O SURTO DO DETETIVE BLAKE: NOVA VÍTIMA DO “DEVORADOR DE OLHOS”

Por The London Gazette – 29 de setembro

Londres vive mais uma madrugada de horror. O misterioso assassino apelidado pela população de “Devorador de Olhos” fez sua quarta vítima em apenas nove dias. O corpo, encontrado ontem à noite nas margens do Tâmisa, apresentava a mesma assinatura dos crimes anteriores: ausência total dos globos oculares e sinais de exsanguinação.A polícia, em comunicado breve, não revelou a identidade do falecido. Fontes extraoficiais, contudo, confirmam que a vítima era um homem de aparente alta estatura e porte envelhecido. Foi uma prostituta quem localizou o cadáver, entrando imediatamente em estado de choque.Mas não foi apenas o crime hediondo que chamou atenção na cena. O detetive encarregado do caso, Sr. Blake, perdeu momentaneamente a compostura ao avistar um corvo que sobrevoava a área. Testemunhas relatam que o inspetor chegou a brandir sua arma contra a ave, sendo fotografado por repórteres que haviam acabado de chegar.As imagens circulam pela cidade desde a madrugada e levantam questionamentos sobre a estabilidade do investigador frente a crimes tão bárbaros. Estaria a própria polícia sucumbindo ao terror imposto pelo “Devorador de Olhos”?

— Está tudo bem, detetive? — Hargie estava realmente preocupado comigo.

— Era questão de tempo até as notícias se espalharem. — Guardei o jornal na gaveta de minha escrivaninha junto aos outros relacionados ao caso.

— Enfim, o relatório da legista chegou.

Rompi o lacre com a ponta de minha caneta. O silêncio no escritório era pesado, quase palpável. Li em voz alta, controlando a gravidade das palavras:

"Sexo masculino, aproximadamente cinquenta anos de idade. Corpo apresentava sinais de profunda exsanguinação. Não foram encontradas marcas de agressão física convencionais, como contusões ou fraturas. As cavidades oculares estavam vazias, ausência completa dos globos. Não há evidências de retirada cirúrgica, mas sim de extração irregular, ainda não determinada. Tempo estimado de morte: entre três e cinco horas antes da descoberta."

Fechei os olhos por um instante. A frieza técnica da legista não conseguia mascarar o grotesco. Cada palavra era como o fio de uma lâmina, cortando o ar entre nós.

— Não menciona nada sobre o sangue? — perguntei, tamborilando os dedos sobre a madeira.

— Apenas que não havia vestígios suficientes no local. — respondeu Hargie, hesitante. — É como se tivesse desaparecido.

O tic-tac do relógio na parede pareceu ecoar mais alto. A cada crime, as mesmas lacunas, os mesmos vazios. Não eram apenas olhos que desapareciam, mas respostas.

A porta rangeu, e uma figura rompeu vindo do corredor. Os cabelos, platinados e sedosos, refletiam a luz mortiça da luminária como se guardassem fragmentos da lua. O olhar, de um âmbar profundo e quase angelical, sustentava uma serenidade inquietante, como se soubesse mais do que deveria. O silêncio da sala foi momentaneamente quebrado apenas pelo arrastar dos sapatos de sola fina contra o assoalho, um compasso suave, estudado, que parecia dominar o espaço sem esforço algum.

Levantei-me de imediato, não por respeito, mas por instinto.

— Detetive Blake? — perguntou, com a voz de um eunuco, carregada de um sotaque estrangeiro que não soube identificar de pronto.

— Sim. — respondi, fechando discretamente a gaveta onde repousavam os jornais. — A quem devo a honra?

— Meu nome é Arthon J. Harker. Vim porque... sei o que está acontecendo com os corpos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.