Back to our last kiss
1 Capítulo Único - Last Kiss
Notas iniciais
Então vamos à uma ideia que tive enquanto ouvia Last Kiss, da Taylor Swift. Foi a que inspirou parte da história, então se quiserem pegar a mesma vibe, ouçam enquanto leiam ;)
Sem mais delongas, boa leitura e perdoem o eventual sofrimento e bom jeller para vocês ❤
Acho que quando algo chega ao fim, as imagens voltam à nossa mente como em um loop de lembranças. Sentada no terraço do nosso apartamento, vestindo uma camisa dele, tudo o que eu sei é que eu não sei como consegui aguentar por tanto tempo.
Me afastar dele foi a decisão mais difícil que tomei. Eu sabia que iria magoá-lo, sabia que talvez estivesse danificandoseriamente o que existe entre nós, mas ao menos ele e as pessoas que amávamos estariam vivos e quem sabe até seguros. Pelo amor que eu sentia, eu não podia deixar que o perigo que me rondava, chegasse até ele.
Eu ainda me lembro de olhar em seu rosto, a luz do abajur iluminando seu rosto na escuridão à 1h58. Dormindo tão sereno, calmo, como se o mundo estivesse em perfeita harmonia naquele momento. Mas não estava. Acariciei levemente seu rosto sussurrando o quanto eu o amava e deixei minha aliança ali, juntamente com uma parte de mim. Meu coração, que na verdade já não pertencia mais à mim, aos prantos gritava para que eu não fizesse isso. Você gostaria que eu tivesse permanecido, mas eu não podia. As palavras que você sussurrou naquela noite dizendo que tudo ia ficar bem independentemente do que fosse, ainda ecoam em meus pensamentos. Você disse que me amava, foi apenas um sussurro mas preencheu meu coração de amor. E então, eu tive que fazer o que fiz, pelo nosso bem. Eu tive que ir embora.
Eu me lembro do cheiro da chuva fresca na calçada e da batida do seu coração que se fazia sentir através de sua camisa enquanto me abraçava. Naquele dia decidimos ir para casa andando e pegamos chuva no caminho. Eu ainda posso sentir seus braços ao meu redor naquela noite enquanto eu tremia de frio mesmo enrolada nos cobertores. Eu só parei de tremer quando senti o seu corpo aquecendo o meu.
Eu me lembro do seu caminhar sedutor vindo até mim durante a nossa festa. Eu revirei os olhos e em seguida você me puxou, mesmo sabendo que eu não sou muito de dançar. Mas eu dancei. Várias músicas. Lentas e algumas um pouco mais agitadas.
Nunca pensei que um dia teríamos um último beijo. Ao menos naquele momento. Sua boca sempre gentil contra a minha mas sem nunca perder a intensidade. Quente, mas suave, nossos lábios se movendo como um só em um perfeito encaixe assim como nossos corpos e coração, que não eram mais dois e sim um batendo e vivendo como um só.
Nunca imaginei que teria que ser daquele jeito. Eu gostaria de ter permanecido, porque não houve um dia em que eu não me lembrasse como às vezes ele me interrompia com um beijo enquanto eu estava dizendo algo. Eu sentia falta daquelas rudes interrupções.
— Você descobriu meu lugar secreto. — a voz de Kurt me desperta, me trazendo de volta ao presente. Olho para trás e ele está parado na porta, os braços cruzados sobre o peito.
— Seu lugar secreto? — pergunto com um meio sorriso no rosto.
Eu estava no terraço do nosso apartamento. Havia um sofá de madeira, algumas almofadas e uma mesinha de centro, e de lá, a vista da cidade era de tirar o fôlego. O céu, parecia estar estar logo acima das nossas cabeças, e a lua, parecia brilhar especialmente para nós.
— Sim. — responde Kurt. — O terraço e o céu, foram meu lugar de paz nos dias em que eu pensei que fosse enlouquecer.
Estendo a mão para ele chamando-o para vir para perto de mim e ele logo a pega, vindo se sentar ao meu lado no sofá.
— Eu vinha aqui toda noite, — continua ele enquanto acaricia o dorso da minha mão. — olhava para céu imaginando onde você estaria e lembrava que não importa a distância que nos separava fisicamente, nós ainda estávamos debaixo do mesmo céu e observando as mesmas estrelas.
Nos encaramos durante alguns instantes, presos no olhar um do outro como se ambos tivéssemos medo de desviar e perder o momento. Era possível ver no fundo dos outros um do outro todo o sentimento que havia, sobretudo a saudade e o amor, refletindo como faíscas no encontro do azul dos olhos dele com o verde dos meus. O tempo, as circunstâncias e motivos que nos separou durante àquele tempo, havia deixado cicatrizes que a cada dia se tornavam menores, mas a intensidade do que sentíamos um pelo outro havia aumentado ainda mais. Debaixo daquele céu estrelado e vendo o sorriso um do outro, sabíamos que ambos seríamos capazes de tudo novamente se fosse para hoje estarmos assim, bem e juntos novamente.
