Back To London
10 Minha querida Lúcia.
Notas iniciais
Bebi. Ao olhar em volta, vi Nick e Josh conversando e o modo como se olhavam dizia que não estavam se entendendo.
Caminhei até onde Josh e Nícolas estavam, tentando não demonstrar minha preocupação, porém antes que eu os alcançasse e sem sequer notar minha aproximação, Josh se afastou de Nícolas, parecia nervoso.
–O que aconteceu? — perguntei à Nícolas quando o alcancei, perto da escada. Ele tomou um gole de sua bebida antes de responder.
–Não aconteceu nada. — deu de ombros, fuzilando Josh com o olhar.
–Eu vi vocês dois conversando agora a pouco, se é que se pode chamar aquilo de conversa. — falei. — Qual o problema, Nick?
–Falávamos de você. — soltou com o ar, emendando em outra frase. — Lúcia, será que podemos conversar a sós em outro lugar? É importante.
–Hm, sim. — respondi sem entender. — Podemos ir para o quintal, está fazendo uma noite...
Fui interrompida quando Nícolas pegou-me pela mão e levou-me para lá sem hesitar.
Pov. Susana.
Na cozinha, Caspian sentou Arthur na bancada da pia enquanto eu pegava alguns doces para o menino, perguntando coisas sobre a escola. Caspian colocou um guardanapo sobre o suéter dele para que não se sujasse.
Arthur melecou-se de chocolate nos dedos ao comer do bolo, e, quando Caspian o carregou para que lavasse as mãos na pia, tornei-me à mesa onde estava o bolo para cobri-lo, foi quando vi Nick passar como um furação, seguido de Lúcia, ambos voltando para a sala, vindos das bandas do quintal. Retornamos com Arthur para junto dos outros. Agora apenas mamãe conversava com Prunaprismia e Glozelle, papai não estava à vista, estranhamente.
–Já cansou de dar trabalho ao Caspian, querido? — perguntou Prunaprismia ao filho, quando chegamos.
–Ele não dá trabalho nenhum. — eu respondi. Arthur passou para o lado dos pais, sem mais nada a fazer senão ficar ali. Mamãe notou isso.
–Oh, querido – disse ela. — Sinto tanto que esteja tão sozinho. — voltou-se para os pais do menino. — Esse jantar deve estar sendo muito chato para ele.
–Ora, não se preocupe. — disse Glozelle. — É questão de tempo, logo chegará um companheiro para brincar. — passou a mão nos cabelos de Arthur lançando-me um sorriso cúmplice. Sorri de volta.
–Ou uma companheira, meu caro Glozelle – falou mamãe, cheia de razão. — Pode ser uma menina.
–Talvez – concordou ele, dando de ombros. — Mas minha intuição diz que será menino. Eu poderia apostar nisso. — concluiu, piscando para nós.
Logo a seguir, papai entrou na sala vindo de fora da casa. Caminhou até nós parecendo pensativo, numa mão trazia sua taça e a outra trazia escondida no bolso da calça.
–E então? — perguntou mamãe. — Algum problema?
–Bem, Helen – papai saiu de seus devaneios. — Seja o que quer que esteja acontecendo, não sei se é uma benção ou um castigo.
–Do que você está falando? O que ele queria? — questionou mamãe. Papai tomou um gole de sua bebida.
–Você já vai ver. — foi sua resposta.
Antes que mais alguém pudesse questionar, Nícolas entrou na sala pelo mesmo lugar que papai o fizera. Parecia agitado, nervoso. A porta bateu quando ele a fechou, não sei dizer se foi sem querer ou um meio de atrair a atenção para o que faria em seguida. Atravessou a sala em passadas largas até onde Lúcia estava conversando com Jill.
–Lúcia – chamou antes mesmo de alcançá-la.
–Sim?
–Preciso falar com você. — Nícolas não se preocupou em baixar o tom de voz, deixando que todos ouvissem e prestassem atenção. Depois de um tempo, ao ouvi-lo, percebi que era isso mesmo o que ele queria.
–Aconteceu alguma coisa? — Lúcia parecia igualmente ansiosa.
–Sim. — respondeu ele, segurando as mãos dela e olhando-a nos olhos. — Já há algum tempo que venho percebendo o quanto você é especial para mim, o quanto você faz parte da minha vida, o quanto eu a amo. — Nícolas engoliu, nervoso. — Hoje, percebi que não posso suportar a mínima possibilidade de perdê-la. Por isso, quero concretizar o desejo de mantê-la como parte da minha vida para sempre.
Ele fez uma breve pausa sem soltar as mãos dela ou quebrar o contato visual enquanto, aos olhos surpresos de todos, ajoelhava-se diante de minha irmã.
–Minha querida Lúcia – disse ele. — Você aceita ser minha Rainha?
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