Bad Minds [HIATUS]
26 Onde está aquela Emma Zilles?
Notas iniciais
NO CAPÍTULO ANTERIOR
─ Antes de você vê-la, precisa saber que Trice não é exatamente a mesma pessoa (...).
Tony já estava dentro do galpão, ao lado daquele piano no fundo do recinto, encima do instrumento localizei Trice, sentada e com os cabelos embaraçados.(...) Parecia uma alucinação quando bati meus olhos nas costas de Trice e no pequeno par de asas que estava implantado no dorso de minha melhor amiga.
(...)
Apesar do choque arrebatador e que entorpecia nitidamente minha sanidade, eu precisava me manter firme como uma rocha sendo banhada violentamente por ondas gigantescas. Sinceramente, era impossível destingir o que eu estava verdadeiramente sentindo. Por breves segundos, era como se eu não pudesse ter isso para mim.
Por miseráveis, e exatos, cinco segundos, nada permeava meu coração ─ nem mesmo qualquer sentimento sórdido, apenas um vazio interminável que assolava meus sentidos, em vão. Porque durante cinco segundos, nada me atingia. E quando essa ínfima parcela de tempo se erradicou, tudo voltou a se estabilizar perante os meus olhos.
É claro que eu ainda estava naquele cenário tão fantasmagórico, e que de fato, havia sido escolha de Loki unicamente para destroçar-me para puro deleite dele. É claro que Trice ainda estava com um par de asas nas costas, e, céus, eu parecei tão maníaca falando disso. Eu parecia tão consternada por não estar surpresa o bastante.
Mas, eu sabia. Loki faria de tudo para deslanchar sobre mim as piores sensações, e como eu me sentia nunca faria a pequena importância enquanto ele ainda estiver tramando planos desprovidos de humanidade, nas quais as pessoas que eu mais amo estão envolvidas. A mente maquiavélica e inacessível daquele homem, cuja insanidade se comprovava ainda mais, sabia muito bem como me atingir.
E o pior de tudo, era que ele não o fazia diretamente.
Usava os meios mais podres e fétidos para realizar tudo aquilo: ferir os que estavam ao meu redor. E eu sabia que isso estava apenas se inicializando, e, eu não poderia deixar que tal se realizasse, por mais impotente que eu fosse.
Como ele podia ser tão mau? Por que eu era o alvo?
Talvez eu fosse eclodir com tantas perguntas e duvidas me permeando. Talvez eu precisasse de alguns segundos, depois, apenas para respirar uma boa quantidade de ar, levando-o aos meus pulmões. Contudo, agora, a totalidade que me satisfazia era focar em Trice; saber se ela estava bem e se não era só isso que Loki ─ ou Brian ─ havia feito com ela.
─ Está tudo bem, Sky? ─ por incrível que pareça, Trice foi a primeira a se manifestar. Afaguei as suas costas, tomando a maior precaução para não esbarrar meus dedos em sua protuberância penosa e acabar por machucá-la. Respirei fundo, mesmo que nada tivesse irrompido meus pulmões, e me afastei o suficiente para encará-la com toda amplitude. Seus olhos eram assolados por um medo descomunal, estavam num tom incrivelmente negro, como a noite mais sombria em seu auge ─ Pensei que nunca viriam me resgatar, caramba.
Foi como se um peso estratosférico tivesse esvaído de meu coração. Meu peito, rijo ao máximo por todo o tempo que se passou, caiu, e o alívio rondou todos os meus poros, fazendo com que eu pudesse pensar e agir com mais claridade. O suor da minha mão ainda estava lá, contudo, não me ensopava como achei que fosse fazer.
─ Tivemos que saber sua localização antes de tudo ─ falei eu, omitindo a parte sinistra em que eu não lembrava a tempos atrás que ela havia sido pega por Brian. Esbocei um sorrisinho de lado, com a intenção de mascarar meu desconforto por ter lembrado desse fato ─ E além do mais, acho que era preciso bolar um plano para resgatá-la.
Trice assentiu. Seus braços finos e com hematomas, cuja cor roxeada berrava, se encolheram seguindo o movimento dos ombros encobertos parcialmente pela camiseta grande rasgada, que provavelmente não era dela.
─ Então, obrigada. Todos vocês vieram por livre e espontânea vontade? ─ ela quis saber.
