Bad romance
3 Suspeitos
Notas iniciais
CAMILLE O´CONNELL
Nosso primeiro dia de investigação foi exaustivo. Hayley desconfia dos Mikaelson, em especial de Niklaus Mikaelson. Ela o achou muito tenso e preocupado, além de ser raivoso.
Tentei fazê-la enxergar que se trata de alguém ferido, e essa abordagem foi até pior! Ela o tem como primeiro suspeito, já que a fantasia usada pelo Descon é Colombina, a mulher que vive entre dois amores, e evidentemente a raiva de Niklaus do irmão por traí-lo com a cunhada se encaixa ao perfil. Mas... eu não vejo alguém necessariamente agressivo. Eu vejo alguém ferido, magoado, decepcionado e sem motivação alguma. Discutimos isso no carro a caminho da delegacia, enquanto os Mikaelson nos seguia no carro de trás.
— Camille, já disse que acho admirável essa sua capacidade de ver o melhor das pessoas, mas você precisa admitir que ele se encaixa perfeitamente ao perfil!!
— Não se encaixa, Hayley!! Ele... não tem capacidade de matar nem uma mosca!!
— Como pode ter certeza disso?!?
— Você viu como ele esfregava as mãos constantemente?!? Como ele estava trêmulo?!
— Exato!! Ele estava nervoso, as mãos até suavam, e... você viu como ele foi indiferente a morte da garota?! Quem reage daquele modo quando descobre que alguém conhecido morreu?! Não precisa ser próximo. Por mais que a morte seja o curso natural da vida, ela sempre nos choca, assusta, paralisa, alguma coisa! Não aquilo!!! Ele até falou mal da garota! Ignorou totalmente a sua morte!!!
— Hayley, pode me ouvir um minuto?! Eu sei que todos os atos do Niklaus foram suspeitos, mas eu também notei que ele é uma pessoa que está sofrendo! O modo dele lidar com o sofrimento é se autoflagelando! Ele estava com olheiras por não dormir bem! A tremedeira era de abstinência! Aquele homem é um alcoólatra! Ou melhor, ele virou um alcoólatra pelas palavras da irmã. E os seus problemas estão relacionados ao coração, e não a esses assassinatos!! Ele está gritando por socorro, e a família não consegue ajudá-lo! Se tivesse que desconfiar de alguém naquela casa seria do tal Elijah!! Ele é alguém que mantém as pessoas a um palmo de distância! O que Stefan Salvatore falou sobre ele, e o que nós vimos não fecha! Como pode aquele homem tão refinado namorar uma mísera garçonete de bar?!? Eu não estou nem dizendo que ele é o responsável pelas mortes, mas... tem algo nele! Algum mistério!! E eu não consegui nada com ele!! As únicas coisas que foram perceptíveis é que ele parece o chefe da família, mas está voltado aos negócios e questões práticas, enquanto a Freya age como se fosse a mãe, e tenta ser cuidadosa e amorosa, mas não sabe bem o que fazer. O Elijah prefere as responsabilidades porque não quer lidar as emoções de ninguém, principalmente as do irmão Niklaus, que é tão emotivo. Então se alguém for suspeito pelas primeiras impressões, é o Elijah! Ele mantém uma postura fria e distante, eu não vi emoção nele! Ele ficou surpreso e depois preocupado em honrar a morte da garota. Seria uma postura aceitável para qualquer outra pessoa, mas não para o namorado da vítima!!!
Hayley me surpreende ficando em silêncio e acatando as minhas palavras, não sei o que está pensando. Quando chegamos a delegacia e ela está estacionando o carro, ela se volta a mim:
— Quero que pegue o depoimento do Niklaus! Tenha certeza das suas impressões e não se deixe envolver! Ele... evidentemente gostou de você, e se ele for o nosso homem, você pode se tornar um alvo em potencial! — Reviro os olhos com as suas palavras:
— Por um minuto eu pensei que tivesse me dado ouvidos! Elijah é muito mais complexo e difícil de ler! Por que não o deixa comigo?! E... ele não é um assassino, Hayley! Niklaus é só um homem de coração partido, e... eu não gostaria de entrevistá-lo! Talvez possamos deixar isso para a Bonnie!
— Você gostou dele, não foi?! Digo, o problema dele te gerou empatia, como uma boa psicóloga que você é!! E não vou negar que ele é muito bonito, na verdade, todos eles!! Só conhecemos homens bonitos nessa cidade! Eu não sabia dessa característica de Nova Orleans!! — Ela diz sorrindo.
— Confesso que a dor dele me gerou empatia!!... E se está tão impressiona com o fato das pessoas daqui serem tão bonitas, deveria se olhar no espelho mais vezes!!! Você é daqui, e é deslumbrante!!...
— Assim como a minha irmãzinha!!! — Sorrimos uma para a outra.
— Hayley, me deixe falar com Elijah?!?
— Não!! Eu quero falar com ele!!
— Então você gostou do irmão metidinho?!? Acho que você faz o tipo dele!! — Eu digo para ver a sua reação, e Hayley não consegue ocultar um sorriso.
— Cami!!! Ele acabou de perder a namorada, fomos até lá para comunicar isso, e estamos aqui a trabalho!!... Ah! Não sou tola de ignorar o que você diz, mas estou acostumada a ser portadora de más notícias, e... as pessoas são diferentes!! Nem todas as reações são tão óbvias!! Já vi gente até tendo crise de riso por conta do nervoso. Tenho certeza que ele ainda não processou o fato. É uma daquelas pessoas acostumadas a ser racional, e controlar as emoções, só as deixa vir quando tudo está resolvido e sob controle, de preferência, sem que ninguém as veja fraquejar! — Ela diz antes de sair do carro.
Assim como você!! — Eu digo para mim mesma em pensamento — Acho que não fui a única a criar empatia com um Mikaelson!!!
Assim que entramos na delegacia, vejo Caroline conversando com Stefan Salvatore, e a postura de ambos mostra uma tensão pesada entre eles. Algo inapropriado deve ter acontecido.
Ah, meu Deus!! Caroline, Elena e Hayley encantadas com os nativos! Era tudo que precisávamos!!! — Eu penso comigo enquanto caminhamos para a sala do delegado.
Mal posso acreditar quando nos dividimos. Bonnie para conversar com Freya, Hayley com Elijah e eu com Niklaus. O pior foi ele visivelmente satisfeito ao perceber que seria eu a colher o seu depoimento:
— Sente-se por favor. Você quer um café?!
