Bad Luck
10 Shopping, POV. James, Encontro no lago Michigan
Notas iniciais
♥ Pra GERAL *W*
Capitulo. 10
Shopping, POV. James, Encontro no lago Michigan
Pov. Larissa.
Saio da casa ao lado de Annie, que parecia excitada. Eu também não consigo evitar. Minha mente continua dizendo “É só James! Jam! Geleia!” Mas eu sinto minha pernas tremerem. Odeio estar apaixonada por ele.
-Nossa! Veio preparada. –Diz ele apontando minha roupa. –Se eu não tivesse voltado com Claire...
-Vocês voltaram? Que... –Tento pensar em diferente de “terrível” ou “ela é uma vaca”. –Legal –Termino por dizer.
-Oi. Sou Annie. Eu atendi o celular da Larissa. –Ela diz se comportando como uma pessoa normal.
-Uh.. A doida? –Ela pergunta. –Certo, entrem.
Annie me empurra e senta no assento da frente. Me mando para a parte de trás de novo irritada. Ele da partida em direção ao shopping.
-Larissa me contou muito sobre você. –Ela diz. –Você não foi muito legal em beija-la tantas vezes.
-Ei! –Eu grito em protesto. –Eu te disse para não falar sobre isso.
-Eu sei. Mas eu quero ver a reação dele. É como se ele tivesse te trocado por ela, sabia? –Ela diz. Ela resmunga um pouco.
-Mas eu não quero namorar com James! –Eu falo. –É difícil de entender ou você quer que eu desenhe?
-E ninguém me pergunta sobre o que eu acho disso...-James tenta dizer.
-Calado! –Dizemos em uníssono.
-Mas é sério... Se você gosta dele, é melhor dizer. –Ela diz.
-Mas eu gosto dele como amigo. –Minto.
-Sei... Desisto. Você é uma cabeça dura. Mas a sua época de perder o selo está ai...
-Okay! Chega! James não precisa saber o que você pensa. –Eu digo.
-Quer tirar a virgindade dela? –Ela brinca. –Estou brincando.
James está apavorado, com os olhos arregalados. Chegamos rapidamente ao shopping. Acho que o plano de James agora é acabar o mais rápido com isso.
Entramos no shopping e tento ditar as regras antes que James saia correndo.
-Certo. Nada de lojas como “The Freak Fray”. –Digo.
-Você decorou o nome da loja?
-Sim. Decorei para nunca mais entrar ali. –Digo.
-Nossa. Parece a Claire. –Ele diz emburrado. Ignoro o nome da bruaca. Pego nos cabelos negros dele e brinco um pouco com eles. Eles são levemente ondulados, mas não são cachos de verdade.
-Posso saber o que está fazendo? –Pergunta Annie.
-Eu também gostaria de saber. –James diz, mas ele não tira minha mão de sua cabeça.
-Não sei também. Me deu vontade de brincar com seu cabelo. –Eu digo.
-Isso é legal. –Ele diz.
-Okay, solta ele. –Annie tira minha mão da cabeça dele. –Foco na peruca!
-Aqui é cabelo de verdade, amiga! –Ele diz indignado.
-Certo, “amiga”. -Ela faz aspas com os dedos- Vamos na GAP. –Ela diz seguindo para a loja logo na nossa frente.
Entrando na loja, eu acho coisas que nunca usaria. E coisas que eu acho muito perfeitas, mas que não se parecem comigo. Exemplo: os vestidos tomara que caia vermelho sangue que eu não conseguiria usar.
-Vai usar esses! –James diz com shorts curtíssimos na mão.
-Nunca. –Digo me virando e saindo e perto dele.
-Então esses? –Annie diz com um macacão florido. É curto, mas é bonito.
-Pode ser. –Digo olhando as prateleiras. Direciono meu olhar aos sapatos, mas não paro de prestar atenção e Annie. Ela pode falar uma besteira a qualquer minuto.
