Bad Girl II
21 Capítulo 20
Dizem que um novo dia é uma nova chance para recomeçar. No meu caso, eu só gostaria de poder ficar na cama, pois o dia de hoje prometia ser uma tortura. Como se não bastasse ser segunda-feira (e uma segunda pós-bebida), eu ainda iria ter que encontrar Adam para assinar os malditos documentos que ele tanto queria. Ou seja, era o dia da minha queda. Ou talvez eu apenas estivesse sendo dramática em excesso. Em todo caso, ver o Adam não ia ser o ponto alto do meu dia, e saber que ele passaria a controlar a empresa praticamente sozinho era uma das piores notícias que eu poderia dar a mim mesma, ao me saudar nesta manhã.
Cheguei na faculdade faltando pouco tempo para o início da primeira aula. Meu celular apitou com uma mensagem de texto no momento em que eu estava para entrar na sala de aula.
Acordar sem você ao meu lado é chato. Saudades
Could podia estar até sendo fofo, mas eu não estava num humor muito amigável esta manhã.
Não está muito cedo para toda esta melação, Could?
A resposta dele chegou logo em seguida:
Pensei que tinha amolecido seu coração nesse fim de semana, minha nervosinha.
Revirei os olhos enquanto escrevia uma resposta.
Não há como mudar a essência de uma pessoa. Indo para a aula agora, nos encontramos depois do último horário?
Guardei o celular na bolsa e entrei na classe, nenhum pouco preparada para quase duas horas de chatice. Se eu tivesse sorte, conseguiria dormir boa parte da apresentação.
O dia se arrastou miseravelmente, cada aula mais prolixa que a outra. Ver a luz do sol do lado de fora era como ser libertada após cumprir uma sentença na prisão.
— Será que posso dar uma palavrinha com você?
Juro que meu coração foi na boca e voltou, tamanho o susto que levei. De onde essa criatura surgiu que eu não percebi?
— O que você quer, Stefany? Eu tenho um compromisso, não tenho tempo para ouvir suas ladainhas. – Falei enquanto continuava a andar. Eu não ia interromper o que tinha para fazer por causa dela.
— Could alterou o status de relacionamento no Facebook. – Ela acompanhou meu passo, não pegando a dica de que eu não queria conversar.
— E o que eu tenho a ver com isso? – Finalmente parei por momento, e fiz-me de desentendida.
— Não finja que não sabe de nada! Ele marcou que estava em um relacionamento sério com você!
Realmente, Could não perdeu tempo mesmo. Precisava mudar o status de relacionamento com dois dias de namoro?
— Não vejo como isso possa ser da sua conta. Eu te disse uma vez, Stefany, que você não era concorrência para mim.
Voltei a caminhar, mas ela teve a audácia de segurar meu braço, para me impedir de continuar.
— Tudo isso não passa de um jogo para você, não é? Ficar com dois dos caras mais desejados da faculdade? Qual vai ser o próximo passo, ficar com o Jack também?
— Largue o meu braço, Stefany, antes que eu faça um escândalo aqui e você arrume problemas na Reitoria. – Ela soltou meu braço, entretanto, se manteve onde estava. – Eu não me importo com o que você pensa, não dou a mínima mesmo. Mas coloque uma coisa na sua cabeça: o Could é meu, meu namorado, e isto não vai mudar, por isso tire da cabeça qualquer ideia absurda de que ele pode ser seu.
Deixei ela ali, me encarando com uma expressão lívida e segui em direção ao estacionamento. Contudo, não consegui ir muito longe antes de ter meu caminho interceptado novamente.
— Anika! – Continuei andando, fingindo que não tinha o ouvido. – Que droga, será que dá para você parar e me escutar? – Senti uma fisgada em meu braço, e tive que parar abruptamente. Parecia que hoje era o dia para pessoas indesejadas ficarem agarrando meu braço. Mas que inferno!
— O. Que. Você. Quer? – Questionei pausadamente. Minha voz transmitia a raiva que sentia. – E solte o meu braço, eu não quero ter que fazer um escândalo. – Sibilei. Olhei ao redor, para ver se havíamos chamado atenção de alguém. Eu não queria servir de entretenimento, nem tampouco fofoca, para o pessoal da faculdade.
Ele soltou seu agarre, mas não permitiu que eu saísse, pois continuou bloqueando meu caminho.
