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3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
O barulho continuava, as sirenes, os barulhos de celulares, as vozes… Os carros passavam devagar. Algumas pessoas paravam para olhar e comentar o estrago. Os policiais andavam de um lado para o outro. A área estava isolada, não era permitido chegar perto. A ambulância estava lá, porém a porta estava aberta, todos sentiam que algo estava errado.
Carly chorava compulsivamente. O carro estava longe, mas não tirava os olhos daquela cena. Carly jamais esqueceria aquela imagem, o carro vermelho recém comprado pela amiga dentro daquele poste, os estilhaços de vidro.
Se lembrou da felicidade de Sam a cinco quando comprou o mesmo, Samantha sempre fora uma pessoa clássica, mas com a inauguração de seu bar e o sucesso do mesmo, pode finalmente comprar o carro de seus sonhos, um Corvette 1960 vermelho. A amiga estava orgulhosa de sua compra e mandou fotos para Carly. A morena ficou feliz pela amiga, mas não entendia porquê gastar tanto com um carro velho, já Freddie não pode esconder o desejo de dar uma volta com o mesmo.
Carly não era capaz de pronunciar uma palavra sequer, de sua boca saíam apenas soluços causados pelo choro. Sua maquiagem recém retocada já havia borrado e seus olhos estavam inchados. Seu coração doía, nunca imaginou que viveria uma situação tão dolorosa, quanto aquela.
Samantha era sua amiga, sua melhor amiga. Se lembrou de sua infância, as risadas que deram juntas, das vezes em que Sam a apoiou e sentiu culpa. Sabia que Sam amava Freddie, sempre soube.
Freddie estava destruído e preocupado, mas não chorava. Queria ser forte, pela esposa e pela amiga. Seu coração doía, tentou se lembrar da loira no casamento. Ao vê-la seu coração acelerou, ela estava linda naquele vestido. O vestido dourado realçava os cabelos loiros e ondulados, Sam usava uma maquiagem discreta e ainda assim, era a madrinha mais bonita. Nem mesmo a noiva poderia ofuscar a beleza daquela mulher. Suas curvas chamavam atenção de todos, qualquer um olharia para aqueles lindos olhos azuis e se apaixonaria. Freddie tentou desviar o olhar, Carly ainda não havia chegado, mas tudo que ele podia enxergar era a madrinha, Sam nunca havia estava tão linda. Ela sorria e Freddie se sentiu mal, pensou que talvez Sam tivesse conhecido alguém e por isso estava tão radiante. Olhou para os convidados e pode notar muitos olhares para a mesma, mas não sabia qual deles era o acompanhante da mesma.
Freddie se aproximou dos policiais. Precisava perguntar como ela estava, a preocupação com o estado da loira era maior que qualquer coisa. A felicidade pelo casamento havia sumido, ele sequer enxergava Carly, tudo que via era a placa daquele carro. Ele tinha certeza. Era o carro de Sam. Precisa de informações, tinha medo das respostas, mas não podiam ficar ali parado sem saber como sua amiga estava.
—O que aconteceu aqui? Onde ela está? — Perguntou tentando se manter calmo. Sua voz quase não saia, Freddie sentia seu coração doer, tudo que ele desejava era ouvir que ela estava bem e poder segurá-la entre seus braços e nunca mais soltar.
O policial o encarou com uma expressão fria, que em seguida se tornou uma expressão preocupada. Freddie naquele momento desejou saber ler mentes. Imaginou milhares de respostas. Sentiu que seu corpo tremia, o choro estava a caminho, mas tentava se controlar. O sorriso da loira não saia de sua cabeça.
—Qual o nome da vítima? — Ele perguntou com sua voz grossa e sem sentimento para Freddie.
—Samantha Puckett. Onde ela está? — Sua voz tremeu, uma lágrima se formou em seu olho, mas ele tentou segura-la. Ainda não havia repetido o nome dela desde o casamento, imaginou como tudo poderia ter sido diferente se a noiva fosse ela. Os dois estariam em sua festa dançando, mas ao invés disso, ele estava ali sem saber como ela estava.