-Seu pai sempre abre a carteira assim? –Pergunta Annie a James. Eu fico com raiva. Isso é indiscreto. Mas não me meto.
-Ele fica tentando me compensar... Deixa para lá. Eu gosto de comprar roupas com ela. –Ele diz voltando seus olhos à a prateleira.
Annie se cala. É um assunto delicado. Finjo que não prestei atenção e pego uma blusinha.
-Gostei. –Digo me virando.
-Brega. –Diz Annie.
-Nada sexy. –Diz James.
Coloco ela de volta no lugar. Tem horas que isso é cansativo!
Pego coisas que eu acho bonitas mas não usaria. É mais fácil de conseguir a aprovação deles assim. Experimento todas as peças e Annie só falta babar. Não gosto tanto de me vestir assim, mas até que é legal quando eles gostam de me ver assim. James paga as peças que Annie aprova.
-Certo. Vamos só ficar nessa loja? –Pergunta Annie.
-Não! –James diz. –Vamos no salão colocar maquiagem nela!
-Mais uma seção de tortura me espera. –Digo. É, eu sou muito azarada.
-Sim. Parece certo. –Annie diz.
Eles basicamente me arrastam até o salão, onde a loira burra estava ali atendendo umas clientes.
-Boa tarde. O Punk está aqui de novo, Anabela. –Diz a ruiva, que hoje estava no caixa. A loira manda um “alô” com a mão, acho que ela é Anabela.
-Você vem tanto aqui que conhece todo mundo? –Pergunta Annie.
-Não. Mas marquei horário. É agora que tiro os piercings.
-Mas você não os tira sozinho? –Pergunto.
-Não o do septo. É mais complicado. Não quero que inflame.
-Certo. Maquiagem para a lindinha e o Maxuel está lá atrás te aguardando, Punk. –Diz a ruiva. Acho que ela gosta de nos tratar com adjetivos. Mas para mim ela sempre foi “a ruiva”, não posso reclamar.
-Sente-se ali. –Ela aponta para a única cadeira vazia do salão do shopping. Me arrasto até ali sem vontade. É muito chato.
-Oi! Sabia que ia voltar. –Diz a Anabela com um sorriso. –Fez a dieta que eu disse?
-Não. Mas obrigada pela dica. –Digo tentando ser gentil.
Ela passa es coisas cremosas em mim, cobre a minha cara e vai passando devagar um pó. Ela passa uma sombra, um lápis, um batom e um blush. Acho que o plano dela é me deixar do mesmo jeito da última vez.
-Pronto! –Ela diz.
James já me esperava na porta do salão com tudo pago. Ele estava lindo, mas tinha uns buracos na cara dele. Algo me diz que aqueles buracos não vão sair. Mas são imperceptíveis agora quando ele sorri.
-Cadê Annie? –Pergunto.
-Primeiramente, oi coisa linda e perfeita dos olhos esfumados. E Annie foi comer. Ela estava com fome.
-Oi coisa linda sem piercings. Você parece mais normal.
-Você parece mais linda.
-Vamos nos juntar a Annie.
Seguimos a praça de alimentação, onde Annie se afogava em uma salada com suco.
-Oh! –Ela se espanta quando me vê. –Você está perfeita.
-Continue comendo. –Ordeno.
-E sobre a festa. Agora que lembrei. –Ele pousa sua mão na cabeça. –Eu vou te passar o código em Morse no seu e-mail. É ultra secreto. Sério, ainda corremos riscos. Esse código não pode ser descoberto até amanhã de manhã. Você decodifica e me liga depois.
-Certo. –Concordo.
-Vai comer o quê? –Pergunta James.
-Um crepe. Bye! –Eu digo me mandando em direção a casa dos crepes. James me segue, mas mantém a distância. Não vou deixar ele pagar de novo.
-Boa tarde. Bem vinda a Casa Dos Crepes... –O garoto do balcão para e me fita por um tempo. Ele é bem bonito. Sacode a cabeça como se tentasse recobrar os sentidos. –O que vai pedir?
