Bad Reputation
10 5 Minutes Alone
Notas iniciais
"You've waged a war of nerves
But you can't crush the kingdom."
Percy me beijou.
Quando decidi que o beijaria, Percy avançou em mim, tomando a iniciativa finalmente. Os lábios de Percy eram macios e gelados. Ele não soltou meus pulsos, o que me impediu de segurá-lo.
O beijo de Percy era incrível e bem calmo. Sua língua explorava cada canto da minha boca, iniciando uma batalha sem vencedor. Ora ou outra, nós separávamos, pouco ofegantes, e ele distribuía selinhos sobre meus lábios. Tentei aproveitar cada milésimo de segundo, mas tudo que é bom dura pouco. Percy mordeu meus lábios e eu estava pronta para aprofundar mais ainda – com direito a gemidos — quando escutamos vozes. Em um súbito ato, Percy se separou de mim. Ele olhou para trás e vimos Hedge, Luke, Nico, Thalia, Clarisse e Rachel.
Droga. Ela não havia aparecido até agora. Por que resolveu chegar?
— O que vocês estão fazendo aí? – Hedge gritou nervoso.
— A culpa não é minha! – gritamos juntos. Nos olhamos raivosos.
Saí da piscina com dificuldade e alcancei a galera que lá estava.
— Treinador, ele que me jogou na piscina! – acusei-o.
— Sr. Jackson! – ele gritou e Percy veio atrás me olhando bravo. – Por que você pulou junto?
— Porque essa demônia se fingiu de morta. – eu ri. – Ala! Ela está rindo!
— A senhorita Chase foi se desculpar por jogar a bola em você e você a atacou! – Hedge acusou. Ele arregalou os olhos indignado e eu fiz cara de coitada.
— O quê? Que mentira, ela foi me bater mais! – fiz uma cara de coitada mais marcante ainda.
— Claro que não, treinador! Percy me derrubou várias vezes! – mostrei meus machucados que ele havia causado e fiz cara de dor. Thalia ria baixinho com Clarisse. Os meninos também achavam cômico. A única com cara de cu era Rachel.
— Treinador! – Percy gritou totalmente indignado – Ela jogou a bola no meu saco! Foi de propósito, eu vi no olhar dela!
— Oh meu Deus! No saco dele não! – Rachel gritou preocupada indo ao lado do Percy e o abraçando.
— Já chega! Os dois para a enfermaria e depois para a sala de Afrodite. – eu sorri satisfeita e fingi um choro.
— Espero que ela dê o que você mereça. – soltei as lágrimas.
— O quê?! Para de brincadeira! Treinador isso não é de verdade! Sua manipuladora.
Quando o treinador virou para dizer pro Luke se garantir que fôssemos até lá, olhei para o Percy, ainda chorando e mostrei-lhe o dedo do meio.
— Olha treinador! – Percy gritou. Quando Hedge olhou eu chorei mais ainda.
— Olhe você, Perseu. Olha o que você fez com a pobre coitada! Vocês voltem para aula! E a senhorita Dare volte para a sua!
Eu precisava sair dali urgentemente porque eu queria rir.
Eu e Percy nos dirigimos para fora da área externa e fomos para dentro do colégio, rumo à enfermaria, acompanhados por Luke para garantir.
— Você é uma falsa! – ele acusou.
— Ah, foi engraçado. Porra que frio. – tremi ao vento.
— Engraçado? – assenti – Engraçado?
— Você é surdo ou o quê?
— Engraçado é o caralho, eu não aguento mais detenção.
— Parem os dois! – Luke revirou os olhos.
Eu revirei os olhos e seguimos para a enfermaria, enquanto eu ignorava Percy dizer sobre o quão tolo Hedge era por crer no meu teatro. Quando finalmente chegamos, a sala estava vazia. Luke foi embora sem nem ao menos nos dizer algo. Percy ignorou e entramos na pequena sala. Havia três macas e uma mesa no centro da sala, onde tinha alguns papéis espalhados. Nas paredes, existia inúmeras prateleiras, cheias de soros, remédios, objetos médicos, etc. Percy abriu uma das gavetas e achou pequenas toalhas lá. Ele jogou duas para mim e eu as peguei, me enrolando automaticamente e enxugando o que conseguia.