— Humm... não! Dizem que o café de delegacias costumam ser ruins! — Ele diz sorrindo.
— Me parece um comentário elitista e preconceituoso! — Eu respondo séria para testar a sua reação, e ele fica absolutamente sem graça.
— Me desculpe! Não tive a intenção de ofender! Eu pensei que ela fosse a brava e você a boazinha!!!
— Isso não é um programa de tevê!! Pessoas reais estão morrendo. Você entende isso?!?
— Claro!! — Ele responde dando de ombros.
— Não se importa, senhor Mikaelson?!?
— Poucas coisas realmente me importam, doutora! — Ele responde sério.
E aqueles dois pedaços do céu focados no meu rosto me deixam nervosa. Sou capaz de sentir o rosto esquentando com o rubor.
Por que estou nervosa?!?
— Você se importaria se fosse as suas irmãs?! Freya e Rebekah?!
— Isso é um absurdo!! — Ele diz dando um soco na mesa. Mas não me assusto. Era exatamente a reação que esperava dele — O que quer fazer?! Me enlouquecer?! Eu juro que nem sei porque... — Ele desiste de prosseguir.
— Por quê?! O que você ia dizer?! — Eu o questiono e ficamos nos encarando.
Eu não vou permitir me intimidar. Vou mostrar a ele quem está no controle, e dessa vez é ele quem desvia o olhar parecendo intimidado. Era exatamente o que eu queria.
— O que te aflige, Niklaus?! Qual o problema?!
— O que me aflige não lhe diz respeito!!! Estou aqui por conta da morte da namorada secreta do meu irmão. Como você mesma disse, pessoas estão morrendo e isso certamente é mais importante que os problemas de um artista decadente e amargurado!!... — Ele solta um suspiro pesaroso antes de continuar, parece tentar conter o seu mau gênio — No que eu posso ajudar nesse caso?! Eu nem sei porque estou aqui!! É por que frequento o bar que ela trabalhava?!
— Eu não sabia disso! E nós dissemos enquanto estávamos na sua casa, não se recorda?! É a abstinência que está te deixando tão nervoso?! Precisa tomar um aperitivo logo que acorda para conseguir se controlar?!? Atrapalhamos a sua rotina de bebedeiras?!?
— Não pode falar comigo deste jeito!!! Quando essa conversa se tornou eu?!?
— No momento em que eu vi que você precisa de ajuda! Você não é suspeito, mas tem tudo para ser um!!! — E as minhas palavras o paralisam.
Acho que está finalmente entendo a gravidade das coisas. Nos encaramos por um tempo, e algo nele mexe comigo. É mais que a empatia, ele é uma daquelas pessoas que me tocam, que me fazem querer acolher e cuidar. Vê-lo se recuperar e mostrar ao mundo e a si mesmo todo o seu potencial.
Faço uma anotação mental ao concluir isso: Eu ainda não sei como! Mas vou ajudá-lo!!
— Posso pedir algo a você?! — Ele finalmente rompe o silêncio que se instalou na sala:
— Sim. É claro!! — Eu digo imaginando que finalmente vamos começar a nos entender.
— Não tenha pena de mim!!... Eu não suporto que me olhem com dó! Especialmente alguém como você!!
— Alguém como eu?!? Como assim?! Por que eu teria pena de você?!? — Ele fica sem graça com as minhas perguntas e hesita em me responder — Por favor, Niklaus! Converse comigo! Sei que parece estranho as coisas que estou questionando, mas por mais estranhas que elas sejam, faz parte do meu trabalho!! Eu sei o que estou fazendo! Faço isso há muito tempo!!!
— Eu tenho a sensação que você me enxerga... de verdade! Isso é.... intimidador!!
— Bom, está certo! Eu te enxergo e posso te ajudar! Talvez mude a sua vida, e mude para melhor!!... — Sinto uma certa tensão entre nós após essas palavras e me vejo sendo obrigada a manter tudo as claras — Esse é o meu trabalho, Niklaus! Foi por isso que fiz psicologia!!
— Sim, você é mesmo psicóloga!!! Percebe que essa conversa não faz sentido algum?! — E com essa nós dois sorrimos.
— Bom, eu costumo dizer que devemos temer aqueles que se julgam totalmente normais!!.. Vamos combinar assim: Você me ajuda e eu te ajudo!!
— Eu não preciso de ajuda! Não há nada que você possa fazer por mim, a menos que saiba como voltar no tempo! Assim eu concerto alguns erros que eu cometi!!
— Não! Eu não tenho uma máquina do tempo! Mas posso ajudá-lo a lidar com o seu passado. Aprender a aceitar o que houve e seguir em frente! — Ele nega enquanto eu falo — Hey!! Vai doer se ao menos tentar?!?
— Na verdade sim!!!
— Tudo bem! Um passo de cada vez!
— Acho que esse deve ser o critério do AA! Eu tenho uma ideia!! — Ele diz com sorriso malicioso.
— Diga!! — Eu o incentivo.
E nem em mil anos eu esperaria a sua proposta:
— Bom, eu vou prestar depoimento, vou te ajudar como eu posso nesse caso, em troca, você janta hoje a noite comigo, que tal?!?
— Uau!! Eu não esperava por isso!! — Digo totalmente sem graça e seu sorriso se amplia. Mas consigo enxergar o seu nervosismo — Me sinto lisonjeada com o convite, mas acho que não posso aceitar! Veja onde estamos! Como posso te interrogar a tarde, e a noite sairmos para jantar?!? Isso colocaria o meu julgamento em dúvida, e isso pode ser ruim para você!!... Talvez você não entenda, mas estou tentando te ajudar!!
Ele assente parecendo magoado, e percebo que também estou triste. Eu gostaria de vê-lo fora daqui! Longe dessa atmosfera de investigação e suspeita. Saber mais sobre seus anseios e tentar ajudá-lo a seguir em frente.
— Me desculpe! Não sei onde estava com a cabeça quando fiz o convite! É claro que não pode aceitá-lo!!! Não seria profissional!! Eu entendo o seu lado perfeitamente!! — Ele diz, mas sua expressão não convence.
— Não, eu não posso. Mas quer saber?! São exatamente três horas da tarde estou morrendo de fome! Que tal almoçarmos após algumas perguntas?! Posso argumentar que ainda estava prestando depoimento!! — Eu digo animada com a minha ideia, e sinto o coração disparar com o seu sorriso de satisfação.
