Bad Beat: The Price's Marry Me.
6 Capitulo 5
Notas iniciais
Agora — 12/04/2014 — Sábado. 22:38 PM
Então, eu estava em momento complicado e delicado. Minha sexta tinha sido totalmente normal, como todos os outros dias tinham sido, desde que eu cheguei aqui.
Só que nem tudo na vida é flores. Não mesmo. Se a sua vida for boa demais, comece a se preocupar e se prepare pra algo muito ruim. É serio.
Mas como eu estava dizendo, agora era um momento muito complicado e delicado, eu tinha acabado de ter uma conversa super seria com a Maga, ela era a minha amiga, na verdade a minha melhor amiga, e eu precisava da ajuda dela. E eu não sabia o que fazer.
Tudo bem, sei que isso esta totalmente confuso, então eu vou voltar um pouco, mais ou menos ontem lá pelas 16:00 da tarde, foi quando isso começou.
No dia anterior — 11/04/2014 — Sexta Feira. 16:00
Lá estava eu na lanchonete, fazendo o que eu sempre faço que é: Levar bandejas, trazer bandejas e anotar pedidos. E eu estava desocupada naquele momento, a lanchonete estava sem muitas pessoas, estava bom. Quando seu Carlito chegou em mim e disse:
– Sam, você pode ficar um pouco no caixa pra mim por favor? — Ele falou se levantando
– Claro! — Eu disse
– Vai ser rápido, eu preciso resolver um probleminha, eu vou demorar uns 30 minutos ou menos, mas não passa disso.
– Tudo bem, eu posso fazer isso! — Sorri gentilmente e ele fez o mesmo. Assim tomei seu lugar no caixa enquanto ele saia da lanchonete.
Bom, assim como qualquer lugar, o caixa tinha um computador. E como estava totalmente sem fazer nada, minhas amigas estavam distantes e não tinha ninguém por perto, resolvi checar o meu email. Logico, meu email mesmo. O da Mônica.
Abri uma janela anonima e assim, fiz o login no meu email e assim esperei carregar, comecei a rolar a pagina e eram emails de sempre:
Aproveite a promoção — Loja tal
CONCORRA A PRÊMIOS INCRÍVEIS — Fulano lá do quinto dos inferno
Pedido de amizade — Nunca vou ver
Perda de tempo — Fulano
Perda de tempo — Ciclano
Perda de tempo — Beltrano
Olá querida — MS
Perda de tempo — Fulano
“Espera… MS?” pensei comigo. Droga. E o pior, não poderia simplesmente ignorar aquele maldito email. Eu tinha que ler, tinha que ver
“Olá querida, como tem passado??
Um mês e meio desde que nos vimos pela ultima vez, naquela noite em que você fugiu. Sabia que sinto sua falta? Você faz falta… E não tem noção disso, mas infelizmente eu não sei se consigo suportar a tamanha traição sua, nem se consigo perdoar.
Você sabe muito bem, que eu sou uma pessoa justa demais. E o que você fez comigo, não foi nada justo. Espero que saiba. Perdemos um bom dinheiro aquela noite. Quando digo bom, eu quero dizer que perdemos muito dinheiro, e espero que saiba que a culpa foi sua. Aconteceu coisas bem desagradáveis, mas eu consegui me livrar das emboscadas. Não graças a você, muito pelo contrario, me envolvi nessas emboscadas por culpa sua. Mas enfim.
E eu sendo justo, não vou descansar até achar você e fazer você pagar pelo que fez.
Mas também, eu sei que você fez muitas coisas por mim, por nós naquele ultimo mês, cumpriu com seus deveres, e por isso, eu devo uma parte do dinheiro. E essa parte estarei depositando na sua conta, como sempre fazia. O dinheiro é todo seu, espero que faça um bom aproveito de tudo que tem, porque provavelmente isso será a ultima vez, e isso, sim… Isso é uma ameaça. Não adianta você tentar escapar, não adianta tentar fugir e nem se esconder, você não vai conseguir ficar nessa por muito tempo. Eu vou achar você, e quando eu achar, você não vai gostar de saber as coisas que eu irei fazer, minha querida. Eu vou atrás de Deus e o mundo pra achar você.