Aproximo meu rosto e toco meus lábios no seus em um beijo calmo carregado de sentimento e sorrio me acomodando em seu abdômen, descansando a cabeça em seu ombro.
— E quando se tornava difícil respirar até aqui, eu saía para andar. — Kurt continua. — Não que desse certo, porque cada lugar que fomos juntos tinha a sua marca, me lembravam das piadas que você fez e então eu lembrava da sua risada.
Kurt sorri levemente lembrando de alguma coisa que eu havia falado e imediatamente eu também sorrio, apenas por ver o sorriso no rosto dele. Em todo o tempo que estive longe, pensar no quanto eu o estava fazendo sofrer foi o que mais me doeu.
— Cada canto da nossa casa gritava por você.
— Até mesmo a cozinha que não é das minhas maiores fãs? — pergunto mordendo o lábio, me referindo às várias tentativas não muito bem sucedidas em cozinhar para nós dois.
— Principalmente ela! — responde ele rindo. — Aliás depois de mim, ela foi a que mais sentiu a sua falta.
— Eu acho que ela ficou bem satisfeita em não ter ninguém para bagunçá-la nem quebrar nada na tentativa de fazer uma simples massa. — provoco sorrindo.
— Foi justamente disso que ela mais sentiu falta. — responde ele. — Sem você, ela ficou arrumada demais. Exceto por algumas coisas que foram quebradas.
Eu o encaro tentando decidir se ele estava falando sério; e ele estava.
— Eu não acredito nisso.
Kurt apenas balança a cabeça em afirmação fazendo uma careta, confessando o seu crime. Imaginar Kurt, sempre ou quase sempre controlado, quebrar alguma coisa na cozinha por sofrimento, raiva ou tristeza pela minha ausência, me atinge, mas ao mesmo tempo, me faz rir da imagem e eu rio. Um riso divertido, leve, que pensei que não daria novamente até semanas atrás. Um riso de pura felicidade que só existia quando eu estava bem e com Kurt.
— Ainda não acredito que você pegou uma mochila e simplesmente saiu atrás de mim. — me viro cruzando os braços sobre seu peito para poder olhar para ele.
— Digamos que houve mais algumas etapas entre pegar a mochila e sair atrás de você, — responde ele sorrindo. — Mas foi basicamente isso.
— Você é maluco, sabia?
— Maluco eu estava ficando sem você. — responde ele com o olhar fixo no meu, me abraçando. — Para todo o lugar que eu olhava ou ia, tudo me fazia querer correr o mundo para te encontrar. Então foi o que eu fiz.
— Eu te amo. Muito.
— Eu também te amo. Muito. — repete ele olhando nos meus olhos, deixando a intensidade do que estava dizendo, implícita em cada palavra.
— À noite quando as estrelas iluminavam a tenda, eu costumava ficar olhando para a lua. — digo com um sorriso no rosto, lembrando dos inúmeros dias em que fiz isso. — Às vezes eu falava, às vezes fica apenas olhando, de alguma forma, isso me trazia paz.
Sorrio desviando meu olhar do dele e olho para o céu, sentindo as lágrimas molharem meu rosto, mas logo Kurt toca meu rosto gentilmente e o traz de volta ao seu, enquanto limpa as minhas lágrimas delicadamente com o polegar.
— Eu nunca entendi bem, mas agora eu sei que a razão era você. — meu sorriso se abre ainda mais vendo no fundo dos seus olhos todo o amor que refletia nos meus também. — Sempre você.
Kurt sorri acariciando o meu rosto e me beija. Leve a princípio, mas logo se tornando intenso; suas mãos percorrem minhas costas, entrando por baixo da minha blusa acariciando minha pele, seu toque urgente em sentir cada centímetro do meu corpo.
— Tudo me leva a você. — sussurra ele em meu ouvido após interromper o beijo, repetindo o que havia dito pouco há algum tempo atrás. — Você é a alegria dos meus dias, você preenche a minha vida, você é a cor da minha vida.
Sorrio dando-lhe um beijo rápido e puxando levemente seu lábio inferior enquanto ele entrelaça seus braços ao meu redor, mantendo-me firme contra si.
— Agora só tem um vazio que ainda falta preencher.
— Qual? — pergunto curiosa.
— O do meu estômago.
Solto uma gargalhada deitando meu rosto em seu ombro e ele aproveita para morder levemente o lóbulo da minha orelha, deixando um beijo estalado ali.
— Vamos tentar dar um jeito nisso então.
Me levanto estendendo a mão para ele, que a pega prontamente e seguimos rumo à cozinha para preencher o vazio dos nossos estômagos, agora que nossos corações estavam transbordando de amor.
Notas finais
Comentem, me deixem saber o que acharam, se gostaram e quais foram as partes preferidas, enfim, comentem aqui ou no twitter @mockingjeller ❤
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