— É simplesmente perfeito!! — Ele diz sem disfarçar o sentido dúbio da frase, e claro, me sinto envaidecida com as suas palavras.
E assim fazemos. Niklaus conhece bem a garota e explica que Gia era um peixe fora d´água. O trabalho no bar era um meio de se manter, mas ela odiava aquilo, seu sonho era conseguir inserir um show no bar, estava trabalhando na ideia, e Stefan disse que se fosse um projeto bacana, ele investiria, mas a ideia nunca seguia a diante. Elijah a incentivava, queria que ela realizasse os seus sonhos, pois gostava muito dela, mas Gia nunca conseguia levar nada adiante. Nem seus sonhos, nem o seu relacionamento. Todos enxergavam o mesmo problema, ela era insegura e complexada, não se achava boa o suficiente para a músia e nem para o Elijah. Quando soube da traição do namorado com a noiva de Niklaus, foi apenas uma comprovação das suas crenças.
— Então era isso?! Gia tinha uma espécie de complexo de inferioridade?!
— Sim, infelizmente!! Ela não se achava boa o bastante para o Elijah e ele gostava muito dela, mas amá-la?! Eu acho que ele nunca a amou, ou acabou se desiludindo com a relação, eu não sei! É um pouco difícil entender e lidar com o meu irmão, e ela não era tola! Devia perceber tudo isso!!
— Por que você acha que Elijah não amava a Gia?! Se estava desiludido, por que insistir?!
— Elijah é muito desconfiado! Custa a confiar nas pessoas, na verdade, ele espera o pior de todo mundo! Não sei quando ele se tornou tão cínico!! Mas ele ficou assim!! Acho que é influência do nosso pai! Ele é uma pessoa difícil!! Enfim, a Gia foi uma das poucas garotas que nunca demonstrou qualquer interesse no Elijah e isso chamou a atenção dele. Ele insistiu e a venceu pelo cansaço! Então começaram a namorar, mas nunca passou disso, ela não queria que passasse, recusava as suas tentativas de ajudá-la, e as nossas irmãs implicavam bastante. Isso tudo e a falta de apoio das nossas irmãs influenciava bastante no eterno vai e vem dos dois!!! Sempre foi difícil acompanhar!!
— Você também não gostava dela. Por quê?!?
— Não é que eu não goste dela!!... Eu... não me orgulho nenhum pouco de algo que eu fiz, mas.... minha irmã esteve fora essa semana, e a três dias atrás eu exagerei na bebida. Fiquei muito ruim, e não queria a ajuda do Eijah! Stefan disse que me levaria, mas Gia disse para ele se concentrar no irmão, e ela me levaria para casa.... bom, eu não sei como, mas eu fui parar na casa dela e nos acabamos transando! Acordei no dia seguinte e nem sabia onde estava. Fui para minha casa muito puto comigo mesmo! Eu pensei que eles estivessem separados, mas ainda assim me senti péssimo. Agora me sinto um pouco pior! Me sinto como ele!!!
— E foi só três dias atrás que você exagerou na bebida?!? — Ele não responde e já sei sua resposta. Mas também percebo que ele irá se fechar para mim se eu forçar muito, então decido recuar — Acho que já temos o suficinte. Que tal almoçarmos?!?
Sinto um alerta vermelho na minha cabeça — Hayley vai odiar isso!!! — Mas sei exatamente como contornar essa situação!
— A outra agente, a Hayley. Ela não vai ficar chateada que almocemos juntos?! Não quero te prejudicar!! — Niklaus fala como se lesse meus pensamentos.
— Bom, existe uma chance dela ficar sim chateada, mas... — Dou de ombros — Estamos com fome, e é isso que as pessoas costumam fazer! Além do mais, não conheço nada em Nola, preciso da ajuda de alguém da cidade!! — Eu digo sorrindo e ele me encara com profundidade.
Seu olhar repleto de sentimentos em ebulição.
Eu nunca conheci alguém tão intenso.
— É uma grande responsabilidade e será um prazer!!!
— Então, o que você recomendaria?!?
— Olha, a Bourbom Street é a avenida mais famosa e sei que deixou uma má impressão, mas quero mudar isso! Tem um restaurante incrível dos Salvatore por lá!! É de comida típica local. Você já provou Jambalaya?!?
— Humm... não!! O que é?!?
— Estou decepcionado, Camille!!! — Ele diz sorrindo em tom de brincadeira — Uma linda garota com um nome francês deveria conhecer a culinária de Nola que tem uma mistura rica de influências francesa, espanhola e africana!!
Suas palavras me fazem sorrir, e gosto de como sua voz soa ao dizer meu nome. Isso é estranho. Eu nunca gostei do meu nome, e até tive a chance de trocá-los, mas achei que seria desrespeitoso com aqueles que cuidaram de mim durante a infância, sejam eles quem foram!!!
— Me chame apenas de Cami!! Camille parece nome de avó!!!
— Só se você me chamar de Klaus! É assim que os meus amigos me chamam!! E não sei se concordo contigo!! Camille é um lindo nome! E por isso combina com você!! — Suas palavras me deixam sem graça.
Tudo piora quando percebo que ele espera que eu diga algo e eu simplesmente não consigo dizer nada — Droga!! Posso não ser tão atirada como a Elena, mas também não sou quieta como a Bonnie!! — Após alguns segundo consigo pensar em algo prático:
— Agora que me dei conta, estou sem carro!! Estava de carona com a Hayley!!
— É, eu também vim de carona no carro da Freya! Mas estamos bem perto. Podemos pegar um taxi, o bondinho ou caminhamos até lá!! O que você prefere?!
— Acho que caminhar seria bom!! A cidade é linda e seria uma oportunidade de ver um pouco mais dela!!
— Eu topo!! — Ele diz sorrindo.
Vejo que ele tenta esconder o leve tremor que sente, e isso parte meu coração. Ele parece uma pessoa especial, mas está se afundando.
Ao chegarmos no restaurante, fico um pouco constrangida e intimidada, não é um lugar comum, e sim um espaço sofisticado e elegante. Agradeço por vir bem vestida, mas ainda assim, sinto que não pertenço a aquele lugar. Por um momento, me concentrei tanto no homem que esqueci quem ele é: Um Mikaelson!! Uma das pessoas mais ricas e influentes da cidade.
— Uau!! Esqueci que vou almoçar com um Mikaelson!! — Eu digo brincando — Pensei que me levaria a um lugar mais comum, e não a um restaurante tão requintado!!
