Back To December

1 Capítulo 1 - I Cant Understand


Notas iniciais
oooi, primeiro capítulo. Espero que gostem. Não tenho muito o que dizer...

Frankie. Frankiestein. Agora eu entendo o porquê dos fãs chamarem-na desse jeito, ela é realmente um monstro sem coração, que acaba com o nosso namoro e na semana seguinte já está de rolo com outro por aí. Acho que estou sentindo uma coceira na minha testa... Acho que não é normal!

Ela sempre foi a queridinha, cantando no The Saturdays, fazia de tudo para aparecer na mídia, e eu fui estúpido em acreditar em alguma coisa que ela dizia. É, parece que isso já aconteceu comigo antes...

Mas não importa agora. As revistas de fofocas estão comentando o suporto adultério dela, que eu não duvido de nada, e estão perguntando pro público quem quer ser minha nova namorada. Poxa, eu não preciso disso. Quando eu encontrar a garota certa, vou saber, não vou? Depois de todas as namoradas que tive, nenhuma foi a famosa garota certa. A Gio do Tom, a Georgia do Danny e a Izzy do Harry. Eles tem sorte em terem esse tipo de garota com eles.

Depois de toda a confusão, decidi esfriar um pouco a cabeça, mesmo que a neve já não o fizesse. Era dezembro, dia 3 de dezembro e há alguns dias havia sido meu aniversário de vinte e três anos. Comemorado só pelos caras e pelas fãs loucas no twitter que me mandaram mentions sem parar desde a meia-noite até o fim do dia.

Caminhei pelas ruas de Londres até um bar que parecia acolhedor, havia musica tocando ao vivo, mas nem reparei. Sentei em uma mesa e pedi uma cerveja. Parece que você sempre quer afundar suas mágoas na bebida, e o que sempre acontece é aquela ressaca no outro dia.

-Aqui está – disse a garçonete, abrindo a garrafa e enchendo um pouco o copo que estava na minha frente.

-Obrigada – murmurei.

Ouvi umas pessoas aplaudirem quem estava tocando, e por pura curiosidade, decidi olhar o show também. Quem estava tocando era uma garota, devia ter no máximo uns vinte anos. Tinha os cabelos loiros claros caindo até o meio das costas, de longe eu não podia ver a cor dos olhos, mas juraria que eram azuis. Ela tocava em um violão preto, sorrindo timidamente.

-Obrigada – ela disse – A próxima música é chamada “Fifteen”.

Ela começou a tocar novamente, os dedos deslizando pelo violão totalmente afinado, sem sequer olhar para ele e nem errar uma nota sequer. Ela era boa naquilo que fazia melhor, tocar e cantar.

“Cause when you're fifteen and somebody tells you they love you
You're gonna believe them
And when you're fifteen feeling like there's nothing to figure out
Well count to ten, take in this is life before you know who you're gonna be fifteen


Essa música era um tanto pessoal, mas acho que era exatamente por isso que todos se identificam com uma canção. Eu a entendia, quando eu tinha quinze anos tudo que eu queria era ser famoso, achava que sabia de tudo. Agora oito anos depois, estou eu aqui, famoso e achando que não descobri nada. Gostei daquela letra. Menos, claro, que era dedicada para garotas, não caras.

“Your very first day
Take a deep breath girl
Take a deep breath as you walk through the doors”


Ela finalizou com um acorde, raspando de leve as unhas nas cordas. Todo os presentes aplaudiram, inclusive eu, que nem havia tocado na cerveja. Assim que ela agradeceu e saiu do palco, fui atrás dela nos bastidores.

-Desculpe, você não pode entrar aqui – disse o segurança. Já disse que adoro e odeio os seguranças? Pois é. O bom é que eles protegem o pessoal famoso dos fãs. E o ruim é que eles protegem o pessoal famoso dos fãs, que sou eu nesse momento.

-Eu preciso falar com a garota que acabou de tocar. É importante – falei, olhando por cima do segurança que devia ter uns dois metros de altura. OK, não tanto.

-Todos querem.

-Mas é importante, eu posso conseguir um contrato para ela.

O sorriso dele vacilou. OK, eu não fui muito sincero. Era só para falar com ela, mas com aquela voz de arrasar eu achava estranho que não tinha conseguido um contrato ainda, e continuava tocando em bares como eu e os caras fazíamos.

-Espere um pouco – disse e fechou a porta. Ouvi vozes. Dois minutos depois ele voltou e me deixou entrar.

-Obrigada.

Passei por um corredor, chegando ao fim dele, onde havia uma única porta aberta, provavelmente a dela. A garota estava sentada de frente para o espelho, amarrando os cabelos em uma trança solta. Usava um suéter branco de gola “V”, uma jaqueta de couro preta por cima, com um cachecol vermelho. Um jeans preto e botas estilo cowboy.

-Você é o cara do contrato?! Não é muito novo?

-Na verdade, precisava falar com você.

-Pode falar – disse se virando para mim. HAHÁ, eu sabia que estava certo. Os olhos dela eram azuis mesmo.