Espero que leia esse email, é um aviso pra que você fique atenta.
Um beijo querida. Até logo.
Ass. MS
Ps. Vale lembrar que seu esforço não valeu de nada. Você tentou evitar o inevitável, e aquilo que você não queria que acontecesse... Aconteceu. :)”
Quando eu terminei de ler aquele email, eu estava pasma, em choque e provavelmente estava branca. Estava me sentindo mal, com as pernas moles. Achei que iria desmaiar ali mesmo. Meu Deus, ele disse que iria “Atrás de Deus e o Mundo” e no momento, eu pensei na minha mãe, meu pai. Eles estavam no Brasil, e corriam riscos. Ai meu Deus, isso era uma punição. Eu sei que era, mas eu estava tentando mudar e ele não poderia mexer com a minha família, se ele fizesse isso eu o mataria.
Logo depois de se passar um trilhão de coisas pela minha cabeça, eu pensei “Quanto será que ele me deu?” e eu não poderia esperar pra chegar em casa pra checar isso. Eu entrei no site do banco e fiz o login, e fui checar quanto ele tinha depositado na minha conta.
Data do deposito: -------------------------------- Valor:
05/04/2014 ------------------------------------ R$:300.000
E então, eu estava com 300 mil reais no banco. Aquele dinheiro, eu não usaria aquele dinheiro. De forma alguma. Não mesmo. Eu me recusava a usar aquilo, era muita grana. E eu não queria ter grana, por causa do meu passado. Eu estava começando uma nova vida e eu ia conseguir minha grana trabalhando justamente.
– Oww, quanta grana! — Nimbus falou atrás de mim, me dando um susto.
– Nimbus? — Fechei tudo rapidamente, meu coração já não estava bom depois de ler aquele email e ainda ele faz isso. Ele queria que eu morresse?
– Sammy, aquela grana toda era sua? — Ele perguntou. E agora o que eu falo? — Por que você esta branca desse jeito menina?
– Era, por quê? — Fiz como quem quer nada.
– Por que? Você ainda pergunta… 300.000 reais, é tipo 127.307 dólares. Meu Deus. De onde você tirou isso? — Ele falou — Quer dizer, eu sei que não é um dinheiro impossível. Mas você não consegue isso em mês trabalhando.
– É… — Engoli seco — Você sabe que meu pai morreu, não sabe?
– Er, eu sei! — Ele fez uma cara de pena
– Então, essa grana toda. É parte do que ele guardou pra mim.
– Só uma parte? — Ele arregalou os olhos
– É… Quero dizer — Eu estava com um nó na garganta, não sabia o que dizer. — Eu acho que sim. Deve ser um pouco da grana que ele guardou, pra minha faculdade… — Eu fui falando qualquer coisa que me vinha a mente. Acho que essa foi uma boa desculpa.
– Ah. Nossa! — Ele se surpreendeu — Ele guardou isso pra você?
– Exatamente. Esse dinheiro veio dele.
– Entendi, bom isso é ótimo!
– Não, não é não!
– Ué, por que não? Ele pensou no seu futuro.
– Mas eu não quero usar esse dinheiro.
– O que?? Por que? — Ele arregalou os olhos — Essa grana vai fazer uma grande diferença pra você, nesse tempo que você esta aqui!
– Eu sei, mas é que eu… Bom, usar esse dinheiro é como se sei lá, sabe? — Eu estava enroladíssima — É muito recente, pra querer usar o dinheiro do meu pai, acho que não me sinto confortável com isso.
– Mas você viveu do dinheiro dele, a vida toda.
– É, mas antes ele estava vivo. — Que desculpa mais esfarrapada em Mônica?
– Hmm… — Ele apertou os olhos, e pensou um pouco e sem entender muito ele continuou — Bom, você quem sabe. O dinheiro é seu. Mas pensa bem no que você esta fazendo viu.
