Back To December

1 And I go back to December all the time


A fraca respiração da loira provocava um embaçamento no vidro da janela enquanto ela mantinha sua cabeça encostada sobre esta observando o lado de fora. A neve caia solene e despreocupada cobrindo de branco as calçadas e tetos de casas e carros. O frio lá fora era intenso, pouquíssimas pessoas estavam nas ruas e se o noticiário estivesse certo estavam fazendo aproximadamente -7ºC do lado de fora, mas Vic sabia como ninguém que estava terrivelmente mais frio do lado de dentro. Qual lado de dentro? Dentro da casa ou dentro de si própria? Não saberia lhe responder, só sabia que o edredom ao qual estava enrolada não era o suficiente para lhe esquentar, ela precisava dele, dos braços dele a envolvendo em um abraço caloroso, da pele quente e a aconchegante que a aqueciam mais do que qualquer cobertor, do jeito que só ele tinha de fazê-la feliz e aquecer seu coração.

A loira fungou e respirou fundo. Já haviam se passado um ano desde o acontecido, eles se encontraram apenas uma vez desde então e não foi um evento nada fácil. Ela queria se jogar nos braços dele e envolver seu pescoço com suas mãos o puxando para um beijo sem fim como costumava ser quando eles estavam juntos, mas esse era o problema. Eles não estavam mais juntos. Ele estava frio e distante, quem diria que se tratava do mesmo Teddy que conhecera há tanto tempo?

Vic sentiu o coração apertar dentro do peito, as lembranças a derrubavam e a certeza de que tudo aquilo era culpa única e exclusivamente dela era o suficiente para fazê-la ter vontade de se trancar em casa sem nunca mais sair. Ela desencostou a cabeça da parede e olhou em volta, observando o interior vazio do apartamento. Uma xícara com restos de chocolate quente estava sobre a mesinha e isto parecia ser a única coisa fora do lugar. Bem, parecia, porque se fosse possível olhar para a loira e realmente a enxergasse, seria possível perceber que ela estava uma completa bagunça. Um carro passou na rua outra vez e Vic tornou a observar a neve que caia e, enquanto se perguntava quanto tempo demoraria para que os carros não conseguissem mais andar, acabou voltando até aquele verão.

“-Do que é que você está rindo? -Perguntei emburrada, desde que havia pisado no acelerador Teddy pareceu ter ouvido a melhor piada do século e não parava de gargalhar.

-Sabe Vic, como motorista você é uma ótima leitora. -Ele disse se esforçando para parar de rir, sem sucesso.

-Hey! Isso não justo, se eu sou uma má motorista é porque você é um professor ruim! -Afirmei tirando a atenção da estrada para encará-lo.

-Hey! Você não pode desviar a atenção, podia ter matado nós dois! -Ele disse com uma expressão séria.

-Tá brincando né? Nós estamos no meio do nada! Não tem nem árvore aqui. -Disse e voltei a olhar pra frente, apenas para comprovar que estava certa.

-Viu por que é uma péssima motorista? Você tem que usar sua imaginação. Pense que está em um engarrafamento em Londres, um monte de carros ao seu redor, pedestres em todos os cantos, semáforos a cada esquina e um caos sem igual.

Eu poderia falar muitas coisas, a intenção das aulas era eu aprender a dirigir, não me estressar com o trânsito antes da hora, mas eu apenas suspirei e pisei firme no freio,me encostando relaxada no banco logo em seguida.

-Por que você parou?

-Vai buzinar para a sua avó, palhaço! -Gritei colocando a cabeça para fora da janela e pressionando minha própria buzina por longos cinco segundos.

-Vic? -Ele chamou e eu o encarei, piscando os olhos de maneira meiga duas vezes. -Que você tá fazendo?

-Eu estou usando minha imaginação. -Disse como óbvio. -Agora, nós podemos voltar para o foco da aula? -Indaguei com uma sobrancelha erguida e ele riu, balançando a cabeça em negativa e indicando para eu ligar o carro novamente e prosseguir.”

Vic riu com a lembrança, fora um dos dias mais divertidos de sua vida e o dia também em que seu coração passou a enxergá-lo de outra maneira sem que ela ao menos percebesse. Ela suspirou e se levantou da janela, apanhando a xícara suja e levando-a para a cozinha.

Ao deixar a xícara dentro da pia, a loira avistou uma antiga foto que tinha com a avó e sentiu seu coração apertar. Abraçando a si própria ela se lembrou do dia em que ela percebeu que o amava.

