Bad Luck ?

1 O mais azarado, ou nem tanto. A reviravolta !


Nome: Toroki Kiriyomo.

Sexo: Masculino.

Idade: 16 anos.

Cabelo: verde-escuro.

Olhos: Negros.

Porte físico: Médio.

Pele: branca.

Tipo sanguíneo: O-.

Sem piercings.

~#~#~#~

Nome: Kiyomi Natsumi.

Sexo: Feminino.

Idade: 16 anos.

Cabelo: azul.

Olhos: verdes.

Corpo: definido.

Pele: branca.

Tipo Sanguíneo: A+.

Dois piercings no queixo.

~#~#~#~

Hoje terei mais um dia tedioso e desanimador com uma rotina ridícula que é mais ou menos assim: acordar com minha mãe reclamando, escola, casa, computador enquanto minha mãe reclama, cochilo, banho com minha mãe reclamando, dormir. Meu colégio se chama Homotome, é um tanto "famoso" por dizerem que é rígido e que lá se tem um estudo de primeira. Tudo mentira, porque é a mesma coisa que todas as outras escolas. Professores doidos, alunos idiotas e recreios com rodinhas separadas por estilos, como nerds, emos, valentões, jogadores, otakus, riquinhos e por aí vai.

-Vai Kiriyomo, levanta! — minha mãe jogou um livro na minha cabeça da porta! — Anda que você tá atrasado!

-Itaaai! Eu já ouvi Kiriyomo-obasan. — ela saiu do quarto.

Meu nome é Kiriyomo Toroki, e minha própria mãe me chama pelo sobrenome, mas, eu sei que ela me ama. Tanto que, se acontecer de eu morrer algum dia, no meu enterro, ela provavelmente diria: "Ele morreu? Meu filho morreu?! Ainda bem! Agora tenho uma boca a menos pra alimentar.".

Aqui na escola não é muito diferente. Não tenho amigos, não converso com ninguém, não gosto de falar com pessoas novas e ainda ganhei um apelido dos valentões por causa do meu cabelo.

-E aí, Graminha!

-Ei, Graminha, na saída vou te carpir! kkkk'

-Vou quebrar tua cara, mané!

-Foda-se. — cochichei pra mim mesmo, mas ninguém ouviu.

Já até acostumei e, quer saber? Não ligo. Apanhei tantas vezes sem ter feito nada... E, se fosse só um eu aguentava brigar mas, eles vem em grupinhos de cinco ou mais e não tem nem como eu resistir. Coloquei meus pequenos fones de ouvido, aumentei o volume no último e comecei a ouvir Slipknot. Aqui no colégio eu fico o tempo todo com meus foninhos pra não ter que ouvir as zoações dos outros.

Entenderam? Minha vida é uma completa bosta! Meu pai morreu, minha mãe me odeia, no colégio eu sou um saco de pancadas, não consigo arrumar um emprego e ainda gosto da Natsumi Kiyomi, uma garota da minha classe que nem sabe que eu existo! Acho que se eu fosse uma garota, seria igual a ela. Kiyomi é quieta, sem amigos e fica de boa na dela, a única diferença é que, ao contrário de mim, ninguém mexe com ela. Ela tem os cabelos azuis e compridos, lisos mas nas pontas tem alguns cachos. Olhos verdes, pele claríssima, com dois piercings no queixo, magra e com um corpo perfeito. Ela é a metaleira dos sonhos de qualquer cara! Ela sempre está com fones de ouvido igual ao daqueles Deejays. Manolo, a Kiyomi é perfeita!

-Kiriyomo? — a professora fazia a chamada.

-Aqui. — respondi erguendo a mão.

Eu me sento na última carteira da fileira ao lado da janela. Aqui eu posso ouvir músicas, dormir e desenhar sem os professores ficarem enxendo o saco.

Demorei um pouco pra sair da sala na hora do recreio e todas as mesas do refeitório estavam cheias. Avistei um lugar vazio, mas me parecia perigoso sentar lá. Não por ser perto dos valentões mas por ser ao lado dela. Me aproximei com cautela, Kiyomi estava de cabeça baixa lendo um livro, seu fone estava no pescoço. Ajeitei minha toca, deixei apenas um foninho na orelha e, por fim, sentei. Na hora senti um cheiro muito bom de perfume exalando por ali, era um perfume feminino. Coloquei um de meus cotovelos na mesa e apoiei minha cabeça, fiquei olhando pro nada e, vez ou outra, eu tentava espiar de canto as ações da Kiyomi.

-Cuidado! — ela disse, com quem a Kiyomi tá falando?

-Graminha! — senti um soco forte em meu braço. — Eu tenho um trabalho de física e, como você é um cara firmeza, vai fazer pra mim, né?