— Eu só quero conversar, pedir desculpas pela outra noite. Eu estava fora de mim, aquilo foi o álcool falando. Eu jamais trataria você daquele jeito estando sóbrio. – Desculpinha esfarrapada! Que mania os homens tinham de colocar culpa no álcool para encobrir seus erros. O álcool apenas retirava as inibições humanas, permitindo fazer aquilo que em estado sóbrio nos controlávamos para não fazer. Will me bateu e tentou fazer sexo comigo à força porque já era predisposto a isso, já que era um rapaz mimado, que não sabia aceitar um “não” como resposta.
— Se eu estivesse interessada nas tuas desculpas, teria respondido alguma das trocentas mensagens que me enviou. Se eu não te respondi, é porque queria deixar bem claro que não quero ter mais nada a ver com você. Agora, se me dá licença... – tentei passar por ele novamente, mas não obtive sucesso.
— Eu não posso acreditar que você vai jogar fora tudo o que estávamos construindo por causa de um erro bêbado!
E eu não podia acreditar que estava ouvindo isso! Tive que me controlar para não rir, pois o que ele acreditava que estávamos construindo?
— Primeiro de tudo, Will, não estávamos construindo nada, não sei de onde tirou isso. E mesmo se houvesse algo entre nós, teria morrido naquela noite, quando tentou me forçar a fazer algo que eu não queria.
— Algo que você não queria? – Ele riu. – Você me deu todos os indicativos de que queria, eu só estava acabando com sua frescura em negar.
— Seu idiota! – Ergui minha mão e com muita vontade o esbofeteei, descontando toda a fúria que sentia. – Como você ousa dizer algo assim?
Ele fechou os olhos com força e respirou fundo.
As chances de ninguém prestar atenção haviam ido para o espaço depois disso. Não queria nem olhar de lado para saber quantas pessoas estavam nos observando agora.
— Só irei tolerar este tapa porque vejo que você está alterada, mas nunca mais me bata, entendeu?
— Se eu puder, nunca mais olho na tua cara, imbecil!
— Ora, vamos, não fique toda bravinha comigo, gatinha. Só estou tentando fazer as pazes com você pelo bem do nosso relacionamento.
Relacionamento? Will só podia estar louco.
Onde Could estava? Nós havíamos combinado de nos encontrar no estacionamento após a última aula, mas até agora nada de ele aparecer. De fato, eu não precisava de um cavaleiro de armadura brilhante para me defender do Will, só que seria bom ter o apoio moral do meu namorado enquanto eu me livrava de um problema.
Já estava decidida a fazer uma saída teatral, para me livrar do Will, mesmo dando mais munição para os fofoqueiros de plantão, quando Could surgiu do outro lado do estacionamento. Provavelmente ele estivera me esperando próximo ao meu carro, e como não apareci, veio atrás de mim. Finalmente!
— O que você está fazendo aqui, tão próximo da Anika, McCoy? – Could indagou, se pondo ao meu lado. – Pensei ter deixado claro na outra noite que nunca mais deveria chegar perto dela.
— Nada que seja da sua conta, Montgomery. – Will retrucou, com desdém. E não espere que siga o que você me diz para fazer.
— Se envolve minha namorada, então é da minha conta sim, por isso é melhor passar a levar em consideração o que digo a você.
Will recuou um passo, como se tivesse levado um soco.
— Você está namorando com ele, Anika? O que ele disse é verdade?
— Nós estamos namorando, sim. – Passei um braço pela cintura de Could e ele envolveu meus ombros com um dos braços.
— Mas eu pensei que nós...
— Pensou errado. – Could o interrompeu. — Anika é minha namorada, e se eu o vir perto dela novamente, não responderei por mim!
Após isso nós nos afastamos e seguimos em direção ao outro lado do estacionamento. Quem diria que eu entrar em um relacionamento com outro cara, o cara que eu amava, seria uma forma de também conseguir a vingança que eu tanto queria? O ego de Will havia sido tripudiado, quando eu menos tive a intenção de fazer isso.
— Anika, quero que me prometa que não vai mais falar com o Will. Depois do que ele te fez... – Could disse assim que chegamos até onde havia deixado meu carro estacionado.
— Ei, calma aí, Sr. Mandão! Do que depender de mim, eu nunca mais olho na cara daquele idiota. – Falei acariciando seu pescoço, para deixá-lo relaxado. – Tenho certeza que hoje dei um espetáculo e tanto para a faculdade depois do tapa que dei no Will.