─ Na verdade ─ interviu Tony, ressaltando sua fala, antes que eu pudesse me manifestar em relação àquilo. Sua expressão era extremamente desafiadora e seus olhos estavam incrustrados especificamente em mim ─ Seus três amigos e esse cara que eu realmente não faço ideia de quem seja, aliás, invadiram nosso jatinho e resolveram bancar uma de agentes supersecretos. O que não deu muito certo, já que obviamente, eles foram descobertos, não é, Skylynn?
Seja lá o que ele estava tentando transpassar com aquilo, eu resolvi ignorá-lo plenamente. Era óbvio que aquilo era uma de suas provocações bastante típicas, mas realmente não fazia sentido, agora. Quando as coisas estavam sérias demais.
─ Podemos ser úteis, Tony ─ sibilei, revirando os meus olhos.
Steve, que estava ao lado do playboy, sofreou audivelmente. Seus dedos giravam rapidamente ao redor de suas têmporas, evidenciando sua dúbia situação.
─ Eu tenho que, infelizmente, concordar com Stark ─ Steve indagou, dirigindo sua atenção para sua máscara, que estava na bainha de seu calça ─ Mesmo achando suas palavras um pouco agressivas. Eu só não acho seguro vocês... no meio de toda essa missão. Principalmente você, Skylynn. Quer dizer, quem nos garante que você estará a salvo? Nós não sabemos com o que teremos que lidar, sinceramente.
Umpft. Mas era claro que Steve, até todos os outros, apoiariam Tony naquela decisão. Era mais do que esperado ─ e eu havia sido realmente burra ao crer que tudo estaria bem quando Stark havia nos descoberto dentro daquela minúscula salinha que cheirava a ferrugem. Pelo visto, eu estava suficientemente enganada para notar que se eu quisesse saber o que se passava comigo, eu precisava ser convincente.
E era mesmo esse o problema.
─ Sinceramente, não deveriam subestimar nossas qualidades ─ vociferou Dannis, os olhos metade azuis, metade verdes oscilando ─ A gente se virou sem vocês e conseguimos o que queríamos.
─ E depois, foram pegos no final ─ relembrou Tony, deixando um lado de seu lábio se içar, possesso de um sarcasmo indomável ─ Vocês querendo ou não admitir, isso aqui não é brincadeira para adolescentes que mal saíram da maternidade, sem ofensas. Por acaso, sei lá, já não disseram a vocês que somos os heróis mais perigosos desse planeta, crianças?
Eu sentia meu rosto pegar fogo, a raiva mínima me corroendo. Eu sabia das minhas limitações, mas era óbvio que eu não era uma criança chorando pelo doce que caiu no chão.
─ E blábláblá ─ Natasha ergueu uma de suas sobrancelhas avermelhadas para nós e o resto do grupo. Estava de braços cruzados, e ao leste da mesa, ao lado de Clint Barton ─ Agora que já conseguimos o que queríamos, achar a garota, por que a gente não dá um fora?
─ Parece uma ótima ideia ─ concordou Barton, escancarando sua boca fina ─ Precisamos garantir que a gatinha de Tony volte à S.H.I.E.L.D sem nenhum arranhão.
Eu estava prestes a questioná-lo que tipo de intenções ele utilizava ao me chamar de “gatinha de Tony”, mas eu paralisei abruptamente. Trice me soltou rapidamente de nosso esboçar de abraço, e quando sondei-a nos olhos, vi os piores vislumbres de algo tenebroso. Havia um assombro avançado represado em suas esferas carameladas, estas, extremamente esbugalhadas.
Quis saber o que estava se passando, mas um nocaute se passou por minha mente, e foi como se todos os meus neurônios tivessem sido torrados num curto circuito absolutamente carregado. Um grito extremamente doloroso irrompeu de minha garganta, e era como se ela tivesse garras, arranhando-me, limitando-me apenas a soltar berros desconexos e potentes o suficientes para eu ser o centro de todas as atenções.
Eu não estava bem. Longe de estar coerente.
E ter onze pares de olhos, curiosos e aflitos, encarando-me, fazia uma sensação ligeiramente claustrofóbica se encurvar sobre mim. Era como se todas as paredes vastas e distantes de mim estivessem me encarcerando, soberbas de uma velocidade incomum. Tudo se fechava. Até meus pulmões começaram a aderir o adjetivo araque, desprovidos de funcionamento.
Eu podia observar a tudo e todos, mas os meus comandos não me obedeciam. Eu berrava alucinadamente para que meu cérebro reagisse, e movesse sequer a falange de meu dedo mindinho. Mas tudo estava adormecido, mergulhado em uma anestésica percepção de ser inútil o suficiente para não conseguir me mover, apenas gritar ─ à contragosto.