“Me mantinha encolhida por dois simples motivos: Me manter aquecida e tentar diminuir a dor em meu peito. Ninguém esperava por aquela chuva, ainda estavam passando do verão para o outono e chuvas nessa época não eram muito comuns, mas eu sabia exatamente o que aquilo significava; Era como se todos os anjos estivessem chorando, poderia ser de tristeza pelo mundo perder uma pessoa como ela, ou então de felicidade, pois o céu teria o imenso prazer de recebé-la.

O exato porquê do choro deles eu não sabia, só sabia que chorava com eles. Já haviam uns cinco minutos que havia saído correndo de lá, sem uma direção ou rumo certo, eu só precisava sair de lá e assim que a chuva começou a cair, eu encontrei um celeiro e me abriguei por lá mesmo. As lágrimas caiam insistentes no meu rosto e ao contrário do que mamãe disse não diminuíam nem um pouco a dor. Eu queria gritar, me descabelar e gritar de novo perguntando o por quê de terem a tirado de mim, mas eu não conseguia, só conseguia chorar e chorar e chorar.

-Achei você. -Ouvi a voz dele terna e um pouco cansada. Não precisei erguer os olhos para saber que ele estava completamente molhado e ofegante. -Você saiu sem ninguém ver, como uma gata. -Ele brincou mas não conseguia olhá-lo, não queria que ele me visse naquele estado, não sabia porque, só sabia que não queria. -Vic… -Ele chamou ao mesmo tempo que eu soluçava e ouvi um suspiro derrotado.

-Por quê? Por que ela tinha que ir? Por que tinham que levá-la? Ela deveria ficar aqui comigo, cuidar de mim, puxar minha orelha quando eu esquecer de desgnomizar o jardim. Mas ela não vai mais fazer isso. Ela se foi! Ela me deixou aqui sozinha, ela não podia fazer isso comigo, ela não… -Havia erguido a cabeça para falar e despejei metade de meus sentimentos em cima dele, não havia conseguido terminar a frase pois o choro e os soluços voltaram ainda mais fortes do que antes.

Teddy me olhou como se tivessem o matando e em seguida se sentou do meu lado, ele não pediu e nem falou nada, apenas me puxou para perto e me apertou em um abraço me permitindo chorar. Por alguns longos minutos permanecemos assim e quando meus soluços diminuíram e minhas lágrimas aparentaram ter acabado, ele me apertou um pouco mais forte por um segundo e beijou o topo da minha cabeça.

-Ela não se foi porque ela quis, Vic, mas porque havia chegado a hora dela. Infelizmente elas não duram para sempre e… é uma coisa natural, uma hora iria acontecer. -Ele disse e suspirou. -Me mata ver você desse jeito, se eu pudesse eu a traria de volta para colocar aquele lindo sorriso de volta no seu rosto, mas infelizmente eu não tenho esse poder e tudo que nós podemos fazer é aceitar que ela se foi e viver com a felicidade de que um dia ela esteve aqui com a gente. -Ao ver que eu nada respondia ele suspirou outra vez. -Vem comigo. -Ele sugeriu começando a se levantar. -Tenho que te mostrar uma coisa. -Ele sorriu e me puxou pelos braços me levando para longe dali.

A chuva havia diminuído mas continuou a cair por mais uns dez minutos enquanto andávamos, o sol já tinha ido embora dando lugar para a lua e as estrelas, nenhuma pergunta feita por mim era respondida, ele apenas mandava eu aguardar e continuar andando. por fim alcançamos o topo de uma montanha, ele sorriu um pouco ofegante e deu um giro de 360º como se me apresentasse a surpresa.

-Eu não entendi. -Disse com a voz arrastada por conta do choro.

-Deita. -Ele lembrou do detalhe e então fez isso. Recuei por um momento mas acabei me deitando ao lado dele e fazendo seu braço de travesseiro. -Olhe. -Ele disse apontando para o céu. -Não é lindo? -Ele perguntou e eu podia imaginar o sorriso no rosto dele.

A vista era de tirar o fôlego, a lua cheia se encontrava no canto do horizonte e o espetáculo principal ficava por conta das estrelas, milhares delas distribuídas das maneiras que bem queriam enfeitavam o céu noturno e algumas até faziam alguns desenhos.

-É… maravilhoso. -Disse em um sussurro continuando a observar.