— Você não é uma mulher comum!! Não poderia levá-la para qualquer lugar!!
— Oras, Klaus, eu sou... — Paro de falar quando ouço alguém chamá-lo:
— Klaus?!?
Quando olho na direção da voz vejo um rosto conhecido, ou melhor, dois:
— Camille?!?
Caroline está sentada em uma mesa com Stefan Salvatore. Eu não sei qual era o clima antes da nossa chegada, mas o que vejo é o mesmo que notei na delegacia, uma tensão que poderia ser cortada com uma faca.
— Caroline?! O que faz aqui?!? — Eu pergunto estranhando.
— Acho que o mesmo que vocês vieram fazer. Almoçar! — É Stefan quem responde cumprimentando Klaus com um abraço de lado — É bom vê-lo entrar em um restaurante!! Já faz algum tempo!! — Ele acrescenta se dirigindo ao Klaus que parece entendê-lo na hora — É um prazer revê-la, doutora O´Connell!! — Stefan me cumprimenta com um beijo no rosto.
Noto que Klaus fica tenso com o gesto. Como se não gostasse que Stefan chegasse muito perto de mim.
— Prazer, Klaus Mikaelson!! — Ele diz estendendo a mão para Caroline, mas não parece prestar atenção nela. Seus olhos cravados no Stefan, como se esperasse que ele se distanciasse de mim o mais rápido possível.
— Caroline Forbes! Eu trabalho com a Camille, sou agente especial e assessora de imprensa quando necessário!!.. — Ela diz para fazê-lo olhá-la e ele fica sem graça que ela o tenha pego no flagra, na verdade, todos notaram, até o Stefan, mas fomos todos educados e fingimos não notar! — Humm... sentem-se e almocem conosco! É bom que voltamos juntas para a delegacia!! — Ela diz assim que solta a mão do Klaus e me puxa para sentar ao seu lado.
— Tá, tudo bem!! Se vocês não se incomodarem!! — Eu digo.
— Não! Será um prazer!! — Caroline se apressa em responder e tenho certeza que aconteceu algo. Ela nunca almoçaria com alguém que acabou de colher depoimento.
E nem você, Camille!! — Minha consciência reclama e eu finjo não ouvi-la.
— Acho uma excelente ideia!! — Diz Klaus com sorriso simpático, e apesar de conhecê-lo há pouco tempo, sei que está mentindo.
— Eu também! O que pode ser melhor que almoçar com uma linda mulher?! Evidentemente seria almoçar com duas!E claro, com um amigo!!! Estamos muito bem acompanhados, Klaus!!
— Ah, com certeza!!.. Bom, você é até legal quando não está bravo conosco!! — Klaus diz.
— Stefan parece tão calmo! — Eu digo sem perceber.
— Eu sou calmo! Pelo menos a maior parte do tempo!!!... Você também é legal quando... você sabe!! — Ele diz se dirigindo ao Klaus.
— É! Eu sei!! — Klaus responde sem encarar ninguém. Os olhos concentrados em suas mãos.
— Mas nós não sabemos!! E somos muito curiosas!! — Caroline chama atenção para nossa presença.
Klaus fica sem graça e dá de ombros como se não se importasse.
— Ele acha que sou legal quando estou sóbrio, mas eu não concordo!! — Ele diz rindo.
Os braços agora estão cruzados. Um sinal evidente de quem está se protegendo. Ele está na defensiva.
— Bom, eu gostaria de ir ao toalete. Você me acompanha, Care?!?
— Mas é claro!!... Vocês poderiam pedir a comida, vamos confiar em vocês!!... Ah! Vamos beber água com gás!! — Ela diz enquanto nos levantamos.
— Acho que nós também!! — Responde Stefan enquanto nos afastamos.
Assim que entramos no banheiro ela verifica as cabines enquanto eu tranco a porta.
— Diz que você não se meteu numa enrascada para vir almoçar com o senhor bonitão aí?!? — Ela pergunta assim que conclui que estamos sozinhas.
— Humm... Não!! Ele me convidou para jantar, eu disse que não poderia mas estava com fome, ele disse que conhecia um bom lugar e viemos até aqui!! A Hayley desconfia dele, pediu que eu o analisasse, mas....
— Ele não poderia ser um assassino!! Ele está mais para um alcoólatra! Não, ele é rico! Ricos não são alcoólatras, são boêmios!!! — E acabo sorrindo com a sua tentativa de descontrair.
— Exato!! Ele é alcoólatra! Ou melhor, o típico boêmio de Nola, mas não é por curtição! É por sofrimento!! Ele precisa de ajuda e não de cadeia!!
— Hummm... Conheço essa cara, Cami!
— Que cara?!?
— Você gostou dele, Camille!! É tão raro alguém te interessar!! Mas ele precisa ser lapidado! Felizmente, conheço alguém perfeita para o trabalho — Ela diz empolgada enquanto me aponta.
— Para com isso, Caroline!! Não é nada disso!! Ele precisa de ajuda profissional, e sim! Quero ajudá-lo! Claro que não vou poder tratá-lo, mas se entender o seu problema posso orientá-lo e encaminhar o seu caso para um profissional local!!
— Sei!!.. Eu vi o modo como ele te olha! Você pode querer apenas ajudá-lo, mas ele quer muito mais que isso!! Ele quer você!! Praticamente me ignorou enquanto me cumprimentava, e modesta parte, não costumo ser ignorada, só mesmo por Klaus Mikaelson focado em você e analisando a necessidade de um ataque ao Stefan se ele continuasse tão próximo!!!
— Pare de besteiras, Caroline!!... E vocês?! Você sim precisa se explicar! A tensão entre vocês é gigantesca! Sei que aconteceu alguma coisa. Desembucha!!!
Ela parece na dúvida e isso me deixa preocupada. Até que respira fundo e solta a bomba:
— Ele me beijou! — Ela diz tensa.
— O QUÊ?!?
— Shhh!! Pelo amor de Deus, Camille! Se controla!!! — Ela diz enquanto caio na risada.
Eu deveria chorar. Ou ser mais séria. Talvez até te dar uma bronca! Mas por alguma razão, estou rindo como uma boba
— Ai meu Deus!!! Adorei isso!!! Vamos lá!! Me conta!!! — Eu a incentivo.
