Bad Girl II
22 Capítulo 21
Her Pov
Senti como se estivesse sufocando, as paredes se fechando ao meu redor. Lutei para me manter de pé, colocando uma mão no armário de casacos para me dar apoio, quando uma vertigem me atingiu. Isto não podia ser real, não podia. A qualquer momento eu iria acordar e ver que tudo isso não passava de um sonho ruim, pois tinha que ser um pesadelo. Meu maior erro não estava na sala de estar do meu apartamento, afirmando ainda ser meu marido. Oh, droga, marido! Passado e presente estavam colidindo e eu não podia fazer nada para evitar.
— Anika, o que diabos está acontecendo aqui? — Could perguntou novamente, desta vez mais inquieto.
Engoli em seco, sem saber o que dizer. Mas o que poderia ser dito? Desculpe, Could, mas aparentemente ainda sou casada, quando pensei que era uma mulher livre?
Eu tinha prometido que não haveriam mais segredos entre nós, mas veja só com que reviravolta o destino me presenteou!
De repente me vi mergulhada na lembrança daquela noite...
Las Vegas, a cidade do pecado, meu paraíso por uma noite. Observei embasbacada os prédios iluminados, cada vez mais ansiosa para comemorar meus 18 anos de uma maneira inesquecível. Tudo bem que meu aniversário havia sido há dois meses, mas eu tive que esperar meu período de férias e uma oportunidade certa para fazer a comemoração do jeito que eu queria.
— Preparada para a melhor noite da sua vida? — minha prima Briana perguntou, quando o táxi parou em frente ao Bellagio Hotel Casino.
— Mais preparada impossível! — falei empolgada. — Onde você disse que seus amigos iriam nos encontrar mesmo?
— Não se preocupe com isso. Mark falou que mandava uma mensagem quando estivesse perto, para colocarmos a galera na The Bank.
— Tudo bem, então — disse sem muita convicção. Eu não conhecia muito bem Briana, já que minha mãe mantinha o mínimo de contato possível com sua família. Contudo, sabia que ela era a pessoa certa quando se tratava de diversão. Briana possuía muitos contatos, apesar de não serem muito confiáveis, mas que vinham a calhar em algumas situações, como quando precisei de uma carteira de identidade falsa para poder beber. Por isso, sabia que era a pessoa certa a chamar para me ajudar a tornar minha comemoração memorável. O que, em outras palavras, significava loucura total.
— Vem, vamos fazer logo o check in. Quero aproveitar explorar a The Strip — falou me puxando para dentro do hotel. Não tínhamos muita bagagem, apenas uma bolsa com o essencial para noite, o que tornava bem mais fácil de nos locomover.
*** * ***
Apostas. Pessoas concentradas em suas jogadas. Bebida, muita bebida. Eu estava em meu terceiro drink da noite, quando Briana me puxou para fora da banqueta do bar.
— Preciso ir lá fora fumar, e você vai comigo. — Me soltei de seu agarre e a segui para a área de fumantes, onde ela sorriu ao colocar um pó num papel, que eu não sabia como se chamava, e enrolar. — Quer um pouco?
— Não, eu estou bem — falei, sem saber direito como agir quando ela acendeu o cigarro.
— Você precisa relaxar, priminha. Tá muito tensa — Ela soltou a fumaça lentamente, sorrindo. — Hoje é sua comemoração e você só bebeu, garota. Precisa flertar um pouco também, caramba. Você é tão careta quanto imaginei, toda certinha, só bebe coisa cheia de frescura.
Certinha, eu? Longe disso. Eu provavelmente era a pessoa mais errada que você iria encontrar em um raio de quilômetros. Ao olhar para o meu rosto angelical, ninguém jamais imaginaria as coisas que sou capaz de fazer. O quanto eu gosto de infligir sofrimento intencionalmente aos outros.
— E o que você sugere que eu faça? Que beba vodka, tequila e wisky e que dê pro primeiro cara que aparecer na minha frente? — Falei, irritada, utilizando uma linguagem chula.
— Por aí — Briana deu uma última baforada, antes de jogar a bituca do cigarro no chão e apagá-lo com a ponta do coturno que usava. — Um pouco de bebida forte e de sexo não fazem mal a ninguém. Vem, vamos buscar o pessoal e providenciar uma agitação na sua noite.
