Bad Romance
1 Amor Violento
Dizem que o amor pode curar feridas. No meu caso, foi o contrário.
Essa história começou há 2 anos, quando eu tinha 15. Na época, eu tinha um amigo chamado Will, de 18. Com o tempo, me apaixonei por ele. Mas eu não era correspondida. Will não sentia nada por mim além de amizade. Por meses tentei me conformar com aquilo, mas um dia não aguentei mais.
– Will, o que você sente por mim? – É, eu sei, sou uma pessoa muito... direta.
– Você sabe, Phoebe. Eu gosto de você... Você é uma ótima amiga e...
– Não! Quer dizer... Não quero ser só amiga... Will, eu... – Hesitei antes de dizer “te amo”. Tinha medo de estragar tudo antes mesmo de começar. – Eu gosto muito de você. Tem certeza de que só me quer como amiga?
Ele baixou a cabeça e ficou calado, pensando. Por alguns segundos, parecia que ele me olhava de cima abaixo, como se estivesse me “avaliando”. Ignorei aquilo; não devia ser nada de mais. Após alguns minutos, ele finalmente respondeu:
– Er... Phoebe... Eu... Pode me dar um tempo para pensar? É que... Eu gosto de você. Sério. Mas... Não sei se é a mesma coisa, entende?
Assenti.
– Quer quantos dias?
– Bom, estou livre de provas e compromissos essa semana... Até domingo, pode ser?
Assenti e me levantei, dando-lhe um beijo na bochecha antes de ir embora.
Ao longo da semana, Will me evitou, apesar de ter sido bastante difícil, consegui não correr atrás dele. Não queria pressioná-lo e acabar fazendo-o ficar comigo à força. Também não queria que ele pensasse que eu era um grude e desistisse de mim. O que não significa que esperei sua decisão calmamente.
Na verdade, eu virava a noite socando o travesseiro enquanto imaginava todas as possíveis respostas que Will me daria no domingo.
É, eu sou (um pouco) perturbada.
Após uma semana que parecia não ter fim, o domingo finalmente chegara. E com ele a agonia. Cadê Will? Era para ele já ter me dito sua decisão! O que o fato de ele não ter vindo ainda queria dizer? Que quem cala consente, e ele queria ficar comigo? Ou que estava me dando um fora silencioso? O que simplesmente ele era indeciso demais? A dúvida me fazia socar ainda mais o travesseiro.
Preocupada, minha irmã Jenny tentou me tranqüilizar, dizendo que ele ainda estava por vir. No fim da tarde, a campainha tocou. Sem forças, pedi à Jenny que atendesse. Deixei a esperança me dominar quando ela disse:
– Você demorou, hein, cara?
Não ouvi nada em resposta, o que me decepcionou. Se a pessoa respondesse, eu poderia reconhecer (ou não) a voz de Will. Mas não foi necessário. Segundos depois, ele estava na porta do meu quarto, com um enorme sorriso. Ele andou até mim.
– Quer dizer que... – Tentei me levantar, mas ele me impediu.
– Calma. Está fraca... Deite-se, precisa descansar. – Ele se ajoelhou ao lado da cama, segurou minhas mãos e pediu: — Phoebe, quer namorar comigo?
Não aguentei, tamanha a felicidade, e me levantei.
– Sim! Sim! Sim! Mil vezes sim! – E abracei-o. Ele me deu um longo beijo e me soltou, preocupado.
– Você está bem? Parece doente...
– Estou, agora que você veio... – E beijei-o outra vez.
Meio ano se passou após aquele dia. Nosso relacionamento nunca caíra na rotina. Will e eu – principalmente ele – sempre surpreendíamos um ao outro com presentes, recados ou simplesmente carinhos fora de hora. Em resumo, eu não poderia pedir namorado melhor que Will.
Um dia, estávamos sozinhos na casa dele. Estávamos nos beijando ardentemente quando ele desabotoou minha calça e baixou o zíper. Deixei-o tirá-la, mostrando apenas minha calcinha. Quando ele começou a puxar minha blusa, me senti insegura. Não, aquele não era o momento certo...
– Will – disse entre um beijo e outro.
