Bad girl
32 Capítulo 32.
Notas iniciais
E então logo quando me deitei percebi que naquela noite eu não iria pregar os olhos. Viro de um lado, depois o outro, tenho a sensação que essa noite já dura dias. Scott então me passa uma mensagem pelo celular dizendo que está bem e no quarto do lado, me preocupo já que do outro lado esta Hank.
Quando finalmente decido não dormir, começo a pensar no que fazer o resto da noite. Jogo os cobertores para o lado e salto da cama. Por mais que isso seja burrice sair do meu quarto seguro que estava trancada, é isso que faço...
Nora abre a porta devagar, e passa por ela, com o celular nas mãos. Resisti a vontade de bater na porta de Scott, e caminha no corredor. Desce as escadas ainda a meia luz, a cozinha escura que faz Nora se guiar pelos moveis.
Tudo parecia tranquilo até...
–Continue calada, sou eu... –Marcie sussurra em seu ouvido, enquanto tampa sua boca com uma das mãos e a outra suas unhas estão cravadas. –É a Marcie, vou te soltar, só não grite. –Ela termina. Soltando Nora devagar, quase não confiando.
–O que esta fazendo aqui? –Nora sussurra, tentando procura algo suspeito no rosto de Marcie.
–Vim me despedir. –Marcie diz. –Pode me dá um copo de água?
–Obviamente não veio para pedir um copo de água. –Nora diz deixando o celular no balcão, para pegar a água na geladeira.
–Acontece que mudamos os planos. Depois daquilo no Fliperama com Dante... –Marcie para tomando a água. –Meu pai conseguiu me pegar. Ele me prendeu. Mas a minha sorte foi que consegui fazer aliados, e cá estou eu... Eu vou fugir, Nora. E nunca mais vai me ver.
–Esta desistindo do seu plano de vingança contra seu pai? –Nora pergunta, o que sai como uma afirmação.
–Eu poderia te levar comigo. –Marcie sorri de lado. –Mas vamos combinar, eu te odeio. E você me odeia. Sim, isso quer dizer que nosso trato esta desfeito. Também poderia te dar um abraço, mas o meu tempo e estômago não vão deixar.
–Até algum dia, Marcie.
–Adeus, Nora. –Marcie se despede, abre a porta devagar e sai.
Bebo também um pouco de água. Quando olho para o balcão... É claro! Ela não veio para tomar água, muito menos se despedir. Marcie tinha roubado meu celular.
Nora senti um pouco de raiva no começo, mas se ordena a ficar calma, tudo que precisa fazer agora é voltar para o quarto onde estará segura, se a janela e a porta estiverem trancadas. E é isso que ela faz, volta para o quarto.
–Ótimo! –Sussurra Nora para si própria, agora que já esta no quarto. –Quando Scott fizer contato de manhã, não vou estar com o celular. Pior ainda vai ser se me acontecer alguma coisa... –Ela diz sozinha.
E então as horas foram passando. Até que Nora percebeu que o sono finalmente estava vindo, isso depois de horas olhando para as paredes, teto, porta e principalmente a janela. E aos poucos foi perdendo a consciência.
O sol. Ele foi meu despertador.
Nora não sabia exatamente as horas naquela manhã. Mas decidiu se levantar. Não se lembrava do seu último sonho mais sabia que tinha sido com Patch. E depois em seus pensamentos havia uma preocupação: Scott.
Sem pensar muito, já estava batendo na porta do quarto que Scott deveria estar dormindo. Mas ele não saiu.
Deveria já ter ido embora. Abro a porta... E ele não estava lá.
–Scott... Será que você esta na sua casa? –Sussurra Nora.
–Ele estava aqui, não é mesmo? –Alguém fala atrás de Nora. Enquanto ela salta para ver Hank. –Provavelmente ele foi esperto de ir embora. Diga a ele que não preciso dele, pelo menos não agora. Mas aqui estamos nós, de novo você mentindo para seu pai.
