Bad romance
19 BÔNUS: Dia dos Mortos
Notas iniciais

CAMILLE O'CONNELL
Sai daquele quarto torcendo por uma intervenção divina. Sei que a minha irmã está apaixonada pelo Elijah, e também sei como isso a assusta! Hayley tende a imaginar que amar alguém a torna vulnerável, e só acha aceitável conosco. Sei que isso tem relação com algum trauma do passado, e assim como eu, em algum momento ela terá de encarar os seus traumas para seguir adiante. Ela tem tudo para ser muito feliz com essa criança e Elijah ao seu lado!
— Camille! Tudo bem?!? – Klaus pergunta tocando meu rosto com delicadeza.
Eu amo cada gesto seu! O modo como me olha, me toca, e até como pronuncia o meu nome. Cada uma dessas coisas comuns se torna extraordinárias com ele porque são todas feitas carregadas de sentimentos e emoções.
— Tudo bem!! Só um pouco apreensiva!!
— Por quê?!?
— Porque sinto que vai acontecer algo, sabe?!? Pode parecer maluquice, mas sinto meu coração inquieto, como se me avisasse que algo sério está prestes a acontecer!!
— Não acho que seja maluquice! São os seus instintos!! É importante saber reconhecê-los!! – Ele solta um suspiro ruidoso – Eu sinto muito pôr ontem!! Sinto que estraguei tudo!! Acabei te atrapalhando!!
— Não sinta!! Você não me atrapalhou! Senão fosse por você, eu nunca saberia sobre aquela reunião! Não teria a capacidade de reconhecer os carros e nem a movimentação atípica nas docas!! O que descobrimos foi mérito da sua perspicácia!!
Klaus me oferece um sorriso tímido e se aproxima para me beijar. No início é um beijo leve, mas aos poucos ele ganha intensidade enquanto ele me aperta em seus braços e me sinto derreter. Somos interrompidos quando a porta do quarto do Elijah é aberta.
— E eu estou sempre flagrando vocês dando uns amassos!! – Hayley diz com humor.
Elijah solta uma tosse para disfarçar a risada, e Klaus apenas me abraça de lado orgulhoso:
— Desculpe por isso, Hayley!! Mas a sua irmã é incrível!! A mulher mais especial que eu já conheci na minha vida! Ela merece ser apreciada e venerada!!
— Ouviu isso, Elijah?!? Aprenda com o seu irmão mais novo!! Eu estou de total acordo!!!
Suas palavras fazem nós quatro rirmos, mas paro abruptamente.
— O que foi Camille?!? – Klaus pergunta com voz tensa.
— Tem alguma coisa errada!! Hayley, ligue para a Caroline!! – Eu digo pegando meu celular e ligo para a Elena.
A ligação chama até cair na caixa de mensagem.
— Mas que droga!!.. – Então ligo para o Stefan – Oi, Stefan!! Você sabe da Care?!?
— Humm... Estou aguardando ela e a Elena, vamos almoçar no meu restaurante nós quatro! O Damon está aqui comigo. É o mesmo restaurante que almoçamos com vocês, se quiserem vir cá, melhor ainda!! Mas por quê?!? Está tudo bem?!?
— Eu não sei!! A Caroline não atende o telefone!! Estamos indo para aí!!... – Eu desligo e me viro para Hayley: — Conseguiu?!?
Elijah e Klaus me olham com expressões confusas, mas Hayley me entende e está concentrada. Não é raro que tenhamos pressentimentos umas com as outras, sobretudo eu e a Bonnie, talvez por conta da nossa formação, às vezes não entendemos determinadas coisas conscientemente, mas nosso subconsciente entende e nos manda mensagens, é mais ou menos isso, como está acontecendo nesse exato momento!!
— Não! Caiu direto na caixa postal, liguei para a Bonnie, e ela disse que elas saíram há cinco minutos para almoçarem no restaurante dos Salvatore!!
— Eu sei qual é o restaurante, estou indo para lá!!
— Eu vou junto!! – Minha irmã diz decidida.
— Meninas, eu não estou entendendo nada!! Vocês não estão se precipitando?!? Hayley, lembre-se que….
— Elijah eu não sou uma inválida!!! Não vou ignorar um pressentimento da Camille! Isso pode custar uma vida da minha irmã, ou amiga!! Não vou ficar de cama como uma doente!! Eu estou gravida! É sinal de saúde e não o contrário!!!... Cami, me espere! Vou pegar a minha pistola, e já vamos!!
— Tudo bem! Nos encontramos na sala! Vou pegar a minha arma!! – Diz Elijah.
