Bad Minds [HIATUS]
8 Ponto Pra Skylynn.
Notas iniciais
Pont of Vist: Trice Evans
— Preciso ir, agora! — rosnou Sky, enquanto levantava as pressas e pegava a sua bolsa de corujinhas. Era uma coisa que ela nunca cogitaria em esquecer. Era o presente que sua mãe tinha lhe dado. — O dever me chama... Ou melhor, o Stark.
Dannis que ainda insistia em beber o seu capuchino com o canudo — aliás, eu estava estranhando muito o fato que ele estava bebendo o seu quinto capuchino consecutivo. Pior que a Sky, coitado. —, engasgou com o líquido marrom.
— Você tá falando do Tony Stark? — ele perguntou incrédulo, não acreditando no que a Sky falava.
Era inusitado isso para Sky, porque para ela, aquilo era como um dia normal ou talvez como um dia normal. Bem, diferente dela, eu estaria um pouco mais eufórica em saber que Tony Stark pediria por meu trabalho — algum trabalho meio que desconhecido, porque, eu não sei fazer nada da minha vida. Sky, apesar de dizer que sua vida não vale à pena, sabe tudo sobre arquitetura, canta pra caralho e sabe cantar. Já eu, consigo morrer de fome em menos de um dia, porque nem pra mendigo eu estou valendo no momento. É foda a vida, cara.
A “olhos azuis” como Dannis a chamava, assentiu e colocou a bolsa no braço.
— Vou pegar um taxi — Sky avisou nos lançando um sorriso doce, que só ela tinha. — Se quiserem a torre Stark agora é minha segunda casa.
Os olhos de Dannis se iluminaram de uma hora para outra e um sorriso bobo anunciava nos lábios finos e rosados dele — que eram muito bonitos por sinal.
— É claro que queremos! — exclamou Dannis e o sorriso enfim nasceu. Era impressão minha ou tínhamos um fã do Homem de Ferro aqui? — Não seria mal educado de minha parte, olhos azuis?
Sky negou com a cabeça e revirou os olhos, já sabendo que Dannis era um fã do ilustre Homem de Ferro.
— Tchau — e então correu em direção à saída do estabelecimento chamando por um taxi.
Eu suspirei e passei a observar um pouco mais aquele lugar. Parecia-me muito familiar.
— Algum problema com esse lugar? — chamou-me Dannis. Embora eu quisesse olhar em seus olhos azuis escuros, mantive meus olhos absorvendo todos os detalhes do local. — Eu sempre vinha aqui com minha mãe, a força, mas vinha — ele confessou um pouco risonho. — Mas, no final eu sempre volto aqui pra que eu possa lembrar coisas que o tempo apaga.
E foi com o que Dannis tinha falado que comecei a criar minhas pistas para o local. Era tão nostálgico e fazia-me sentir como eu me sentia apenas com meu bisavô, Harrys. E só de lembrar que eu nunca mais o veria, as lágrimas queriam cair sem prévio e dó alguma. Sempre seria refém dessa dor incurável, a dor de perder alguém tão querido e tão importante na minha vida. Então, eu olhei a plaquinha dourado e emoldurada ao lado da foto do funcionário do mês.
Na placa estava escrito com uma letra infantil, de uma criança que parecia recém alfabetizada, os dizeres: “O café é a cortesia da casa, a conta não.”. A minha boca caiu imediatamente, os meus olhos já não podiam conter as lágrimas que viriam a seguir. Eu estava no lugar onde eu fui mais feliz em toda a minha vida, onde todas as memórias que envolviam esse lugar tinham alegrias, entusiasmos, pessoas felizes. E tudo nesse lugar envolvia o meu tão frágil biso, que foi um homem forte e destemido.
Eu estava em prantos e um pouco mexida — na verdade, eu estava com as minhas emoções descontroladas até demais — com o fato de que eu tinha esquecido.