— Onde eles estão?
— Do lado de fora do Bellagio. Você vai usar o poder do sobrenome Olsen e colocar todos para dentro.
— Certo.
Nós estávamos em um dos muitos cassinos da The Strip, fazendo a exploração noturna que Briana tanto havia falado, e depois de ter passado por vários lugares interessantes e divertidos, iríamos voltar para o hotel em que estávamos hospedadas.
Pegamos um táxi e quando chegamos ao Bellagio, não demorou muito para encontrar seus amigos. O grupo consistia em três rapazes e duas moças. Todos usavam camisetas customizadas de bandas de rock, ou de algum filme, e calças ou shorts com rasgos em diversos lugares.
Um dos caras se aproximou e puxou Briana pela cintura, tascando-lhe um beijo apaixonado na frente de todo mundo. Esse provavelmente devia ser Mark, já que ela havia dito que eles ficavam vez ou outra, quando se encontravam.
— Pessoal, esta é a minha priminha rica que vai descolar entrada para todo mundo aqui para a The Bank. — Briana falou quando Mark desgrudou sua boca da dela e ela deu alguns passos para trás.
Não gostei da maneira com a qual me apresentou. Fez parecer que eu era apenas um caminho para um fim, apenas a pessoa que lhes daria acesso a uma casa noturna de alto nível.
— Meu nome é Anika. E vou ver o que posso fazer para que todos possam entrar. — falei, sentindo minha pele pinicar de raiva.
— Ela só está um pouco tensa, porque precisa transar, então relevem aí seu mau-humor, galera — Briana já estava enchendo minha paciência. Assim que conseguisse liberar a entrada para seu grupinho ia ficar o mais longe possível dela.
*** * ***
Vodka, tequila e cerveja. Quanto álcool o corpo de uma garota de 18 anos era capaz de aguentar? Eu já tinha perdido as contas de quantos copos havia bebido. Desde que entrara na The Bank eu fiz o máximo que pude para me manter afastada de Briana, contudo, hora ou outra ela acabava me encontrando para me importunar. Pelo menos a bebida estava me ajudando a suportá-la. De fato, algumas doses depois, eu estava me divertindo. Rechaçá-la era divertido, divertido demais. E dançar, ah, dançar também era muito bom!
Eu tinha resolvido tentar me soltar mais, e até mesmo flertei com alguns rapazes, chegando a dançar com dois. No entanto, não tive vontade de fazer nada com nenhum deles. Nada! Absolutamente nada! Será que havia algo de errado comigo? Eles eram tão lindos, e eu, bem, não eu conscientemente, mas meu corpo não reagiu a nenhum deles. Pelo menos não da maneira que eu esperava. Então, só me restava beber. E tentar parar de pensar um instante, porque estava tudo muito desordenado em minha mente, e eu não gostava de não estar fazendo sentido.
Terminei de beber minha última dose e oscilei um pouco na banqueta do bar na qual estava sentada, quando fui colocar o copo no balcão.
— Calma aí, moça – uma voz masculina pronunciou, e senti mãos fortes me segurando no lugar e evitando que eu caísse.
— O-obrigada – gaguejei, quando ele se sentou na banqueta ao meu lado. O homem era muito bonito, seus olhos escuros eram penetrantes e o sorriso que ele deu fez com que uma covinha aparecesse em sua bochecha direita. Virando-me novamente para o barman, pedi outra bebida, dessa vez algo mais leve, apenas um cosmopolitan. Ele me olhou meio receoso e eu instantaneamente fiquei irritada. Ele não poderia se negar a me servir, não é? Eu queria continuar bebendo e faria um escândalo se fosse preciso para poder ser servida.
— Olha, sem querer me intrometer, nem nada, mas você não acha que já bebeu demais? – Voltei a encarar o homem que havia me ajudado. Quem ele achava que era para estar me policiando?
— Não acho que isso seja da sua conta – retruquei.
— Realmente não é. Mas, que tal fazermos assim, você dança comigo algumas músicas para algum álcool sair do seu corpo e depois nós dois voltamos aqui para beber alguma coisa?