— Seja o que for, não vai acontecer, Camille! Eu te prometo!! – Klaus diz segurando meu rosto com as mãos em concha.
Ele tem o dom de me acalmar, quando sinto que estou prestes a perder o controle, sua presença e seu beijo são como um bálsamo que me alivia, mas também me fortalecem.
— Vamos?!? – Hayley diz descendo as escadas.
— Sim!! – Dizemos em uníssono.
Entramos no carro e Klaus dirige direto para o restaurante que me levou a primeira vez que interagimos fora da investigação, no dia que nos conhecemos, a cerca de duas semanas. Parece que foi há um ano!! Eu sinto como se o conhecesse a minha vida inteira, como se ele sempre estivesse ao meu lado!!
Assim que paramos o carro, ouvimos o primeiro disparo, e saímos com nossas armas em punho. Um grito agonizante faz minha pele se arrepiar:
— Lena!!!
— Elena!! – Eu e Hayley dissemos juntas e trocamos um olhar.
— Camille, me dê cobertura!! – Hayley diz antes de correr na direção dos disparos.
— Hayley?!? – Grita Elijah.
Não preciso olhá-lo para enxergar o seu desespero. Sua voz já me conta essa história, e eu estou concentrada nos fatos, não olho para o Klaus, mas o sinto ao meu lado, assim como eu estou dando cobertura a Hayley, ele parece dar a mim, e como não ouço mais a voz do Elijah, imagino que ele esteja fazendo o mesmo. Embora seja impossível ouvir qualquer voz sobre o barulho de dezenas de disparos, mas estamos correndo em direção ao som.
Eu respiro aliviada com a visão de Elena e Caroline agachadas, usando o carro como escudo, mas esse alivio desaparece quando vejo a artilharia pesada para o lado dela, são muitos disparos na direção delas, e não se por quanto tempo o carro oferece abrigo seguro.
O carro preto no sentido contrário as meninas têm pelo menos oito pessoas dentro, todos usando máscaras de esqui, empunhando armas pesadas, e vejo que um dos homens pretende disparar uma arma de calibre militar, que provavelmente tem potência para estourar o carro. Logo que registro essa informação, vejo o homem cair com o disparo certeiro, claro que o tiro foi dado pela Hayley, e esse disparo faz pelo menos metade dos homens se voltarem contra nós.
Não paramos para nos esconder, seguindo o ritmo imposto pela Hayley. Estamos agora correndo em direção as meninas e atirando contra os homens. Eu acerto um deles, mas sinto o impacto de uma bala me jogar para trás. Ao cair me sinto desnorteada e um pouco enjoada, quando olho a minha volta, percebo que nós quatro fomos atingidos, mas agora, eles são apenas dois, e a Caroline e a Elena os acertam. Um caí morto na hora, e o último é ferido no braço.
— FBI! Solte a sua arma, ou eu vou atirar!! – Caroline avisa se aproximando.
O homem parece desesperado e disposto a lutar, mas assim que ergue a sua arma, grita de dor pelo segundo disparo feito pela Elena.
— Você vai ficar bem vivo, mas com bastante dor!! – Ela diz se erguendo com a mão no abdômen.
Estamos os quatro recuperando o folego. Felizmente todos nós colocamos colete a prova de balas, e não são coletes comuns, mas reforçados, senão fosse por isso, teríamos sido baleados.
— Você está preso, tudo que disser, pode e será usado contra você!! – Caroline avisa enquanto o faz ajoelhar e o algema.
— Eu quero o meu advogado!!
Klaus toca meu rosto me distraindo da cena a nossa frente.
— Camille!! Você está bem?!? – Seus olhos são temerosos, e brilham com as lágrimas não derramadas.
— Eu estou bem, Klaus!! E você?!? – Eu digo suspirando de alívio.
— Bem!! – Ele diz antes de me dar um beijo na testa e se levantar.
Não entendo seu gesto, ele parece meio louco, meio perturbado, mas caminha decidido até o homem dominado pela Caroline, então ergue a sua arma e a põe sobre a têmpora do homem algemado e ajoelhado.
— Se afaste, Klaus!! – Diz Caroline apontando sua arma para ele. Mas Klaus a ignora.
— Abaixe essa arma, Caroline!! – Eu grito em desespero.
— Você tem duas opções! Diga agora quem te contratou e a sua motivação. Posso te ajudar, você sabe que está encrencado, ou você pode guardar o seu segredo para si, e eu te mando para o inferno agora mesmo!! – Klaus diz com uma fúria que eu nunca vi antes.