O policial olhou para os outros que o acompanhavam sem dizer uma palavra, parecia procurar a maneira certa de responder. Freddie gelou. Todos possuíam uma expressão fria, talvez fossem treinados para tal, mas Freddie sentia que aquilo não era um bom sinal. As pessoas em volta cochichavam e tiravam fotos do acidente. Aquilo incomodava o rapaz que desejava que todos desaparecem.
—Vem comigo, rapaz — O policial o chamou sem o encarar. Freddie concordou, uma lágrima escorreu por sua bochecha, sentiu alguém segurar em sua mão.
—Sammy — Sussurrou, mas ao olhar na direção percebeu que era Carly, sua noiva, ainda vestida como tal, ela apertava a mão dele e os dois caminharam até os policiais.
Pensamentos rondavam a mente de Freddie, ele se lembrou de Samantha nua em sua cama, se lembrou da forma que ela sorria quando ele encostava os lábios em seu pescoço. Sentiu que nunca mais veria aqueles olhos de novo.
Brad fez sinal para que Sam ficasse em silêncio. Os cascos ficavam mais altos a cada segundo, até que pararam. Ela quis gritar, pedir por socorro, pedir para que parassem de filmar a pegadinha, imaginou estar em um reality show, mas ficou em silêncio.
O silêncio foi interrompido por um barulho, era a porta se abrindo. Dois homens altos entraram pela porta com espadas, Sam se assustou, mas se encolheu na cama com olhos arregalados.
—O que querem? — Brad perguntou passando a mão em sua espada.
—Quem é ela? — Perguntou um deles apontando com a cabeça para loira assustada no canto. Ele possuía uma cicatriz do olho esquerdo até o queixo que causava arrepios.
—Uma amiga — Brad disse calmo. -O que fazem aqui? — Perguntou aumentando o tom.
—O príncipe voltou — Respondeu o homem com a cicatriz -Precisamos seguir com o plano.
—Livre-se dela — O outro falou ríspido. Sam ainda não havia ouvido a voz dele, era um tom doce, porém a espada em sua mão o tornava agressivo.
Os dois saíram da cabana deixando Brad e Sam ali.
—Ouviu o chefe. Preciso me livrar de você — Brad respondeu sorrindo para loira.
Sam desejou implorar por sua vida, mas a voz não saia de sua boca.
—Você é uma espiã? — Ele perguntou mais uma vez.
Percebeu que se negasse ele poderia matá-la ou deixá-la ali como haviam mandado, então Samantha tomou uma atitude desesperada. Concordou com a cabeça.
—De onde? — Ele arqueou a sobrancelha. -Não importa. Precisamos sair daqui — Ele a puxou pelo braço.
Do lado de fora os outros esperavam com cavalos.
—Ela não pode ir conosco — O homem com a cicatriz disse nervoso olhando para Samantha.
—Ela está aqui a mando do rei. Fique calmo, Tomás — Brad colocou a mão sobre o ombro do outro que concordou a contragosto.
—Já que ela virá conosco, podemos nos divertir um pouco — Ele falou se aproximando da loira e tocando os cabelos sujos da mesma. Sam tremeu com o toque.
— Não — Brad retirou a mão dele imediatamente — Ninguém tocará nela! Ouviram? Ninguém. — Brad disse autoritário. Olhando para os dois.
Ela estava assustada, queria fugir, mas para onde iria. Seu coração doía e orava em pensamento para que o pesadelo acabasse, não queria viajar com aqueles homens. Tomas a assustava, mas ela sabia que enquanto Brad estivesse por perto ela estaria mais segura do que sozinha.
—Suba! — O outro homem ordenou, ela ainda não sabia seu nome, porém algo nele lhe era familiar.
Sam nunca havia montado em um cavalo.
—Suba! — Gritou encostando o aço frio de sua espada na garganta da loira.
Brad se aproximou e apontou o local da cela onde a mesma deveria colocar o pé. A espada fria raspou na garganta da loira e a soltou. A ficha caiu.
Ela estava sozinha, com pessoas que não conhecia, o único rosto familiar era o de Brad, mas ela sabia que não era o mesmo que havia deixado em casa da última vez que se viram. Ela precisava voltar para casa, mas como?
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