Ao compasso que aquilo se desenvolvia, tudo ficava mais mínimo, pequeno, caloroso. Pensar doía. Todas minhas juntas crepitavam em uma dor sufocante, que ia a todos os lugares possíveis, atiçando algo para que os bramidos ficassem ainda mais estrondosos.
Duas mãos pequenas e delicadas agarram com firmeza meu ombro, sacudindo-me seguidas vezes. O torpor, por mais forte o sacolejo das mãos, não se dissipou.
─ Skylynn!
A voz de Trice ressonou perto demais aos meus ouvidos, só que ao mesmo tempo, parecia impossível encontrá-la. As garras foram substituídas por uma bola, como se fosse maciça, e meu engasgo foi reproduzido de imediato.
Mais mãos.
Desta vez rondaram minha cintura. Era frias, longe de serem de algum ser com pele de verdade. Era Tony. Tentei usar sua aproximação como respaldo, assim, fazendo com que aquele pesadelo acabasse. Mas, não teve efeito.
E quando eu percebi o que realmente estava acontecendo comigo, já não havia mais tempo de sobra.
Brian havia acabado de passar pelos portais enormes do galpão. Um sorriso fatal adornando seu rosto. Atrás dele, havia uma menina que me parecia tão, mais tão familiar.
O devaneio, brutalmente, se erradicou. Foi como se algum órgão houvesse sido retirado de mim. Eu havia despertado sem mais nem menos.
E meu estômago rugiu assim que ficou claro quem era aquela mulher com Brian. Eu a conhecia faz bastante, bastante tempo.
Era Emma.
A única coisa que recorria em minha cabeça era: por que ela estava aqui?
Eu tentava ignorar Brian, cujos sorrisos insinuantes e sombrios se dilatavam ainda mais por sua face perdidamente esculpida por todos os deuses. Contudo, a minha atenção era unicamente voltada para Emma. Minha mente metralhava teorias que tentavam chegar à conclusão de qual era a razão de sua presença, no mínimo, inusitada.
Logicamente, nada vinha à minha mente.
Checando sua faceta irônica, era óbvio que ela estava aqui por pura vontade. Seus olhos, desprovidos da lente de contato azuladas, prendiam-me num elo destrutivo, no qual ela me lançava os piores sentimentos existentes, como sempre fazia.
Metros afastada de Jackson, uma aura orgulhosa e densa parecia embalá-la. Fios enevoados caíam em distintas e diversas camadas, emoldurando seu rosto belamente, fazendo eu me lembrar de uma versão mais enegrecida e sinistra da branca de neve. O corpo, ainda estava como da última vez em que eu havia visto-a: esguio, e modulado perfeitamente, as curvas acentuadas e destacadas abaixo de um vestido justo e negro.
Brian e ela estavam a cada passo mais próximos de mim. Todos estavam estacadas em seu lugar, até eu, e estávamos sendo os espectadores daquela inoportuna e triunfal entrada. Meu coração havia se transmutado para uma espécie de objetivo, cuja composição, era vidro. Minhas juntas doíam, como se enésimas agulhas adentrassem minha pele, cerrando meus ossos. Fraquejei.
Por pura sorte, não consegui desabar. Era Tony quem me segurava solidamente, e a franqueza passando pelos seus olhos era explicita: se Brian tentasse algo, ele seria capaz de sucumbir sua vida. Era melhor que ele estivesse mesmo ao meu lado ─ claramente eu estava deixando passar despercebido aquela cena anterior totalmente idiota, na qual eu era a idiota sem eficácia em qualquer coisa ─, aquilo fazia o sentimento de insegurança que se ampliava dentro de mim se apaziguar pelo menos alguns pequenos por centos.
─ O que diabos você está fazendo aqui? ─ o tom de Tony estava totalmente sob controle, só que mais parecia uma lamina afiada e pronta para derrotar qualquer que fosse o adversário. Não precisei olhar fundo nos seus olhos para estar ciente de que o ódio reinava nele em todos os sentidos ─ Não está satisfeito em prender sua aluna, torturá-la, beijá-la? Não podemos esquecer sua atuação ridícula com aquela metralhadora ─ ele terminou revirando os olhos.
Brian estava cada vez mais perto do nosso círculo. Aquele andar felino e gracioso, pelo visto, não o abandonara, nem a sua alta capacidade de ser um extremo filho da puta com aquele riso sem som.