Considerei o que ele disse por um instante. Eu não estava com muita vontade de dançar, mas também não queria fazer um escândalo para poder beber e sabia que o barman estava relutante em me servir. Ao que parecia eu estava pensando mais coerentemente do que imaginava.
— Tá, tudo bem – falei, descendo do banquinho. – Mas que tal você me dizer seu nome antes? Eu não danço com estranhos.
— Meu nome é Ryder, linda senhorita. E você também não me disse seu nome – Disse ele ao pegar minha mão e começar a me conduzir em direção a pista de dança.
— Anika, meu nome é Anika.
*** * ***
Alguém estava dando marteladas em minha cabeça. A dor que estava sentindo era tão grande que nem conseguia abrir os olhos. Droga de bebida. Virei de um lado para o outro, buscando alívio, mas a dor de cabeça só estava piorando conforme mais consciente eu ficava. Resolvi pegar algum remédio, porque estava insuportável. Ressaca era mesmo uma porcaria.
Abri os olhos e imediatamente me arrependi. A luz solar que entrava pela janela me atingiu e machucou meus olhos. Rolei na cama e coloquei o travesseiro sobre a cabeça. Dor, vá embora. Dor, vá embora!
— Anika? – Ouvi uma voz chamar meu nome, mas não a reconheci. Era uma voz masculina.
Murmurei alguma coisa incoerente, mas permaneci na posição em que estava. Não atrevia a me mexer.
Senti uma mão gelada em minhas costas. Minhas costas nuas, a propósito. Congelei no lugar, minha frequência cardíaca aumentou e eu prendi a respiração.
— Anika, você está bem? Fale comigo.
Tirei o travesseiro de cima da minha cabeça e me virei para encarar o dono da voz, que parecia tão preocupado comigo. A primeira coisa que notei foram os olhos. Esses olhos negros não me eram estranhos. E então eu o reconheci. Ryder, o cara que não queria que eu bebesse ontem à noite. Mas o que ele estava fazendo no meu quarto? A última coisa de que eu me lembrava de ontem era de estar rindo de alguma bobagem que ele tinha dito enquanto nós bebíamos água, por insistência dele, depois que havíamos dançado bastante.
— Ryder? – Falei, meio insegura. Só o ato de falar fez com que o latejar em minha cabeça piorasse. Ele aproximou a mão de meu rosto e um brilho dourado em seu dedo anelar me fez recuar. Oh, meu Deus, ele era um homem casado. Eu tinha dormido com um homem casado? Eu não podia pensar outra coisa a não ser que tínhamos passado a noite juntos, dada a atual conjuntura. Só esse pensamento fez com que eu sentisse um mal-estar em meu estômago e dei um pulo para fora da cama, correndo em direção ao banheiro da suíte.
Mal tive tempo de chegar ao vaso sanitário antes de começar a colocar para fora tudo o que havia bebido na noite anterior. Quando terminei, não tinha nem forças para me erguer do chão.
— Melhor você voltar para cama, deixe eu te ajudar – olhei para a porta, de onde Ryder parecia receoso em sair para se aproximar de mim. Eu não o culpava por estar assim, se eu tivesse sido alvo dos gritos de uma Anika enjoada, com dor de cabeça e vomitando, enquanto tentava ajudá-la, também ficaria com medo de me aproximar.
— Eu posso levantar sozinha – disse com raiva. Eu ainda tinha plena consciência de que ele era um homem casado e isto me deixava mais irritada. Estava agindo todo preocupado comigo, quando a esposa deveria estar se perguntando onde o marido estava e por que não tinha voltado para casa. Que tipo de homem fazia uma coisa dessas? Um canalha!
Apoiei uma das mãos na parede de azulejos ao meu lado para dar sustentação para me erguer, e consegui me levantar, meio cambaleante. Caminhei em direção a pia, abri a torneira e comecei a jogar água fria em meu rosto. Ah, isso era tão bom! Quando senti que estava mais estabilizada, peguei minha escova de dentes e o creme dental, no entanto, um olhar mais atento para minha mão esquerda fez com que eu soltasse o que estava segurando.
Não podia ser. Simplesmente aquilo não podia ser real. Não podia haver uma aliança no meu dedo anelar da mão esquerda. Não podia!
Comecei a tremer e segurei na pia para não cair. Ryder correu em minha direção, me pegou no colo e me levou para a cama.
