Bad Blood

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Yoo!
Então, não sei se é porque estamos apenas no início, mas só 20% dos leitores comentaram - aos quais eu quero agradecer, seus fofos! - e não quero começar assim com a expectativa do que aconteceu uma vez, a razão para eu quase abandonar uma fic. São os reviews que me motivam, a opinião de vocês é muito importante! Todavia, quero agradecer as pessoas que favoritaram e estão acompanhando!
Enfim, a tia aqui não vai encher o saco em todo o capítulo ok? Não se preocupem ;P
Vamos ao que interessa. Não revisei o capítulo, qualquer erro me avisem, por favor. Ainda está um pouco chatinho, mas não me taquem pedras! Prometo que melhorará! ^^
Boa leitura (:

Capítulo 2
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O crepúsculo surgia naquela mesma linha do horizonte. Sua velocidade mais normal impossível, afinal, sempre fora assim. O que o faz ser rápido ou não é a perspectiva de quem o observa. E para ela, seria mais devagar impossível.

Circulava pela sala, de um lado para o outro, impaciente, agitada. Quando não sentava do nada em algum sofá e começava a roer as unhas ou bater os pés de maneira sincronizada, deitava e levantava de uma vez. Afagou o rosto, encaixando-o em suas palmas das mãos. Tentava pensar, mas só conseguia lembrar-se de um dourado impecável misturado com azul resplandecente. Sentir? Apenas sentia o vulto e o vento cortando-lhe a face em um tempo menor que segundos. “O que foi aquilo?”, “O que é aquilo? Com certeza não é um ser humano normal, se é um ser humano...” essas perguntas não deixavam de rodear sua mente. Por instantes, tinha a sensação de que aquilo não havia de fato acontecido. Loucura? Talvez. Contudo, imaginava se aquilo tudo não foi apenas algo que sua mente projetou. Porém, não saia da ponta de seus dedos o toque contraditório de sua pele, uma mistura áspera e macia. Aquilo era real, não havia modos de negar ou se enganar. Suspirou profundamente pelo nariz. Ergueu a cabeça e começou a olhar para o teto trabalhado. “Que lindo...” admirou. Após minutos a fio contemplando o teto distraidamente lembrou-se do que fazia ali e o que deveria fazer. Fitou o piano à sua frente. Gostava dele. Apesar de ser de cauda, era simples, aconchegante. Seu companheiro já há anos. Suas teclas já estavam moles e gastas e sua pintura descascada, mas não importava. Gostava dele assim. Simplesmente gostava.

Ergueu-se vagarosamente e caminhou sorrindo até o instrumento. Contornava-o com os dedos quando resolveu sentar. Havia se acalmado, mesmo sem compreender como. Sentou-se com a postura reta e endireitou os pés. Então, seus dedos começaram a mover-se com maestria pelas tecladas, fazendo surgir uma doce melodia que ressoava por todo o lugar, trazendo ligeira paz e conforto.

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Arfava. Compassadamente. O ar escapou-lhe dos pulmões por alguns segundos. Tossiu forte e cuspiu sangue. Cambaleou levemente para o lado e retomou o equilíbrio. O sangue de sua perna começava a estancar. A dor diminuía a cada instante. Em suas costas as duas katanas estavam embainhadas, livres de manchas. Suas mãos estavam molhadas pelo líquido, assim como toda a neve ao seu redor. Ao seu lado, a raposa tinha todo o focinho e patas em tonalidades mais fortes. E ao seu redor inúmeros corpos deitados, mutilados. Talvez trinta. Partes de algum corpo poderiam ser facilmente encontradas fora de seu dono. Cabeças, braços, pés. Poderia dizer que ali houvera literalmente um mar de sangue, porém o frio intenso drenara grande parte do que já se havia derramado, submergindo-o. Logo aqueles pedaços serviriam de alimento para animais ou então seriam escondidos pela geada noturna, entrando em decomposição.