— Sério que você bateu nele? – Seus olhos brilharam com malícia. – Não acredito que perdi essa parte.
— Deixa de ser besta – bati de leve em seu braço.
— Mas falando sério, amor, quero que você o evite o máximo possível. Claro, isso se quiser evitar que eu seja preso, porque se eu o vir de novo tão próximo de você, não sei se dessa vez o deixarei sair vivo.
Olhei para o céu, pedindo paciência.
— Não faça tanto caso disso, ok? Eu já te disse que não irei chegar mais perto dele, então relaxe aí.
Ele suspirou e me abraçou.
— Eu me preocupo com você, e o Will não é confiável.
— Eu sei, Could. Eu sei. Será que podemos mudar de assunto agora? Quem sabe para algo mais agradável?
— Claro, também não quero perder meu tempo falando sobre aquele babaca. – Abri a porta do carro e coloquei minha bolsa no banco do passageiro. – Tem certeza de que não quer que eu vá com você encontrar o Adam?
— Pensei que eu tivesse dito um assunto agradável – reclamei, quando me virei novamente para encará-lo.
— Desculpe, mas não consegui evitar. Ainda acho que você não deveria ir sozinha encontrá-lo.
— Eu não vou sozinha, já te disse. Shantaw vai comigo, minha ajuda jurídica, por assim dizer, apesar de não precisar agora que o contrato já está pronto. Mas ela vai estar lá para me dar apoio. — Tentei tranquilizá-lo.
— Isso que eu não entendo, Anika. Sou seu namorado, se tem alguém que deveria estar lá te dando apoio era eu.
— Could, eu também gostaria que você estivesse lá comigo, mas essa é minha batalha, você tem que me deixar lutá-la sozinha. Além do mais, pode ser que eu precise agir de um modo um pouco cretino, e isso certamente iria te incomodar. Podemos, por favor, deixar as coisas como estão? — Dei um beijinho no canto de sua boca, tentando amenizar as coisas.
Ele suspirou, resignado.
— Que escolha eu tenho, não é mesmo? Não há como argumentar com você quando coloca uma ideia na cabeça.
— Ainda bem que você já sabe. — Afastei-me um pouco dele e conferi a hora em meu relógio. — Preciso ir agora se não quiser me atrasar. — Dei um leve beijo em seus lábios, entretanto, ele não deixou que me afastasse, aprofundando o beijo um pouco mais.
— Você ainda vai direto para meu apartamento, quando sair de lá?
— Claro que sim. Se houver alguma mudança de planos, te envio uma mensagem, ok?
— Certo. — Nos afastamos com relutância e eu entrei no carro.
*** * ***
— Será que você poderia melhorar um pouco essa cara? – Aprofundei minha careta, se é que isso era possível.
Shantaw e eu estávamos aguardando meu queridíssimo irmão chegar ao quarto do hotel que havia reservado para que a assinatura da transferência das ações fosse feita. Eu já estava esperando o idiota há quase uma hora e minha paciência tinha sido enviada para o espaço quando ele não tinha chegado nos primeiros vinte minutos de espera.
— Não, Shantaw, não posso.
— Anika...
— Não, Shantaw. Não comece. – Quando se tornou claro que Adam iria se atrasar, Shaw começou a arrumar desculpas para ele ainda não ter aparecido. — Só porque você tem uma paixonite pelo idiota do meu irmão, não quer dizer que não possa ver o que ele fazendo comigo! Tenho certeza de que ele planejou me fazer esperar por horas, para que meu estresse extrapole os limites. De que lado você está, afinal de contas? – Questionei, irritada.
— Eu sou sua amiga, estou do seu lado, é claro. Só o que estou tentando fazer é te ajudar. Todo esse estresse não vai te fazer bem. Se o Adam quer te atingir, o que você deve demonstrar é que ele não conseguiu, e não o contrário. Isso dará a ele satisfação, e tenho certeza de que você não quer isso!
Certo. Ela tinha um bom ponto. Contudo, isso não mudava a ideia crescente de que ela secretamente estava defendendo-o. Talvez fosse loucura da minha parte, mas eu não conseguia controlar a direção que meus pensamentos continuavam seguindo.