-Escolha a mais brilhante. -Ele pediu e eu mordi o lábio, observando com atenção todas as estrelas em minha linha de visão.

-Aquela ali. -Disse apontando para uma que parecia ter acabado de se juntar a festa, além de ter a luz mais forte e brilhante ela também parecia ser maior.

-Ela é nova. -Ele disse parecendo aprovar a escolha. -Sabe, quando eu era pequeno, vovó me dizia que meus pais havia virado estrelas no céu, as estrelas mais brilhantes que existiam nele. Então, no dia seguinte ao qual ela me disse isso, eu sai para procurá-los e eu não precisei fazer esforço algum, pois foi como se eles tivessem me achado. -Ele sorria e apontou para duas estrelas incrivelmente perto uma da outra e também muito brilhantes. -Aquela ali. -Ele apontou para a estrela que eu havia escolhido. -É a sua avó. Ela acabou de chegar e está brilhando mais forte que todas as outras para que você saiba que ela está lá, cuidando de você e tomando conta para que nada de ruim lhe aconteça. Ela te ama, Vic, e sempre vai te amar, independentemente de onde ela estiver.

Antes de ele terminar de falar eu fixei o olhar nele. A dor, a angústia e a tristeza pareceram se esvair de mim ao observá-lo falar daquela maneira. Meu coração batia rápido, mas de uma maneira boa e meus olhos deveriam estar brilhando, mas não por causa das lágrimas. Ele virou o rosto e seus olhos vieram de encontro ao meu.

-Como eu sempre vou te amar. -Ele sorriu e se aproximou de mim, unindo nossos lábios e iniciando um beijo, o melhor beijo que eu já tive.”

Vic já havia retornado para a sala e se encolhido no sofá, chorando silenciosamente com a lembrança. Era tudo tão recente mas também já havia tanto tempo…

Depois do beijo a loira se sentiu feliz, mais feliz do que jamais estivera e então se odiou por isso. Era um dia triste, ela estava triste, deveria estar triste, então porque diabos estava sorrindo? Porque ela havia ficado feliz, Teddy a fez feliz, seu coração batia tão rápido que Vic temia este deixar seu peito e o resto da noite fora tão…. Mais de um ano haviam se passado e ela ainda não sabia descrever.

Ela não sabia que o amava, mas descobriu aquilo naquela noite e felizmente ele também a amava. Ele agiu como um príncipe, disse as palavras certas nos momentos certos e depois de um tempo desviou a atenção da loira dos recentes acontecimentos para que ela não tornasse a chorar pela morte da avó, até porque, não seria a vontade de Molly vê-la assim.

Nos meses seguintes tudo ocorreu muito bem, Teddy a ajudou a, de certa maneira, superar a morte da avó e eles começaram a namorar. Toda a família da loira aprovava o namoro, depois de um tempo ela comprou um pequeno apartamento em Londres e se mudou. Tudo ia perfeitamente bem, em outras palavras, melhor impossível, mas isso só durou até dezembro, que foi quando as inseguranças e incertezas começaram a atormentar a cabeça de Vic.

“O problema da época de natal são os filmes. Não tenho nada contra eles, a não ser pelo pequeno fato de que o último filme natalino gravado deve ter sido feito no ano em que eu nasci, senão antes! O que significa que estamos condenados a assistir o Grinch, Esqueceram de mim e Meu papai é noel todo dezembro e sejamos sinceros, tem uma hora que você não aguenta ao menos ouvir o nome desses filmes. Mas lá estava eu, enrolada em um bocado de edredons e deitada no sofá da sala esperando para assistir mais uma vez aquele filme dos 3 espíritos quando a campainha tocou.

Esse é um daqueles típicos momentos que você deseja abaixar a televisão e não fazer ruído algum para que a pessoa acredite que não tem ninguém em casa e vá embora. Mas mamãe havia me dito que viria me visitar, apesar de ela afirmar ser porque sentia saudades eu sabia com plena certeza que ela apenas queria ver como eu estava me saindo morando sozinha, de qualquer maneira a questão é que eu não tinha outra alternativa a não ser levantar e abrir a porta.

-Teddy! -Disse surpresa e desprovida de animação ao ver que o rosto por trás do buquê era do meu namorado e não da minha mãe. -Pensei que tinha ido para não sei onde fazer não sei o quê. -Disse com um sorriso de canto enquanto recebia as flores e o deixava entrar.