-Um Crepe Especial à moda. –Digo.
-O-Oque mais? –Pergunta gaguejando. Parecia com medo. Ele estava tremendo.
-Um refrigerante... –Paro e olho para trás, James está encarando o garoto como se quisesse mata-lo. –grande, enorme. Tipo o soco que vou dar na cara dele se ele não parar com isso. –Continuo.
-Certo. Quinze dólares. –Diz. Pego o dinheiro no bolso do vestido rapidamente e pago antes que James pense em algo.
Espero e pego meu crepe. James ainda estava ali, mas parecia perturbado.
-O que é? –Pergunto seguindo para a mesa ao lado dele. Annie já tinha posto fim na sua salada.
-Você é pura teimosia.
-Eu sei. Posso comer agora? –Pergunto colocando minha bandeja na mesa.
-Você não viu aquele cara te dando bandeira? Estava claro que é um drogado. Se ele fosse um estuprador predador sexual? Se ele quisesse te matar para vender seus órgãos no mercado negro?
-Não acho que seja isso. Mas reparei que ele era bem bonito. –Digo sentando ao lado de Annie.
-O ciúmes reina... –Annie comenta baixo o suficiente para que apenas eu ouça. James estava enciumado por causa do garoto.
-Se ele é bonito, vai sair com ele. –Ele diz sentando na cadeira violentamente.
-Se eu não sou o suficiente, vai passear com Claire. –Rebato.
-Chega! Fugitivos do jardim da infância! –Diz Annie parando a briga.
Eu me sento e como calmamente. James se levanta e segue para a Mcdonalds sem nem explorar a praça direito.
-Ele é fofo. –Diz Annie. –Ele se preocupa com você e você está tipo: “Não preciso dos seus cuidados!”.
-Não é bem assim. É que ele me trata como se eu fosse uma irmã mais nova incapaz de pensar sozinha. E daí que o cara estava me olhando? Não é esse o objetivo?
-Acho que ele te quer só para ele.
-Ele tem Clarisse. Não precisa de mim. –Digo.
-Ele te ama. –Ela diz.
Continuo a comer. Termino rápido. Adoro crepe. O refrigerante está na metade quando ele chega na mesa com sua bandeja. Batatas fritas, refrigerante e um grande e gorduroso Big mac.
-Oi. –Diz Annie.
-Oi. –Responde.
O silencio reina até Jam terminar de comer.
-Desculpa. –Digo. –Você se importa comigo.
-Sim. E desculpa por te prender. –Ele diz. –É que você tem essa facilidade para se meter em confusão...
-Eu sei. Mas ultimamente a maior confusão que e tenho me metido é você. –Eu rebato.
-Você quer que eu suma?
-Não! Você é demais. Claro que você é encrenca... Mas eu sobrevivo. –Digo despreocupada.
-Certo. Chega de drama. –Annie diz batendo na mesa. – Amor fraternal misturado com incesto tem limite. Vamos na Forever 21.
Passamos por todas as lojas que Annie quer sem reclamar. Essa coisa de “amor fraternal” me incomodou. Não deveria. Mas incomodou. Eu provo vestidos, shorts, blusas, tops, camisolas... Enfim. Levamos o maldito do mundo novamente, dentro de vários saquinhos de compras malditos. Já estou me acostumando com essas coisas curtas. Mas ainda é desconfortável.
-Cansei. Mark vai passar em casa em duas horas. –Digo esgotada carregando sacolas que antes leves, agora tem o peso do mundo.
-Temos que correr? –Pergunta James.
-Temos que correr. –Afirma Annie.
-Finalmente! –Digo. Tento levantar as mãos para o céu, mas me atrapalho com as sacolas e derrubo algumas. Bonita? Às vezes. Desajeitada? Sempre.
James e seu cavalheirismo pós compras abrem a porta para mim entrar no carro, ao lado dele no banco da frente.
-Ei! –Annie protesta.