O som da maçaneta da porta girando fez com que eu ficasse mais tensa do que já estava, na cadeira onde havia me sentado. Shantaw apertou minha mão e se levantou da cadeira em que estava sentada ao meu lado. Puxei-a pelo pulso e a fiz se sentar de novo. Ninguém ia lutar minhas batalhas a não ser eu. Ela só precisava ficar ali para me dar apoio caso eu precisasse, mas de resto, estava tudo bem. Eu sabia me virar. Levantei-me da cadeira e respirei fundo quando ouvi passos.
— Anika – Adam me cumprimentou, quando entrou na sala da suíte.
— Olá, Adam – Sorri friamente.
— Anika, este é Robert Scott, meu advogado. – Ele apresentou o senhor de cabelos grisalhos, que entrou logo após ele.
Dei apenas um aceno de cabeça, reconhecendo sua presença e apertei a mão que ele me ofereceu por mera educação. Os olhos de Adam se deslocaram para trás de mim e sei que foi neste momento em que ele reconheceu a presença de Shantaw na sala.
— E quem é esta bela dama?
Contive minha vontade de revirar os olhos ante sua pergunta.
— Adam, esta é minha amiga Shantaw Anderson, ela faz o curso de direito e revisou os acordos que você tão gentilmente pediu que sua secretária me enviasse.
Ele sorriu para ela, e Shaw apertou a mão que ele ofereceu. Eu nem tinha percebido que ela havia se levantado.
— Tudo bem, será que podemos acabar logo com essa palhaçada? – Falei, impaciente. – Eu tenho coisas para fazer quando sair daqui.
— Eu não quero tomar muito do seu precioso tempo, irmãzinha. Vamos fazer o que viemos fazer, sem mais delongas.
— Como se você se importasse com meu tempo, não é? Me fazendo esperar aqui feito uma idiota por quase uma hora, prova exatamente isso! – Foi impossível segurar e acabei dizendo o que estava entalado em minha garganta.
Ele apenas sorriu para mim, com um ar de vitória. Idiota!
— A versão que será assinada é a que eu mandei revisada, não é? – Shantaw finalmente resolveu se pronunciar.
— Sim, senhorita Anderson, será a versão aprovada pela senhorita Olsen – o advogado do diabo respondeu. – Não faríamos de nenhuma outra forma.
— Será que posso dar uma olhada, antes dela assinar, para que não ocorra nenhum mal-entendido? Apenas para me certificar que está correto?
Vi Adam crispar as mãos, com raiva, e eu fiquei feliz que tinha trazido Shaw comigo.
— Claro, não vejo porque não – o advogado entregou a pasta para minha amiga, que prontamente a abriu e começou a passar os olhos pelas páginas. Ao terminar, ela sorriu.
— Está tudo certo, Anika. Pode assinar.
— Obrigada, Shaw. – Dei um sorriso de agradecimento. Peguei a pasta de suas mãos e a coloquei em cima da mesa, abrindo-a. Peguei a caneta que o advogado me deu e assinei e rubriquei todas as páginas que foram solicitadas, sentindo um mal-estar em meu estômago. Eu realmente estava transferindo todo o poder da empresa para Adam. Logo em seguida, Adam assinou, bem como Shantaw e o advogado dele, que serviram de testemunhas.
Estava feito, eu não podia voltar mais atrás. Agora eu só queria ir embora e ficar nos braços de Could.
— Espero que agora você esteja feliz, Adam, conseguiu o que queria.
— Você não imagina o quanto, Anika. Justiça finalmente foi feita!
— Bem, divirta-se administrando sua preciosa empresa. Eu tenho mais coisas para fazer agora. – Peguei minha bolsa, que havia deixado na cadeira e me dirigi para a porta.
— Pode ir, mas eu gostaria que sua amiga ficasse. Como estudante de direito talvez ela possa me dar uma segunda opinião sobre um acordo que pretendo fazer. – Franzi o cenho e estava prestes a protestar que de jeito nenhum Shantaw ficaria sozinha com ele, quando ela colocou uma mão em meu braço, em um gesto para que permanecesse calada. Eu não podia acreditar que ela seriamente estava considerando isso!
— Sr. Olsen, fico lisonjeada que queira a opinião de uma mera estudante, quando deve ter um escritório de advocacia inteiro a seu dispor para isso, mas receio ter que recusar, tenho um compromisso agora, e não posso me atrasar. Tenho certeza que alguém em seu escritório poderá lhe ajudar. — Fiquei boquiaberta com a resposta que Shantaw deu. Não era à toa que ela era minha melhor amiga! – Vamos, Anika?