— Não sei porque está tão empolgada!!!... Quando estávamos a caminho da delegacia começamos a conversar, teve várias situações estranhas e devo ter enviado sinais errados, estava tentando ser solidária, e ele deve ter pensado que estava dando mole para ele!! — Ela diz dando de ombros, como se não ligasse, mas eu a conheço, sei que é mentira.
— E aí?!? Me conta como isso aconteceu?!? Quero detalhes!!!
— Ele me deu uma pista importante! Todas as vítimas estiveram nos seus estabelecimentos, e fiquei feliz com isso, quando percebi estávamos muito próximos dentro daquele carro que nunca me pareceu tão pequeno, e puft! Ele me tascou um beijo.
— E?!?
— E o quê?!
— Não faz a louca!!! Como foi?!? O que você fez?!
— Ai, meu Deus!! Pensa num beijo bom?!? Agora multiplica por cem!! Não! Por mil!!... Foi incrível! Eu senti as pernas moles, mas formigando. A cabeça zonza, o coração disparado e um mundo de borboletas no estômago, e quando dei por mim, estava agarrada a ele. Quando notei cada um desses detalhes eu o soltei e lhe dei um tapa com tanta força, mas com tanta força, que o rosto dele virou e a minha mão ficou desenhada com perfeição no seu rosto!! Se você notar, vai ver que ainda está marcado e um pouquinho inchado!! Fiquei morrendo de vergonha!!!
— Uau!! Eu nem sei o que esperava, mas não era isso!!
— É, eu sei!!! Aí eu pedi desculpas e ele disse que mereceu, que foi bem feito, eu não sabia onde enfiar a cara. Fingimos que nada aconteceu, mas cada vez que eu olhava para ele, eu via o seu rosto marcado pela minha mão!!!... Agora está bem melhor, mas se você encarar, vai perceber que ele está com o lado esquerdo um pouco avermelhado e inchado. E só melhorou tão rápido porque eu coloquei gelo.
— Amiga, você não costuma ser violenta!! O tal Stefan mexeu com você!!
— Ahhhh!!! Eu não estava esperando nada disso!!... Ele disse que se sentia na obrigação de pedir desculpas e eu senti que precisava me redimir, aí viemos parar nesse restaurante elegantíssimo!!! E é dele!!! Eu bato no cara, e ele me leva para almoçar! Eu nunca conheci um cara como esse!!
— E eu pensando que Klaus Mikaelson era atrevido!! Stefan Salvatore está ganhando de lavada!!! — Eu digo brincando e Care acaba dando risada.
— Sua boba!! Vamos logo antes que eles pensem que nós fugimos!!
— Vamos lá!!!
Voltamos para mesa e conversamos amenidades. O almoço foi agradável, os rapazes fizeram questão de nos servir o tal Jambalaya, que é uma espécie de paella típica de Nova Orleans e de toda a Louisiana, em que os principais ingredientes são, além do arroz, frango, "andouille" (um tipo de chouriço de origem francesa), lagostim de água doce, camarão, e alguns vegetais, como : Aipo, cebola, tomilho e pimenta-caíena. A mistura me intimidou, mas achei delíoso!! Klaus se alimentou conosco e diferente de nós tomou água de coco. Fiquei aliviada, pois tive medo que ele resolvesse beber, mas parece que a ideia nem passou pela sua cabeça. Fiquei feliz com o que vi ao termino da nossa refeição. Ele não tremia mais e parecia até levemente corado.
Ele não é um alcoólatra! Ainda não!! Ele é apenas alguém que está se maltratando. Tudo que ele precisava era se alimentar.
— Foi um almoço muito agradável!! Obrigada, Klaus!! — Eu me despeço enquanto Caroline conversa com Stefan.
— Eu que agradeço!! Não sei quando foi a última vez que tive uma tarde tão adorável!! Gostaria de repetir, se não for muito ousado da minha parte!!
— Bom! Sempre podemos alegar um encontro profissional!! — Eu digo brincando — Não vai se livrar de mim, Klaus!! É sério!! Posso te ajudar!! Uma boa conversa com alguém de fora faz milagres!!! — Eu digo buscando um cartão — Se precisar conversar, me ligue!! Estou em Nola para a investigação desses homicídios, mas isso não me torna menos terapeuta! Se precisar de mim, é só me ligar!! Seja a hora que for!!!
— Tem certeza disso?!? — Ele diz pegando o cartão e aproveitando para segurar a minha mão.
— Absoluta!! Vou ficar muito feliz se você permitir que eu te ajude!! — Eu começando a me sentir nervosa com a sua mão cobrindo a minha.
— Obrigado, Camille!!! — Ele diz meu nome com fervor, dando um passo a frente e ficando mais próximo. Me sinto derreter por dentro com cada um dos detalhes:
O modo como me olha. Sua proximidade, sua mão cobrindo a minha de modo suave. Só saiu desse estado de transe quando Caroline e Stefan se voltam a nós, e nos despedimos deles. Então voltamos a delegacia.
As meninas saíram para almoçar e ficamos analisando as informações que elas colheram e registraram. O dia foi mesmo longo. Apesar de me ouvir e concordar comigo em alguns aspectos, Hayley ainda está convencida que Klaus é o assassino e quanto mais ouço isso, mas tenho certeza que se trata de um absurdo! Ele não é santo, é verdade, mas não é um assassino, com toda certeza!
Quando acredito que o dia exaustivo chegou ao fim, e deito na minha cama no hotel que estamos hospedados, recebo uma ligação de número desconhecido, mas de Nova Orleans, meu coração dispara em expectativas que seja o Klaus.
— Doutora O´Connell!
— Doutora, é Freya Mikaelson! Me desculpe ligar essa hora!!
— Sem problemas Freya! Em que posso ajudar?!
— Bom, meu irmão disse que você deu a ele o seu telefone e disse que ele poderia ligar quando precisasse. Bom, talvez eu esteja me precipitando, mas....
— Diga de uma vez, Freya!! O que está havendo?!
— O Nik não faz uma refeição há meses! Passar uma tarde sem beber, idem! É um sufoco fazê-lo comer uma coisinha!!! E... há muito tempo eu não o via sorrir! Não sei o que a doutora fez, mas gostaria de pedir que não desistisse dele!! Ele precisa de alguém que acredite e lute por ele!! E ele parece confiar em você!! Enfim, ele saiu para ir ao bar, como o Bourbon Street Bar está fechado, ele deve ir a outro aqui perto. Não quero abusar, mas... será que você poderia dar um pulo por lá?!? Acho que se ele te ver, ele pode até... eu não sei!! Talvez ele não beba até cair!! Me desculpe, é constrangedor o que estou fazendo, mas...