Estava ridiculamente lindo, isso era impossível negar. Mas, vendo-o daquele jeito, a beleza não era um atributo benéfico que eu poderia listar sobre ele. Somente o deixava ainda mais igualado a um crápula, cuja insolência se alojava em qualquer situação, e eu sentia um enjoo só de relembrar, tristemente, que aquela boca imunda e longe de ser imaculada, já esteve em sincronia com a minha.
Não era como se eu pudesse matá-lo, entretanto, a vontade de estapear a sua cara ─ por mais que eu fosse contra à violência em caso fúteis ─ berrava e rugia em meu interior.
Jackson cerrou seus olhos, para entre abri-los logo após.
─ Boa tarde para você também, Tony Stark ─ Sonolência, com certeza, era uma característica que comprovava o quão desumano Brian Jackson era. Seu olhar de Tony a mim, e presenciar aquele sorriso de canto se duplicando de tamanho ao fixar-se em mim, foi no mínimo, nojento ─ Olá, também, pequena Sky.
A fúria apossou meu corpo tão instantaneamente que, consequentemente, minhas bochechas ruborizavam, deixando-me relembrar a onipresença daquela cor escarlate tão praxe a mim.
Emotiva. Era exatamente assim que eu ficava quando Brian ─ e Loki ─ faziam questão de ressaltar o apelido carinhoso que mãe costumava a usar comigo. Uh. E a vontade de agredi-lo aumentava ainda mais. Manter-me totalmente fora do estado de loucura por tê-lo tão perto de mim era incrivelmente intricada. Contudo, aquilo só aguçava-o, deixando-o ainda mais assemelhado ao diabo e seus sinônimos.
Quase a rebatê-lo, prendi minhas palavras na língua, freando tudo aquilo que eu mais ansiava falar. E isso não era recomendado.
Steve estava com a confiança exalando de sua silhueta alta e forte, sibilou:
─ Seja lá o que esteja fazendo aqui, acho melhor ir embora. Você não fará mais nada. E nenhum de nós irá permitir qualquer atrocidade que você pense fazer.
Brian o encarou, demorados instantes se prolongaram, sua expressão se fechou mais rápido do que sua chegada. Só que após a máscara esboçada, uma risada engasgada e com a altura exagerada escapou de sua garganta.
─ Então, você é o tão falado Capitão América ─ Ele pigarreou para tentar espantar aquelas risadas que haviam despertado todos os Vingadores ─ E vocês são os Vingadores. Olhe, ou a loirinha deve ser bastante importante para vocês ou estou sendo um belo escoro. O que me deixa feliz. E a Loki também ─ ele completou, presunçoso.
Foi chocante a pronúncia do nome de Loki dançando pela boca de Brian tão intimamente. Eu havia chegado à conclusão de que era Loki quem estava por trás de Brian, e realmente, esclarecia tudo. Admirava-me eu ter demorado tanto parar ter a percepção sobre algo que estava, definitivamente, um palmo a minha frente.
─ Desde quando conheces meu irmão, misgardiano? ─ Thor urrou, numa pergunta, evidenciando sua ofensa ao modo que Brian ditara ─ Loki, apesar de tudo, nunca faria algo assim com a bela moça Skylynn. Afinal, eles não se conhecem.
─ Como tem tanta certeza disso? ─ contra-atacou Jackson ─ Por que você não pergunta para Isaac o quanto Loki está tão perto, mesmo tão submerso?
Busquei Isaac no mesmo segundo. Acho que todos fizeram o mesmo do que eu.
E lá estava ele, um pouco mais a fora do nosso grupo, os ombros curvados pela angústia, totalmente longe de estar bem. Eu poderia não ter confiança nele cegamente, poderia ter um desapontamento por ele saber tanto sobre mim e esconder ainda mais... todavia, fiquei realmente abalada ao vê-lo sem aquela autoestima e certeza, as quais sempre o entornavam.
Isaac havia me salvado de Brian, e me acolhera tão bem que eu mal poderia ter a crença de que era verdade.
Não seria estranho sentir algo como gratidão por ele, não era?
─ Não tenho nada a declarar para você, Brian ─ ele vociferou, fracamente, farto de ter as esferas azuladas e animalescas de Brian sobre ele ─ Ficaria muito grato se você nunca mais me dirigisse a palavra, se quer saber.
─ Continue assim e estará só um pouquinho perto de me atingir. Ah, como eu sou tão indelicado. Essa é minha amiga, Emma ─ ele disse, relembrando-me de que ela ainda estava lá.
Bufando em uma dosagem extrema, Trice disse:
─ Nós sabemos quem é essa vadia.
Ao estar próxima o suficiente de todos nós, Emma revirou seus olhos, recaindo-os sobre mim.