— Anika, está tudo bem. – Ele falou, alisando meu cabelo, enquanto eu tremia incontrolavelmente na cama. – Calma, meu bem.
Meu bem? MAS QUE DROGA É ESSA?!
Me debati em seus braços, até ele me soltar. Eu não o queria me tocando, sendo tão carinhoso, como se possuímos alguma intimidade. E também não queria ser chamada de meu bem.
Peguei o lençol para me cobrir, só agora me dando conta que ainda continuava nua. Eu precisava me recompor para podermos conversar. Certamente eu estava pirando por nada. E daí que estávamos em Las Vegas, o lugar mais fácil para se casar? Isto não significava que fôssemos tão loucos a ponto de fazer uma besteiro como essa. Provavelmente as alianças deveriam fazer parte de algum fetiche louco dele. Sim, isto era mais plausível. Eu jamais me casaria com um estranho. Transar com um, aí já era uma história totalmente diferente.
Estando um pouco mais calma depois de minha conversa mental, ajeitei-me na cama e encarei o homem com tinha passado a noite.
— Você está mais calma agora? – Questionou ele, de onde estava, na outra extremidade da cama.
— Sim, estou. Desculpe, eu surtei um pouco, mas quando vi o anel, pensei que fosse de verdade.
— Anika, os anéis são de verdade. Você não se lembra?
— Olha, Ryder, eu não quero te ofender nem nada, mas a noite passada é um borrão de imagens desconexas para mim, então eu não lembro de termos feito sexo. Eu bebi demais e...
— Espere um pouco, você está me dizendo que mesmo depois de toda a água que te fiz beber, você ainda estava bêbada quando nos casamos na noite passada?
— Nós não casamos! – Bati com os punhos na cama. – Você – apontei com o dedo em riste em sua direção – deve ter algum fetiche louco sobre casamento, com o qual eu concordei, apesar de não lembrar, por isso usamos alianças para fazermos sexo, mas nós não nos casamos!
— Eu não consigo acreditar nisso! – Ryder se ergueu da cama e começou a caminhar de um lado para o outro. Indo até a sala, ele voltou com uma foto e um papel na mão e os colocou em cima da cama.
Sentindo um frio em minha espinha, os peguei. A foto me mostrava com a roupa que estava usando ontem, um vestido tubinho azul royal, abraçada a Ryder, ambos sorrindo, com Elvis um pouco mais atrás, na capela. Com o estômago novamente revolto, li o que havia escrito no papel. Era uma certidão de casamento. A certidão que comprovava meu casamento com Ryder Stone.
Isto não podia ser real. Tinha que ser um pesadelo. Eu não podia ter sido tão estúpida a ponto de ter me casado com esse estranho, por mais bonito que ele seja.
— Me diga que isto não é real, por favor. – Supliquei.
— Não posso, porque é real. Nós nos casamos ontem, e você parecia tão feliz com isso. Eu não consigo acreditar que possa estar arrependida. Isto parece um pesadelo.
— Bem, nisto eu vou ter que concordar com você. Parece que eu acordei em um pesadelo. Você é um estranho, não sei nada sobre você além de seu nome, sou apenas uma garota de 18 anos, que mal sabe alguma coisa da vida, e agora estou casada. Se isto não é um pesadelo, eu não sei mais o que é!
Eu precisava pensar em uma solução rápida. O casamento não poderia ser anulado, porque nós já o havíamos consumado, mas eu poderia pedir o divórcio. Sim, esta era a coisa sensata a se fazer. Seria como se nunca houvesse acontecido. Apenas nós dois saberíamos disso, e eu faria de tudo para colocar esse episódio no fundo de minha mente.
Puxando o lençol comigo, me levantei da cama e fui em direção a minha mala. Precisava me vestir e sair para arrumar um advogado rápido, antes que Briana descobrisse o que eu havia feito. Falando em Briana, onde ela estava, que não me impediu de cometer essa loucura?
— O que você está pensando em fazer?
Com a expressão mais decidida que consegui fazer, virei-me com as roupas nas mãos e disse, pouco antes de ir me vestir no banheiro:
— Eu vou pedir o divórcio.