— Freya?!? Não precisa se explicar e nem se constranger, está bem?!? Me mande o endereço do bar para o meu celular. Vou tomar um drink para relaxar antes de dormir!
Fico feliz em estar em um quarto sozinha, na verdade, todas estamos em quartos individuais. O turismo pode até ter caído consideralmente, mas os hoteis continuam cheios de turistas. Resolvo avisar as meninas que vou dar uma saída, ocultando a real razão por causa da Hayley, e me surpreendo que todas resolvam me acompanhar. Estamos todas tensas com os acontecimentos e descobertas nessa cidade.
— Ah, por favor! Vamos para um bar! Preciso beber, relaxar e ver alguns caras gatos, já que a Hayley não me deixou tirar uma casquinha... ops! Eu quis dizer depoimento do bonitão Salvatore!! — Assim que Elena conclui suas palavras, Caroline fica vermelha como um pimentão.
Humm... vejo problemas a vista!!!
HAYLEY MARSHEL
Quando decidi que conversaria com Elijah foi basicamente porque me identifiquei com ele. Sei como é chamar a responsabilidade para si. Você não tem tempo para ficar lamentando, e nem quer! Você vai e resolve as coisas! Simples assim! Quando doer muito você chora na sua cama para ninguém ver!
Não preciso fingir que sou diferente, essa sou eu! E trabalho numa célula de analise comportamental. Embora as doutoras sejam apenas Camille e Bonnie pela formação acadêmica, também temos conhecimento e experiência suficiente para realizar uma analise. Claro, de um modo muito mais pobre e limitado, mas somos capazes de fazê-lo!
E por me identificar com Elijah é que quis conversar com ele. Acho que terei mais facilidade de compreendê-lo:
— A vontade, senhor Mikaelson. Não quero tomar muito do seu tempo, sei que é um homem ocupado, eu serei sucinta.
— Não se preocupe, senhorita! Estou a sua disposição!! — Fico sem graça com as suas palavras.
Ele não foi galanteador e nem nada, mas o jeito dele é tão peculiar e cavalheiro que você realmente se sente uma dama sendo cortejada, mesmo que ele não te corteje!
Hayley Marshell! Que ideias esquisitas são essas?!?— Eu me pergunto internamente.
— Por favor, me chame apenas de Hayley!
— Então me chame apenas de Elijah!! — Ele diz com sorriso simpático e fico pensando se é o jeito dele, ou se estou entendendo os sinais errados.
— Muito bem, Elijah!!! Há quanto tempo você conhecia a Gia?!
— Há mais ou menos quatro anos e meio.
— Namoraram desde que se conheceram?!
— Não!! Eu a conheci porque o Stefan me contou que ela era artista e quis saber um pouco mais. Acabei conhecendo o seu trabalho e fiquei encantando. Ela era muito talentosa. Tentei patrocinar a sua carreira, mas ela era um pouco difícil! Acho que foi o que eu gostei nela! Então depois de um tempo eu comecei a cortejá-la. Acho que a conquistei pela insistência, mas ela não permitiu que eu realmente a ajudasse e mudasse a sua vida!!
— Queria ajustá-la a você?!? — Minha pergunta saí em tom de critica, mesmo que essa não tenha sido a minha intenção.
— Provavelmente é isso que as pessoas deviam pensar, mas não! Gia tinha uma origem humilde, sua vida sempre foi muito difícil, eu só queria mudar isso, acho que é normal! Todo mundo quando se apaixona quer fazer a outra feliz! Eu tentei até perceber que ela não queria, quando entendi isso eu recuei! Eu a respeitava demais para passar por cima da sua vontade!!
Fico surpresa com as suas palavras — Esse homem existe mesmo?!? — Mas acho que ele está certo! O fato de querermos o bem do próximo não pode ultrapassar a vontade do outro!
— Me explica uma coisa, Stefan disse que a Gia era sua namorada, mas o seu irmão disse que ela era sua ex por conta de uma traição. Quem está dizendo a verdade?!?
— Os dois!! Gia e eu terminamos por conta de um mal entendido!! Diferente do meu irmão, ela me ouviu e entendeu o que aconteceu, então me deu uma nova chance! Eu disse a o Stefan que estávamos juntos porque era um modo de protegê-la! As pessoas da cidade respeitam os Mikaelson, mas a verdade é que estávamos tentando de novo!! Sei que ela não se senti comprometida comigo, e.... eu entendo os seus motivos! Mesmo que seja inocente, quando terminamos eu parti o seu coração e não a priorizei! Perdi meu tempo com meu irmão que eu devera imaginar que não iria me ouvir!!
— Tá, entendi! Lembrei do que o seu irmão disse, que ela flertava com outros homens no bar, então você sabia disso! Não te incomodava?!?
— Na verdade, não!!! O mais importante é que as pessoas soubessem que ela estava sob a minha proteção!! — Essas palavras tocam um alarme na minha cabeça.
— Acho que alguém não se importa com isso!!!
— Sim!! E eu vou descobrir quem é essa pessoa e fazê-la pagar!!!
— Não deveria fazer uma ameaça comigo como testemunha!
— Não é uma ameaça, é uma constatação!! Gia era uma boa garota, teve uma vida difícil e eu gostaria de vê-la feliz, independente de está comigo ou não!! Eu quero encontrar o responsável por encurtar a sua vida e fazê-lo pagar, mas dentro da lei, não sou nenhum justiceiro, mas tenho meus recursos, vou achar o responsável e as pessoas vão lembrar porque devem temer os Mikaelson.
— Ainda me parece uma ameaça. Cuidado!! Pela minha experiência no FBI, já vi muitas pessoas se deixarem levar pelos sentimentos e destruírem as suas vidas!! Eu te prometo, vamos encontrá-lo!! Confie em mim!!! — Eu digo e não percebo que estou tão próxima.
Elijah levanta o rosto para me encarar e perco o fôlego com a sua visão. Ele é um homem lindo e sofisticado, parece frio a primeira vista, mas é o oposto disso. Tudo piora quando seu olhar foca nos meus lábios. Tento ocultar um suspiro e falho miseravelmente enquanto me distancio.
— Acho que por hora é isso!! Eu queria entender a sua relação com a vítima porque preciso entender quem tem motivos para matá-la!! Espero que esteja na cidade, se houver necessidades, eu o chamarei para obter mais informações.