É um choque enxergar esse lado dele. Klaus sempre foi tão meigo e carinhoso, que eu nunca vi, — ou quis enxergar – esse homem cheio de força e violência. Ele possui uma aura agressiva, que mesmo que seja nova para mim, me parece muito autêntica, muito dele, como se ele fosse capaz de se tornar outro homem, um homem que eu não conheço, mas que eu vejo que pode se tornar um verdadeiro monstro e fazer coisas horríveis. Imediatamente me lembro do seu pai, — Mikael Mikaelson – eu tive uma péssima impressão sobre ele e sua esposa, mas principalmente sobre, talvez por haver mais polidez que a senhora Mikaelson, e sei que não estou enganada. O modo como a vida da Freya foi bagunçada é uma prova concreta de que para eles, ninguém está acima dos seus objetivos, e este mesmo sangue corre nas veias do Klaus!!
— Klaus, se afaste ou vou atirar!! Estou falando sério!!! – Caroline grita mais uma vez, me trazendo de volta ao presente.
Eu vejo como minha amiga tem a arma apontada para Klaus com as suas mãos tremulas, como se estivesse pesando as consequências da sua decisão. E isso me faz reagir:
— Não atira, Care!! Por favor!! – Eu digo quase chorando, mas também imitando seu gesto, e mirando a minha arma contra a Caroline.
— Camille!! Abaixe a sua arma!! – Grita Elena.
Hayley e Elijah assistem a tudo em choque.
— Camille!! É a Caroline!!! – É a Hayley que fala dessa vez.
— QUEM MANDOU VOCÊ AQUI???? – Klaus grita, fazendo todos nós sofrermos um sobressalto.
— LUCIEN!! Lucien Castle!! Por favor, não me mate!! Ele... Ele prometeu salvar a vida da minha filhinha se eu matasse as agentes!! Por favor!! Eu não posso deixar a minha filhinha morrer!! Eu não posso!! – O home diz assustado antes de começar a chorar.
Klaus o ignora e abaixa a sua arma imediatamente. Sua primeira atitude é encarar a Caroline:
— Agora temos uma confissão! Ele é todo seu!! – E caminha na minha direção.
Eu ainda tenho a arma apontada para Caroline, que só percebe isso neste momento. Ela franze a testa, mas não parece chocada ou chateada. Ela apenas revira os olhos:
— Óbvio que eu não iria atirar nele, Camille!! Que ideia!! – Ela diz, enquanto Klaus tira a arma da minha mão e me abraça com força.
O momento foi todo tão louco que o abraço com força e começo a chorar copiosamente.
— Tá tudo bem meu amor!! Acabou!! Pegamos ele!!! – Ele diz com voz tremula de emoção.
CAROLINE FORBES
Foi como se o tempo parasse antes de acelerar. Eu senti um arrepio na nuca, um pressentimento de perigo, e antes que eu pudesse checar, fui empurrada pela Elena. Isso me fez cair atrás do carro enquanto eleva era alvejada. Ela recebeu pelo menos três disparos antes de cair ao meu lado, e deve ter ficado inconsciente e desorientada ao meu lado por uns quinze segundos.
Quinze segundos parecem pouco, mas é uma eternidade em uma situação como essa!! Eu tive que me concentrar em disparar contra nossos oponentes e derrubar quantos fossem possíveis até que a Elena se recuperasse e agisse comigo, então iniciamos algo que quase parece uma dança sincronizada, atirar enquanto o inimigo cessa para se proteger, e depois fazer exatamente o mesmo, se proteger enquanto recebe os disparos e reabastece as armas.
Senão fosse o aviso da Camille, não teríamos saído da delegacia usando coletes, não mesmo!! Estou a quase vinte quatro horas sem ver o Stefan, não iria querer usar um colete que me engorda em um restaurante chique com o meu namorado, mas sabíamos que precisávamos usar, então o colocamos e se não tivéssemos feito isso, a Elena não estaria mais viva.
Tudo isso se passou na minha cabeça durante aquele barulho infernal de trocas de tiros, e percebi que ainda corríamos perigo. Estamos em desvantagem numérica e também de armas. As nossas eram bem menos potentes! Até que um disparo atraiu a nossa atenção.
— A cavalaria chegou!! – Elena disse aliviada quando percebeu a chegada da Hayley que tantas vezes nos salvou.
Isso não era bem uma novidade! Em muitos momentos no FBI salvamos umas às outras, e em uma ou outra vez a Camille ou a Bonnie estavam presentes, mas dessa vez era mais que a Hayley e a Camille. Também havia Klaus e Elijah. E para a minha surpresa, elas andavam como uma unidade tática suicida, liderada é claro pela Hayley.