– Eu sei, Nimbus! Obrigada por se preocupar comigo! — Eu disse — Ah, só mais uma coisa. Sobre isso, não compartilhe a informação com ninguém. Deixe isso só entre nós! — Eu falei
– Sim senhorita — Ele sorriu e eu sorri de volta. Ai meu Deus, eu era uma farsa, cercada de gente que eu amava e que se preocupava tanto comigo. Estava me sentindo a pior pessoa do mundo.
– Voltei! — Carlito disse aparecendo e cortando nossas conversas. — Obrigada por cuidar daqui pra mim.
– De nada. Eu vou voltar pro meu trabalho, gente. — Eu falei e sai
– Volta pro seu trabalho também guri. — Carlito falou pra ele.
– Sim senhorito.
– Senhorito? — Olhou estranho pro Nimbus
– Senhor. — Ele alto se corrigiu e voltou pra cozinha.
O resto do meu dia foi tenso. Eu mal prestava atenção no que fazia, estava totalmente desconcentrada e minha cabeça estava em outro lugar. Eu só me metia em problemas, minha vida era pura mentira. Eu não via a hora de voltar pra casa. Hoje a noite, eu iria sair com as meninas e com o Nimbus. Espero que eu consiga me divertir um pouco e esquecer esse problemas.
P.O.V Nimbus
Ainda no dia anterior — 11/04/2014 — Sexta feira. 18:00
– Fala ae Mano! — Ele me disse, enquanto eu entrava no carro.
– Já é a segunda vez que você chega causando Do Contra. Eu sinceramente não vou te pedir mais carona, e nem nada do tipo — Eu falei
– Seria um favor — Ele riu
– Escuta, você assusta todo mundo lá dentro. Não é pra menos, você é chato, só se mete em confusão e além dessa imagem que você tem.
– Os outros pensam o que quiser de mim, não quero agradar ninguém. — Ele disse indiferente
– Tudo bem, mas não faça isso perto dos meus amigos, no meu trabalho.
– Por que não? Adoro fazer isso, inclusive lá.
– Como eu disse antes, você assusta todo mundo, inclusive a pobre da Samanta.
– A Samanta, aquela gracinha? — Ele disse todo safado
– É, ela mesmo. E eu reconheço esse tom, nem pensa em chegar perto da Samanta. — Eu falei irritado
– Qualé, você já me afasta daquela sua amiguinha que come mais que um boi…
– Para de falar da Maga! — Eu a defendi. — E não começa vai… — Falei cabisbaixo
– Tem ciumes da baixinha também?
– Não tenho ciumes dela, mas eu sei lá, eu me sinto como um irmão mais velho pra ela, e quero proteger ela de qualquer coisa ruim, e com isso… Inclui você! — Eu falei olhando pra ele
– Relaxa mano, eu não fiz nada demais
– Não, se jogar cantadas na garota não é fazer nada demais. Então não quero nem ver quando você fizer algo… Alias, você não vai fazer nada com ela. Ela já tem problemas demais.
– Primeiro, cantadas não é nada demais. Ela já deve ter ouvido um monte, por sinal. E Problemas é?
– É, quer dizer, não que seja da sua conta, mas além do pai ter morrido a poucos meses. Ela quer muito continuar morando aqui.
– Acho difícil ela conseguir. — Ele riu — Quanto tempo ela tem?
– Eu sei, mas ela precisa conseguir. Eu não quero que ela vá embora, ninguém lá quer que ela vá embora. Ela tem só um mês e meio.
– Só um mês e meio? Acho que ela deveria sair o mais rápido o possível daquele lugar, e começar a procurar uma forma de continuar. Não que ela vá conseguir, mas…
– É, eu sei. — Eu disse pensativo, e comecei a pensar na conversa que tivemos hoje — E o mais estranho é que ela nem precisava estar ali. — Pensei um pouco alto
– O que? — Do contra perguntou me fazendo voltar a prestar atenção
– O que “O que”? — Falei
– Você disse que ela nem precisa continuar ali, por que? — Acho que pensei um pouco alto demais
– Nada Do contra.