-Eu tinha. Voltei uma semana antes e resolvi fazer uma surpresa. -Ele disse sorrindo e me puxando pela cintura para selar nossos lábios.

-Teddy! -Protestei mas acabei por retribuir o beijo por poucos segundos. -Vai acabar amassando as flores. -Disse me desencilhando dele e caminhado até a cozinha a procura de um vaso. Eu podia sentir o olhar dele sobre mim e estranhamente isso me deixava incomodada. Quando achei um recipiente para deixar as rosas, enchi-o de água e as coloquei lá, deixando sobre a pia da cozinha e me virando para ele. -Então… como foi a viagem? -Perguntei com um meio sorriso, passando para a sala e me sentando.

-Teria sido melhor se você tivesse ido junto. -Ele disse e eu ri junto a ele, mas deviei o olhar em outra direção. -Foram assuntos de trabalho, você sabe, nada muito interessante. -Ele disse com um dar de ombros e eu concordei com a cabeça, sem ainda encará-lo. -Vic. -Ele chamou e eu não tive outra alternativa a não ser focar meus olhos nele. -Você está bem?

-Sim. -Disse sem saber realmente o que responder, que tipo de pergunta era aquela, afinal?

-Tem certeza? Você está estranha, Vic...distante. Tem algo que quer me falar? -Ele perguntou se aproximando um pouco e eu mordi o lábio, virando a cabeça para o lado.

-Eu não sei… eu não sei como dizer isso. -Disse baixo.

-Isso o quê?

-Isso tudo. -Disse meio incerta e puxando os cabelos para o lado e suspirando. -Eu estou confusa, Teddy. Eu amo você mas… eu não sei se realmente amo. -Disse o encarando. -Eu tenho apenas 19 anos, e isso é tão intenso que eu… eu não sei. -Disse cobrindo o rosto com as mãos.

Ele demorou alguns minutos para se pronunciar, minutos que para mim pareceram horas, mas finalmente falou. -Você precisará ser mais específica, Victoire. -Disse com a voz fraca e eu desci minhas mãos até o pescoço, encarando o chão.

-Eu...eu quero terminar com você. -Disse tão baixo que não me surpreenderia caso ele não tivesse escutado.

-Olhe para mim e fale olhando nos meus olhos se é isso mesmo que você quer. -Ele pediu e eu congelei.

Não consegui me mexer e minha respiração havia ficado fraca, meus olhos começaram a ficar marejados e minha voz sumiu. -Eu não posso. -Sussurrei e uma lágrima caiu de meu olho para o chão. Teddy não disse nada e eu fechei os olhos, ouvindo o bater da porta segundos depois.”

Estava frio, Vic já possuía três edredons sobre ela e nenhum deles parecia querer fazer seu trabalho. Ela tapou o nariz com uma das mãos, pois este parecia estar prestes a congelar e em seguida soprou o vento, observando a fumaça sair de sua boca e sorrindo fraco.

Ela odiava se lembrar daquele dia, as memórias vinham vez ou outra, mas naquele mês ela mal conseguia dormir porque o barulho da porta batendo a atormentavam durante todo o dia e noite. Talvez fossem porque na semana anterior completaram um ano desde o acontecido, a questão é que ela não conseguia esquecer, ou parar de lembrar.

A campainha tocou e Vic murmurou chorosa contra o sofá, mas mesmo assim se levantou para atender. Precisava de uma campainha, de alguém para conversar, talvez assim parasse de pensar naquilo por pelo menos um minuto. O único problema foi que o que encontrou ao abrir a porta lhe pegou totalmente desprevinida.

-Te-Teddy? -Perguntou não conseguindo acreditar no que via, seria possível estar sentindo tanta falta dele a ponto de alucinar?

-Oi. -Ele disse sem graça e passando uma mão nos cabelos. -Eu… meu carro… a neve… -Ele pigarreou. -Meu carro parou de andar por causa da neve aqui perto e… tá realmente muito frio eu ia acabar congelando lá dentro e … eu pensei que… deixa pra lá eu vou embora. -Ele disse se virando para sair e Vic piscou algumas vezes, parecendo se recuperar do choque.

-Teddy espera. Entre. -Ela disse se afastando para que ele pudesse passar e fechando a porta em seguida. -É… você aceita alguma coisa para beber? Uma água, um chocolate quente, um chá? -Ela perguntou sem saber ao certo o que fazer, aquilo era tão estranho..