— Adeus, Adam – Sorri por cima do ombro, enquanto abria a porta do quarto e saía, tentando controlar o riso.
— Mandou bem, Shaw – elogiei, assim que estávamos mais longe no corredor, indo em direção ao elevador.
— Seu irmão parece pensar que pode ter o que quiser, ele precisava ser colocado em seu lugar. E que desculpa esfarrapada foi aquela? Precisar da minha ajuda jurídica? Fala sério! Eu gosto quando os homens declaram suas reais intenções logo do começo, jogos não são para mim.
Jogos por muito tempo haviam sido meu lema de vida, por isso não disse nada quanto a isso, apenas reiterei que Adam era um idiota e ela riu. Quando chegamos ao lobby do hotel, o manobrista se encarregou de ir buscar nossos carros, primeiro o de Shaw, depois o meu. Havíamos vindo separadas, já que ela estava em casa enquanto eu ainda estava na faculdade, e eu resolvi vir direto de lá e encontrá-la no hotel. Nós nos despedimos e eu fui para a casa do Could.
Os próximos dias se passaram rapidamente, e eu estava cada vez mais feliz com meu relacionamento com Could. Nós nos revezávamos entre os apartamentos um do outro, e desde o dia em que assinei a transferência das ações não tínhamos dormido separados.
— Você acredita que o Adam ligou para a Shantaw ontem à noite? – Estávamos deitados no sofá da sala de estar do apartamento do Could, de modo que tive de me inclinar um pouco para avaliar sua expressão.
— Não sabia que você tinha dado o número da sua melhor amiga a ele. Pensei que não se dessem bem.
— Eu não dei! Aquele ser insuportável conseguiu o número dela de outra forma. Provavelmente rastreou os dados dela, algo do tipo, eu não sei, com ele nunca dá pra saber. Mas o que me incomoda é que ela concordou em sair com ele. Minha melhor amiga vai sair com meu irmão, que eu não suporto!
— Ei, meu bem, fique calma – ele se virou e dei um beijo em minha testa. – Shantaw merece se divertir um pouco, você não acha?
— Sim, merece. Mas será que não podia ser com outra pessoa? Eu tinha ficado tão feliz no dia em que ela deu um fora nele! – falei, lamuriosa.
— Vamos colocar as coisas desta perspectiva – Could se sentou e me puxou para ficar na mesma posição que ele, com seus braços ao meu redor. – Assim como você não gosta do Adam e não quer sua melhor amiga com ele, o Matt, que além de meu primo é meu melhor amigo, não queria que eu namorasse com você. Você acha que seria justo ficarmos separados apenas por causa disso?
Fiquei tensa ao ouvir o nome de seu primo. Could não o havia mencionado desde aquele fatídico dia e eu não tinha nem ideia de como as coisas estavam entre eles; também não havia me importado em perguntar, o que foi muito egoísta da minha parte, pois por minha causa os dois haviam brigado e eu sabia que Could deveria estar sofrendo com isso.
— Você tem uma capacidade épica de me fazer sentir culpada, hein? – Me levantei do sofá e comecei a andar de um lado para o outro no tapete. – Isso não seria justo, porque nós nos amamos. Mas é diferente com a Shantaw e o Adam. Ele apenas gostou do que viu no exterior dela, porque quer apenas sexo casual! Ela merece mais do que isso, mas quem sou para julgar as escolhas alheias, não é mesmo?
— Exatamente, Anika. Você não pode julgar as escolhas de ninguém. Deixe a Shantaw sair com o Adam, e vamos ver no que vai dar. Agora, volta aqui – pegando minha, ele me puxou novamente para seu lado. – Eu sei que você já está toda estressadinha – dei um tapa em seu ombro -, mas tem algo que gostaria de falar com você.
— E, deixe-me adivinhar, isso vai me irritar ainda mais, não é?
— Provavelmente – ele respondeu com honestidade. Pelo menos ele admitia que estava prestes a colocar mais lenha em uma fogueira que poderia incendiar tudo ao seu redor.
— Bem, diga logo de uma vez!
— Sua mãe ligou para o seu celular hoje, enquanto você estava no banho e eu atendi. – Endureci em seus braços. Fazia um bom tempo que eu não pensava em Clarisse, desde o dia que saí do apartamento. – Amor, ela é sua mãe, eu acho que você deveria dar mais uma chance a ela.