Retomou sua postura. Tudo já havia passado por completo. Em sua perna apenas a mancha em sua calça. Subitamente fechou os olhos, proibindo qualquer movimento de seu próprio corpo. Sua feição tornou-se séria. O vento forte fazia com que as folhas farfalhassem docemente sobre a neve quando, em alguns poucos minutos, sacou rápida e habilmente suas katanas girando-as no ar e cortando algo. Quem o visse julgaria ser o vento, mas em seguida um corpo caiu aos seus pés com um grave e profundo corte na garganta. Em fração de segundos girou os pés em cento e oitenta graus e as katanas pelos punhos, certeiramente atravessando cruzadamente o corpo de mais um ser que surgia a suas costas, fazendo assim escorrer sangue por toda a lâmina. O escarlate submergido na brancura teria sido apenas um fatídico início. Cada vez mais apareciam seres humanos a sua volta, cobertos por máscaras e armados por mais diversos instrumentos. Aquilo era para ele... Uma pequena e divertida brincadeira.

Retirou suas katanas do corpo agonizante deixando-o se juntar aos companheiros sem vida ao seu redor e girou cento e oitenta graus mais uma vez, iniciando um combate contra um novo adversário. Maneja as espadas empunhadas com extrema habilidade. O tilintar ecoava cada vez mais alto. Os braços balançavam rapidamente, assim como ele avançava cada vez mais, deixando seu oponente perdido e confuso sobre seus próprios movimentos. Quando a presa menos esperava o sangue subiu freneticamente por sua garganta saltando de sua boca manchando o rosto de seu assassino enquanto o metal já atravessava seu coração. Utilizou o ângulo a seu favor e rapidamente usou o corpo ainda ligado a sua espada como impulso, pisando sobre ele enquanto puxava sua katana e pulando para o inimigo que surgia a sua frente, cortando sua garganta e perfurando seu pulmão. Surgiram mais cinco, seis, oito, dez adversários rodeando-o. A raposa ao seu lado atacava ferozmente em sincronia, mutilando ou agarrando a garganta de todos aqueles que estavam ao seu alcance estratégico. O garoto batalhava com braveza e destemor, todavia como se aquilo fosse meramente nada. Girava por entre a neve destroçando seus oponentes não somente através de suas katanas, sua luta corpo a corpo era fantasticamente impressionante. Ambas as espadas cortavam o vácuo, limpando-se do carmesim que as manchavam para afundar novamente em um profundo vermelho vivo. Sem piedade, atravessava tudo e qualquer ser que o ameaçava. Um a um os corpos foram caindo ao seu redor, retomando a sua origem. Um a um foram martirizados cruelmente por uma única mão. Toca-lo era praticamente impossível. Já por fim, fincou suas duas espadas no chão usando-as como apoio e saltou levando-as, atingindo a caixa torácica de seu último inimigo, quebrando-a como consequência do impacto absurdamente forte de seus pés contra suas costelas, causando assim a perfuração de seus pulmões por estas. Seu semblante tornou-se drasticamente dolente. Entretanto, como se não bastasse, girou ambas katanas por entre os dedos de suas mãos e abriu uma profunda fenda nas extremidades de seu pescoço e garganta. Estava disposto a fazê-lo agonizar. Enfim desvencilhou-se daquele ser deixando-o cair e afogar-se em meio à candura, gemendo e implorando por clemência. Simplesmente fechou seus ouvidos enquanto aterrissava na neve funda e fofa, olhando para aquela imensidão rúbida. Certamente, não admirava, muito menos contemplava seu feito. Apenas... Olhava. Em volta de seus olhos, o tom alaranjado desaparecia vagarosamente, assim como seus olhos retomando ao azul. A raposa vermelha caminhava lentamente para perto de si, lançando-lhe um olhar debochado.

“Não fique se gabando. Não fizemos quase nada hoje. Isso foi só um exercício para aquecer os ossos.”

–-Não estou me gabando. – afirmou com convicção, olhando para a raposa deitada ao seu lado.

“Então está esperando o que? Quer ver este sangue secar, é?” olhava-o com um ar de desdém.

–-Então vamos.

Dito isso, começavam a marchar calma e lentamente. Lado a lado. O mais próximo de feri-lo que chegaram desta vez fora apenas um corte não muito profundo no braço. Minava sutilmente.

