Backdraft
5 Capítulo V: Dilke, o homem que vai encontrar sua família
Estava muito surpresa, aquele menino havia me salvado, ele mandou aquele monstro para muito longe com apenas um golpe, e outra coisa me deixava mais confusa, ele havia me chamado de algum nome estranho "Role" ou algo parecido. Já estava ficando de noite, eu estava perdida, mesmo que no momento não estive com nenhum destino aparente, sabia que havia algo errado, só por ele ter me chamado com outro nome. As perguntas não paravam de surgir em minha cabeça, enquanto parava para analisar uma, outra já nascia tirando totalmente minha concentração, e em segundo plano, na minha mente só podia chegar a uma conclusão, estava com fome. Mas antes, não era difícil perceber que eu devia pelo menos ir ver Kaia, ele devia estar muito mau. Corri até ele enquanto aquele menino dizia para eu voltar, fui até o buraco onde ele fora jogado, ele estava lá, quase inconsciente, meio zonzo, que nem eu fico depois de dormir por 12 horas seg... acho que já usei esta comparação, então como eu fico quando vou para escola se ter dormido nada, sim eu fico mal se dormir muito ou pouco, acho que se pode dizer que eu sou muito, mas muito problemática mesmo...
Então o menino chegou para mim, apontou para Kaia e perguntou se ele era meu amigo. Respondi com a cabeça que sim, então ele pulou lá em baixo segurou Kaia pela mão e o jogou, sim, simplesmente o jogou para fora, e depois pulou para cima, o ele caiu no meu lado, agora completamente apagado, mas já não era hora para se preocupar com ele, pois passou pela minha cabeça que Sanaister podia nos atacar a qualquer momento, disse que precisávamos sair dali, então ele agarrou minha mão, achei aquele menino meio abusado, mas logo ele começou a cristalizar suas pernas, e começou a correr, que nem aqueles corredores de elite, só deu tempo mesmo de agarrar Kaia, para que não ficasse para trás, e sim, ele foi sendo arrastado, coitado...
[...]
Já havíamos saído de lá. Além disso, Sanitario, bem acho que não consigo falar o nome dele, mas fazer o que não é? Enfim, saímos daquele lugar, eu, Kaia, e aquele menino, estávamos na porta de um bar, seria um bom lugar para finalmente poderia comer alguma coisa, já estava morrendo de fome, mas era a ideia perfeita mesmo, não só fugíamos de nossos inimigos como também poderíamos responder duvidas e nos recuperar, mas o que ele tinha a dizer? Você não vai acreditar...
Estávamos exaustos pois havíamos corrido de onde a batalha houvera ocorrido até aqui, claro só eu que fui pisando de vez em quando no chão, aquele menino estava na boa, e Kaia estava começando a acordar, já teria acordado antes, mas todas vez que abria os olhos dava de cara numa pedra, pois havia sido arrastado por pelo menos 2 quilômetros, nada a se julgar, pois aquele homem era um monstro, mesmo que ele tivesse sido jogado para o outro lado da cidade, não podíamos "bobiar", ele voltaria em um instante...
Entramos, lá dentro eu realmente não me surpreendi, era como eu imaginava que seria, era um estabelecimento precário. Havia o básico o básico. Era igual um bar novo, só que velho, e um tanto destruído pelo exército, tipo, havia muitos tiros nas paredes, e um pouco de sangue, hã... em toda parte, um lugar como qualquer outro. Também lá havia um homem, ele parecia o dono do local, não sabia o que falar, mas o falar com ele não foi preciso, pois ele falou com a gente primeiro, logo após que viu Kaia:
–Kaia! Meu Deus! O que aconteceu com você?
–bem ele acabou numa luta com o governo e...
–entendo, ele não descansa nunca, não é?
–descansar do que?
–bem, havia um homem chamado Bruno Kindle, ele era líder de uma resistência contra o governo, desde que esse homem sumiu ontem de manhã ele só vem se metendo em encrencas, ele deve ter descoberto que Bruno foi morto, mas o que será dele agora? Bem o que eu estou falando, uma garotinha como você nunca iria entender o que está acontecendo...
–bem na verdade sim...
–mas olha o que eu fiz, fiquei preocupado demais com ele e esqueci de vocês, você está muito machucada, quem são vocês...
–eu sou Dilke — respondeu o menino — e ela é a Hol...
–eu sou Assura Kindle!
–o que? — perguntaram surpresos, tanto o homem quando o menino, Dilke — você é quem?