— Como disse Hayley, — Ele diz enquanto se levanta e se aproxima, invadindo meu espaço pessoal — Quero honrar a morte da Gia!! Não é só por ela! É pela cidade!! Nova Orleans é o nosso lar e é inadmissível que as pessoas tenha medo de circular pelas ruas!! Temos responsabilidades com a cidade!! É uma obrigação!!
— Eu entendo isso!! Principalmente por serem todos do Bairro Francês!!
— Está muito bem informada!!
— Sim, faz parte do meu trabalho!! — Eu digo enquanto nos encaramos olho no olho, ninguém recua e posso sentir a tensa entre nós.
— Quero acrescentar que me preocupo com as pessoa da cidade! Não adianta ser dono do Bairro Francês se não existirem as pessoas nele!! Uma empresa de turismo só dá certo se as pessoas estiverem felizes, então, no final das contas, o mais importante são as pessoas!!
— Anotado, Elijah!! Mantenho contato!!
— Eu aguardo!! — Ele diz.
Me surpreendo ao receber um beijo no rosto de despedida de Elijah, e me sinto embriagada com a sua presença. Acho que minha surpresa é evidente, pois vejo um sorrisinho cretino se formando em seu rosto enquanto se distancia. Fico alguns segundos ali, parada como uma boba esperando o meu coração voltar a bater em um ritmo normal.
Meu Deus, Hayley!! Dê algum créditos as críticas da Elena!!!
— Ah, encontrei você!!! Tenho informações importantíssimas!!! — Diz Elena entrando na sala — Podemos nos reunir com a Bonnie para almoçarmos enquanto eu conto o que descobri no necrotério?!?
— Nossa, Elena! Você realmente nasceu para ser médica!! Não quero falar sobre corpos maltratados durante a refeição. Onde estão a Camille e a Caroline?!?
— Não estão na delegacia, acho que saíram para almoçar juntas! — Diz Bonnie se juntando a nós.
— Então vamos comer!! Tô morrendo de fome!!
E saímos as três. Fico feliz que a Elena esteja conosco!! Eu implico muito com ela e a Caroline, mas principalmente com ela, no fundo eu admiro a sua animação, ela sempre foi assim, e nunca levou a mal o meu jeito de ser! Somos três irmãs adotivas totalmente diferentes. Elena muito animada e feliz, às vezes não percebe que está sendo egocêntrica, mas não faz por mal! Eu já sou mais séria! Mas é o meu jeito, e minhas irmãs e amigas entendem isso, como entendemos como Camille é sensível, e por isso fico sempre em cima dela! Cami tende a só ver o melhor das pessoas e dar mil chances as pessoas. Vejo que alguns abusam, pelo menos até que eu perceba e acabe com o problema! Não vou permitir que ninguém brinque com o seus sentimentos.
Quando voltamos a delegacia, encontramos Camille e Caroline lendo os relatórios que a Elena nos trouxe, percebo que Camille está um pouco abatida:
— O que está te preocupando, Cami?!?
— Basicamente as descobertas da Elena!!
— Bom, não sabemos de nada, pedimos para Elena nos permitir uma refeição sem a imagem de corpos castigados! Mas acho que agora é a hora!! — Eu digo.
— Bom, a nossa suspeita se confirmou. Temos um imitador, ele reproduziu cada detalhe do assassino das sombras, então, ou ele teve acesso ao caso, ou é mesmo um aprendiz do assassino! Só faltou a roupa e a precisão no corte, o que só reforça o fato de que não se trata da mesma pessoa!!
— Maravilha! Então sabemos que temos pelo menos dois malucos a solta!! — Diz Caroline — Mas tem mais aí! E foi isso que nos deixou inquietas!!!
— Sim!!! A descoberta mais importante veio de uma conversa com o médico legista. Vimos alguns relatórios antigos e descobrimos que esse não é o primeiro caso do assassino das sombras! — Diz Elena.
— Tem mais?!? — Pergunta Bonnie.
— Sim!! A primeira vítima foi há um ano! Ela se chamava Aurora de Martel!!!
— É a noiva do Niklaus Mikaelson!!! — Eu digo entendendo agora a expressão da Camille.
Depois de tantas descobertas, decido encerrar o dia, principalmente porque quero conversar com a Camille, não descarto Niklaus como suspeito, muito menos após tais descobertas, mas também desconfio de Elijah, não acredito que ele seja uma má pessoa, mas ele tem motivos de sobra para eliminar as duas garotas.
Nossa conversa foi como eu esperava, na verdade, Camille parece disposta a defender Niklaus mais do que nunca, não sei se aconteceu algo, não que eu desconfie do profissionalismo da minha irmã, mas eu senti na pele como os Mikaelson são envolventes. Seria bobeira negar para mim mesma que Elijah mexeu comigo! E isso pode ser um indicativo de culpa. Eles são bonitos, charmosos e envolventes. Talvez máscara de homem preocupado com as pessoas de Nova Orleans seja apenas isso mesmo, uma máscara para disfarçar as suas reais intenções.
Deito na minha cama e apesar do cansaço, o sono não vem. Estou muito preocupada com o rumo deste caso, então é uma surpresa agradável quando recebo uma ligação da Cami sugerindo que saíamos para beber um pouco para relaxar e conhecer a cidade, seria um sacrilégio não conhecer a noite de Nola!!
NIKLAUS MIKAELSON
Meu dia foi surpreendentemente incrível! Tento fingir que não percebo, mas é impossível ocultar a empolgação por passar algumas horas na companhia da Camille. Ela é linda, inteligente e determinada. Fiquei espantado como se mostrou preocupada comigo! Eu não sou burro! Eu percebi que ela enxerga uma pessoa quebrada, eu também me sinto assim, mas me surpreendi com o seu interesse. Não é dó! Ele vê algo em mim. Algo bom que até eu mesmo esqueci que possuía. É a primeira vez que me sinto tão feliz com uma mulher, nem com ela, — Minha falecid noiva — me fazia tão bem!
— Como isso foi acontecer?!? — Me pergunta Stefan assim que elas vão ao banheiro.
— Eu a convidei para jantar e ela disse que não poderia aceitar, mas sugeriu o almoço. E vocês?!?
— Eu tasquei um beijo nela enquanto estávamos no carro!!
— Agora entendi a origem do inchaço no seu rosto! Ela te meteu a porrada!!
— Sim! Eu mereci! Não se trata uma dama deste modo!!