Uma quietude agradável entorpeceu os ares. Os pássaros cantavam gentilmente enquanto volviam a seus ninhos. O vento uivava por entre as árvores e o ruído de seus pés afundando no gelo era gostoso. Então, uma melodia surgiu em toda a floresta. Um toque macio e doce aos ouvidos. Ligeiramente hipnotizante. Como se a própria floresta cantasse. Era encantador, em todos os sentidos. O Sol já não mais se escondia por entre as montanhas e a Lua emergia lenta e preguiçosa até o pico do céu. Aquela era a melodia que há tempos rondava a mente das crianças e seus contos de fadas. A melodia que embalava toda a floresta para a noite acompanhava aqueles dois seres caminharem. Era de certa ironia esta melodia tão gentil que encantava aos contos mais sublimes também embalar um sombrio e macabro crepúsculo como aquele.

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Estava recostada à cabeceira de sua cama empunhando um livro exageradamente grande que ocupava completamente ambas as palmas de suas mãos. O objeto estava demasiado próximo ao seu rosto, quase se encostando a seu nariz. O intuito seria obter maior concentração, porém nada conseguia fazê-la esquecer sobre o ocorrido daquela manhã. Suspirou deixando o livro cair ao seu lado.

–-Mas o que diabos foi aquilo?! – resmungou alongando-se sobre as pernas estendidas e cobertas. Estava seriamente cogitando a hipótese de aquilo tudo não ter passado de apenas um sonho, uma espécie de deja vu – Como uma pessoa mora no meio da floresta em um inverno desses, sofre uma hipotermia e se cura assim tão rápido?! – vociferou para si.

Afundava cada vez mais seu rosto em meio ao emaranhado de cobertas quando escutou batidas firmes na porta. Recompôs-se rapidamente, endireitando as costas. Mal teve tempo de se ajeitar e a porta se abriu, mostrando a presença de uma senhora loira apenas com a cabeça passada pela fresta da porta.

–-Querida, Ino-chan está aqui. – sorriu ao ver a filha estudando.

–-Pode deixa-la entrar, mamãe.

–-Com licença, Mebuki-san – a garota loira adentrou ao quarto enquanto a senhora fechava a porta atrás de si, deixando-as a sós – Como assim “pode deixa-la entrar” testuda?! – esbravejou colocando as mãos na cintura. A garota deitada riu da atitude da loira – Eu não preciso de permissão para entrar no seu quarto!

–-Ino, Ino, você sabe que isso é um costume.

–-Não estou nem aí! Sou sua melhor amiga e não preciso de permissão pra entrar no quarto da minha melhor amiga. – a rosada riu ainda mais da entonação da loira.

–-Desculpa Ino. Mas então, trouxe minhas botas?

–-Não quer saber pra que eu vim? – perguntou sentando-se ao lado da amiga.

–-Eu espero que seja para me devolver as botas e dizer o que fez com minha escova de cabelo.

–-Poxa, tudo bem, se é só isso que pensa que eu vim fazer eu vou embora. – fingiu indignação e levantava-se da cama.

–-Não, espera porquinha! Não se faça de magoada. Mas enfim, qual o motivo de dar o ar da graça na minha humilde residência?

–-Ah, assim está bem melhor! – sorriu sapeca, voltando-se a se sentar.

–-Além de fazer as coisas que eu disse.

–-Sobre suas botas, sim eu as trouxe.

–-Poderia ter avisado que as pegaria.

–-Você não estava e eu tinha um encontro! Elas ficam perfeitas com meu vestido!

–-Da próxima peça.

–-Vou pensar... – sorriu maliciosa.

–-E a minha escova?

–-Ah! Aquele treco velho?! Joguei fora, foi um favor que te fiz.

–-Novamente, poderia ter me falado!

–-Novamente, você não estava. Além disso, não vai me agradecer pela nova?

–-Obrigada Ino. – murmurou sarcástica.

–-Agora, sobre o meu real motivo de ter vindo aqui é... – fez uma pausa dramática alongando o “é”.

–-Fala logo, Ino-porca!

–-Ai, que grosseria testuda. – “como se você a delicadeza em pessoa” Sakura sussurrou inaudivelmente – Bom, você anda muito ocupada ultimamente e quase não nos vemos mais.

–-Eu peço desculpa por isso Ino.

–-Tudo bem testuda, eu entendo. Enfim, hoje o pessoal vai sair um pouco, ir à churrascaria que o Choji ama e talvez, quem sabe, depois fazer mais coisas. Vamos? – falou o mais meigo possível com o intuito de convencer à amiga.

–-Ah Ino...