“Onde está aquela menina que nunca chora?” Meu bisavô tinha me perguntado perto do pequeno rio que o Central Park cotinha, enquanto eu chorava desesperadamente por ter ralado o meu joelho. Lembro-me tão bem daquele dia, eu tinha meus seis anos e o meu dente da frente já tinha caído e era o meu maior orgulho — só sendo eu pra achar um dente caído um orgulho, enquanto muitos dos meus colegas de classe choravam por isso. Também era a época em que meu tinha me dado uma bicicleta rosa com verde (mesmo não sendo uma boa combinação eu não reclamei e dei um desconto para papai, pois, bem, eram as minhas cores preferidas) e eu pedia para que o bisô levasse-me para parque. E, ele sempre estava de prontidão para levar-me em qualquer lugar.
Onde quer que fosse.
— Essa frase... — ele apontou para a plaquinha dourada onde eu também mantinha meu olhar. Eu senti o calor do seu corpo aproximando-se do meu corpo e minhas lágrimas foram limpas pelas suas mãos fortes e másculas. Eu estava gostando que ele não tivesse me perguntado nada, como se já soubesse que era tudo muito difícil de superar. — Me faz rir toda vez que eu a olho. E a letra é de uma criança, obvio. Bem desleixada.
Eu desviei finalmente meu olhar da placa e o olhei. Ele estava perto demais com todos aqueles músculos sendo ressaltados pela camiseta bege de manga cumprida e colada por completo em seu corpo. Caralho, ele era muito gostoso.
Dannis, infelizmente — ou felizmente porque ele deu aquele sorriso sorrateiro maravilhoso dele, então — percebeu um pouco o meu olhar sobre os seus músculos. Eu não o conhecia nem há quase duas horas, mas eu sabia que, ele não perderia nunca a chance e iria caçoar.
— Ei, se você me secar tanto assim eu fico sem líquido no meu corpinho sexy — ele falou zombeteiro e aproximou-se de meu corpo. Eu falei. Fui mais rápido e já fui o empurrando para trás e o mesmo o seu corpo forte se colidindo com o sofá vermelho – que por sorte dele, era macio. — Ai, loirinha, assim você magoa o Dannis, o sedutor.
Revirei meus olhos e o joguei de novo contra o sofá.
— Você é muito tarado pro meu gosto. — rosnei lhe encarando raivosa.
— E... Você gosta de tarados? — eu não estava acreditando que ele estava usando um tom sexy e mordeu os lábios, provocativos.
Petulante, chato, atrevido e muito... Sexy. Mas, ei, ele nunca que precisa saber sobre essas minhas analises secretas sobre a beleza incrível dele. É, vai ser simples, Trice. É só você fingir que não liga pro porte físico e sedutor desse tarado. Isso!
Fiz a minha melhor face de sem expressão e bebi o ar, eu acho, já que não tinha nada na minha xícara. E então arquejei a minha sobrancelha esquerda e ele fez o mesmo com a sua. Ok, está decidido, eu tenho que parar de achar qualquer movimento dele sexy. Agora!
— Depende — comecei com um tom indiferente. — Se o tarado não for você. — dei os ombros.
Ele abriu a boca uma, duas, três e assim por diante e eu o olhava com um olhar superior e vitorioso.
— Quer dar uma volta por aí? — ele me propôs. Franzi meu cenho, não acreditando. — Estou falando sério.
— Bem, talvez — eu ponderei sorrindo.
Ele agarrou minha mão e deixou uma nota de cem dólares na mesinha — me perguntei onde ele teria tanto dinheiro —, puxou-me para fora da cafeteria e seguimos para o seu Camargo Cinza (um pouco velhinho, devo ressaltar). Dannis pisou fundo no carro e nós então, seguimos sem destino algum.
☼ ☼ ☼
“Lately, I've been, I've been losing sleep
Dreaming about the things that we could be
But baby, I've been, I've been praying hard
Sitting, no more counting dollars
We'll be counting stars
Yeah we'll be counting stars”
Era assim que estava sendo o nosso passeio na lata velha aos pedaços de Dannis, com música e devo confessar que muito animado. Dannis não era cem por cento irritante — era noventa e nove por cento irritante, um número muito alto ainda. Estávamos pegando um destino sem rumo e andando pelas ruas desertas de Nova Iorque sem dizer muitas palavras, mas ainda assim era algo reconfortante. O vento assobiando em nossos cabelos relaxava todo o resto do meu corpo, que alguns segundos estavam tensos até demais.