-A garota mais bonita fica com o banco da frente. –Digo arqueando as sobrancelhas. Eu sei que não é verdade, ela é mais quente que o sol e eu sou mais gelada que o Alasca.
-Então o banco da frente é meu por direito. –Diz Annie.
-Perdeu! Eu cheguei primeiro. –Rebato dando língua.
-Okay! Basta! –James diz entrando no carro. Annie se comporta no banco de trás se dando por vencida. James roda a chave e escuto a Ferrari ronronar. Vou chama-la de Chat. Chat = Gato em francês. Chat é uma ótima Ferrari.
Chegamos em casa. Jam para na frente e nos deixa na porta.
-Tchau princesa. –Ele diz dando um beijo estalado na minha testa.
-Tchau geleia. –Respondo.
-Tchau Annie. –Ele diz acenando com a mão.
-Tchau emo. –Ela diz com um sorriso provocador. James não parecia com vontade de discutir, então ela ficou no vácuo. Entramos em casa. O que vemos?
-Oi, Larissa. –Diz Mark sentado no sofá. –Cheguei mais cedo. Quem é a... Nossa! Quem é essa garota linda? –Pergunta.
-Flertando com minha prima no nosso primeiro encontro? –Digo brincando. É impossível de não notar Annie.
-E eu sou uma universitária, não sou pro teu bico. –Ela diz sacodindo o cabelo. Ela passa direto para o meu quarto com um ar de metida. O silêncio permanece até ouvirmos a porta fechar.
-Desculpa. –Ele diz com um sotaque perfeito e fofo.
-Tudo bem. Eu estava brincando de qualquer forma. Quem te deixou entrar?
-Seu pai disse que eu podia esperar aqui. James te passou o negócio da festa?
-Ele disse que vai passar em código Morse mais tarde.
-Certo. Queria te levar em um lugar antes de irmos jantar.
POV. James.
Decido passar para pegar Claire na casa da mãe.
-Oi. –Diz ela sorrindo. Sinto meu coração bater mais forte. Ela é tão linda.
-Oi. –Digo a dando um selinho. Não quero ficar muito intimo até chegarmos na minha casa.
-A gente vai para a sua casa de novo? Não! –Ela diz. Parece que a loira em miniatura leu minha mente durante o beijo!
-Como você sabe? –Pergunto assustado.
-Porque quando você me dá simples selinhos em público, quer dizer que sua calça está formigando. Não! Cansei de ser um objeto sexual. –Ela diz cruzando os braços.
-Mas, querida... Me diga. O que você quer fazer? Eu faço o que você quiser, palavra de escoteiro. –Digo a segurando os ombros levemente.
-Eu queria fazer um passeio romântico. Sabe? No Michigan. –Ela diz dando pulinhos. Como eu amo essa coisa mimada!
-Certo. Eu te levo onde quiser. –Digo andando até a porta do carro. Abro a porta para ele entrar.
-Cadê a pantera? –Pergunta decepcionada. Pantera é a minha moto.
-Ficou na garagem hoje. –Digo.
-Que pena. Nunca mais passeamos na pantera.
Ela entra no carro e dirijo uma hora para leva-la no bendito Lago Michigan.
-Chegamos! –Digo esgotado. Odeio dirigir.
-Finalmente. –Ela diz. Eu estaciono e seguimos para as proximidades do lago, onde tem turistas e uns barcos. São sete da noite e nada pode dar errado.
-Vamos jantar por aqui? –Pergunto.
-Certo. Mas vamos aproveitar o lago antes. Daqui a pouco escurece por completo, eu espero que tenham estrelas hoje, se não vou dar piti e vou lá reclamar no céu. Me beija?
Me aproximo e a beijo levemente.
-Não! –Ela diz. –Isso foi muito esquecível.
A puxo para perto de mim. Estamos dando amassos explícitos no meio de barcos e turistas.
-Isso ainda foi esquecível. Me dê um beijo inesquecível, James. –Ela diz batendo o pé.