– Ela tem grana? — Perguntou curioso
– Que te interessa isso??
– Nada, só quero saber. — Ele disse voltando a se concentrar na estrada — Mas é que pela forma que você disse, é como se ela tivesse grana de sobre e esta ali por nada.
– Talvez seja isso. Mas como eu te disse, não te interessa. Fica de boas na sua vida. — Eu disse impaciente. — Agora vamos logo, se não vou atrasar pra chegar na faculdade.
– Já to indo. — Ele disse — Vocês vão sair hoje, depois que você sair da faculdade mano?
– Nós vamos na Tenjune
– Vão em uma balada do gueto? — Ele perguntou com a sobrancelha arqueada
– Ai cala a boca, a Denise ama aquele lugar. Por isso vamos. Ela que conhece esses lugares.
– Denise é do gueto?
– Mano, Cala a boca! — Eu falei — Dirige isso!
– Você anda muito estressado Nimbus, acho que uma baladinha vai te fazer bem.
– Não to estressado, eu só… To com muitas coisas na cabeça!
– Com muitas coisas você quer dizer… “Faculdade, provas, trabalho e Magali”?
– Não enche DC. — Eu falei lhe dando um tapa na cabeça
– Aii, calma! — Ele disse rindo — Se eu bater o carro a culpa é sua viu! — Não pude conter o riso, eu tento odiar meu irmão, mas ele é meu irmão e eu não consigo odiar ele. Ficamos em silencios por um tempo, ouvindo "Born in the U.S.A" do Bruce que tocava na radio, quando ele quebrou o silencio — Mano... deixa eu te perguntar.
– O que?
– Pode me ajudar ai com um problema?
– Que problema?
– Digamos assim, que eu estou entre a vida e a morte... E eu precise de uma quantidade de grana... Você me emprestaria?
– Como assim "estou entre a vida e a morte" DC? — Eu falei já me preocupando, mas ao mesmo tempo irritado, já querendo matar ele ali mesmo.
– Digamos que eu to devendo um preço ai pra um cara, e ele veio atrás de mim, e me deu um tempo pra conseguir o dinheiro. Você me ajudaria?
Retiro o que eu disse. Eu consigo odiar ele sim.
– Do Contra... No que você foi se meter dessa vez?? — Falei batendo a mão na testa
– Nada demais, eu só joguei um pouco, numa viagem que eu fiz pra LA.
– Só isso?
– E digamos que esse colega ai, me emprestou uma grana e eu perdi tudo, e eu fugi dele, mas ele me achou e quer a grana de volta, se não me mata.
– Você ta louco?? — Me exaltei
– Calma mano. — Ele disse
– Calma?? Você me pede pra ter calma???
– É. Ué!
– Do Contra, quanto você deve pra ele??
– 50 mil. — Eu ri
– Me desculpa DC, 50 mil? Não, não, não e NÃO! — Me irritei — Cansei de limpar suas bagunças, você precisa de 50 mil... Você arranja sozinho. Eu não te ajudar com isso! Nem que você morra, pelo menos quem sabe na outra vida você não aprende.
– Ok, então você não empresta, mas quer que eu me vire pra conseguir?
– Isso, faça o que você quiser. Vá trabalhar, vender cachorro quente. Sei lá, se vira. Não vou limpar sua sujeira dessa vez!
– Qualquer coisa? Posso fazer qualquer coisa? — Ele perguntou um sarcástico.
– Venda seu corpo se quiser...
– Ótimo, então eu vou fazer qualquer coisa.
– Vai vender o corpo?
– Logico que não Nimbus!
– O que então? O que você tem em mente? Olha lá hein... Lembra que você ta tentando sair de um problema e não arranjar outro.
– Pode deixar maninho, não vou arranjar mais problemas! — Ele disse sorridente. Nós finalmente tínhamos chegado em casa, então assim que ele estacionou eu desci e ele desceu atrás. Eu acho que não mencionei que eu moro com meu irmão, certo? Pois é, mas eu moro. Eu divido a casa com esse zé mané, mas fazer o que né? É o que tem pra hoje.
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