–-Ora, vamos Sakura! Vai ser divertido! Todo mundo junto. Quanto tempo faz que não nos reunimos assim?! Logo, logo, não teremos mais esta oportunidade!

–-Ino... Estou cansada.

–-Vamos, vamos, vamos, vamos! – seus olhinhos brilhavam como de um gato.

–-Mas eu já estou de camisola! – proferiu arqueando os ombros. Ino soltou uma gargalhada alta e gostosa.

–-Ah Sakura, Sakura... Quanta ingenuidade. Testuda, agradeça a Kami-sama por ter uma amiga como eu. – a loira lançava-lhe um olhar malicioso assim como seu sorriso enorme.

–-I-Ino, o-oque você t-tem em men-mente?! – a rosada conhecia muito bem aquela expressão.

–-Só cala a boca e me deixe fazer mágica!

Dito isso, a loira arrancou a amiga da cama com apenas um puxão, jogando o livro que estava ao seu lado para bem longe.

–-Aw, que bonitinho, você está usando a camisola que te falei pra comprar!

–-Correção: forçou. E só porque é a mais quentinha que eu tenho. Além disso, não gastei dinheiro à toa. – proferiu sutilmente corada. Era realmente uma bela camisola, porém trabalhada de mais para seu gosto.

–-Mas não era para usar só pra dormir. Vai logo tirar enquanto escolho um vestido. – empurrou-a para de trás do biombo.

–-Então pra quê? – perguntava enquanto jogava a roupa por cima do objeto e vestia as roupas interiores.

–-Para usar com garotos, ora! Uma camisola assim não é pra se usar só para a cama! – vasculhava o armário com o queixo apoiado sobre uma mão quando retirou um vestido fino de tom lápis-lazúli com detalhes em prata.

–-Ino! – protestou ainda mais corada, saindo do biombo para a amiga apertar seu espartilho. A cada puxão, ela ficava sem ar. – Eu preciso respirar sabia?

–-Vai afrouxar. Tome, vista esse. – entregou-lhe o vestido enquanto ela voltava para de trás do biombo.

–-Mas ele é fino!

–-Testuda, não discuta comigo! Além disso, o material é quente.

–-Porquinha, seu eu passar frio...

–-Não se preocupe, confia em mim que sei o que estou fazendo.

–-Posso usar minhas botas que trouxe?

–-Ah, mas eu queria usa-las. – disse baixinho choramingando.

–-Se queria usa-las, para quê trouxe de volta? – indagou saindo de detrás do móvel para a loira terminar de abotoar o vestido.

–-Ué, eu não sou uma amiga tão ruim assim não Sakura. Eu iria pedir. – soltou um enorme sorriso.

–-Podia ter feito isso da primeira vez.

–-Vamos ou não trocar? As minhas botas combinam perfeitamente com seu vestido. Falando nisso, quando poderá me empresta-lo?

–-Tudo bem. E Ino, onde estão suas próprias roupas? Você não vive falando que não sei me vestir?!

–-Mas este vestido faz parte daqueles que te forc... – pigarreou – Quer dizer, comprar. – esboçou um sorriso amarelo e sem graça.

–-Por que não comprou pra você? – Ino sentava-se na cama tirando as botas enquanto Sakura perguntava.

–-Porque sou uma boa amiga e quero te ver bonita! – a rosada ria da amiga fazendo o mesmo que ela e calçando o que ela tirava. Ela lhe era muito querida, mesmo quando aprontava coisas como força-la a comprar roupas. No fim, era tudo muito divertido na companhia da loira.

–-Hm... Até que ficou bom. – afirmou com ar de contentamento enquanto levantava e olhava-se no espelho.

–-Testuda tudo que eu faço fica divino!

–-Onde está aquela palavrinha que te ensinei? Como é mesmo... Humildade...? – debochou.

–-É claro que sou humilde! Ora, mas que calúnia! Só sei apreciar meus feitos. – ambas riram.

–-Onde deixou minhas botas?

–-Na sala. Pode ir buscar, por favor? Enquanto isso eu vou terminando de me ajeitar.

–-Ok.

Sakura ia em direção à sala ainda rindo bobamente de Ino. Há tempos eram amigas e não importa qual situação ela se encontrasse Ino sempre melhorava seu humor. Estava tão distraída em suas memórias que nem ao menos reparou em seu pai ao seu caminho.