A puxo para perto de mim e a beijo até não ter mais ar no globo terrestre.
-Agora foi melhor. –Ela diz segurando a minha mão. –Vamos andar! Quero molhar meus pés na beira do lago.
-Sem chance! –Eu digo. –Não vamos até a borda do lago. Vamos ficar por aqui longe da areia.
-Mas James! –Ela diz com voz de falso choro. Desisto. Ninguém resiste a Clarisse.
-Certo, amor. Tudo por você. –Digo andando até a areia. Pobres sapatos novos. Mas isso é amor, não é? Sacrificar-se por alguém. Mesmo que seja algo estupido, ela merece isso.
Tiro meus tênis e minhas meias com dificuldade. Clarisse tira facilmente suas sandálias de tiras. Ela me puxa e vamos correndo até o lago. É legal fazer isso. Mas seguro mais firme nos meus sapatos que na mão de Claire. Molhamos o pé na água semigelada. Não está tão fria, mas não é quente nem aqui nem na china.
Clarisse e suas cenas de cinema pré feitas na sua fábrica de ideias. Ela me puxa quando uma pequena onda chega no lago e me beija. Nem me importo com a barra da calça molhada. E nem com os respingos que batem em mim. Agora somos eu e ela. De repente me lembro de Larissa. O sorriso dela, os beijos que já dei nela, a noite que ficamos de babá... Quem estou beijando?
-Larissa. –Digo depois do beijo. Tapo minha boca com restrição.
-Você está pensando nessa zinha de novo? Porque você não me troca por ela logo? Você me traz aqui, no lago Michigan, e fica pensando nela? Não acredito. Você é um canalha mesmo, James. Eu achei que você tinha mudado e te dei uma segunda chance. Lia estava certa! Você não presta. A tal da Larissa pode ficar com você. VOCÊS SE MERECEM! –Grita Claire. Ela se vira para ir embora, mas puxo seu braço.
-Espera, querida. Não foi isso. Larissa estava com um problema e eu lembrei. Eu tenho que ligar para ela! –Minto.
-Você ainda fala com ela?
-Não abandono meus amigos.
-Sou eu ou ela. Decida. –Ela diz. Todos em volta já nos olhavam curiosos querendo saber o que ia dar.
-Você. Claro que você. –Digo imediatamente. Eu sei que se eu hesitasse, eu iria perdê-la para sempre. Eu amo Clarisse.
-Então me passa esse celular. –Eu tiro ele do bolso e dou a ela. Ela segura ele um tempo. Não sei o que ela está fazendo. Só sei que estamos com os pés dentro de um lago que está ficando gelado, brigando e mexendo no meu celular. Estranho? Claro que não.
-Pronto? –Pergunto quando ela me estende o celular.
-Sim. O celular agora tem um aplicativo que me deixa rastrear suas mensagens, ligações e onde você está 24h por dia. E, claro, apaguei e bloqueei Larissa do seu celular e da sua vida. Mas não é ciúmes, é proteção. –Ela diz sorrindo.
-Oque? E minha privacidade? –Pergunto. –Se eu quiser te fazer uma surpresa de aniversario ou sei lá o que?
-Não gosto de surpresas. –Ela diz cruzando os braços. Me dou por vencido. Ela vai me rastrear e me prender o resto da vida. E Larissa? Como ela fica? Ela precisa de mim para afastar os pedófilos drogados dela! Desisto. Larissa vai acabar partida no meio no mercado negro.
-Mas tipo... Larissa não tem o menor interesse em mim. Ela está saindo com Mark. –Digo.
-Problema dela. Desde que não esteja saindo com você, não é da minha conta. –Ela diz. Saímos da agua. Acabei de assinar um contrato com o demônio?
Vamos para o restaurante mais próximo. Comemos uns frutos do mar bizarros que Clarisse escolhe. Eu não falo durante o jantar, não que isso incomodasse Clarisse tanto assim. Ela ama falar e ser o centro das atenções. O melhor é fingir que escuto e pensar em um jeito de conseguir me comunicar com Larissa.