-Bem, sua voz é incrível.

-Obrigada – disse com um sorriso caloroso – Mas já não o conheço de algum lugar?

-Eu estive olhando seu show...

-Não, não. Acho que já o conheço de outro lugar. Você faz parte de uma banda ou algo do tipo?

-Faço sim, sou o baixista do...

-McFly. Claro – ela disse sorrindo – Minha irmã tem o quarto cheio de pôsteres da banda... Fica ouvindo o dia e a noite inteira. Gosto das suas músicas também.

-Ah, obrigada.

Ela sorriu, mas depois arregalou os olhos.

-Me perdoe, nem me apresentei. Sou Alicia.

-Bom te conhecer – falei apertando a mão dela.

-E aquele contrato? – perguntou sorrindo, pegando uma almofada e sentando no sofá, fiz como ela e sentei.

-Bem, fiquei impressionado. Achei que já tivesse. Sua voz é ótima.

-Então não tem contrato? – perguntou, e eu notei o tom decepcionado da voz dela.

-Você pode conseguir – me apressei a dizer – Pode ir na nossa gravadora, ou eu posso levar um demo. Com certeza seria um sucesso.

-Obrigada – falou sorrindo – Mas... como é seu nome mesmo? Desculpe, não sou boa para guardar esse tipo de coisas, são tantas letras e...

-Pois é – falei rindo, ela riu comigo – Dougie.

-É mesmo, eu sabia que já te conhecia de algum lugar.

-Qual a idade da sua irmã?

-Ela tem dezesseis, acho que ouve as suas musicas desde que começaram, tem todos os CD’s, e pôsteres, e sites...

-Desculpa a pergunta, mas você não é daqui, ou é? Seu sotaque...

-Não sou, na verdade. Nasci aqui, mas morei quase toda a minha vida no Alasca, porque minha mãe era Glaciologista...

-Glacio... O quê?

-Glaciologista. Estuda as geleiras – ela riu – Minha mãe é fascinada, mas se aposentou, então veio morar de novo em Londres. Faz poucos meses que nos mudamos.

-Parece... interessante – tentei ser educado.

-Acredite, estudar geleiras o dia todo não é nada interessante. E ainda tem aquele lance da NASA... Muita coisa para minha cabeça.

-Para a minha também – falei – A única coisa que consigo memorizar com sucesso são as letras e as cifras das musicas.

-Eu também – riu – E quanto tempo falta para o fim de semana.

-É – ri. Era legal estar com ela – Você tem quantas músicas?

-Ah, tenho muitas. Uma pasta cheia. Componho desde que era criança... A ultima musica que compus... Deixa eu ver – ela disse se levantando e pegando uma pasta abarrotada de dentro de uma mochila. Sentou no sofá de novo e abriu na primeira página.

-Eu ainda não fiz uma melodia para ela, só... precisei escrever.

-Back do December? Quando escreveu?

-Ontem – ela riu – Típico, a maioria das musicas eu jogo fora. Nunca dão certo.

-É boa – falei lendo uns versos.

“I'm so glad you made time to see me
How's life? Tell me, how's your family?
I haven't seen them in a while
You've been good; busier than ever
We small talk, work in the weather
Your guard is up and I know why”



-Obrigada – sorriu – As vezes tenho um surto de inspiração durante a noite, e eu preciso escrever o que estou pensando…

-Quando nós morávamos juntos, eu lembro do Tom acordando o Danny durante a madrugada pra escrever alguma coisa com ele. E quando eles começam, ninguém parava até eles terminarem a letra...

-Já imagino – ela disse com os olhos distantes, e depois riu – Minha mãe gosta que as vezes eu faça isso, disse que eu não posso deixar a inspiração de lado.

-E o seu pai? – perguntei, mas notei que havia tocado em um ponto sensível, quando ela fechou a cara – Ah, Alicia, me desculpe.

-Não tem problema – disse em voz baixa – Ele...morreu quando eu tinha nove anos de idade, hipotermia.

Isso pareceu como um tapa na minha cara. De repente eu estava novamente com quinze anos, observando o bilhete que meu pai havia deixado em cima da mesa da cozinha enquanto minha mãe me abraçava e chorava.

-Dougie... – ouvi a voz de Alicia.

-Desculpe, é que... – comecei, respirando fundo – Meu pai deixou minha mãe e eu quando tinha quinze anos.

-Ah, sinto muito. Ele faleceu?

-Não – falei, aquilo ainda doía – Ele deixou um bilhete em cima da mesa da cozinha, dizendo que estava cansado da situação...

-Desculpe, eu não sabia...

-Não tem problema – dei de ombros – Faz uns bons anos, mas eu preciso ir. Está ficando tarde.

Olhei no relógio. Quase onze da noite. Alicia parecia desapontada.

-Tudo bem – disse, mas voltou a sorrir – Se quiser, vou tocar aqui a manhã a noite também...

-Eu venho – falei – Foi bom te conhecer, Alícia.

-Igualmente, Dougie – sorriu. Era um bom sinal – Até amanhã!

Notas finais
e aí? gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!