Mesmo quando você está sozinha, debaixo da coberta, trancada no seu quarto, sempre tem alguém te vigiando no escuro, escutando todos os seus suspiros, pelo menos foi o que sempre me disseram, mas eu nunca acreditei muito bem nisso, ate agora, aquele desenho me parecia tão familiar... Meus pensamentos foram interrompidos quando eu vi o Noah numa escada batendo na janela do meu quarto, eu quase o empurrei pela janela que fica no 2° andar do meu apartamento, mas isso não vem ao caso já devia está acostumada, ele faz isso em toda véspera de lua cheia

- Ei, Ruby, se você demorar mais um pouco chegaremos atrasados — ele falou tentando entrar sem fazer barulho, tentativa falha, ele acabou caindo no meio da minha bagunça e fazendo o maior barulho — você devia arrumar isso aqui porquinha.

- E você devia ser menos desastrado, babaca — falei rindo — agora quieta aí, ou minha mãe vai escutar que você entrou pela janela outra vez, dá pra ser normal não?

- Não acho que não, vamos logo — ele falou me puxando pra janela.

- Não mesmo que eu vou pela essa escada, vou pelo elevador é mais seguro, alem do mais tenho que avisar que vou sair

Fiz uma cara de esnobe e fui em direção da porta quando notei já estava jogada no chão com o Noah me segurando gritando algo como "você vai descer pela escada sim", bem só sei que minha mãe apareceu no quarto querendo saber o motivo de tanta gritaria, e quando ela viu a cena, novamente Noah foi expulsou do apartamento, só que dessa vê mamãe o fez descer pela escada... Peguei meu casaco vermelho, avisei que ia sair e desci pelo elevador...

– Sua mãe ta meio estressadinha hem chapeuzinho? — ele falou mexendo no cabelo assim que eu cheguei ao saguão.

– Claro idiota você entra pela janela, e ela vê agente no chão quer que ela pense o que?

- dei uma tapa na cabeça dele e comecei a rir

– Falou o que pra ela dessa vez? — ele falou ajeitando o cabelo

– Que eu ia dormir na casa da Mari, onde mais? — perguntei fazendo uma careta para ele

– Não sei da ultima vez você disse que ia pro cinema e depois dormir na casa da Elena, baixinha — Ele falou enquanto colocava o braço no meu ombro

– tá, tá, tá, tanto faz — eu fiquei rindo da careta dele e bagunçando o caminho todo

Toda véspera de Lua cheia nós nos reunimos e acampamos no bosque, (eu, Noah, Mari, Elena, Ryan e John) jogamos conversa fora, e esperamos amanhecer pra irmos pro Canto do Lobo que não é nada de mais, apenas um jogo de Paintball de um grupo de caçadores, toda lua cheia eles vão atrás do Lobo Vermelho, que dizem ser o mais perigoso lobo que existe, e treinam jogando paintball o dia todo, é loucura mais é legal...

– Ainda vou matar esse lobo com minhas próprias mãos — Falei rindo enquanto esperava meu marshmallow assar na fogueira improvisada.

– Hurum quem vai matar aquele demônio sou eu — falou Mari se encostando seu namorado

– Ah, por favor, sem agarrações aqui é um grupo de família, ouviu John? — Disse Elena jogando o marshmallow na cara de John

– mas isso serve pra você e pro Ryan também — Falou John jogando o marshmallow na cara de Elena — isso é por ter jogado em mim — eu fiquei rindo ate cansar acabei me deitando na perna de Noah e adormecendo.

Acordei assustada, pensei em ter escutado um uivado em meio do bosque, bem longe de onde estávamos. Um uivado sim, mas era como se ele tivesse me chamando, fui interrompida novamente por Noah perguntando se eu estava bem, apenas assenti com a cabeça e fiquei em alerta fitando o bosque, mas não havia nada apenas o som do vento e da fogueira ainda acesa, olhei pra Noah espantado com a minha cara.

– Ta tudo bem mesmo Chapeuzinho? — Noah falou com um tom preocupado, mas novamente só assenti com a cabeça — vem cá deixa eu te levar pra barraca — ele levantou e me puxou pra perto dele me guiando ate a minha barraca.

Eu entrei, sentei-me no meu saco de dormir e senti o vento soprar contra mim em meio da lona ainda aberta, pela primeira vez senti medo de ficar sozinha, já havia acampado e dormido sozinha varias vezes, mas dessa vez era diferente.

– Noah fica aqui comigo hoje — acabei falando sem pensar enquanto o segurava pelo braço

– Ta bom Ruby, eu fico — ele falou me abraçando, obviamente ele percebeu o quanto eu estava assustada.