— Stefan, você parece os nossos pais quando diz assim, mas faz sentido!! Não é o modo certo de agir! Me fez me sentir um gentleman!!
— Nem me fale!! Estou tentando me redimir!!
— Desculpe atrapalhar!! Eu também queria ficar a sós com a Camille e agradeceria se você não chegasse tão perto dela!!
— Ciúmes?!?
— Sim!! Muito!!! Tive vontade de te jogar do outro lado do salão. Ainda bem que estou sóbrio!!! — Eu digo e Stefan tem uma crise de riso. Acabo o acompanhando.
E então elas voltaram e tornaram a nossa tarde ainda melhor. Fazia muito tempo que não tinha um momento bacana com Stefan. Quase havia me esquecido que somos amigos!!! Ele sempre foi um bom amigo e tentou me apoiar como pode quando meus problemas começaram, mas estando falta da cidade era difícil, e quando ele voltou, foi para cuidar dos negócios e do irmão, acabamos nos distanciando.
Na hora de me despedi me atrevi a tentar um novo almoço, quem sabe da próxima vez conseguimos ficar sozinhos?!? Tive muita vontade de beijá-la, mas sabia que não podia fazer isso!! Quero conhecê-la calmamente! E quero que seja especial como ela. Quem sabe assim eu esteja a sua altura.
— Meu Deus, Nik!!! Eu aqui, super preocupada e você chega assim?! Todo feliz, e... por que está tão feliz?? Pensei que assim como eu, você tivesse passado a tarde numa delegacia prestando depoimento!
— E foi exatamente o que eu fiz, maninha! Mas depois eu fui almoçar na companhia da encantadora doutora O´Connell!! Ela é.... incrível! Angelical!!!
— Uau!!.... — É tudo que ela diz — Fico feliz em ouvir isso, alias, eu nem lembro quando você sentou para almoçar pela última vez!
— Nem eu, mas foi bom!! Foi ótimo!! Posso fazer isso mais vezes!!!
— Vai vê-la de novo?!?
— Ela me deu seu telefone, disse que eu poderia ligar se precisasse, acho que ela quer ser a minha terapeuta!! — Digo com sorriso malicioso.
— E você quer se aproveitar da pobre moça?!? Que coisa feia, Nik!! Só não se esqueça de um detalhe importante: Ela até pode ser linda e angelical, mas é do FBI!! Provavelmente ela daria um pau em você ou em qualquer engraçadinho!! Não é uma dessas vagabas que você pega por aqui!!
— Eu sei disso, Freya!!! Eu jamais a compararia a essas garotas!! Não tenho nenhum interesse libertino com ela! É uma daquelas raras garotas para casar, sabe?!?
— Você disse casar?!? Eu ouvi isso mesmo?!?
— Eu disse apenas que ela é uma mulher para se levar a sério!! Nada além disso!! Ela é do FBI, deve ir embora em alguns dias!! É um detalhe que não posso ignorar!!
E o sorriso de satisfação da Freya vai embora. Fico um pouco condoído de como minha irmã se doa a nós, em especial a mim, isso acabou com o seu relacionamento.
Decido ligar para o Lucien e marcar com ele no Nola Bar. O segundo bar dos Salvatore na Bourbon Street. Eu realmente curto aquela região, e eles tem um restaurante e dois bares.
Assim que os encontro estão todos animados, — ou seja, bêbados — Damon conta como foi a sua manhã e tarde, e só naquele momento descobre porque o Bourbon Street Bar está fechado. Enzo conta sobre seu dia e mostra a atadura no antebraço esquerdo, ele se machucou na cozinha do seu restaurante. Não é uma boa ideia trabalhar de ressaca, isso realmente atrapalha a sua concentração. Lembro que em dias assim não conseguia desenhar uma linha.
Esse pensamento me faz pensar em um novo quadro, eu não pinto há muito tempo. Na verdade o último quadro que pintei eu não finalizei e ainda o destruí, era um presente para minha noiva. Ignoro essa lembrança e me concentro na ideia de um novo quadro. Às vezes a inspiração vem assim, do nada.
— Perdido em pensamentos de novo?!? — Enzo me questiona.
— Sim!! Mas dessa vez estou pensando em algo produtivo! Pensando em trabalhar em um novo quadro. A ideia está aqui! — Eu digo apontando o indicador para a minha testa.
— Ohhh, isso é bom!!! Será que você será o primeiro de nós se levantar?!? — Pergunta Damon com a voz um pouco arrastada.
— Hey!! Não sou nenhum playboy como vocês!!! Eu trabalho todos os dias!!! — Diz Enzo.
— Trabalha, ou tenta se matar?!? — Diz Lucien se aproximando.
Uma das razões para não chamá-lo mais vezes para ficar conosco é que Enzo e Damon não gostam do Lucien. Especialmente Damon que acha que ele não é bom o suficiente para Freya.
Lucien por sua vez também não gosta dos mes amigos, eu gosto muito dele, mas sei que é uma pessoa difícil, daquelas que quer a sua atenção total. Ele não gosta do Damon porque quando ele começou sua carreira de modelo, levou minha irmã junto, então Damon e Freya tem vários trabalhos juntos, e como possuíam o mesmo empresário, eram oferecidos como casal, e todos gostavam deles juntos. Freya só abandonou a carreira por pressão do Lucien e do nosso vai, mas algo me diz que Damon talvez tenha também alguma influência, mas é apenas desconfiança.
— Cala a boca, Lucien! Você é uma daquelas palavras que calado já está errado!! — Enzo responde sua provocação a altura.
— Nossa! Disse tudo! Saúde!!! — Damon brinda com Enzo.
— Vamos, Lucien! Tome um bourbon comigo!
— Saúde!! — Ele diz feliz com o meu convite exclusivo.
— Klaus?!?... Por que será que não estou surpresa em encontrá-lo por aqui?!?
Olho para o lado e mais uma vez tenho a sensação de uma aparição. Mas dessa vez ela não parece um anjo. Ela parece uma deusa. Ela veste um shorts preto curto com sapatos de saltos altíssimos laranja. Uma camiseta creme larguinha com um ombro a mostra. Ela está simplesmente maravilhosa, e sei que está acompanhada, mas não consigo desviar meus olhos dela enquanto sinto meu coração e pulsação acelerarem rapidamente.
— Uau!!! — Os caras dizem em uníssono, e apesar de ouvi-los, eu os ignoro.
— Camille!! — Eu digo como uma prece.
https://www.youtube.com/watch?v=nQTvJx7LI-c
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