–-Oh, querida! Está linda!

–-Obrigada pai. – sorriu gentilmente.

–-Vai procurar um namorado?

–-Pai!

–-Você já está na idade.

–-Pai, com licença. Tenho mais coisa pra fazer. – passou pelo senhor nervosa. Ora e meia ele sempre voltava a tocar nesse assunto. Não era suposto o pai não querer um namorado pra filha e defendê-la?

–-Eu estava brincando, Sakura! – gritou do alto da escada.

Caminhava de volta à seu quarto a passadas largas e pesadas. Seu pai e suas piadinhas irritantes! Quando estavam em público sempre a fazia passar constrangimento. Ficava nervosa – bastante – discutia, mas no fim acabavam fazendo as pazes para voltar a brigar novamente. Como uma típica família. Suspirou profundamente procurando se acalmar quando levou a mão na maçaneta e abriu a porta de seu quarto. Por mais costumeira fosse a cena que via, não deixava de surpreender-se.

–-Puxa Ino, você está linda!

A imagem da garota loira era perfeita. O vestido era o mesmo, mas agora com os acessórios parecia ser outro. O cabelo já não mais preso em seu rabo de cavalo habitual estava brilhoso e elegante. A maquiagem leve realçava ainda mais os belos traços de Ino.

–-Obrigada! Agora é a sua vez! Antes, pode me entregar as botas?

–-Ok. – fez o que lhe havia sido pedido, observando-a calçar os sapatos – O que você ainda pretende fazer? Porquinha, você sabe que eu não gosto muito de maquiagem.

–-Fica quieta e me deixa te arrumar. Não vou fazer nada pesado. Apenas uma corzinha nos lábios e dar um jeito nesse seu cabelo bagunçado.

–-Eu sei pentear meu cabelo e passar batom sozinha.

–-Mas...

–-Sem “mas” Ino.

–-Então eu escolho a cor. – voltou a fuçar no armário dela e tirou de lá um batom claro – Toma, usa este. Eu queria fazer um penteado. – choramingou.

–-Querer não é poder. – afirmou enquanto preenchia os lábios com cor e em seguida desembaraçou os longos cabelos rosados.

–-Anda logo, testuda! Shikamaru está esperando lá em baixo.

–-Você deixou o coitado esperando este tempo todo?!

–-Ele aguenta, é forte!

–-Meu Deus Ino, porque não me falou antes? Eu teria me ajeitado mais rápido. – dizia enquanto pegava seu casaco no cabideiro e puxava a amiga para fora da casa.

–-Não precisa ficar tão preocupada assim, Sakura. Eu tinha que deixa-la linda para Kiba ou Neji...

–-Eu não vou namorar Neji de novo, muito menos Kiba. – desciam as escadas, sendo que Ino ainda era puxada pelo braço por Sakura.

–-Devia. Já tem vinte anos, Sakura. Já está na hora!

–-Cala a boca, está parecendo meu pai.

–-Então ele tem razão!

Praticamente corriam pela casa. Sakura despediu-se de sua mãe e foi ao encontro de seus amigos. Seria bom sair, talvez a esqueceria sobre o acontecimento daquela manhã. Todavia, não haverá muitas outras oportunidades como esta futuramente, Ino tinha razão. Deveria aproveitar enquanto podia. E estar na presença de seus mais queridos amigos descansava-a a alma e a mente.

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A Lua nova brilhante estava posta bem ao pico do céu escuro, acima de uma abundância macia igualmente escura. O ressoar dos animais noturnos cumprindo seus instintos se fazia presente, trazendo um ar ameno e confortável. O cricrilar relaxava-o ainda mais. Era como se cantassem em uma harmonia especial para ele.

Recostou a cabeça na pedra atrás de si, cerrando suavemente os olhos. Suspirou entorpecido deixando uma pequena fumaça sair de sua boca. A água fervescente relaxava todos os seus músculos que antes se encontravam tensos. Entrava em seus poros e extraía as impurezas. Limpava sua mente e relaxava sua alma. Suspirou prazerosamente afagando o rosto suado. Aquilo era de fato bom.

“Por que demorou a me responder? Precisei usar um lobo para que escutasse!” pronunciou a raposa ao seu lado, parcialmente submersa.

–-Estava ocupado. – respondeu sem mudar o semblante.