— Vamos dar cobertura!! – Eu respondi a Elena.
Tendo que se dividir entre dois grupos de ataques de direções distintas, não foi difícil derrubar todos os homens, mas eles também não tiveram dificuldades em derrubar o nosso reforço. Mas não cheguei a me preocupar. É fácil para mim, como agente perceber quando estão protegidos com colete a prova de balas.
A surpresa ficou para depois, quando Klaus ameaçou o homem com uma arma em sua têmpora. Ali eu não vi um artista boêmio e sensível, eu vi um soldado, um homem disposto a tudo para derrubar o seu inimigo e garantir a proteção de quem ele ama. – E foi impossível não pensar na Camille antes mesmo da sua família – E acho que não estava errada, ele caminhou para Camille tremulo e emocionado, um homem capaz de matar ou morrer que volta para a sua amada.
Ver a Cami empunhando uma arma direciona a mim foi um choque previsível. Eu apontei uma arma para o homem que ela ama, e por mais que sejamos amigas a anos, eu a entendo. Eu não hesitaria em apontar uma arma para qualquer pessoa que ameaçasse o Stefan, fosse ela quem fosse. E neste momento percebo como nossa vinda para essa cidade mudou a vida de todas nós de um modo visceral!
— Óbvio que eu não iria atirar nele, Camille!! Que ideia!! – Eu digo tentando fazê-la entender que compreendo a sua confusão, o seu desespero.
Mas tenho as minhas dúvidas que ela tenha compreendido, afinal, ele começou a chorar como uma criança assustada nos braços do Klaus, e essa cena me encheu de ternura. E foi com esse sentimento que vi Hayley e Elijah abraçados, mas eu tinha outra pessoa em mente. Nossos olhos se encontraram e em três passos eu abracei a minha amiga. Aquela que sempre foi como uma irmã, cheia de amor e carinho, todos os sentimentos ruins esquecidos.
— Elena!! – Eu disse a abraçando e sentindo as lágrimas rolarem.
— Care!!... Perdão!! Me desculpe pôr.... Tudo!! Eu....
— Não importa!! A única coisa que importa é que você está bem, e eu te amo!! Acima de tudo!! Você é minha melhor amiga!! É como uma irmã para mim!!
— Você é como uma irmã para mim também, e..... Importa sim!! É algo que preciso te contar! Expor meus sentimentos e exorcizar esse passado que agora ficou para tráss!!
— Isso é bom!! Vamos conversar sobre isso!! – Eu digo enquanto a solto e seco as minhas lágrimas, e a Elena faz o mesmo.
Olho a minha volta e o cenário é de completa destruição. Algumas viaturas se aproximam, e vejo incluse a Bonnie e minha mãe saindo de uma delas. No sentido oposto Stefan e Damon se aproximam em passos apressados e nem preciso pensar para qual lado eu corro.
Vou na direção do Stefan correndo, sem me importar com nada e nem ninguém. Me jogo nos seus braços, que me prendem em um abraço forte, e então ele me ergue, me fazendo encarar o seu rosto antes de unir os nossos lábios. Sinto a umidade das nossas lágrimas enquanto o beijo com tudo de mim, é um beijo de saudade e saudação. Um beijo de alivio e gratidão. Um beijo que me faz lembrar que estou disposta a tudo para tê-lo comigo, porque eu o amo, assim como sei que ele me ama.
E assim que rompemos nosso beijo para respirarmos, nos encaramos e nos tocamos.
— Eu fiquei com tanto medo!! – Ele diz – Quando ouvi os disparos, eu tentei correr para a porta, mas foi como correr contra uma correnteza porque as pessoas entravam no restaurante em desespero, e quando estava quase chegando a porta, os seguranças tentaram nos segurar, foi... Um inferno!! Eu só pensava que aquilo não era uma coincidencia e eu precisava estar ao seu lado!!
— Está tudo bem!! Foi bom que vocês não conseguiram sair!! Pode acreditar, o inferno foi aqui!!
— Caroline!!... Ôhh, minha filha!! – Sou supreendida com o abraço da minha mãe – Quando disseram que havia um tiroteio na Bourbon Street, eu quase enlouqueci!!
— Está tudo bem, mãe!! Eu estou bem!! Graças a Elena que me salvou, e depois com a chegada da Hayley e da Camille conseguimos reverter a situação!!.... Ah! Deixe-me te apresentar, este é Stefan Salvatore! Meu namorado!! – Minhas palavras espantam os dois.