— Cansada de ficar no carro? — questionou Dannis abaixando o volume da música e voltando a prestar a sua devida atenção a estrada. Ele, com o intuito de estar mais parecido com um badboy – palavras exclusivamente dele, ditas por ele–, colocou uma jaqueta de coura velha e um Ray-ban Aviador. Apesar de que era desnecessário usar aquela jaqueta de couro – que deveria fazer muito calor -, ele com toda a certeza estava muito sexy.
— Não — neguei e tirei a minha atenção dele. Eu tinha um intuito que me dizia que ele percebia todos os olhares que eu lançava-lhe. — Está até agradável andar de casa com um tarado. — sorri marota.
Ele ergueu uma sobrancelha como se dissesse “ah, você não disse isso” e rolou os olhos, provocativo e birrento. Dannis parecia-me ter o seu ego nas nuvens e não gostava muito quando alguém fazia o contrário de elogiá-lo — coisa que desde que o conheci venho fazendo, mas, ei, era muito legal provocá-lo.
— Fala isso, mas no fim... — ele riu. — Me acha um gostoso.
Limitei-me a bufar e logo após socar o seu braço com certa força. Confesso não tinha sido algo inteligente de fazer-se, uma vez que o braço dele parecia ser de ferro e o mesmo parecia nem ter sentido o soco. Eu o fitei estranha, pois quando tinha o socado, estava com a certeza que seria bem forte e doeria até no seu osso. Como pode ele não sentir um murro desses? Dannis continuava do mesmo jeito, parado, risonho e prestando atenção no transito.
Ou, ele poderia ter se passado de bom ator e fingido que o soco não tinha sido nada. Uma hipótese bem mais normal que o meu cérebro tinha me dado, mas eu ainda não conseguia acreditar que aquele meu murro não tinha surtido efeito algum. Era meio que... Impossível. Sabia que eu ficaria obcecada por isso, então decidi aceitar a hipótese de bom ator e deixar pra lá.
— Quem te garante isso, Dannis? — eu fui rápida e desafiadora ao mesmo tempo em que o fuzilava com meus olhos.
— Você — sibilou convicto em suas palavras. — E os seus olhares sobre mim. Não tem como errar.
Bufei, novamente.
— Não sei do que está falando. — fingi-me de desentendida.
— Claro — rolou os olhos sem paciência.
Eu sabia que ele tinha percebido os meus olhares e eu queria cavar um buraco até o centro da terra e me queimar lá.
— Mas, não esquenta, — continuou Dannis a falar com o seu modo calmo. — Tirar uma casquinha não mata ninguém. Até porque se tivesse matado, eu já estava morto, não é?
— Você já estaria morto se não estivesse dirigindo, mas olha, está. — rosnei.
Dannis ultrapassou um carro lerdo em sua frente e mandou um sorriso ao velhinho que dirigia cuidadoso.
— Sorte minha.
Murmurei algumas coisas que nem eu entendi muito bem. Mas, por fim dei um sorriso tão discreto que duvido muito que alguém tenha percebido — bem, estava apenas eu e Dannis na rua, e este olhava para ela —, um sorriso vindo do nada. Por que diabos as minhas emoções tinham mudado de tristes para alegres em questões de segundos? E, normalmente quando costumo a pensar no meu bisavô, era preciso dias e dias para que eu conseguisse me recompor. Só que hoje não, foi rápido como um raio passando pelos céus.
Minha cabeça tinha dúvidas, mas eu deixei em um espaço no vazio, voltando a olhar para Dannis. Ele, mantendo o seu olhar na estrada, parecia estar pensando em algo sobre a sua vida. Parecia duvidoso.
— Alguma dúvida?
Demoraram alguns bons segundos para que ele me respondesse. E, então estacionou o carro no encostamento, desceu dele e disse:
— Como sabe ler tão bem as pessoas? — indagou confuso.
A pergunta deixou-me sem respostas. Eu nem ao menos sabia que conseguia ler as pessoas — e muito menos que fazia isso bem. Para mim, eu era apenas uma adolescente comum de Nova Iorque que daqui pro final do ano letivo irá se formar.