“Ah, não me diga?! Sabe que eu nem pensei nisso?” ironizou “Não sou idiota como você. Com quê estava ocupado?”.

–-Algumas coisas. – sorriu de canto, gostava de provoca-lo.

“Se você não me falar, eu juro que vou arrancar sua jugular do lugar.”.

–-Ora, ora, será que nem uma terma consegue acalmar a sádica raposa? – abriu os olhos e começou a encarar debochadamente o animal.

“Naruto...” rosnou.

–-E onde você estava quando eu estava inconsciente na neve? – indagou passando os braços sobre a cabeça e apoiando os cotovelos na pedra.

“Eu estava fazendo coisas”

–-Ah, não me diga?! Não sou idiota como você. Com quê estava ocupado? – perguntou cínico. Seu sorriso tornava-se cada vez mais travesso diante a irritação palpável do companheiro.

“Eu estava fazendo aquilo que era pra ser seu trabalho. Estava rastreando o cheiro do inimigo.”

–-Isso é trabalho seu também. Além do mais, poderia muito bem ter me ajudado primeiro.

“Não se faça de vítima. Logo você estaria bem como está agora. E ainda não me respondeu.”

–-Aunt! Feriu meus sentimentos Kurama! – colocou a mão no peito desnudo simulando estar ofendido – Pensei ser meu amigo.

“Cala essa boca idiota. Você é um péssimo ator. Fala logo, porque demorou?”

–-Se quer mesmo saber, uma completa estranha me foi mais gentil do que você em anos.

“Oh, pobrezinho! Vou chorar.”

–-Enfim, essa garota me tirou da neve e me abrigou. Então começou as inúmeras perguntas sobre como eu me curei e bla bla bla. Tive que explicar algumas coisas, mas ela foi teimosa e tive que leva-la a força até a cidade.

“Então o pequeno garotinho estava com uma mulher?” a raposa fez algo com que parecia um sorriso de provocação.

–- De tudo que falei só prestou atenção neste detalhe?! Está magoando-me cada vez mais, sua raposa! – brincou novamente – Mas tenho que admitir, ela é linda. Tem uma beleza exótica. Embora faça alguns anos que nenhum civil me veja, ela não se assustou tanto como os outros. Foi exatamente o contrário, ela se mostrou curiosa... Ela é... – parou procurando a palavra certa – Interessante.

“Então a dama conseguiu mexer com a mente do garotinho isolado na floresta?!”

–-Quieto Kurama! Provavelmente aquela será a única vez que nos veremos. Não vai demorar tanto assim para voltarmos.

“Bom, eu já estou indo deitar” com um impulso saiu da terma e chacoalhou tirando o excesso de água de seu pelo, acertando suas caudas na face do loiro que, obviamente, reclamou. “Não vem?”

–-Vou ficar mais um pouco. – afirmou enquanto imergiu até sobrar apenas seu nariz fora d’água.

“Cuidado. Não seja tolo e fique mais tempo do que é permitido. Pode passar mal” advertiu.

–-Kurama, eu não sou nenhuma criancinha.

“Mas parece. Enfim, meu aviso está dado. Estou indo.”

A imagem da raposa sumia-se na escuridão. Em sua mente, uma garota de cabelos exóticos voltava e voltava, fazendo-o pensar. Não via uma mulher há muito tempo. Não via outras pessoas a não ser aquelas que deveria matar também há muito tempo. Ter a companhia dela e poder conversar, mesmo que por pouquíssimo tempo e mesmo que não fosse uma conversa habitual ou se quer uma “conversa”, havia sido bom. Simplesmente bom.

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Estava distraída. Ino tinha razão, embora a noite estivesse gélida, o material do vestido era quente o suficiente. Ao seu lado, o garoto moreno a acompanhava sem parar de falar, entretanto nada lhe permanecia nos ouvidos. Nem ao menos prestava atenção por onde andava, por vezes pisava em falso. Era um mistério como ainda não havia torcido o tornozelo.

Havia sido divertido e de fato a fez esquecer por alguns instantes sobre aquilo que atordoava sua cabeça, porém estava tudo estranho de mais. “Como?!” era a palavra que mais circulava em sua mente. Em segundo seria “Por quê?” de tal fato não escapar-lhe da cabeça durante todo um dia. Insano. Tudo aquilo era demasiado insano para aceitar.