— Podemos conversar sobre o que foi aquilo? – questionei calma, enquanto me sentava em uma das macas, enrolada.
— Aquilo o quê? – revirei os olhos. – Foi um erro, me perdoe. – arqueei uma sobrancelha.
— Erro? – debochei.
— Sim, perdão por isso. Não se repetirá.
— Se você diz... – afirmei e bocejei – Acho que vou tirar uma soneca em.
— Annabeth, não é hora disso. Vou passar uma pomada nos seus machucados.
— Que você causou, no caso. – acrescentei.
— Como se você fosse santa. Manipuladora. – disse por fim, se virando e indo em direção às prateleiras.
Percy pegou uma pomada qualquer para pancadas e a abriu.
— Você não vai esperar alguém chegar? – perguntei.
— Na verdade a única enfermeira que tem é a Jenny e acho que ela não voltará tão cedo do seu horário de almoço.
Percy se aproximou de mim. Sentada, abri as pernas penduradas para fora da maca, para que ele se posicionasse ali. Eu observei seu rosto, levantando meus olhos aos seus. A sua boca esteva levemente cortada; olhei para sua mão, que abria a pomada e vi que ela estava vermelha e pouco ralada. Ri.
— Do que você está rindo agora? – ele debochou enquanto passava a pomada pelo meu braço machucado.
— De você. Você socou o chão, cortou a boca e ainda pulou na piscina também. – ele revirou os olhos.
— Claro, porque você jogou a porra da bola no meu saco. E nem venha me dizer que foi sem querer porque eu vi seu olhar.
— Claro! Você jogou a bola com força em mim antes. Você não queria me queimar apenas. – ele riu. – Ala! Tá vendo!
— Eu achei engraçado você dizer mais cedo que me machucaria na educação física. – afirmou enquanto passava a pomada sobre seu punho machucado. Bufei.
— E machuquei.
Peguei a pomada da sua mão e a distribuí pelos meus dedos, enquanto os direcionava até o corte no canto da boca de Percy, que estava pouco vermelho. Ao sentir o choque do encontro das nossas peles, Percy me fitou.
Verde no cinza, novamente.
Esperei sua reação antes de passar a pomada. O reizinho mandão se aproximou suavemente de mim, com os lábios entreabertos, deixando-os milímetros de distância dos meus. Seus lábios tocaram gentilmente os meus e eu ousei não os mexer. Ainda com os lábios encostados, porém se ter um selinho, Percy suspirou, claramente buscando por autocontrole. Encarei-o confusa.
— Passe logo, por favor.
— O que aconteceu? – minha voz soou um pouco decepcionada. Afinal, beijar faz bem pra saúde.
— Nada. – respondeu seco. Levei meu dedo novamente ao seu rosto e depositei suavemente a pomada, cobrindo todo o pequeno corte, como se nada tivesse acontecido.
— Você está com uma cara de cu. Cara de cu pra mim se resolve com tequila. Vou atrás de uma.
— É isso? – o observei confusa – Essa é sua resposta pra tudo? Sair, transar, beber e se drogar?
— Basicamente. –respondi séria, já imaginando onde aquele diálogo acabaria.
— Quando eu penso que você será capaz de mudar... Você fere muito minhas expectativas, Annabeth. Você me decepciona.
— O quê? – ri em deboche — Suas expectativas? Poupe-me. Qual o seu problema? – encarei-o furiosa.
Ele apenas balançou a cabeça como sinal de negação e me deixou sozinha na enfermaria.
Novamente se estabelece o ódio.
***
As semanas se passaram de forma tranquila até. Voltei a conversar com o pessoal, Silena me pediu perdão, Thalia agia normalmente e Nico não conversava mais comigo como antes. Eu estava sem falar com Percy desde o incidente da enfermaria. Não que eu me importasse com ele, mas ele continuava imprevisível e indecifrável. Ele me ignorou as semanas todas. Não fiz questão de ir atrás ou me direcionar a ele também. Eu precisava urgentemente tirar meus problemas de minha cabeça. Logo as provas começariam e eu não estava afim de reprovar em nada, portanto curtiria o máximo agora, que ainda tinha tempo, para depois estudar. Precisava mais do que cigarros e maconha, contudo não era cristal que eu queria. Acho que queria MDMA. É, queria sim. Minha cocaína não estava rendendo, já que eu não conseguia ficar pelo menos uma hora sem usá-la, o que me causava um enorme prejuízo financeiro.