Olhei pra trás e me deparei com um dos valentões sorrindo mas, para minha surpresa, ele estava sozinho. É mesmo! Hoje ia ter um jogo de futebol americano fora da cidade e ele é o único que não foi por ter quebrado a mão esquerda. Voltei a virar pra frente, entrelacei minhas mãos em cima da mesa e disse firme:

-Não.

-Como é?! — ele ficou sério e bravo — Repete se for homem!

Olhei pra Kiyomi, ela continuava lendo. Encarei o cara e novamente disse:

-Eu disse não.

-Otário! — ele veio me dar um soco na cara, desviei.

-Você não parece tão bom sem seus amiguinhos perto, hn? — fui pra dar um soco, iria pegar no estômago dele mas, alguém segurou meu pulso.

-Barulhentos. — disse Kiyomi fechando seu livro, era ela quem havia segurado meu soco — Cai fora Honno.

-S-sim, Natsumi! — o valentão saiu correndo?!

-Por que me segurou?!

Bateu o sinal. Ela soltou-me e juntou suas coisas, passou ao meu lado e disse:

-Depois, você é quem apanharia quando todos voltassem. E eu não quero isso. — ela saiu andando.

-Kiyomi... — cochichei.

Na classe, comecei a pensar no ocorrido e por fim, tomei minha decisão: eu iria agradecê-la. Mas, eu não tenho coragem suficiente para falar com ela. Eu sou um fracasso como pessoa. Nasci em época errada, é por isso que minha vida é um desastre e eu sou um cara completamente azarado... Hn, já sei!

-É isso. — falei num fio de voz, peguei uma folha e um lápis.

Na saída, peguei minha mochila e corri para alcançá-la.

-Kiyomi! — gritei.

Droga, ela está com seu fone e não tem como eu passar por esta multidão! Eh, o jeito é entregar isso aqui pra ela amanhã. Guardei o papel em meu bolso e comecei a andar.

Chegando em casa, peguei uma maçã na cozinha e subi pro meu quarto. Enquanto o computador ligava, eu tirei minha roupa e coloquei somente uma bermuda. Deixei meu Ipod em cima da cama, junto com minha mochila. Sentei na minha cadeira giratória e passei a mão em meus cabelos, os bagunçando. Estralei os dedos e entrei em minha conta do Ragnarok.

-KIRIYOMO!! JÁ CHEGOU NÉ??! — minha mãe abriu a porta — Eu sabia! Olha a bagunça desse quarto! Toma vergonha na sua cara, idiota! Eu sempre faço tudo aqui! Além de eu ter que ir trabalhar naquela droga de empresa, ainda fico arrumando essa maldita casa!

-Hn.

-Arrume isso agora! Que droga! — ela fechou a porta e se foi, gritou — E FAÇA ALGO ÚTIL, VÁ PROCURAR UM EMPREGO!!

-Hn, isso é um saco. Ah, consegui ficar full em agilidade!

Agora são duas e meia, fiquei um bom tempo jogando e nem vi as horas passando. Bocejei, coloquei música no computador, desliguei a tela, joguei minha mochila no chão e guardei meu Ipod no criado-mudo, deitei na cama e dormi.

Abri meus olhos, ainda era dia. Me levantei e tomei uma ducha rápida. Coloquei uma blusa de frio alaranjada com uma blusa preta por cima, calça jeans, tênis e toca preta. Tirei o material da mochila e coloquei minha pasta com meus desenhos lá, junto com o estojo. Mexi na minha outra calça e peguei o papel de hoje cedo, coloquei a mochila nas costas e saí de casa. Meu destino? Boa pergunta.

Parei no parque da cidade, não tinha muita gente lá porque o tempo estava fechado. Andei mais um pouco e vi uma vista perfeita para um lago no fim do parque. Sentei embaixo de uma árvore, peguei minha pasta como apoio para minha folha sulfite, apanhei meu lápis e deixei a borracha ao meu lado, coloquei meus fones e liguei meu Ipod, estava tocando uma música da banda Zebrahead. Fiz os primeiros traços. Eu pretendia desenhar o lago à minha frente, o céu nublado e duas crianças brincando com uma bola do outro lado do lago, era o que eu estava vendo no momento.

Terminei. Tirei meus fones e estralei meus dedos. Levantei um pouco a folha e a olhei.

-É, até que não ficou ruim. — ãn? Olhei pra trás e Kiyomi estava agachada ao meu lado com seu rosto ao lado do meu, assustei.

-K-Kiyomi-san... — abaixei minha cabeça.

-Seu desenho ficaria melhor se você pintasse. Assim ele fica um tanto... Nostálgico.

-Hn, sou péssimo com cores. Não sei pintar. — mexi em meu bolso e peguei um papel dobrado, entreguei pra ela.