Dei de ombros, um pouco sem jeito.
— Eu não sei — sibilei e abri a porta do carro. Saindo do carro completei a minha fala. — Eu nem sabia que lia as pessoas.
— Agora sabe — disse Dannis. Juntei-me a ele, rodeando o carro e ficando lado a lado dele. Encostei-me na lataria, cruzando meus braços contra meu peito. — Sempre achei que conseguia disfarçar bem minhas emoções e meus sentimentos... Eu estava bem enganado, pelo visto.
Fiquei surpresa com a confissão.
— Uau! — exclamei boquiaberta. — Você não me parece alguém fechado.
Dannis riu baixinho, pendendo a cabeça para trás.
— Você não sabe muita coisa sobre mim, loirinha.
Levantei minha sobrancelha esquerda.
— E nem você sobre mim — retruquei, virando-me para ele. — Que tal então nos conhecermos?
Dannis massageou um pouco o queixo com a barba rala e eu observei os movimentos — sexy. Ele parecia estar pensando. Por fim, sorriu radiante e ergueu a sua mão para que eu apertasse.
Olhei-o um pouco desconfiada.
— Não estraga o momento e aperta minha mão — ele rosnou. Notei que ele estava sendo brincalhão.
Ok, eu tinha mesmo essa coisa de “ler muito bem as pessoas”.
Apertei a sua mão com um sorriso.
— Posso falar falando de mim — ponderei e ele assentiu. — Trice Evans, dezessete anos.
— Disso eu já sabia!
— Cala a boca e me deixa falar?
Ele ergueu as mãos em um ato de rendimento e, fez que sim com a cabeça.
— Posso continuar?
— Não — respondeu.
Revirei meus olhos e acabei por rir, porque ele era um idiota. E eu também.
— Tanto faz — indaguei, ignorando a resposta besta de Dannis. — Não gosto de pessoas fúteis, como por exemplo, a Emma. Ás vezes me pergunto o porquê da Sky agüentar tudo calada.
— As pessoas têm diferentes formas de passar por dificuldades — Dannis analisou e eu observei as palavras. De alguma forma elas faziam sentido.
— É, pode até ser — falei, olhando profundamente em seus olhos que agora pareciam estar verdes. Dannis correspondeu o meu olhar, numa intensidade grande. — Mas, eu ainda não me conformo com todos jogando pedras na Sky só por ela ser diferente deles. Porque, se você não percebeu tem uma coisa diferente nela, não sei, o jeito de ser.
— Quando as pessoas vêem pessoas como a olhos azuis, sentem inveja. — novamente ele estava analisando. Depois balançou a cabeça. — Não estávamos aqui para falar da olhos azuis, e sim, de nós.
— Pois é — concordei. — Fale sobre você então, — eu pedi. Deveria estar na casa que eu não estava nem um pouco a fim de falar da minha vida – eu já falei, ela é chata e sem acontecimentos legais para serem lembrados! — sobre sua família, amigos, hobbies. Não sei...
Devo ressaltar que quando falei a palavra família Dannis fez uma careta muitíssima engraçada. É, família parecia ser um assunto meio que proibido para ele — bem, era um assunto intocável para inúmeras pessoas, não me surpreenderia se para ele também fosse —, estava na cara.
— Família — ele murmurou com a careta ainda dominante no rosto cheio de traços masculinos. Parecia desconfortável a pronuncia da pequena – ou média palavra – para ele.
— Você não gosta de falar sobre isso — conclui (o que já estava mais do que concluído).
Dannis contraiu os lábios rosados e finos, e escorou-se ainda mais lataria cinza que estava parecendo mais um metal enferrujado.
— Aham — sibilou passando as mãos pelos cabelos loiros. Ele, sempre mantinha o seu olhar e rosto calmos, nunca pensando na probabilidade de que qualquer coisa poderia acontecer. E se pensasse, pensaria que não tinha muita importância. — Minha mãe desejou nunca ter me tido inúmeras vezes... Na minha frente, não é fácil, sabe?