Mas Stefan rapidamente sorri orgulhoso e estende a mão para a minha mãe parecendo muito seguro de si:
— É um grande prazer conhecê-la, senhora!! Vejo de onde vem a beleza da Caroline. A senhora tem uma filha encantadora!!
— Ahh... Muito obrigada Stefan!! É muita gentileza sua!! Caroline é mesmo incrével!! Mas confesso que estou surpresa. Não sabia da seriedade da relação de vocês!!
— É muito sério, senhora Forbes!! Eu amo a Caroline, e se eu tiver sorte, quero ainda ser seu marido e pai dos seus filhos! – Ele diz, fazendo com que eu seja a surpreendida da vez.
— Uau!! Acho que precisamos marcar um jantar para nos connhecer melhor!!
— Quando a senhora quiser!!
— Pois bem!!... Caroline, pode me acompanhar?!?
— Claro!!... Stefan, eu acho que o nosso almoço terá de ficar para outro dia!!
— Sim! Eu entendo, mas... Vou ficar por aqui!! Não vou sair de perto de você!! – Ele diz enquanto minha mãe o observa.
— Obrigada amor!! Você pode fazer companhia ao.... Damon!! – Fico espantada com a cena a minha frente.
Damon tem Elena nos braços, e eles parecem um casal apaixonado, ele a toca com cuidado enquanto ela tenta tranquilizá-lo. Lembro dela me contando sobre a Freya, e me preocupo que a minha amiga esteja dessa vez se deixando envolver com o homem que nunca será capaz de amá-la como ela merece.
— Ele está tentando, Care!! Meu irmão está tentando recomeçar!! Eles parecem fazer bem um ao outro!! Acho que ele precisa dar uma chance para eles!!
— Eu concordaria com isso se ele não fosse apaixonado pela Freya! Principalmente porque a Freya o ama, e.... Eles tem um filho!!
— Ela não o quer na vida do garoto! Claro que isso não irá impedir meu irmão, mas....
— Isso foi ontem!! A situação de hoje é diferente!!... mais cedo, ou mais tarde, o seu irmão vai se acertar com a Freya e ficar com a família que ele já tem. Não quero que a Elena saia machucada nesse processo!!
— Ele não a magoaria!! Damon se importa com a Elena!!
— Eu sei!! Mas ele não precisa querer magoá-la! Basta ela se apaixonar e isso acontecerá inevitavelmente!! – Minhas palavras fazem o Stefan sorrir, minha mãe já andando a nossa frente – O que foi?!?
— Estou felliz em vê-la se preocupando com a sua amiga de novo!! Isso significa que você deixou a sua magoa para trás!!
— Sim, eu deixei!! Eu quase a perdi hoje, ela poderia ter morrido!!
— Você também!!
— Não!! Elena foi mais rápida do que eu dessa vez, ela me empurrou antes de pegar a sua arma, e por isso foi baleada, se tivessem atirado na cabeça, ela teria morrido na minha frente...
— Hey! Não aconteceu!! Podem ter tentado, mas não conseguiram! Vocês estão todas bem!!
— Certo!! Vamos todos para a delegacia!! – Diz a minha mãe – A perícia já chegou e vai legar os corpos, temos um homem detido.
— Sim. E ele disse o nome do mandante!!
— O quê?!? – Stefan e Damon dizem juntos.
Olho a minha volta. Hayley está nos braços do Elijah, ela parece bem, apesar de mantê-la em seus braços, é ele quem parece precisar mais desse contato, como se assim tivesse a certeza que ela está bem. Camille parece recuperada, e também está abraçada com o Klaus, mas evita me encarar, sei que preciso falar com ela sobre o que houve.
— Isso é assunto de polícia!! – Diz minha mãe.
— Lucien Castle!! – Diz Klaus entre dentes, e reprimo a vontade de revirar os olhos.
— Você já se meteu demais onde não foi chamado, rapazinho!! Melhor parar por aí antes que o prenda por obstrução da justiça!!
— Como desejar, senhora Forbes!! Mas mas a nossa intromissão garantiu a segurança das suas agentes!! Claro que faria de qualquer forma, afinal, é a irmã e amiga da Camille!!
— Quero entender como vieram até aqui e protagonizaram esse ato heróico!!
— Então vamos logo para a delegacia!! – Diz Elijah impaciente.
— Nós encontramos você na delegacia!! – Diz Stefan antes de trocar um olhar com o irmão.
— Stefan.... – Eu digo me aproximando, antes de surrurrar: — Por favor, vá direto para a delegacia!! Não faça nenhuma bobagem, está bem?!?