Decidi que hoje eu ficaria trancada no quarto. Eu estava com dor de cabeça e não estava muito afim de encarar ninguém. Decidi que faltaria à aula e tomaria uma cartela inteira de comprimidos para dormir. Eles eram pouco fracos, portanto eu não morreria. Já cheguei a tomar duas cartelas de rivotril e nada aconteceu, então isso não faria nem cócegas. Amanhã, sábado, teria uma festa na casa de Clarisse e, no domingo, teria uma outra festa na Mansão, e obviamente, eu não deixaria de ir só por causa do incidente de três semanas atrás do Percy me carregando.
Quando olhei no relógio eram cinco da manhã, ainda faltava três horas para as malditas aulas de sexta-feira iniciarem. Fechei os olhos na pequena cama de solteiro do meu quarto e enrolei-me mais na coberta. Faltaria sem dúvidas. Peguei uma garrafa de água que tinha no pequeno frigobar do quarto e uma escondida de whisky; bebi água, ingerindo os comprimidos de remédio. Verifiquei se minha porta estava trancada e senti-me pouco zonza. Sorri bobamente e deitei novamente, me cobrindo do frio que fazia e dando múltiplas e longas goladas no whisky.
Amanhã seria um novo dia.
Amanhã eu poderia me entupir de MDMA e ser feliz. Poderia me acabar e me esbaldar, porque eu não teria que lidar com um Percy Jackson xereta que cuida da vida alheia. Fechei os olhos, sentindo o cansaço vir à tona, juntamente com uma respiração mais pesada. Suspirei profundamente, ansiando, por um momento, estar em casa. Na minha verdadeira casa. Há quanto tempo eu não falava com minhas garotas novamente? Elas estavam sempre ocupadas com muitas provas e trabalhos. Trocávamos mensagens constantemente, mas parecia não ser a mesma coisa novamente. Elas estavam mudadas. Ignorei meus pensamentos e concentrei-me no vazio. Encarei a garrafa de whisky já na metade e novamente a tontura veio. Eu apenas queria dormir logo. Por muito tempo.
***
Abri os olhos lentamente.
Cacei por meu celular e achei-o caído no chão. Dez ligações perdidas de Clarisse, dezessete de Thalia e seis de Silena e cinco de Jake. Respirei fundo. Eu havia dormido por 29 horas. Decidi dar o ar da graça e me levantei, cambaleando, totalmente grogue ainda, sentindo a tontura tomar conta do meu pequeno ser. Ignorei e beberiquei meu precioso whisky, sentindo-me completamente bêbada. Assim que acabei com a outra metade restante da garrafa de whisky, fui até o quarto de Thalia aos tropeços, já que não estava conseguindo me manter em pé sozinha; fui observando o grande corredor claro do colégio, me apoiando em sua parede. Minha cabeça latejava e tudo estava rodando. Caí no chão algumas vezes, entretanto consegui chegar viva ao seu quarto. Suspirei e bati na porta.
— Você está louca? Eu quase chamei a Tia Dite pra pegar a chave reserva do seu maldito quarto! – Thalia gritou assim que me viu. Revirei os olhos, ignorando-a e adentrei ao seu quarto, sentando em sua cama com dificuldade e fitando o teto.
— Você vai na festa hoje, certo?
— Você já está pensando na festa? Ainda são 10h da manhã! Que caralho aconteceu com você? Você está fedendo álcool!
— E você é quem agora? Minha mãe? Me deixe. – resmunguei me deitando, na verdade caindo, de barriga para cima horizontalmente em sua cama macia.
— Annabeth. – falou pausadamente – Você tem que dosar, cara. Você está acabando com a sua vida. Não faça mais isso.
— Thalia, nós nascemos para morrer. Então vamos aproveitar enquanto podemos. – murmurei extasiada.
— Não perderei tempo discutindo com a sua teimosia. Vem, vamos pra casa. – prometeu, me ajudando a caminhar.
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