— Então é assim, você nem mesmo vai dar uma chance para ver como as coisas poderiam ser? – Nem mesmo o seu tom magoado abalou minha decisão. Se Ryder queria uma esposa, teria que ser outra pessoa. Eu tinha outros planos. Planos que envolviam muitos homens sofrendo, em um futuro próximo.
Fechei a porta do banheiro para abafar suas palavras, e me vesti. Iria procurar números de telefone e endereços de advogados na região para resolver logo este problema.
— Não posso ser sua esposa, Ryder. – Falei, quando saí do banheiro. – Esse casamento foi um erro. Um erro que vou corrigir.
— Se é isso que você quer, não irei insistir mais no assunto.
— Isso é o melhor para nós dois, confie em mim.
Não demorou muito para eu conseguir encontrar uma firma de advogados que pudesse me ajudar a resolver meu problema. Como meu voo estava marcado para aquele dia, e eu tinha poucas horas para aprontar tudo e ir para o aeroporto com Briana — que descobri depois ter sido a “madrinha” do casamento, segundo relato de Ryder, que a reconheceu quando saímos do quarto e demos de cara com ela na sala da suíte, com uma ressaca pior que a minha -, assinei o documento e o deixei com Ryder para que ele levasse de volta para o advogado. Estava tudo certo, então por que ele estava afirmando que ainda éramos casados?
— Could, eu posso explicar isso.
— Bem, receber uma explicação seria ótimo, Anika.
Olhei para Clarisse e Ryder e respirei fundo.
— Eu volto em alguns minutos para saber que palhaçada é essa, você tem muito o que explicar, Ryder. Ah, e não se anime muito com essa história, Clarisse.
Peguei Could pela mão e o levei para meu antigo quarto, que ainda estava do mesmo jeito que eu o deixei meses atrás.
— Anika, eu estou ficando louco aqui. Por favor, me diga que esse cara na sala está mentindo!
— Could, eu ainda preciso saber direito o que aconteceu, para ele estar alegando ainda ser meu marido, mas eu... eu me casei...
— Casada! Você, uma mulher casada! – Ele disse, com incredulidade. – Eu nunca imaginaria que, estando tão ocupada com sua vingancinha, você fosse ter tempo para ter um relacionamento e se casar!
— Could, me ouça. – Supliquei. – Ryder e eu nunca estivemos em um relacionamento. Nosso casamento foi um erro, resultado de uma noite de bebidas em excesso quando eu estava em Las Vegas. Mas eu pedi o divórcio no dia seguinte! Era para estarmos divorciados!
— E você não achou que essa fosse uma informação relevante para me dar sobre você? Por Deus, Anika, você prometeu que não haveriam mais segredos entre nós!
— Esse casamento é algo que nunca penso. Eu me recusei a pensar sobre isso, desde que aconteceu! – Eu estava beirando o desespero. – O que você queria que eu dissesse? Ei, Could, à propósito, eu já fui casada, um casamento de menos de 24 horas, em um dia que estava bêbada demais para controlar minhas ações.
— Seria o mais decente a se fazer! Porque um dia, mais cedo ou mais tarde, isso viria à tona. Principalmente se nós evoluíssemos em nosso relacionamento... Mas quer saber, isto não importa agora, pois, ao que parece, você ainda é uma mulher casada.
— Could...
— Olha, eu preciso de um tempo para processar tudo isso. É muita informação e eu não vou conseguir pensar direito com você perto de mim. Vou voltar para meu apartamento, enquanto isso você conversa com sua mãe e com aquele cara lá.
Não! Ele não podia ir embora. Se ele saísse daqui sem mim eu o perderia. Tinha certeza disso.
— Could, por favor, não vai. – Tentei colocar uma mão em seu braço, mas ele se afastou de meu toque.
— Eu só preciso de um tempo sozinho, Anika. Um tempo para colocar meus pensamentos em ordem. E você precisa descobrir o que aconteceu, para o Ryder estar alegando ainda ser casado com você. Quando eu estiver pronto para conversarmos, mando uma mensagem para você.
Ele deu um beijo em minha testa e abriu a porta do quarto. Não importava o que ele dissesse, eu sabia que tinha estragado tudo. Ele só estava me acalmando, porque aquilo era o prenúncio para o fim.
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