— Tudo bem, Care!! Eu vou direto para a delegacia! Nos vemos daqui a pouco!! – Ele me responde, mas não me convence.
Quero prendê-lo comigo, e pela troca de olhar com a Elena, ela parece pensar o mesmo que eu sobre o Damon, mas os irmãos se despendem de nós e se distanciam, e não a nada que possamos fazer. Não podemos detê-los com base em um palpite, e peço a Deus para estarmos sendo neuróticas.
— Caroline, podemos ir com você para delegacia?!? – Camille pergunta aflita.
— Claro!! Vamos indo!!
No meu carro vamos eu, Elena, Camille e Klaus. Ficamos alguns minutos em silêncio, todos mergulhados em seus próprios pensamentos, e volto a pensar no Stefan. Eu não o vi entrar no seu carro.
— Care... Eu queria me desculpar por ter apontado a minha arma para você!! Eu.... Sinto muito, eu estava fora de mim, estava em pânico!!
— Está tudo bem, Cami!! Eu entendo, de verdade!! Eu apontei uma arma para o Klaus, e mesmo que ele atirasse naquele homem, eu não atiraria nele!!
— Mas.... Normalmente você teria atirado, como a Elena atirou no homem antes do Klaus ameaçá-lo!!
— Sim! Eu atiraria! Mas não no Klaus! Não no homem que você ama!! Eu não poderia fazer isso com você! Eu sei que isso te obrigaria a reagir, mesmo que se arrependesse depois, eu entendo!! Eu faria a mesma coisa se fosse quem fosse ameaçando o Stefan!!... Você só atiraria se eu atirasse, e por isso não me ofendi, ou me surpreendi!! Você protege quem ama com unhas e dentes, Cami!! Você correu no meio de um tiroteio sem se proteger para nos ajudar e dar cobertura a Hayley!! Você faz qualquer loucura por aqueles que ama!!
Ficamos todos em silêncio por alguns segundos, até que a própria Camille o rompe novamente:
— Vocês realmente não precisam mais de mim!!... Você já é uma excelente perfiladora, Caroline!! – Suas palavras me fazem sorrir.
— Está enganada!! Nós vamos sempre precisar de você, Cami!! Essa equipe não é a mesma coisa sem você e a Hayley!! Eu me sinto desorientada sem vocês! Cada uma na sua especialidade, e ninguém perfila melhor que você!! Nem mesmo a Bonnie, que ela não me ouça dizendo isso!!!
— É bom que ela no ouça mesmo!! Chegamos!!... Esse dia vai ser longo!! – Elena diz antes de soltar um suspiro e abrir a porta do carona.
Cami abre a sua porta, e espero ela sair antes de questioná-lo:
— Klaus?!? Acha que eles vão atrás dele?!?
— Tenho certeza!!
— E o que vai acontecer se eles o encontrarem?!?
— Ele colaborou com a infelicidade da minha irmã e do Damon, impedindo que eles ficassem juntos, e agora encomendou a sua morte!! Você sabe a resposta!! Se eles tiverem a oportunidade, Lucien Castle é um homem morto!! – Suas palavras fazem a minha espinha congelar.
NIKLAUS MIKAELSON
Sou um homem pacifico, mas conheço a irá. Ela faz parte de mim. Tenho o mesmo instinto predatório do meu pai, sempre soube disso, mas sempre canalizei o meu mau genio nos meus quadros. Quando mais jovem, usava as aulas de tiro ou mesmo as artes marciais para extravazar. Quando parei de lutar fiquei mais inquieto, como um animal enjaulado, e era a pintura que me trazia paz, me obrigava a concentrar e me desafiar, aprender mais e mais, romper meus limites, me desnudar atravez da aquarela de cores. E isso se tornou meu estilo de vida, esse meu lado mais agrassivo ficou adormecido, contido, principalmente quando me apaixonei por Aurora de Martel. Ela era belíssima! Atraía a atenção de todos, lembro que seus pais a apresentaram para Damon Salvatore, mas ambos se ignoraram, ela só tinha olhos para mim, como eu só via a ela, e então ela se tornou a minha obcessão. Hoje eu vejo que não era amor, era uma doença!! Eu a queria para mim, como meu trofeu. Mas não entendia nada disso até me ver verdadeiramente apaixonado pelo Camille!
Meu anjo aplacou a minha dor! Segurou a minha mão e drenou a minha fúria, o meu ódio, com ela tudo que eu vejo é luz e bondade, é aquele equilibrio e serenidade que já havia provado na vida, mas há muito havia abandonado, e me prendido a minha mágoa e revolta. Quando penso na minha irmã, percebo como meus motivos são pequenos e mesquinhos, mas dizem que cada um carrega o fardo que suporta, e minha irmã certamente é muito mais forte do que eu!!