─ Não ligo para o que você diz.
─ Você liga para alguma coisa, exceto você mesma? Isso mesmo, não ─ falou Trice, irônica.
Ter Emma sondando-me daquela maneira, como se fosse me matar a qualquer segundo, não era reconfortante ─ muito menos ela era sinônimo de conforto. Só que saber o que ela fazia junto a Brian era de suma prioridade, e seja lá o que fosse, não me cheirava algo bom.
─ O que você está fazendo aqui, Emma? ─ questionei. O espanto se passou pela maioria das faces dos presentes, já que muitos ali não sabiam que eu a conhecia.
Ela se concentrou em suas unhas perfeitamente grandes e lixadas, cuja cor de esmalte vermelha berrava.
─ Por que você não aventura e chuta, Johson?
─ Por que você não fala logo, Zilles? ─ Pronunciou-se Dannis, a voz rancorosa. Seus olhos estavam cerrados, emoldurando Emma neles, furtivo ─ Não temos tempo para perder com uma garota que mal sabe o que está fazendo?
Emma gargalhou, de imediato. A insolência ampliava sua boca, deixando de lá as risadas bastante exageradas escaparem. Vi Trice, de soslaio, enrijecer de fúria, a vermelhidão a permeando.
─ Não parece bastante óbvio ─ Emma fez questão de demonstrar seu tédio através do tom, suas sobrancelhas grossas e delineadas se ampliaram, totalmente êmula ─ Eu era, como posso dizer, uma espiã? ─ Ela torceu os lábios, forçando-se a passar a imagem de pensativa ─ Parece uma boca explicação. Nos últimos anos passei espionando Sky. Todos os passos dela. O que não foi nada difícil, sendo sincera. A minha carinha de nova só me ajudou a me infiltrar na escola, esconder minha imagem, e pronto, nos primeiros cincos segundos em que estive em NYHS já me tornei a pessoas mais importante daquele lugar.
Eu tive que fechar meus olhos por tempo indeterminado, para digerir aquela notícia que ia além de ser bombástica. Mas, que diabos?
─ Alguém mais quer fazer revelações, aqui? ─ perguntou, Tony, parecendo quebrar o clima, o que não funcionou em nada, sendo honesta.
─ Na verdade, eu ainda tenho algo para dar a Skylynn ─ falou Brian, buscando de seus bolsos dianteiros algo, até que puxou do esquerdo uma foto ─ Acho que você ficaria tão feliz em ver isso.
Eu oscilei, apesar de estar bastante calorento o clima. A mão de Jackson estava estendida, a foto dentro do membro, e eu estava bastante tentada a pegá-la. Afastei-me minimamente de Tony, e ele tentou pegar minha mão, para que eu não me afastasse dele. Gradativamente, eu ia chegando, mais e mais perto de Brian.
Quando eu estava adjacente de Jackson, ele desabou sobre mim. Caí junto a ele, seu corpo encima do meu, deixando-me prensada ao chão com ele desacordado. Acima de nós estava Clint Barton, olhando-nos de forma inatingível.
─ O quê...? ─ tentei dizer, mais Brian estava me sufocando.
─ Loki estava o controlando ─ esclareceu Clint, claramente preocupado enquanto jogava o corpo de Jackson para o lado, e assim, consegui me levantar ─ Está tudo bem?
Assenti, perplexa. Tony surgiu ao meu lado, sondando Clint.
─ Isso quer dizer que?
─ Loki está, novamente, com o cetro. E isso não é nada legal. Mas, Brian está bem, agora. Dei uma batida forte em sua cabeça, então, ele não é mais um brinquedinho de Loki.
─ Certo ─ Tony não parecia mais aliviado, e esse estado se intensificou quando ele começou a mexer sua cabeça por todos os lados, a procura de algo ─ Onde está aquela Emma Zilles?
Olhei por todos os cantos, assim como todos, e ela simplesmente havia desaparecido. Sem mais nem menos.
─ Isso não importa agora ─ falei eu, notando que ainda aquela foto estava por entre os dedos de Brian, que estava caído ao chão, desacordado.
Agachei-me, pegando-a com minhas mãos.
Foi como se o céu houvesse se chocado contra a terra. Eu simplesmente não entendia aquela fotografia. Eu não entendia como era possível.
Brian Jackson ─ meu professor psicótico de biologia e agente da S.H.I.E.L.D ─ estava ao lado de minha mãe em uma foto. Estavam grudados, enquanto, eu sorria ao colo dos dois, com oito anos de idade.
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