-O que é isso? — ela disse e se levantou, desdobrando o papel em seguida.

-Um desenho. Não sabia como agradecê-la sobre hoje de manhã. Não te encontrei na saída então iria te entregar amanhã.

-Obrigada. Oh, sou eu. Ficou parecida comigo mesmo! Se você soubesse pintar, seus desenhos ficariam perfeitos! — aham, tá bom. ¬¬

-Então eles nunca ficarão. Odeio pintar...

-Você tem lápis de cor aí?

-Tenho só uma caixa de doze lápis.

-Serve, me empresta. — ela sentou-se ao meu lado, lhe entreguei a caixa, ela pegou minha pasta e o desenho que eu tinha acabado de fazer — Se você pegar um lápis, consegue tirar uns três tons dessa cor, como estou fazendo com o azul no lago. E, — Kiyomi fez uns traços diferentes — se fizer assim, o lago parece estar em movimento.

-Hn. Você sabe pintar. — fale algo melhor, idiota!

-É, mas sou horrível em desenhos! — ela ainda pintava meu desenho.

-Desenhar é mais facil que pintar.

-Pode apostar que não! Quem pinta tem que ter muita paciência, porque demora pra ficar bem feito! Olha, até agora, só pintei um pedacinho do lago! — Kiyomi me mostrou o desenho.

-Ficou bonito. — senti cair uma gota d'água em minha mão — Droga!

-O quê? — peguei meu desenho, minha pasta e todas minhas coisas, guardando na mochila em seguida — O que foi?

-Vai chover. — me levantei, ela riu.

-Parece que seus desenhos são seu bem mais precioso. Não é?

-É sim, bem, mais ou menos. — sorri meio sem graça, fiquei um pouco corado, começou a chover muito forte — Hn...

-Chuva! — ela levantou e tirou seu fone do pescoço, junto com o seu Mp4 e os colocou dentro de minha mochila, saiu correndo pra chuva em seguida.

-Ei, o que está fazendo?!

-Tomando banho de chuva! — ela ria, cara ela é muito foda!

-Hn. — sentei embaixo da árvore.

-Nada disso! — ela veio até mim, tirou minha toca e a mochila — Você também vai se molhar!

-Não... — passei a mão em meu cabelo, o bagunçando.

-Vem logo! — ela pegou em minha mão e me puxou, fiquei um pouco vermelho.

-T-tá. — guardei meu Ipod na mochila e tomei fôlego pra sair na chuva, mas amarelei — Ah, não vou não. — caminhei para perto do tronco da árvore.

-Vou te molhar então! — ela pulou em minhas costas, Kiyomi estava encharcada!

-E-ei! — desequilibrei e quase caí.

-Está bêbado? Ou sou muito pesada pra você? — ela começou a rir.

-N-não é isso! E-eu escorreguei na grama molhada.

-Ah, certo. Você já tá quase todo molhado! Sai logo daqui debaixo! — ela correu pra chuva e começou a rodar com os braços erguidos.

-Certo. — fui pra chuva e fiquei de cabeça baixa — Que chuva fria!

-Daqui a pouco você acostuma! — Kiyomi caiu sentada no chão — Opa!

-Machucou?!

-Eu só tô tonta. Mas tudo bem! — ela se levantou.

-Kiyomi, porque me ajudou?

-A pintar?

-Com o Honno.

-Achei que eu poderia conversar com você depois de te ajudar.

-Hn. — ela se aproximou e me deu um peteleco na testa.

-E parece que deu certo! Agora eu tô tomando chuva e rindo! Tu sabe quanto tempo faz que eu não rio?!

-Tipo uma amizade? — a chuva foi ficando cada vez mais fraca, até parar.

-Se você quiser chamar assim, tudo bem! Não entendo sobre amizades. — Kiyomi sorriu.

-E-eu também não. A única amizade que eu tenho é com um char de jogo online. Conto todas as minhas coisas para aquele char.

-Jogo online? Qual?

-Ragnarok.

-Sério?! — ela parecia surpresa.

-Hn, por que?

-Char de uma maga, nível 122, com o nome Atha?! — Kiyomi me chacoalhou pelos ombros.

-É... E-ei, como você sabe?

-Ele disse que gostava de uma garota do colégio, com um fone? — ela cochichou.

-Ãn?

-E-eu sou... A única... Com--

-E-ei, e-espera! N-não me diga q-que você...

-Esse é o meu char, lá sempre converso com um mestre-ferreiro...

-Ah, droga! — novamente baguncei meus cabelos, virei de costas e peguei minhas coisas, cochichei e saí andando — Não acredito que era ela... Que eu contei tudo pra ela. Merda!

-Kiriyo-- Toroki. Toroki! — Kiyomi correu e me segurou pelo braço, parei de andar.