-Então eu estava em Seattle, e tinha aquela mulher. Odeio ela. Ela queria me arrastar para Portland por uma semana. Minha madrasta acha que manda em mim. Eu não fui para Portland e ainda voltei para Chicago! Chupa isso, Morgana!
-Aham.
Larissa é bem inteligente. Eu poderia mandar umas mensagens de um outro telefone. Ou conseguir que ela troque de telefone.
-Mas tem o meu meio irmão, Bernardo. Ele é super fofo. Tem sete anos. Ele me disse que tem uma namoradinha na escola. O nome dela é Samantha. Tipo, super fofo! Eu acho que Morgana deveria dar mais atenção a ele. Ele é tão inteligente.
-Sim.
Poderia mandar cartas. Os correios não ficam longe de casa. E também poderia ir na casa dela sem meu celular. Mas ela estranharia minha falta de movimento. Eu poderia manda-la mensagens por Mark e Bob. Em Morse! Morse é o segredo da humanidade. Clarisse nunca vai saber o que quer dizer.
-E chegou um garoto um dia desses, ele era super nerd. Ele veio na minha casa, se humilhou total. Pediu ao meu pai para sair comigo, me comprou um colar, flores e tudo mais. Super feio. E ai eu sai do meu quarto quando o maldito do meu pai estava consentindo e disse: “Nem vem. Não vou sair com esse nerd feio. Prefiro James.” E ai todos se calaram e o cara foi chorando para casa.
-É... Legal.
Larissa vai receber mensagens em Morse pelo correio e vai me encontrar em algum lugar para que eu possa explicar direito. Esquema ninja ativado!
-Amor? –Ela chama.
-Aham. –Continuo concordando sem pensar.
-Amor?? –Insiste.
-É.
-AMOR!? –Ela grita me trazendo de volta para a terra.
-O quê?
-Você não acha que esse camarão está uma delícia? –Pergunta.
-Sim. –Respondo.
-Porque você me trata assim?
-Assim como?
-Com monossílabos. Você não quer minha companhia. Você já deve estar cansado de mim. Você me traiu com outra garota quando eu não estava aqui? É isso. Você não me quer mais e está pensando em como me dizer!
-Não, querida. Eu estou meio aéreo. É que eu estou pensando no... –Penso por um tempo. No que eu estaria pensando? –No nosso aniversario de... –Não lembro de quantos anos.
-De três anos? –Ela pergunta com as sobrancelhas arqueadas. –É. Andei pensando nisso também. Falta pouco tempo. Vamos trocar presentes!
-Sim. –Eu digo nervoso. Não faço ideia de que dia é nosso aniversario. Não lembro!
Pensa. Pensa. Pensa...
-Certo. Você vai me levar no seu lugar favorito no mundo. E então eu vou te levar no meu lugar favorito. E ai vai ser perfeito.
-Certo. Eu te amo muito, sabia? –Digo tentando distrai-la para que não pergunte a data.
-Eu também te amo. Quero ir para casa. –Ela diz como uma criança mimada.
-Certo.
Peço a conta e partimos do Lago Michigan. Claire parece bem contente com o dia. Ela conseguiu fazer muitos dramas, acho que ela ama isso. Chego na porta da casa da mãe dela e a dou um beijo de leve. É uma pena que a gente não ficou na minha casa... Ia ter menos conversa e a tensão não existiria.
Lembro da festa que vou com Larissa. Não passei o código!
Dirijo para casa às pressas. Nove da noite. Tenho tempo.
Mando o e-mail com o código em Morse, Claire não tem como ver meu e-mail. E hoje ainda vou poder tentar explicar tudo à Lari. O código é Banana de Festa Feliz. Estupido, eu sei. Matte e Kevin, os irmãos estupidez. Mas eles dão boas festas.
Larissa responde o e-mail pelo celular:
“Estou com Mark ainda no restaurante. Resolvo o código quando chegar em casa. Você não vai acreditar no que vou te contar. Me busque as onze na porta de casa com Annie e Mark. Pode ser? Beijos.”