Não, eu não ia ficar aqui para escutar tamanha mentira.
Nora passa pela porta, e Hank a deixa ir. Por algum motivo Nora se sente estranha com isso, não esperava que ele simplesmente a deixasse e mais nada, pensa Nora enquanto tenta se lembrar do endereço de Scott.
E lá estava a moto jogada no canto da garage.
–Veja só... Finalmente só nos. –Nora diz sozinha enquanto olha para moto que deveria ter vendido para Patch. –Seja boazinha hoje. –Ela sussurra.
Em poucos minutos, Nora se lembrara do endereço onde Scott estava vivendo com sua mãe. Mais alguns minutos até encontrar o prédio simples.
–Ótimo, apartamento 42. –Diz Nora, ainda sozinha.
Agora, não mais. O Tahoe Branco encosta logo perto da moto, e dele sai o garoto de cabelos pretos, usando roupas pretas. Olhos? Um pouco confusos, preocupados, mas uma felicidade de ver a sua Nora, pra sempre sua “anjo”.
–Patch? –Nora o encara antes mesmo dele se aproximar.
–Pode parecer estranho agora, mas... –Patch começa. –Você precisa entrar no carro, anjo...
–Ah é. –Nora sorri debochando. –Me dê um bom motivo? –Ela cruza os braços enquanto Patch ri jogando a cabeça para trás, seu rosto tenso depois disso.
–Vamos ao primeiro e mais importante. –Ele diz, seus olhos fixos a ela. –Nós. Você e eu. –Ele sorri, mas seus olhos permanecem preocupados. –Esse é um ótimo motivo, não acha?
Patch a encara, esperando a resposta, mas Nora não diz nada ele então continua:
–Por favor, anjo... –Patch se aproxima ainda mais, e segura seu pulso direito.
Aquele toque me fez arrepiar.
–Preciso te contar tudo, quero te contar tudo. –Patch parece implorar apenas com aquele olhar. –E talvez, depois você possa me dar razão. Pela minha decisão.
–E qual é a sua decisão?
Patch aponta com seus olhos para o carro. Nora suspira e então entra.
–Não me deixe arrependida. –Ela diz.
–Isso eu não posso prometer. –Patch liga o motor e passa o cinto de Nora e dele.
–E então por onde começamos. –Patch sussurra para si próprio.
–Pelo começo. –Nora diz.
Ele iria me contar a verdade? Por que motivo? Me pergunto, enquanto Patch mantém os olhos no volante, talvez sendo sincero e procurado as palavras certas.
–Imagine dois grupos. –Patch começa. Nora então imagina:
Anjos caídos e nefilins.
–Anjos caídos e nefilins. –Patch confirma. –Você sabe alguma coisa sobre eles?
–Que você pode ser um. –Nora diz, enquanto Patch dirige. –E que são inimi... Para onde esta me levando?
–Sou um anjo caído. –Patch ignora a pergunta. –Assim como Rixon e Dabria.
Patch se vira para Nora esperando alguma reação.
Nada, eu estava mais confusa.
–Hank, Elliot, Scott, Marcie, seu pai e você são nefilins. –Patch começa.
–Como assim eu sou nefi... E meu pai? –Nora interrompe.
–Os anjos caídos acreditam... Veja bem... –Patch continua. –Rixon, Dabria e eu não conhecemos nossos pais. Vivemos no orfanato desde sempre. E tudo que nos lembramos é disso. Os anjos caídos foram expulsos do céu, ou seja a queda quando Deus se zangou com o anjo Lúcifer. É isso que eles acreditam que somos anjos que caíram do céu, e que só não nos lembramos da queda, nos tornamos humanos e daí dizem que moramos desde pequenos no orfanato.
–E você acredita nisso? –Nora diz embaraçada com a história.
–Não, mas digo que sim. Quase fui morto quando os nefilins descobriram que eu era um anjo. Era me juntar aos anjos caídos ou morrer fugindo dessa briga. Mas é claro que não existe essa história toda. –Patch explica.