— Não deve ser — acabei por concordar, mesmo não sabendo muito como seria essa sensação.
— E meu pai, — Dannis continuou e deixou-me curiosa se tinha ou não se importado com o que eu havia concordado. Mantinha o seu olhar no asfalto, calmo e pensativo. — nunca vivia em casa. Tinha o exercito como sua paixão e sempre vivia em missões e guerras. Lutou bravamente por nossa nação...
— Eu sinto muito — apenas falei isso.
Não tinha mais o que falar.
Ele riu debochado.
— Não precisa, não. Nem eu senti.
Pont of Vist: Skylynn Johson
Peguei um taxi e sai do pequeno estabelecimento, deixando Dannis — o sedutor — e Trice para trás. Não era o que eu mais queria no momento — nem o que eu queria — mas, tive que ir atender uma exigência de Tony. Na qual, ele dizia pelo seu telefone que, eu deveria estar lá para começar o planejamento da torre. E antes de terminar, o egocêntrico teve que acrescentar que queria o projeto em menos de três meses. Pois é, ele estava maluco. Parecia não ter a noção do quanto aquele lugar era gigantesco e que um projeto realmente bom precisa de (pelo menos) seis meses. E, olhe lá.
Depois de informar para o taxista o meu destino, o carro deu a partido e os motores rangeram, e os pneus cantaram. Stark ao menos poderia ter pedido para que Happy, o seu motorista, tivesse me buscado. Já era por volta de seis horas da tarde e o transito, conseqüentemente, estava péssimo. As buzinas de centenas de carros estavam na ativa e ouviam-se xingamentos por parte dos motoristas a cada segundo. O stress era um dos maiores sintomas de morar em NY — e o pior. O motorista, um carequinha com barba grisalha e, barrigudo, não ficava para trás. Se duvidar, era o que mais fazia baderna e que mais causava, ultrapassa os carros nas horas indevidas, freava de um momento pro outro e não parecia se importar quando eu era lançada contra o seu banco.
Eu acho que aquele passeio estava mais parecendo uma ida a montanha-russa do que uma viajem qualquer de taxi.
Finalmente — e com muito alívio — cheguei ao meu destino. Paguei o taxista, e fui em direção a enorme porta de vidro, que se abriu assim que cheguei perto. Enquanto eu ia para o elevador, inúmeras pessoas cumprimentavam-me e eu apenas dava um sorriso e um aceno. Afinal, eu mal as conhecia. Acho que, passar apenas alguna dias na torre Stark deram-me um pouco da popularidade que nunca tive. Apertei o botão do andar 543 e esperei que o elevador me levasse para o andar. Chegando lá me deparei com Steve e o "metido" do Stark conversando sobre algo que a distância em que eu estava não podia ser compreendido. Steve estava sentado em um pequeno sofá de couro vermelho, com as suas típicas roupas de outro tempo — uma camisa manga longa xadrez, uma calça social bege, sapatos sociais pretos e impecavelmente limpos e por último a sua jaqueta de couro bege —, e olhava de forma entediada para Tony. O playboy estava usando uma calça jeans surradas, uma camiseta do AC/DC preta — o circulo em seu peito ainda estava ali e novamente bateu a curiosidade sobre o que era aquilo —, e um tênis vermelho. Apesar de eu estar parada a mais ou menos um minuto, eles estavam tão absortos nos assuntos particulares que nem haviam percebido a minha presença.
Pigarreei, para que Tony e Steve notassem-me.
— Olá — indaguei, e comecei me aproximando de ambos, que só assim bateram os olhos em mim. — Já estou aqui, Tony.
Stark virou-se de imediato, os seus olhos escuros observaram-me e neles havia um misto de satisfação e sarcasmo.
— É, percebi — respondeu.
Steve levantou-se do sofá para cumprimentar-me e eu sorri. O seu semblante estava o mesmo de quando o conheci no Central Park: calmo e sereno.
— Tony não me disse que você viria — eu comentei, olhando diretamente para Tony.
— Eu só costumo me lembrar de coisas importantes, querida. — falou Tony, com um sorriso sarcástico nos lábios para não perder o seu costume.