— Entao vocês correram para o restaurante após Camille falar com Stefan Salvatore?!? – Pergunta Bonnie.
— Sim!!... Camille falou com o Stefan, Hayley com você!!... Isso vai demorar muito?!? – Eu pergunto impaciente.
— Sei que isso é chato, Klaus! Mas precisa ser feito!! Precisamos ouvir a versão de cada um de vocês!! Então, por favor, continue descrevendo os fatos, assim terminamos logo!! – Bonnie me pede com tranquilidade.
Ela tem algo parecido com a Camille, mas é visivelmente mais insegura. Parece mais menina, ainda assim, ela sabe se impor, mesmo que seja de um jeito mais brando. E penso imediatamente no Enzo, que ficou todo bobo com ela. Não posso discordar dele, Bonnie Bennett é única! Assim como cada uma das outras meninas. É incrível como cada uma delas parece perfeita para cada um de nós!!
Fico cerca de uma hora contando tudo que aconteceu, do momento na mansão Mikaelson, até a chegada da polícia local com a diretora do FBI. Bonnie faz algumas perguntas, como se testasse a chance de haver contradições, mas não tem como isso acontecer. Não omiti nada, nem mesmo a minha ameaça ao homem que o Lucien contratou.
Fico muito aborrecido quando Liz Forbes diz que não pode prender Lucien, pois a confissão foi feita mediante ameaça!!
— Eu já interroguei o homem, Liz!! Ele reafirmou que Lucien Castle é o mandante!! O que mais a senhora quer?!? – Caroline a questiona na frente de todos, e sei o que se passa na sua cabeça.
Quanto mais tempo Lucien Castle estiver livre, maior é a chance dele ser assassinado, e isso pode acontecer pelas mãos de um Salvatore. O que ela esquece é que a lista de pessoas querendo matá-lo é quilométrica. Muitas pessoas gostariam de fazê-lo, e não me excluo desta lista!! Eu o mataria com as minhas própria mãos pelo que fez a minha irmã, por me ameaçar, por talvez ter atacado a Camille, e por certamente tentar matar sua irmã amiga!
— Provas que vão além de um morto de fome desesperado por ajuda!! Este homem sabe que essa declaração arruinaria a vida de Lucien Castle, e quais famílias poderosas lucrariam com isso?!? Salvatore?!? Martel?!? Mikaelson?!? Ele sabe que será recompensado pelo que fez!!
— Mamãe?!? Como pode dizer uma coisa dessas?!?
— Acha mesmo que ajudaríamos esse homem que ergueu uma arma contra a sua filha?!? As irmãs da minha namorada?! A mulher da minha vida?!? A senhora não sabe nada sobre nós!! – Elijah dispara.
— Sabe irmão, você tirou as palavras da minha boca! Eu ia dizer a mesma coisa!! – Eu digo me aproximando do Elijah.
— Não vou discutir uma questão policial com vocês!! Já pegamos o depoimento de vocês, estão proíbidos de sair na cidade, estão envolvidos numa operação policial, e isso é suficiente para prendê-lo!!
— Eu discordo!! – Eu ouço e reconheço a voz, mas desacredito em tanto – Tristan de Martel. Mikaelsons são meus clientes, e pelo que soube, não foi uma ação policial, mas uma ameaça ocorrida na rua, onde civis foram expostos ao perigo. Os Mikaelsons prestaram um serviço a comunidade arriscando suas vidas, e isso salvou a vida de duas agentes ativas!!
— Está muito bem informado!! – Hayley diz atraindo o seu olhar.
— É um prazer conhecer uma senhorita tão bela!!... – Ele diz pegando a mão da Hayley para beijá-la, mas ela não permite – Bom!! Como todo advogado, eu tenho que ser bem informado!! Informação é poder! E portanto a alma do negócio!! Eu vim pessoalmente atender meus melhores clientes!!... Elijah, Niklaus, eu sinto pelo pelo irmão de vocês!! Infelizmente não pude comparecer!!
Perco qualquer traço de paciência, e o seguro pelo colarinho, batendo sua cabeça contra parede:
— Pare com esse teatro Tristan!! Você não é nosso advogado, e muito menos lamenta as nossas perdas!! Acha mesmo que somos tão idiotas!!
— Klaus!! – Eu ouço em uníssono.
Junto com as vozes, eu ouço o som distinto de armas sendo engatilhadas.