–E por que essa briga? –Ela pergunta.
–Os nefilins acreditam que depois dessa queda, alguns anjos tiveram filhos com humanos. Então eles acreditam que são os filhos de anjos com humanos, que foram tendo descendentes até hoje. Mas eles têm pais e se lembram de tudo. O que é estranho...
–Mas se... Elliot e Dabria são irmãos como...
–Dabria é adotada. –Patch diz. –Os pais de Elliot a adotaram. A briga e por causa de uma crença... A raça que matar toda a outra raça alcança a imortalidade.
–Isso é patético. –Nora quase grita. –Tudo isso... Meu Deus eu quase fui morta, por causa de uma droga de... Gente morrendo por causa de uma crença inalcançável, minha nossa! Meu pai morreu por...
–Nora, é disso que estou falando. Por essa razão por que não acredito que nos dois não fazemos parte de nada. Como também seu pai. –Patch a olha de lado, suas mãos segurando com força volante.
–Patch, para onde esta me levando? –Nora percebe que já estão fora da cidade.
–Para longe. Hank esta planejando uma grande guerra, e será hoje.
–Patch mas, Scott e Vee. Minha mãe ela volta hoje não posso deixá-la com Hank. –Nora diz odiando a ideia de deixar sua mãe com Hank.
–Tudo bem voltamos, mas ELE eu não vou levar. –Patch diz se referindo a Scott.
Dando a volta, Patch retorna. E então que Nora percebe que agora sabe de tudo, percebe também o quanto foram longe na estrada.
–Anjo... –Patch sussurra. –Anjo... –Patch fala dessa vez olhando para Nora.
Talvez essa fosse à hora que ele me pediria perdão. Mas eu não queria isso, ele já estava perdoado.
–“Anjo” é a forma de dizer que me ama? –Diz Nora sorrindo. Patch sorri também do seu famoso jeito.
–Exatamente.
* * *
Gostaria de dizer que logo quando Patch e eu descemos do carro, em frente minha casa, nós nos beijamos. Mas isso não aconteceu. Por que Rixon mantinha um sorriso assustador em frente minha casa.
–Amigo Patch, poderia me dar uma carona para o inferno? –Rixon diz, logo quando os dois saem do carro. –Ops! Não percebi que estava junto, querida.
–Patch, só vou... Ligar para minha mãe. –Nora ignora Rixon. –Espera... Pode me emprestar seu celular.
–Estou falando sério, cara. Preciso de carona. Hank esta planejando uma guerra. Estamos em menos quantidade. –Rixon diz, enquanto Patch passa seu celular a Nora.
Alguns minutos depois Rixon continuava a infernizar Patch, enquanto minha mãe, Vee e Scott nem atendiam ao telefone.
–Tem algo errado. –Nora conclui.
–É claro que tem. Estamos dentro de uma guerra. –Rixon se intromete.
E é então que um carro aparece. E dele surge...
–Dabria? –Os três dizem em coro. Rixon com uma reação de deboche.
–Viram Hank? –Dabria pergunta tirando os óculos escuros.
–Sua vadia, fez algum acordo com ele? –Rixon pergunta com um pouco mais de deboche.
–Tenho certeza que não veio aqui para discutir sobre a guerra. –Dabria olha fixamente para Rixon.
Foi então que a porta da minha casa se abriu, e dela saiu Hank.
–Vejamos... Todos nos reunidos aqui. –Hank diz seu sorriso de orelha a orelha, com olhos amedrontadores de tão azuis.
E é então que a vejo. A arma em sua mão, foi o bastante para deixar Rixon, Dabria, Patch e eu, todos em silêncio.
–Eu não podia começar a guerra, sem matar meus anjos caídos “favoritos”. –Hank diz. Em fração de segundos o barulho da bala chegando até o coração de alguém deixa tudo quieto.
Meu maior medo foi pensar que tinha sido Patch.
Rixon tinha caído aos meus pés. Quem seria o próximo?
Fale com o autor