–sou Assura, filha de Bruno e Siha Kindle...
–não acredito, minha nossa então eu estou na presença de uma princesa, a final de contas!
–Assura? Então você não é a Holy?
[...]
Kaia havia sido levado para outra parte do bar, onde havia medicamentos, pois de todos nós, ele era o que estava pior. Eu aguardava, ainda algum tipo de remédio ou sei lá, qualquer coisa que aliviasse a dor. Eu e Dilke estávamos sentados em uma das mesas, esperando, mas uma coisa que me tirava a concentração em qualquer outra coisa era a expressão daquele menino, ele estava realmente muito desanimado, então não resisti e puxei conversa:
–então, seu nome é Dilke não é? — ele não me respondeu — o que aconteceu? Algo está te incomodando?
–bem, na verdade, eu sou estou triste mesmo porquê eu realmente achei que você fosse a Holy, é que já estou procurando ela a muito tempo...
–quem é ela? Indaguei.
–bem ela é minha irmã, eu acho...
–como assim, eu acho? Me conta o que aconteceu...
–você não tem mesmo que se preocupar comigo, Assura...
–claro que tenho! Pois mesmo que você tenha me confundido com outra pessoa você me salvou a final de contas...
–o que? — perguntou ele surpreso com minha resposta, seguido de um sorriso — bem com posso dizer, Holy é como uma irmã para mim, nós vivemos juntos por muito tempo, não sei se ela é minha irmã ou não, pois o pai dela nunca disse se nós tínhamos um laço de sangue ou não.
–e outra coisa, como você conseguiu seus poderes?
–bem, nosso, ou o pai dela, era um ex-cientista do governo, fugitivo. Não tenho certeza se ele me achou, ou realmente sou seu filho, mas no final das contas, ele me transformou em uma manipulador de matéria X, no entanto, para completar a última parte do projeto deveria se gastar 30 minutos em uma maquina criada por ele mesmo, dos quais não possuíamos. Pelo que Frederic, meu pai disse a mim por uma mensagem de video, o governo pediu que nos retirássemos da casa por algum motivo que ainda não sei quando faltavam apenas 15 minutos, mas por sorte, não me acharam, pois eu estava no subsolo, e papai havia fechado a entrada com cimento. No final das contas só sei que eles foram para um refugio, e já estou os procurando faz um mês...
–hum imagino que deva ter sido bem cansativo — ficamos em silêncio por alguns segundos, ele estava realmente muito chateado, com os cotovelos na mesa e com as mãos segurando a cabeça como se ela não estive junta ao corpo, a mesa era um tanto suja e fedia a cachorro molhado, vai entender, e as cadeiras eram duras e desconfortáveis — e ela é tão parecida comigo por acaso?
–na verdade nem um pouco, ela é baixinha tem cabelos vermelhos e não sai arrumando briga com qualquer pessoa por ai.
–o que? Como assim, eu não saio arrumando briga com qualquer um por ai... E como você pode me confundir com ela se somos diferentes?
–é que sabe, minha memória não é das melhores sabe?
–imagino, eu também meio que sou assim, uma vez esqueci amarrar os cadarços do meu tênis e quase cai no meio da rua!
–uma vez quando era criança, devia ter uns 8 anos, eu esqueci de respirar, eu quase morri!
–como... como você foi esquecer de respirar? Você é louco?
Não houve tempo dele responder... Aquele homem, o dono do lugar voltou com um sorriso gigante em seu rosto e com uma caixa nas mãos:
–como ele está? Perguntou Dilke.
–ele está bem, só precisa dormir um pouco, agora vamos cuidar de você, Assura.
–não eu estou bem, na verdade quando me acertaram eu ainda estava com energia então não me feri.
–mas você está toda machucada, Assura! Disse Dilke, na hora posso dizer que me senti bem, por ele ter se preocupado comigo, foi estanho.
–tudo bem então...
[...]
Já era tarde, era hora de dormir, Dario, o homem que tinha me coberto de Band aids, tinha permitido que ficássemos ali durante aquela noite, Kaia ainda estava dormindo, nesse momento, eu e Dilke estávamos conversando enquanto Dario Collins, saltitava pela loja cantando e tirando o pó, ele era realmente uma alma feliz e caridosa, enquanto eu observava tentando entender o que ele estava fazendo Dilke começou a falar:
–então, você sabe por acaso onde eles poderiam estar, minha irmã e meu pai?
