Mesmo desmaiada eu consegui sonhar, por assim dizer, sonhei que estava em um castelo branco e gelado, na mesma hora percebi quer era o castelo da Feiticeira Branca porque a vi me encarando.

Senti um frio percorrer minha espinha quando ela sorriu, ela estava sentada em um trono feito de gelo, ele brilhava e mesmo um pouco longe eu sentia que a bruxa emanava frieza e maldade.

_Querida Liz...

_Hm... Oi?_ ela riu sarcasticamente e estremeci.

_Como vai Edmundo?

_Melhor agora, longe de você_sorri, se ela queria jogar um jogo de poder eu o jogaria, e tentaria ao máximo ganhar.

_Ousada, gosto disso, você poderia ser minha espiã.

_Desculpe, mas não gosto muito de frio e nem de você_alarguei mais meu sorriso, tentei parecer corajosa, mas na verdade eu estava quase correndo e indo chamar minha mãe.

A Feiticeira se levantou e foi aí que eu não consegui mais mexer minhas pernas, ela me encarava e me media dos pés à cabeça.

_Querida, você terá um enorme papel nessa guerra, acho que você deveria ficar no lado vencedor_ a cada palavra ela dava um passo em minha direção, talvez jogar não foi uma boa estratégia, porém não tinha mais volta.

_Eu já estou.

Ela parou na minha frente, e começou a rodear-me, dando passos calmos e curtos em minha volta, como se tivesse examinando cada centímetro do meu corpo.

_Quando eu os derrotar não poderá mais passar para o meu lado querida, vamos, venha para o meu lado. Sabes que irá perder.

_Nunca trairia aqueles que me receberam, querida.

_Gosto do seu jeito senhorita Carter, pena que morta não valerá nada.

Como eu não conseguia me mover a Feiticeira Branca pegou uma faca — que a propósito não sei de onde tirou — e enfiou em meu coração.

Senti uma dor crescente no coração, caí de joelhos e vi a forma da bruxa desaparecendo aos poucos com um sorriso vitorioso no rosto.

Gritei, e muito. Fechei os olhos e quando voltei a abrir eu não estava mais no castelo gélido e sim em uma cabana, eu ainda gritava e logo os quatro reis e o Leão estavam ao meu lado.

_Liz! Liz! Para de gritar!_Susana disse me abraçando de lado, a dor que eu senti me fez sentar na cama gritando com a mão no coração. Comecei a chorar e soluçar, estava agarrada à Su, ela lembrava minha mãe na época em que ela e meu pai eram casados e felizes. Esse pensamento me fez chorar mais ainda.

_Liz, o que ela fez, exatamente?_Aslan disse e me senti confusa, como ele sabia que a Feiticeira tinha estado no meu sonho?

_Você fala enquanto dorme_disse o Rei Pedro sorrindo, não sei se eu já disse e mesmo se disse mais uma vez nunca é demais, mas que sorriso!

_Hm..._me sentei direito na cama, parei de abraçar Susana e comecei a me acalmar, todos me olhavam curiosos._Ela tentou me recrutar para o lado dela_fiz cara de nojo e todos riram_e, bem ela tentou me matar_comecei a lembrar do horrível dor que percorria meu corpo na hora da facada e um bolo se formou na minha garganta.

Eles me olhavam estranhos, como quem não entende direito o que você diz, ou entende e está muito surpreso e precisa de um tempo para digerir suas palavras.

O primeiro a se manifestar foi Edmundo.

_Ela sabia que não conseguiria te matar, então porque fez isso?

_Queria que nós soubéssemos que os poderes dela estão, ainda, fortes mesmo com o derretimento do gelo.

_Então... ela pode ganhar mesmo?_disse Lúcia, que agora estava com uma expressão assustada.

_Todos tem chances de ganhar querida_ eu percebi que o jeito de pronunciar querida de Aslan e da Feiticeira eram totalmente diferentes; enquanto o da bruxa nos fazia sentir um medo tão profundo que gelava a alma o modo que Aslan falava "querida" nos passava profunda bondade e calma, que era o que mais precisávamos no momento._Acho que a senhorita Carter vai ter que começar a trabalhar cedo.

Então Aslan saiu da cabana deixando-me com os reis.

_Quando se sentir melhor venha procurar-me Elizabeth, temos que começar com as estratégias_disse Pedro, e depois disso todos saíram, me deixando sozinha, porém com vários pensamentos.