– Sim, amor? – Ele ainda tentava tira minha blusa.
– Eu não... – Tentei escolher as palavras certas. – Acho que esse não é o momento certo. Não me sinto pronta, estou insegura...
Ele parou de me beijar e se afastou.
– Insegura? Phoebe, eu não tenho nenhuma doença... Se você quiser uso camisinha...
– Não é isso, Will... É só que não estou pronta. Desculpe.
Ele ficou em silêncio, depois assentiu e apontou para minha calça.
– Vista-a, então. Se chegarem e a virem de calcinha, vão pensar que estamos prestes a fazer sexo.
Vesti minhas calças e olhei no relógio. Já era noite; meus pais poderiam estar preocupados comigo. Despedi-me de Will e fui embora.
Hoje me perguntou o quanto minha vida teria mudado se eu tivesse ido até o fim. Não era difícil imaginar. Com certeza, teria sido menos doloroso.
Ao longo das 2 semanas seguintes, Will me tratou normalmente; porém, não havia mais os carinhos de antes. Aquilo me entristeceu um pouco, mas pensei que ele só estava tentando superar o fato de que recusei transar com ele naquele dia.
Certo fim de semana, os pais dele viajaram. Ele me chamou para ir à casa dele, e eu fui. Enquanto eu assistia a Two And A Half Men na sala, ele foi pegar um copo d’água para mim. Estranhei um pouco sua demora (afinal, era apenas um copo d’água), mas deixei para lá. Ele voltou com apenas um copo, e eu bebi.
O que provavelmente foi o pior erro que cometi até hoje.
Pouco depois que terminei de beber, comecei a sentir tontura e cansaço repentino. Minha visão ficou turva e eu ficava cada segundo mais fraca. Até que desmaiei.
Quando acordei, estava sozinha no quarto de casal da casa de Will. Estava completamente nua, e minhas roupas estavam espalhadas pelo chão. Minha vagina doía pra caramba. Foi quando a ficha caiu.
Eu havia sido estuprada.
Pelo cara que eu mais amava no mundo.
Simplesmente porque eu me recusara a transar com ele 2 semanas atrás.
Aquilo doía mais que minha vagina.
Que já doía bastante.
Com muito esforço, me levantei, recolhi minhas roupas e vesti-as. A dor era tanta que mal me deixava andar direito. Praticamente me arrastei até a porta do quarto. Quase caí descendo as escadas. Arrastei-me até em casa controlando-me para não me deixar cair e me contorcer de dor. Graças a Deus, Will não estava por perto. Nem quero imaginar o que teria acontecido se o tivesse visto.
Em casa, caí deitada no tapete, gritando de dor. Penny imediatamente saiu de seu quarto e correu até mim, preocupada.
– Ai meu Deus, Phoebe, o que aconteceu com você?
Com esforço, consegui falar:
– Will... Ele... Ai... Vagina... Dói...
Não precisei dizer mais nada. Ela ligou tanto para a ambulância quanto para a polícia.
No hospital, o abuso sexual foi confirmado. Will foi denunciado por pedofilia e estupro. Semanas depois, o julgamento. Will confessou que me estuprara e olhou para mim com desejo.
– Não me arrependo de nada do que fiz – disse ele. – E, se pudesse, faria tudo outra vez.
Pedi para ir ao banheiro. Lá, chorei. Era naquilo que meu amado Will havia se tornado? Ele sempre fora tão amoroso... E agora, aquele monstro.
Will foi condenado a 18 anos de prisão por estupro e pedofilia. Já se passaram 2 anos, mas a ferida ainda não cicatrizou totalmente. Will foi meu 1º e, até agora, meu único amor. Hoje, com 17 anos, ainda tenho medo de me relacionar outra vez. Distanciei-me de vários amigos homens meus. Eles entendem que preciso de um bom tempo para voltar a confiar nos homens novamente. Mas ainda tenho um melhor amigo, Paul. Ele está me ajudando na recuperação, junto com minhas amigas e a psicóloga.
Apesar de tudo, tenho minhas dúvidas se minha vida voltará a ser como antes.
Maldito Will.
Por que te amei tanto?
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