–não, desculpa, eu não faço ideia de onde ela possa estar, na verdade faz menos de 2 dias que estou aqui, fora das paredes azuis...
–hum, sei, e como é lá, dentro das paredes azuis? Indagou Dilke.
–lá é como um paraíso, comparado com aqui, mas ainda sim é uma terra de falsidade — nós dois ficamos em silêncio, enquanto Dario cantava ao fundo — bem, e você o que vai fazer agora?
–bem, eu quero encontrar a Holy logo, estou cansado de ficar sozinho.
–bem, então — demorei uns 5 segundos para responder — você pode vir com agente, até achar onde a Holy está, e se quiser pode nos ajudar a destruir o governo. Você quer?
Ele sorriu, chorou um pouco, e respondeu: "sim, vou com vocês". Naquele momento, mesmo que não fosse certo que ele nos ajudaria, pelo menos ele viria conosco, apesar de não sabermos para onde iríamos, acho que havíamos ganhado um novo amigo, quem sabe...
–ei Assura.
–o que foi, Dilke?
–como é dentro das paredes azuis?
–mas você já perguntou isso!
–verdade acho que esqueci...
E este foi meu dia, na verdade, para a menina que eu era, que vivia pedindo emoção, foi um dia ótimo!
[...]
Em um local distante dali, na sede do governo, uma pessoa na escuridão conversa com outra pelo telefone:
–então, tenho um trabalho para você.
–qual seria, é algo grande?
–mais ou menos, eles realmente estão chamando um pouco de atenção do governo, eu enviei fotos deles para você por e-mail, elimine-os, então terá sua recompensa.
–mas você já pensou naquilo que eu disse?
–pensei um pouco, mas não vou perder mais meu tempo...
–pare de fugir da verdade, aceite a verdade, Sanaister, mas enfim, logo você vai ver a verdade...
[...]
Era meio-dia, e pela primeira vez, podia dizer que almocei, sim pudi comer algo, ao contrario dos últimos dias, falando nisso, já fazem quase 2 dias que estou aqui, fora dos muros azuis. Agora, nós nos preparávamos, eu, Assura Kindle, com meus poderes de lâminas, estou disposta a tudo para destruir o governo. Kaia, já recuperado com o poder de transformar seus braço e armas, ele vai vingar sua figura paterna, que no caso seria meu pai. E Dilke, o nosso novo companheiro, com o poder de cristalizar seu corpo ele vai fazer tudo para reencontrar sua família. Partimos, ao longe podia ver Dario balançando sua mão incansavelmente com um sorriso reluzente:
–então você nos salvou ontem não é Dilke — disse Kaia enquanto andávamos — muito obrigado!
–não foi nada, até porque eu achei que Assura fosse a Holy.
–"Roli"? Indagou Kaia.
–essa menina é irmã do Dilke, ele está o procurando ela ha um bom tempo — Respondi — Entendeu?
–hum entendo, mas enfim, você nos salvou sabe o que isso quer dizer? Perguntou novamente Dilke.
–o que? Dissemos eu e Dilke ao mesmo tempo.
–quer dizer que eu te devo uma, quando precisar estarei aqui, beleza?
–sim... Dilke respondeu com um tom de voz meio vago, e com uma cara pensante.
Mas algo estava me incomodando, como se o tempo todo algo estivesse me cutucando o tempo todo. Parei, e me perguntei em sussurro, muito baixo, mas logo os dois perceberam e param um tanto surpresos, "mas, onde estamos indo agora", este era um problema real, Kaia logo expressou sua opinião, "bom, já tentamos procurar aliados, mas não estamos sendo profissionais, isso não dará certo", não gostei da resposta:
–não podemos desistir, olha o que o governo fez com nós, não podemos simplesmente desistir!
–mas o que podemos fazer? Eu já participei de uma resistência, e acredite, no final o governo sempre vence! Disse Kaia.
–nós podemos ir a alguma outra resistência — foi Dilke quem deu essa brilhante ideia, no começo tanto eu quanto Kaia só conseguimos dizer algo como "o que? Como assim?" — sim poderíamos ir para outra cidade, talvez em outras cidades existam outras resistências onde podessamos participar. Não houveram outras palavras, só sorrisos e aquela sensação enérgica dentro da gente quando algo grande ia começar, partimos, eu não sabia como a gente iria descobrir outra resistência para entrar, nem como chegar lá, mas uma coisa eu tinha certeza, as coisas só iriam melhorar, a partir dali...
Fale com o autor