-Um chá, por favor. -Ele pediu parecendo tão incomodado quanto a loira.

-Se quiser pode pegar um edredom no meu quarto, sinta-se em casa. -Ela disse e foi na direção da cozinha, colocando a água para ferver e preparando duas xícaras com os refis de chá.

Alguns minutos se passaram e Vic retornou a sala com as xícaras de chá, oferecendo uma para Teddy que se encontrava sentado em um dos sofás com uma coberta em volta do corpo.

-Obrigado. -Ele disse somente aceitando a bebida que lhe era oferecida.

Vic procurava olhar em todas as direções e ele fazia o mesmo, tudo para que o contato visual fosse evitado. A loira bebeu um pequeno gole de seu próprio chá e olhou para onde Teddy estava, o mesmo lugar em que estivera quando foi embora pela última vez, por culpa dela.

-Então, como está sua avó? -Perguntou tentando puxar assunto para quebrar o gelo que havia entre eles.

-Muito bem, obrigado. -Disse somente e se concentrou em sua bebida.

Vic assentiu confirmando e pousou sua xícara na mesinha, voltando a pegar um edredom e enrolar em torno de si. Ela olhou para todos os lugares possíveis e acabou descobrindo que a tampa do controle remoto não estava onde deveria e que havia uma parte na parede que estava manchada de verde, mas ela não sabia identificar o que era. Após longos minutos de um silêncio constrangedor, a voz na cabeça de Vic conseguiu falar mais alto e vencer o orgulho na guerra interna que havia sido travada.

-Eu sinto muito. -Disse em sussurro que realmente foi inaudível, pois Teddy ergueu uma sobrancelha e se aproximou um pouco

-Desculpe?

-Eu sinto muito. -Disse um pouco mais alto fixando o olhar no tapete.

-Pelo quê? -Ele perguntou e Vic mordeu os dentes, porque ele tinha que deixar tudo ainda mais difícil?

-Por tudo. -Ela disse reunindo coragem o suficiente para encará-lo. -Por eu ter te tratado daquela maneira, retribuído da pior maneira possível todo o amor que você me deu, por ter feito aquilo… eu sinto muito, mesmo. -Disse o encarando nos olhos para ele ver que as palavras eram verdadeiras. -Eu fui uma tola, me rendi ao medo, não sabia o que fazer então te magoei. Eu me arrependi no mesmo segundo ao qual você saiu mas não tinha volta, eu não podia fazer mais nada. Se eu pudesse voltar no tempo e concertar tudo isso eu juro por Deus que eu o faria mais eu não posso. Eu odeio a mim mesma por tudo isso, mas eu errei, eu sou um ser humano e infelizmente não sou perfeita. Se eu tivesse a oportunidade de voltar e convencer a mim mesma de que todos aqueles medos e inseguranças eram coisas bobas e estúpidas eu nunca teria te deixado. Eu sinto sua falta todos os dias, senti no dia em que você se foi e senti cada dia depois daquele. Eu não estou te pedindo uma segunda chance pois eu sei que não mereço uma, mas por favor, por favor, me perdoe por tudo. -Disse de uma vez e em seguida abaixei o rosto, para que ele não visse ainda mais as lágrimas que rolavam por ele. -Eu sinto muito. -Disse mais uma vez baixo para reforçar a mensagem.

-Vic. -Ele chamou e ela passou as mãos no rosto para secar as lágrimas antes de encará-lo. -Eu te perdôo, está tudo bem. Não chore, sabe como eu odeio te ver chorando. -Ele pediu e enxugou uma lágrima do rosto da loira com o polegar. -O que você faria se recebesse uma segunda chance? -Ele perguntou ainda apoiando o rosto da loira em uma mão.

-Eu faria tudo diferente. Eu te amaria da maneira que você merece, mas eu sei que não posso, sei que…

-Shh. -Ele disse colocando um dedo sobre a boca de Vic. -Eu amo você, Victoire Weasley, e saiba que esta será sua última chance. -Ele disse com um sorriso e a puxando para perto e colando seus lábios no dela.

-Eu te amo, Teddy Lupin, e juro que farei tudo certo dessa vez.

Notas finais
Aí está. Espero do fundo do coração que tenham gostado e comentem! É a minha primeira fanfic postada aqui mas garanto a vocês que tenho muitas outras a lhes apresentar e comentários iriam me dar incentivo para isso. Obrigada por terem lido e.. voltem sempre!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!