–-Sakura... – a voz máscula a despertou de seus devaneios – Onde está indo? Já chegamos à sua casa.

–Ah... Desculpe. – xingou-se mentalmente por tal vacilo e aproximou-se do rapaz – Obrigada por me trazer Kiba. – sorriu gentilmente.

–-Não poderia te deixar voltar sozinha a essa hora da noite. – sorriu de volta – Além disso, foi bom conversar. Você realmente sabe escutar.

–-C-Claro. – “Conversar? O que diabos conversamos?” pensou.

–-Boa noite Sakura. – ele dizia enquanto se afastava.

–-Boa noite Kiba.

Observou ele sumir de sua vista por um tempo e virou-se para abrir a porta em um arquejo cansado. Após adentrar a casa trancou tudo que via aberto e tirou as botas. Não estava tão tarde assim, mas muito possivelmente seus pais já estariam dormindo e não queria acorda-los.

Passou pelos cômodos pé ante pé carregando as botas na mão quando passou pela sala e viu seu querido pai largado na poltrona dormindo, roncando levemente enquanto uma linha tênue de baba escorria por sua boca. Provavelmente estaria a esperando. Abafou o riso e lhe deu um beijo suave na testa, em seguida subiu as escadas apressadamente para ir direto ao quarto. Estava exausta. Estar com Ino, não importa se era para algo tranquilo e sereno, sempre era cansativo. A amiga transbordava energia. Talvez isso seja um dos fatores dos quais a faz ser uma tão boa companhia.

Assim que passou o corpo para dentro do quarto já deixou as botas caírem e começou a desabotoar o vestido, caminhando para o biombo. Jogou o vestido sobre ele junto com suas roupas interiores e tratou de logo vestir sua camisola. Estava cansada demais para um banho ou se quer para remover a maquiagem. Tanto era que nem mesmo a cabeça cheia a impediu de se jogar na cama e fecha-la com as cortinas do dossel. Não demorou muito para adormecer.

Todavia, não tivera uma boa noite de sono. Dormiu bem apenas pelas duas ou três primeiras horas. Estava ansiosa. Pelo quê? Nem ela sabia ao certo. Rebolava pela cama constantemente. Seu sono era frequentemente interrupto. Seu corpo estava cálido e a manta parecia incomodar-lhe, mas não conseguia ficar sem ela. Estava incomodada. Ainda pelo mesmo assunto? Sim, e ela lastimava por isso. As horas passavam a fio vagarosamente. Ora ela levantava para beber um pouco de água na tentativa de acalmar-se, mas era em vão. Ora conseguia dormir, mas não por muito tempo. Ás vezes fitava o teto, observando qualquer característica nova que escapasse de seus olhos. O extremo era tanto que tentou até mesmo contar em murmúrios para atrair o sono. Tudo estupidamente em vão. Cansada, começou a olhar o decorrer da noite de sua janela. A aurora começava a se mostrar distante. Sakura sorriu. Pelo menos toda essa bagunça teve algum benefício. Entretanto, junto com a aurora veio uma ideia desmedida e, pode-se dizer maluca.

Ergueu-se subitamente e quase caiu da cama de tão apressada que estava. Haveria de resolver esse problema, de um jeito ou de outro. Precisava provar para si mesma que não foi apenas um delírio e se foi, deveria ser logo esquecido.

Pegou em seu armário a roupa mais quente que tinha e trocou-se. Calçou as botas rapidamente e prendeu o cabelo com uma fita vermelha. Caminhou até a porta fazendo o máximo para não ser ruidosa e pegou seu casaco no cabideiro da porta. A madrugada ainda estava no fim e já não estava mais tão escuro assim. Pensaria em uma desculpa persuasiva para dar a seus pais no caminho.

Caminhava a passadas rápidas, firmes e decididas até a saída da cidade. Percorria o mesmo caminho que o dia anterior. Tinha que resolver aquele assunto, se não continuaria atordoada por um bom tempo. Era como o ditado: “Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha.” e Sakura estava disposta a encontrar as respostas à suas perguntas.

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Notas finais
A parte da Ino e da Sakura ficou meio tosca, mas eu estava sem criatividade.
Até o próximo capítulo!
Boa noite,
ja ne (: