Back to the past

2 Um começo para você, uma continuação para nós.


Notas iniciais
Vivendo uma vida normal. Ren e Marry saem para caçar, mas no meio de um descanço, eles acabam encontrando alguém.

03/09/2017, Pandanus.
Em uma clareira bem distante da cidade, onde os pássaros cantavam livremente e os animais andavam pela floresta tranquilamente, havia uma humilde casa de madeira, rodeada por flores e algumas árvores altas.
Nela vivia Minami Ren, filho da guerreira mais idolatrada pela humanidade. Seu longo cabelo que vai até o pescoço, é a sua característica marcante. Mary que era sua melhor amiga, também vivia com ele. A sabedoria é a sua característica marcante. Seu cabelo que é tão escuro quanto um corvo, bate um pouco acima do seu ombro.

12h40min, Cozinha.

O raio do sol entra pela janela da cozinha, os pássaros estão cantando alegremente lá fora. Enquanto Mary está preparando o almoço, Ren está sentado na mesa da cozinha lendo o jornal do dia.
—Tem algo de interessante no jornal? –Mary perguntou com uma voz calma enquanto bota o arroz nos pratos.

—Parece que não tem nada de interessante acontecendo na cidade. –Ren respondeu virando a página do jornal.

—Você está sempre lendo isso. Você não se cansa?

O garoto coloca o jornal na mesa e da um leve suspiro.

—Você não se preocupa? Nós estamos bem longe da cidade, por isso eu preciso ficar lendo os jornais e ficar atento ao noticiário. –Ren disse em um tom rude.

—Só estou dizendo pra você sair um pouco de casa. Nós estamos vivendo fora da cidade, uma hora vamos sentir falta de comida. –Mary retrucou ao mesmo tempo em que botava os pratos na mesa. –Coma, senão vai esfriar.

Ren ainda de cara feia, pega o prato e começa a comer o frango que Mary preparou. Ren nunca cozinhou porque ele sempre foi um desastre na cozinha, então ele sempre deixou Mary no comando, e em troca, ele limpava a casa todo final de semana. Toda terça-feira os dois saíam para caçar na floresta, mas eles pararam com isso desde a aparição de ladrões e assassinos ao redor da floresta.
Após terminarem de comer, Ren pega os dois pratos e deixa na pia.

—Depois eu lavo a louça. –Ren disse lavando as mãos.
—Por que depois? –Mary se levantou da cadeira com uma cara de indignada.
—Eu não estou muito afim. –Ren disse enquanto botava o seu casaco e ia para sala. –Eu irei caçar agora.

Mary fica surpresa com a decisão de Ren.
—Espera! –Exclamou Mary ao segurar o braço de Ren. –Por que essa decisão?

—Não posso ficar parado, eu preciso treinar mais um pouco do meu poder.

—O poder que você herdou de Iara?

—Sim, o Aerial Purple.

—Você ainda não me explicou direito o como você pegou esse poder.
Mary solta o braço de Ren e o garoto respira fundo. Ele se vira para Mary e a encara com um olhar sério.
—Não to com um psicológico bom para explicar sobre isso agora. Só pense como se fosse o poder do meu pai. Meu pai era um cientista louco, então ele acabou injetando um pó de cristal em sua veia. –Ren disse com um olhar frio e um tom seco.
Mary vira seu olhar para o chão como se tivesse se lembrado de algo triste.

—Desculpe por tocar no assunto... –Ela disse em um tom de arrependimento. –Eu vou lhe acompanhar nessa caçada.

—Certo. Vou pegar as armas e então nós iremos partir. –Ren respondeu.

13h 04min
Os dois já estavam fora de casa, apenas checando se esqueceram alguma coisa importante. O vento estava um pouco forte, o cabelo do Ren balançava com a força que o vento assoprava.
—Você não está esquecendo nada? –Mary perguntou enquanto mexia na sua mochila.

Ren estava tão distraído olhando para as árvores, que ele nem estava prestando atenção na Mary. A garota bota as mãos no ombro esquerdo do Ren, o que causa um leve susto. Ele olha assustado para Mary e ela nem sequer entende o porquê daquele olhar.
—O que houve? Você está bem? –Mary pergunta em um tom de preocupação.

Ren da um leve suspiro de alívio.

—Não é nada. Eu só tava pensando no que eu te falei sobre o meu pai hoje. –Ren disse enquanto dava um leve sorriso. –Ele foi um bom homem, mesmo não parecendo.

Mary bota a mochila nas costas e bota a sua mão no ombro de Ren.

—Está na hora da caçada, apenas esqueça isso. –Mary disse sorrindo para Ren.

Mary e Ren trocam olhares, um sorri para o outro.

—Tem razão. Esses pensamentos não são importantes agora. –Ren disse enquanto começava a caminhar em direção á floresta.

Os dois iniciaram a caçada. O objetivo da caçada é conseguir alimentos e afastar alguns ladrões da casa. A floresta é enorme e escura, ela é composta por árvores gigantes. Dentro dela se encontra veados, cobras e de vez em quando galinhas.
13h 28 min.
Floresta das árvores escuras.
Ren e Mary caminhavam tranquilamente, Ren segurava sua espada e Mary carregava seu arco e flecha, ambos estavam com medo por dentro. Um pássaro bate as asas, Ren leva um pequeno susto com o barulho. Algumas folhas voam e outras apenas se mexem.

As árvores que eram tão grandes quanto um Titanic, impediam a entrada da luz do sol na floresta, apenas alguns lugares eram iluminados por uns raios de luz.

Um coelho passa rapidamente por uma moita ao lado de Ren, causando um pequeno barulho entre as plantas. Os dois param de andar. Marry e Ren se entre olham, os dois escutaram claramente o barulho, ambos estavam com olhar de desconfiados.
[POV: Ren]
Eu escuto algo passando pelas moitas, meu coração acelera por alguns segundos. Eu olho para Marry e ela olha para mim. O que ela deve estar pensando? Ela também escutou o barulho. Nós dois olhamos ao nosso redor, não há nada. Eu ouço o barulho de novo, então eu saco a minha espada. Marry também está com o seu arco na mão, seja o que for nós iremos atacar. Eu me viro para trás para ver se tem algo nos perseguindo, mas não há ninguém além de nós dois.

—Não deve ser nada, vamos voltar a caminhar. –Eu disse tentando fugir da situação.

A criatura pulou do arbusto, eu solto um grito de susto, ela pulou tão rápido que eu não consegui ver o que era. Eu acabo caindo no chão, minha mão agora está toda suja de terra. Eu olho para Marry e ela está com o seu braço esquerdo estendido. O que ela pretende fazer? Aliás, o que é essa criatura?

—ZERO! –Gritou Marry.

Eu sinto um arrepio e em seguida uma ânsia de vômito, eu não entendi o porquê desse grito dela. Eu me levanto e limpo as minhas mãos na calça.

—O que diabos foi esse grito? –Eu pergunto para Marry.

—O peguei, bem na hora. –Marry disse ao mesmo tempo em que guardava suas flechas.

Ela o pegou? Eu olho para frente e me deparo com um coelho, nele há uma flecha perfurando o seu corpo, e logo a sua frente, uma poça de sangue que vem dele.

—Um coelho? Era um coelho que estava fazendo aquele barulho? -Eu perguntei.

—Engraçado que mesmo sendo um coelho, eu ainda sinto cheiro de frango. Por algum acaso esse cheiro vem de você? –Ela disse zombando de mim.

—Não é engraçado! Você sabe que nessa floresta tem animais ofensivos! –Eu retruquei enquanto liderava a caminhada.

Marry colocou o coelho em uma sacola e em seguida o botou na mochila. E então nós continuamos a nossa caça.

Já se passaram trinta minutos desde que saímos de casa até agora. Ainda não insisti em falar com a Marry sobre aquele grito que ela deu. Seria algum tipo de poder? Eu não posso deduzir o que foi aquilo, eu tava no chão enquanto minhas mãos estavam sujas de terra. Mas eu lembro que um dia eu li um papel que estava no quarto de Marry. O papel era da escola de arqueiros em que ela tinha se formado há uns anos atrás, nele dizia que a pontaria dela não era tão boa, mas passou a melhorar de um dia pro outro. Como isso é possível? Quando nós voltarmos para casa, eu tentarei conversar direito com ela, por ora, só precisamos focar na nossa caçada.

Algumas borboletas voam pela floresta, chegamos à parte da floresta em que o clima é um pouco mais frio. Já é um pouco mais difícil achar algum animal nesse lugar. A luz do sol atua bem nesse local, as árvores não são tão altas então elas não impedem a entrada dos raios de luz. Essa já não é a mesma floresta.
Esse lado claro e tranqüilo, nós chamamos de A floresta das memórias perdidas. Porque todo mundo que entra aqui, esquece das memórias e dos momentos ruins.

Eu olho para Marry e ela está com um sorriso no rosto, acho que ela gosta desse local, já é um bom lugar para puxar assunto com ela sobre aquilo.

—Ren! Está escutando isso? Tem uma cachoeira por aqui! Eu estou escutando o barulho da água caindo! –Ela disse com um tom bem animado.

Estou feliz por ela estar feliz, afinal, na maioria das vezes ela está séria ou triste.

—Sim! Nós caminhamos muito então é certo dar um descanso. Aliás, é a primeira vez que você vem nessa floresta! –Eu digo com um sorriso no rosto.

Seu olhar é tão incrível, eu nunca a vi assim. Essa floresta realmente deixa os outros felizes não é? Mas por que eu não fui afetado? Será que só são afetadas as pessoas que têm um passado forte? Marry pega na minha mão e então nós seguimos o barulho da água.

—Vamos mais rápido Ren! Mal posso esperar para dar um mergulho nas águas puras! –Ela disse enquanto ia mais rápido.
Ela realmente está muito animada, eu apenas sigo o que ela fala. Agora lembrei o como eu a conheci. A humanidade tinha acabado de ser transferida para o planeta Pandanus. Eu meio que estava sem rumo, não tinha casa, não podia contar com a minha mãe porque desde a minha infância ela estava ocupada com seu exército. Então eu meio que não sabia para onde ir e nem sabia se eu ia morar em alguma casa. Após dias dormindo na calçada eu finalmente conheci a Marry.

Eu estava dormindo quando ela me acordou, ela estava usando uma capa preta e um capuz para não ser reconhecida.

‘’Vai ficar tudo bem a partir de agora. ’’ Foram as primeiras palavras que ela disse á mim. Minha mãe a enviou para cuidar de mim, e desde então, minha vida melhorou. Nós passamos a morar em uma clareira dentro da floresta. Ela tem a mesma idade que eu, mas age como se fosse a minha mãe. Eu gosto disso, ela é alguém importante na minha vida.

Depois de alguns minutos procurando a cachoeira, nós finalmente a achamos. Passarinhos pousavam nas rochas para cantar, a água era totalmente transparente, é um lugar totalmente tranqüilo e limpo. Um lugar para nós descansarmos. Ouvir o som da água me deixa confortável, eu dou um suspiro e então, meu corpo fica leve. Parece que meus pensamentos ruins foram embora.

—Veja só Ren! Quanto tempo nós não vemos isso? Tudo bem se entrarmos um pouco na água? –Mary perguntou toda animada. –Por favor, vamos entrar! Nós já caminhamos muito, merecemos um descanso!

Eu cruzo meus braços e dou um leve suspiro, e então eu abro um pequeno sorriso pra ela. Vamos descansar, afinal, caminhar pela floresta é muito cansativo.

—Certo. Vamos descansar! –Eu disse enquanto sentava na beira da água. –Caso precise de algo, é só chamar.

Ela está tão feliz que ignorou o que eu disse. Geralmente a Mary age como se fosse a minha mãe, mas agora eu que me sinto um velho pai vendo a sua filha brincando na água. Mas tudo bem, parece que aqui não há nenhum perigo. Os riscos diminuíram desde que nós chegamos nesse planeta.

[POV: Narrador]
Ren da um pequeno bocejo, ele já está ficando sonolento. Esse é um dos efeitos da floresta. Ele bota sua mochila no chão e então é surpreendido com um banho de água, ele agora está todo ensopado.

—O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ? –Ele perguntou em um tom bravo diretamente para Marry. –MINHAS ROUPAS ESTÃO MOLHADAS!

—Agora não tem mais jeito... Acho que você vai ter que entrar na água e brincar comigo! –Mary disse o provocando. –Anda logo, entra aqui!

Ren da uma resmungada, mas ele não consegue ficar bravo com a Mary. Ele simplesmente tira a camisa e a deixa em cima da mochila e então, Mary volta a brincar na água.

—Será que eu realmente tenho 15 anos? –Ele perguntou para si mesmo.

Ele começa a encaminhar em direção á água, porém, algo o impede. O garoto sente uma mão em seu ombro, alguém que chegou por trás e ele nem percebeu. Ren congela de medo, seu coração acelera. O que diabos está atrás dele?

—Oh. Você é o filho da Iara. Que irado! –Disse uma voz grossa e séria que está atrás do garoto. –Devíamos ter uma pequena conversa não acha? Você é o garoto que ela abandonou para treinar o exército dela, certo?

—S-Sim... –Ren disse em um baixo tom enquanto tremia de medo.

O sujeito segura a garganta de Ren com a sua mão direita, e com a sua mão esquerda, ele segura um canivete apontado para o queixo do garoto.

—Como ele sabe que estou por aqui? Afinal, quem é ele? –Ren perguntou para si mesmo. –Marry está distraída na água, ela não pode fazer nada!

O garoto está realmente assustado, seus olhos estão arregalados e seu coração está agitado.

—Não foi o seu pai que morreu e então ninguém nunca soube a razão da morte? Diziam que um humanóide o matou, mas você nunca soube a resposta, certo? –O sujeito dizia enquanto pressionava mais ainda o pescoço de Ren. –Isso foi tão bizarro!
Tudo o que ele falava era verdade. O pai de Ren foi assassinado, mas ninguém nunca soube quem foi o assassino. Seu vizinho disse que era alguém muito alto e usava uma capa azul. O assassino escondia seu rosto com uma máscara sorridente.

—Você já está sabendo muito sobre tal assunto... –Ren respondeu com uma voz trêmula.

—Não faça nenhum alarde, ou eu irei cravar esse canivete na sua garganta. Por que nós não sentamos e não conversamos um pouco?

Continua.