— Não, Could – disse incisivamente. – As coisas estão tão bem entre nós dois! Por que colocar aquela mulher no meio? Eu não quero estragar o que nós temos!
—Anika, olhe pra mim – pegando meu rosto em suas mãos, ele me obrigou a encará-lo. – Falar sobre sua mãe não vai estragar nosso relacionamento. Você precisa desse encerramento, mesmo que não queira. Eu só te peço que dê mais uma chance a ela. Se não der certo, pelo menos você pode tirar um peso das costas, pois sabe que tentou.
Por que ele estava fazendo isso comigo? Por que não podia deixar as coisas como estavam? Eu não queria enfrentar isso, preferia deixar as coisas como estavam! Se eu nunca mais voltasse ao meu apartamento porque ela estava lá, não tinha problema, eu podia facilmente comprar outro, em qualquer lugar, principalmente depois do dinheiro que havia ganhado com a venda das ações para Adam.
No entanto, mesmo que tudo em mim gritasse para que eu dissesse que não, que preferia continuar com as coisas do que jeito que estavam, encontrei-me aceitando ver minha mãe novamente, apenas porque sabia que isso faria meu namorado feliz. Eu era capaz de qualquer coisa pela felicidade dele.
His Pov
Eu sabia o quanto era difícil para a Anika fazer o que ela havia concordado em fazer. Pelo o pouco que havíamos conversado sobre sua mãe antes, Clarisse não parecera ser uma mulher fácil de conviver, entretanto, em seu telefonema eu havia conseguido captar sinceridade e a mulher realmente parecia sentir falta da filha; ela estava tentando se comunicar com a Anika há meses e sendo ignorada, por isso resolvi intervir e tentar uma reconciliação entre elas.
Durante todo caminho até seu apartamento, ela permaneceu taciturna, olhando para a rua pela janela do carro e evitando me encarar. Senti meu coração apertar no peito por causa disso, odiava que por minha causa Anika estivesse assim, mas era um mal necessário; ela não podia ficar brigada com sua mãe para sempre.
Toda essa história sobre a mãe da Anika me fez pensar na minha própria mãe e no quanto eu sentia falta da minha família. Eu falava todos os dias com ela pelo telefone, mas não era a mesma coisa. Claro que jamais havia falado sobre isso com a Anika, pois não queria que se sentisse culpada. Já bastava a culpa que sentia pela minha briga com Matt. Meu primo podia ser tão cabeça dura às vezes, que me dava nos nervos. Apesar de ter voltado a falar comigo, nossa amizade estava estremecida e não era a mesma coisa de antes.
Quando chegamos ao seu prédio, Anika saiu rapidamente do carro e esperou que eu saísse também antes de se encaminhar para o elevador. Nossa visita era surpresa, pois ela não quis que eu avisasse a Clarisse que estávamos indo. Talvez ela secretamente esperasse que a mãe não estivesse em casa e não tivesse que conversar com ela.
Subimos em silêncio e quando o elevador parou em seu andar, ela caminhou na frente e destrancou a porta, entrando no apartamento logo em seguida. Fechei a porta atrás de mim e senti que todo o corpo da Anika havia se retesado. Olhei na direção em que seu olhar estava fixo e vi sua mãe sentada ao lado de um homem que devia ser uns poucos anos mais velho que eu.
— Anika, querida, estou tão feliz em te ver, filha! – Clarisse se ergueu do sofá e deu um passo em direção a Anika, que fez um gesto com a mão para que parasse.
— O que ele está fazendo aqui? – Ela parecia quase sem fôlego. O que estava acontecendo? Quem era aquele homem?!
— Você não imagina minha surpresa hoje mais cedo quando recebi a ligação do Ryder, por que não havia me dito sobre ele antes, querida?
— O que está acontecendo aqui, Anika? – Finalmente dei vazão ao principal questionamento que estava me torturando.
Ela não me respondeu. Apenas permaneceu encarando fixamente o homem sentando no sofá.
— O que você quer aqui, Ryder? – Sua voz estava tão fria, destituída de qualquer emoção.
— Anika! – O tom da voz de sua mãe era de repreensão. – Isto são modos de falar com seu marido?!
Marido?! MARIDO?!
MAS QUE PORRA!
Eu tinha que ter ouvido errado, ela não podia ter dito a palavra marido.
— Eu vim reclamar o que é meu por direito, Anika – o sujeito finalmente se pronunciou. — Você, minha esposa.
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