Steve revirou os olhos, não ligando para que Tony tinha dito. Eu tinha que aprender com ele a arte de ignorar babacas como Tony Stark.
— Não tem problema, Stark. — ele disse. — Eu já estava de saída. — então ele lançou um olhar fixo pra mim. — Poderíamos marcar de sair, já que aquele dia você não foi.
Merda. Eu tinha me esquecido completamente.
— Ah, é claro. — o respondi com o sorriso de lado.
Tony parecia querer vomitar com o nosso dialogo e eu lhe lancei um olhar de repreensão.
— No mesmo lugar? — Steve quis saber.
— No mesmo lugar. — eu respondi.
— É claro que eu aceito sair com você, Steve. — era a voz de Tony caçoando-me enquanto o mesmo fazia movimentos de garotinhas. — Estou louca para dar um rolé com um cara tão chato, entediante, brega e com aparência de velho como você. Só uma louca como eu aceitaria, não é?
— Eu... — dava para ver o quanto Steve tinha ficado sem graça com as palhaçadas de Tony. — Acho que estou indo. — completou.
Se fosse um filme, ou com qualquer outra pessoa, certamente eu pediria para que ele ficasse mais um pouco ou até mesmo o convidado para fazer qualquer outra coisa. Mas, bem. Eu estava tão constrangida quanto ele e queria cavar um buraco no piso.
Então apenas contrai meus lábios e depois dei um sorriso amarelo.
— Tudo bem — eu disse. E constrangida dei um beijo na bochecha dele. — Até mais. Me liga, depois.
— Ligo, é claro — e depois disso, corado e sem jeito, Steve saiu por porta á fora (ou seria elevador?), deixando-me só com Tony.
Joguei a minha bolsa de corujinhas encima da mesinha que estava à frente do sofá de couro.
— Odeio acabar com as expectativas das pessoas, mas... — Tony disse vindo mais perto de mim, fingindo drama. — Você e o Steve... Não rola.
Então eu comecei a tossir, incrédula da insinuação que ele havia declarado. Quero dizer, mesmo que Steve nesse meio tempo em que nos conhecemos tivesse me feito muito bem, nunca me passou pela cabeça que um dia poderíamos ter algo mais do que amizade. Chegava a ser loucura pensar em algo parecido como aquilo — e era.
Eu ri sem humor.
— Você só pode estar doido, Stark. — eu sibilei, olhando intensamente em seus olhos.
Agora foi a sua vez de rir sem humor e a sua risada de alguma forma soou como algo sexy (?).
— Pois bem, voltando ao que interessa. — argumentou Stark — Já pensou em algo para o seu projeto? — ele exclamou.
Naquele mesmo instante me veio uma vontade súbita de pular no pescoço dele. Como assim? Por acaso ele estava ficando mais doido ainda, não... não havia pensado em nada até porque eu tinha outras responsabilidades com o que arcar, como a escola.
— Não Stark, caso você não saiba eu estava na escola, não tive tempo de pensar em nada ainda. — eu o respondi.
— Pois querida, — ele começou a falar com um tom baixo, porém com uma sensualidade elevada para os meus padrões. — acho melhor você começar logo. Não quer um gato como eu, toda hora no seu pé, não é?
Fiquei vermelha de raiva. Nossa que idiota ele era e além de idiota era convencido.
— Não eu não quero um ga... — eu comecei falando em disparada e Stark olhou-me sugestivo. Epa! Eu estava quase o chamando de gato, isso mesmo, produção? Respirei fundo, antes de voltar a falar novamente. — Um traste como você no meu pé.
— Sério? Traste? Pensei que a tinha ouvido quase falar gato, mas já que não consegue admitir... fiquemos com traste mesmo. — ele indagou, mas parecia que estava me desafiando a uma disputa de palavras.
Eu bufei contrariada.
— Acho melhor mesmo ficarmos com traste... — dei um sorriso maléfico. — já que obviamente é a definição mais apropriada para um sujeito como você.
Tony travou maxilar e acariciou o seu cavanhaque, e ao que me parecia, eu o havia deixado sem palavra alguma.
Ponto pra Skylynn.
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