-Me deixa...

-Sabe porque eu realmente falei com você?

-Hn. — eu evitava olhá-la.

-O mestre-ferreiro uma vez me disse que eu devia correr atrás do que queria... Acho que ele lembra dessa conversa, porque falamos sobre isso ontem.

-C-como? — virei para olhá-la, Kiyomi abaixou a cabeça e respirou fundo.

-As conversas que eu tinha com o mestre-ferreiro... Eram todas sobre um cara da escola... E... E eu não aguentava mais ver esse cara apanhando e sendo zoado sem motivos... Por isso parei ele hoje de manhã... — encarei-a, eu estava confuso — Pra depois ele não ficar machucado igual todas as outras vezes... Eu... Passei a tarde o observando e vi que ele faz desenhos perfeitos... — n-não, e-ela tá falando de mim mesmo?! — Depois, tomamos banho de chuva e ele me fez rir e--

-V-você tá chorando? — levantei o rosto dela com minha mão, seus olhos estavam marejados.

-Né?! Desculpe, mestre-ferreiro... Mas são lágrimas de alegria.

-Por quê?

-Porque uma vez o mestre-ferreiro me disse que gostava de uma garota do colégio dele, uma que usava fone grande, e... A única que usa isso na nossa escola--

-É você. — eu disse completando — Magas parecem ser tão fodas e insensíveis, mas você tá muito chorona pra uma maga...

-Besta... — ela me abraçou com o rosto em meu peito, fiquei sem reação.

-K-Kiyomi...

-Mestre-ferreiro--

-N-não me chame assim... — deixei meus braços soltos.

-Toroki, então?

-Hn, melhorou. — ela levantou o rosto e me deu um beijo calmo e ao mesmo tempo gostoso, voltando a me abraçar logo depois.

Fiquei muito vermelho! Eu não tinha nem ideia de como reagir, estava completamente imóvel! Um jogo, uma coincidência e no fim deu nisso. Sorte? Não é possível, eu sou o cara mais azarado do mundo!

-Kiyomi. — porque eu a chamei?

-Fala...

-Temos que ir, senão ficaremos resfriados. — PORQUE ESTOU REPREENDENDO ELA??! — Hn, esquece o que eu disse! — a abracei forte.

-Ãn... Talvez eu tenha pensado errado, Toroki... Acho que você não gost--

-N-não é isso! É que... E-eu sou meio d-desajeitado com mulheres...

-Ah, entendo. — ela se soltou de mim e sorriu.

-Hn, isso é estranho... — enxuguei suas lágrimas com a manga da blusa de frio.

-O que?

-Eu sou azarado.

-E?

-E... Que a garota que eu gosto deveria me odiar! Mas, é o contrário. Hoje o dia foi muito estranho e ao mesmo tempo foi o melhor. Um dia estranhamente bom!

-Talvez a chuva tenha levado seu azar. — deixei minha mochila cair no chão e soltei a toca.

-Então, talvez eu devesse tomar chuva mais vezes!

-É, talvez! — ela começou a rir e me empurrou, caí deitado no chão.

-Nossa, já escureceu... — ela deitou ao meu lado e apoiou sua cabeça em meu braço — Talvez eu não seja tão azarado assim.

-Talvez, talvez, talvez... Tá, talvez você pode ser além de azarado, idiota! Por dizer que gosta de uma garota estranha como eu.

-Chega de 'talvez'. Cansei dessa palavra. — cansei dessa palavra? Elogia a Kiyomi idiota!

-Toroki, — ela levantou a cabeça e apoiou o cotovelo no chão, me fitou nos olhos, desviei meu olhar e observei o céu, ela novamente sorriu — porque você é tão vergonhoso? — boa pergunta.

-Isso é um defeito meu.

-É tão fofo! — ela passou sua mão macia em meu rosto e me fez olhá-la.

-Hn. — Kiyomi se inclinou e me beijou — Virei o cara mais sortudo do universo. — ela abriu um sorriso.

-Olha! Uma estrela cadente! — ela apontou — Rápido, faça um pedido!

-Não preciso, já consegui o que eu mais queria. — ela começou a rir.

-Toroki, você será o primeiro a ouvir o que vou falar pois não consigo mais guardar pra mim...

-Hn.

-Prometa que continuará do mesmo jeito comigo e que não contará pra ninguém.

-Pra quem eu contaria? Pra maga do Ragnarok?

-Okaay, — ela novamente riu — eu... Mato pessoas.

-Ãn?

-Brincadeira! — ela ria sem parar.

-Boba!

-Agora é sério, você será o primeiro a ouvir isso saindo da minha boca.

-O que?

-Aishiteru... — Kiyomi me abraçou forte.

-I-Idem, Kiyomi... Idem. — beijei sua bochecha.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!