estava em uma escola, mas sim em um lar de idosos. As meninas até eram bonitas, mas pareciam umas freiras, verdadeiras Madres de Calcutá. Tinha alguma coisa muito errada com aquele internato. Eu já não conseguia nada com as garotas por serem politicamente corretas, a situação só piorou quando todos descobriram que eu tinha uma namorada aqui em Bournemouth. Até parece que aquela ninfomaníaca da Kim está esperando por mim, com certeza já está na cama de outro.
— Está tão calado Brandon, no que tanto pensa? — Minha mãe me perguntou.
— Hum... Nada de mais. — Respondi a ela. Fazia um ano que eu não via, tanto ela quanto meu pai, nenhum dos dois havia ido me visitar sequer uma única vez enquanto estive no Japão. Os dois simplesmente me largaram lá, foram embora e, agora acham que tudo vai ser como era antes.
— Domingo a tarde eu irei te levar para Bournemouth University Business School, seu pai não poderá estar conosco, ele terá que ficar mais uns dias em Londres. Você poderá vir para casa nos finais de semana caso queira e, eu solicitei que você tivesse uma sessão por semana com a psicóloga de lá.
— Psicóloga, fala sério mãe! — Só podia ser brincadeira, essa baboseira de psicóloga de novo.
— Brandon, nem ouse iniciar uma discussão. Faz um ano que eu não o vejo, não quero brigar com você logo no nosso reencontro. E esse foi o nosso combinado, você teria a sua vida de volta, com o tanto que entrasse para a faculdade e voltasse a ter sessões com a psicóloga.
— Hum.... Tanto faz. — Falei recostando a cabeça no vidro do carro.
— Bran, eu sei que está bravo conosco por termos o mandado para o Japão e agora o mandarmos para a faculdade. Mas olhe para essa situação com outros olhos, veja isso como uma nova chance para você.
— Chance de que?
— De recomeçar Brandon, de apagar tudo o que você fez de errado e fazer o certo. Recomeçar sua vida ao lado de pessoas novas e esquecer todos do seu passado. É a hora de você ser uma nova pessoa e deixar tudo para trás e focar no seu futuro.
— Mas eu não entendo, por que eu tenho que recomeçar a minha vida, eu gosto da antiga.
— Eu sei que você gosta Brandon, mas essa vida não é o melhor para você. Isso só é bom durante a adolescência, esse gosto pelo perigo, pelo ilegal que você tem, logo vai passar e, muitas vezes passa e deixa cicatrizes irreparáveis na gente. Nem eu, nem seu pai queremos que isso aconteça com você.
— Eu não preciso da proteção de vocês. — Era tudo o que eu precisava, meus pais me tratando como um menino de porcelana. Ninguém pode ser protegido o tempo todo, as vezes a pessoa tem que errar, se arrepender de algo, é isso que dá sentido à vida, viver da maneira que quiser sem pensar nas consequências.
— Só irei parar de ser uma mãe protetora o dia em que você mostrar para mim que sabe se virar sozinho, sem minha ajuda. Mas no momento, você ainda é um adolescente imaturo. — Ela terminou a frase com um sorriso singelo. O carro parou e percebi que tínhamos chegado em casa, ela continuava do mesmo jeito que eu lembrava, enorme e totalmente branca.
A porta da entrada principal se abriu mostrando meu irmão mais novo de seis anos, Charlie Pale. Ele correu em minha direção deixando sua babá para trás parada na porta.
— Brandon! — Gritou Charlie em quanto me abraçava. — Eu estava com saudades.
— Eu também estava com saudades campeão. Caramba hein, como você cresceu. Agora me fala, como você está? — Perguntei olhando para aqueles olhos brilhantes e ingênuos. Nunca pensei que pudesse sentir tanta falta desse pirralho, era tão bom vê-lo novamente.
— Bem. — Ele respondeu sorrindo. — Tia Genevive vai me levar ao parque agora, vem junto comigo?
— Humm... Está bem.
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