Não respondo o e-mail. Não tenho nada para fazer até as onze. Que beleza. Pego um livro na minha estante e tento me entreter. É difícil reler um livro sabendo que tem milhões de livros de que não li e que poderia estar lendo. Mas é assim quando não se tem tempo de ir à livraria. O livro fala de Semideuses, monstros e todo o tipo de coisa. Se chama Percy Jacson E O Ladrão de raios. É interessante como leitura. Fico curioso para saber o que acontece no próximo, mas não existe uma livraria que tenha o tal do Mar De Monstros.
Leio até eu perceber que estou atrasado. O livro prende bem a atenção. Pego as chaves do carro. Hesito quando tiro o celular do bolso. Eu o deixo? Sim, claro. Se não Claire vai me perguntar onde estou. Mas se ela ligar? Estou dormindo. E se ela vier aqui em casa...? Seja o que Deus quiser.
Saio com o carro maneiro do Papai e chego na porta dez minutos atrasado.
-Atrasado. Quem diria? –Pergunta Larissa. Ele está enroscada no braço de Mark com um ótimo humor.
-Oi, emo sem piercings. –Diz Annie. Ela está linda com mini shorts e um top minúsculo. Essa daí gosta de provocar.
-Oi puta não paga. –Respondo. –Como foi o encontro? –Pergunto a Larissa que estava ainda enroscada em Mark no banco de trás. Dou partida no carro.
-Hum... –Larissa hesita. –Foi demais. Tipo, fantástico. Eu me pergunto quanto tempo ele passou planejando isso. Foi tudo tão bem calculado.
-Bob me deu uma mão. Que bom que gostou. –Ele diz a dando um beijo leve na boca. Pelo jeito ao menos alguém se deu bem essa noite.
-E você fez o que? –Pergunta Annie.
-Saí com Clarisse. Ela colocou aquele aplicativo do Bob no meu celular. E te bloqueou, Larissa.
-Vadia! –Ela grita.
-Ei! É minha namorada. –Protesto.
-Desculpa. –Ela diz.
-Cara, que vaca. Onde eu arrumo esse aplicativo? –Pergunta Annie.
-Pede para o Palito de Fosforo. –Responde Larissa.
-Oh, esquece. –Ela desiste.
-Meu encontro com ela foi uma droga. Eu amo ela... Mas ela é um grude. –Digo sem tirar os olhos da estrada.
-Termina com ela e fica com a Larissa. Ponto final. –Annie dá a ideia.
Freio bruscamente com um susto.
Não parece má ideia -Penso por um segundo
O quê? Quem eu estou querendo enganar? Eu amo Clarisse! –Penso por outro segundo. Sacudo a cabeça me tirando dos pensamentos.
-Ei! –Mark protesta com raiva. – Lá vem...
-Eu não vou namorar com James com esse Deus italiano aqui de jeito nenhum. –Larissa diz. Me sinto mal como se tivessem me socado no estômago. Essa é difícil de engolir. Respiro e continuo a dirigir.
-James se sentiu mal, Larissa. –Diz Annie. É engraçado como ela sabe o que a gente está sentindo.
-Nada. Clarisse é bem mais do que eu, ele não tem porquê se sentir mal. –Ela diz. Eu não tenho certeza do que sinto, mas algo me diz que ela está mais errada que certa. Não posso pensar assim.
-Eu não acho. Eu prefiro você. –Mark diz. Sinto uma pontada no peito. Eles estão juntos. A ficha cai. Eles podem não estar namorando, mas eles estão muito juntos. E eu vi que eles se beijaram. Como eu não notei? Eles estão juntos. E eu estou com Clarisse. O que tem de errado? Parece que tudo. Sacudo a cabeça de novo. O que tem de errado comigo? Essa é a pergunta de ouro.
-É melhor que prefira. –Lari diz sorridente.
Fale com o autor