— Klaus!! Por favor!! – A voz temerosa da Camille me faz recuar e soltá-lo para me aproximar dela e a abraçar – Não faça nenhuma besteira, está bem?!? Por favor!! Se acalme!!
— Me desculpe!! Está tudo bem, Camille!! Me perdoe se te assustei!!!
— Vocês só criam confusão!! O senhor deseja registrar uma queixa, senhor Tristan?!?
— Liz!! – Bonnie se manifesta e tenho pena da expressão de dor que a Caroline faz.
— Não!!... Não é necessario!!! Eu conheço os Mikaelsons! Sei que estão exaltados por conta dos problemas, mas sõ boas pessoas! Somos amigos, fomos quase família, e esses laços são fortes, quase insolúveis!! – Ele encara Camille antes de completar – Nik sempre será meu cunhado!! Se a minha irmã estivesse aqui, eles estariam casados!!
— Está na sua hora, Tristan!! Você já pode ir!! Muito obrigada pela sua.... Dedicação a nossa família!! – Elijah diz atraindo a sua atenção.
Ele cumprimenta meu irmão antes de partir, e mesmo entendendo seu gesto, fico bravo com meu irmão.
— Ele está certo!! – Camille diz lendo meus pensamentos – Vamos embora!! Eu estou com fome, estou cansada, e quero tomar um banho!!!
— Posso te fazer uma massagem!! – Eu digo a abraçando.
— Ahh!! Você é um anjo! Meu anjo!! – Suas palavras me fazem sorrir.
— Anjo?!? Depois do susto que te dei hoje, pensei que você me chamaria de demônio!! Desculpe por te assustar! Não queria que você visse esse meu lado, mas não eu não posso mais me esquivar dos problemas.
— Damon?!? – A voz da Elena me faz olhar para a porta da delegacia.
Damon e Stefan entram com expressões estranhas, e pelas suas aparências, fica evidente que eles brigaram. Só não sei dizer se foi entre eles, ou com outras pessoas.
— Stefan!! – Caroline diz apó olhar para a porta e as duas caminham em direção aos irmãos.
— Vamos sair daqui!! – Eu digo, e Cami apenas assente.
— O que houve?!? – Pergunta Elijah.
— Não me digam que fizeram algo estupido!! Damon?!? Por favor!!! – Hayley o questiona.
— Eu quis fazer, ok!!! Descubrimos onde o Lucien estava, eu pretendia matá-lo! Dei uma surra nele, mas o Stefan não permitiu que passasse disso!! Ele mesmo deu mais alguns socos e pontapés no Lucien e disse que da próxima vez não haveria nada além de uma bala para ele!!! – Damon finaliza dando de ombros.
— Eu entendo os motivos de vocês, mas tenho certeza que vocês sabem que isso não irá pará-lo!! Na verdade, só colocou vocês dois na mira deles!! Foi um gesto fofo, mas foi errado!! – Elena o adverte – Vamos torcer para ele não vir prestar queixa!! A Liz está furiosa!!
— Eu também estou furiosa!! Se a minha mãe dizer qualquer coisa, eu não me responsabilizo pelos meus atos!!
— Vocês são pessoas melhores do eu!! Sei que o mataria, se tivesse a oportunidade!!
— Klaus!! – Camille diz chocada.
— Estavamos pensando a mesma coisa, Niklaus!!!
— Elijah!!! Não é uma boa coisa para se dizer!! Não contra um cara que tantos querem matar!! Até mesmo eu!! – Hayley diz – Mas ambos estão feridos! Pelo que disseram, tudo não passou de uma lut que o Lucien perdeu feio!!!
— Acabamos brigando entre nós!! – Stefan diz fazendo uma careta.
— Não sou diferente de vocês, Klaus!! Eu pretendia matá-lo, estava armado, e o Stefan me deteu!! Acabamo brigando entre nós!!
— Você pretendia matá-lo na base da porrada?!? – Elena pergunta chocada.
— Não! Eu estou armado!! – Damon põe a mão no cós da sua calça – Ué!! Cadê?!? Será que caiu no carro?!?
— Nós brigamos!! Será que não caiu neste momento?!? – Stefan pergunta tenso!!
— Eu não sei!!!
E somos atraídos por uma movimentação de carros em frente a delegacia. E consequentemente entramos de volta. Liz sai da sua sala em direção a Will Kinney, que parece chocado:
— O que houve?!? O assassino das sombras agiu mais uma vez?!?
— Pior!! Encontramos Lucien Castle e Mikael Mikaelson! Eles estão mortos!! – E sinto como se o mundo tivesse parado nesse instante.
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