Back To December
1 Capítulo único
Notas iniciais
Back to December
inesRodrigues
I miss your tan skin, your sweet smile,
So good to me, so right
And how you held me in your arms
That September night;
The first time you ever saw me cry
Maybe this is wishful thinking
Probably mindless dreaming
If we loved again, I swear I'd love you right
I'd go back in time and change it but I can't
So if the chain is on your door I understand
Tristeza. Mágoa. Dor.
Sentimentos solitários nos corações de ambos.
Ichigo tentava reconstruir a sua vida como sempre quisera antes de ser um Shinigami; antes de conhecer Rukia. Ele pensa em arranjar emprego, acabar a escola e tirar um bom curso. Tudo o que ele tinha na cabeça era recuperar a sua normalidade.
Não estava a ser fácil.
Mais um dia passou desde que toda a reiatsu do jovem desaparecera. Era uma noite fria em Dezembro. Nevou um pouco em Karakura, dando à cidade um sentimento estranho que misturava a tristeza e a felicidade num manto branco e macio.
-Cheguei! – gritou Ichigo, sem humor, como fazia todos os dias.
Subiu as escadas até ao seu quarto e atirou a mala do colégio para a secretária. Abriu os livros e os cadernos e começou a estudar. Ichigo estava mesmo determinado a subir as suas notas. Ele tinha deixado os estudos para trás por estar... bem, ocupado.
Ichigo tentou lembrar-se de como achar a Força relativa, quando esta estava representada como um triângulo. Mas a fórmula não lhe vinha à cabeça e a prova de físico-química estava quase à porta.
Pouco depois lembrou-se do motivo de não prestar atenção na aula. Naquele dia, ele e Rukia tinham muito trabalho com os Hollows, e ele mal estava atento nas aulas.
Rukia…
Ele olhou de esguelha para o seu armário, lembrando-se de que Rukia passava lá grande parte do seu tempo.
Voltou a concentrar-se nos estudos e encontrou a fórmula que lhe era necessária.
-Claro, o teorema de Pitágoras… — murmurou para si.
Mas lembrou-se de quem lhe meteu aquela fórmula na cabeça. Rukia.
Parece que ela está sempre no caminho de Ichigo. Por mais que queira ter uma vida normal, ele não a consegue esquecer, por isso não esquece o que passaram juntos.
Ele lembrou-se dos momentos em que eles estavam juntos, do momento em que Rukia trespassou o coração de Ichigo, dando-lhe os seus poderes de Shinigami… dando-lhe o seu amor.
Naquele momento, Rukia cuidava da cidade de Karakura anonimamente. Por vezes apareciam Hollows, e ela ia tratar do assunto. Ia ficando com menos trabalho, pois Ishida também fazia uma exterminação de Hollows, como bom Quincy que era.
Enquanto Rukia matava o 5º Hollow da semana, nem deu conta do quanto se aproximara de uma certa casa. Partiu a máscara do Hollow e este desintegrou-se. Correu pelo ar, aproximando-se, a medo, da janela do seu amigo.
Quando espreitou, encontrou o amigo a estudar… Não. Ele estava a tentar estudar. Rukia notou nos seus olhos que ele estava completamente ausente.
Baka… Pensou, mas de forma amável.
Com a curiosidade a corroê-la por dentro, olhou um pouco mais pela janela, fazendo os seus cabelos elevarem-se com o vento nocturno. Ela olhava-o com saudade. Ainda se lembra bem da noite em que entrou no quarto do ruivo e logo a seguir foi agredida por ignorar o mesmo. A noite em que lhe apresentara um novo mundo onde os Shinigamis existem, e tornou-o num deles.
De início, Rukia tinha visto Ichigo como um idiota inútil, mimado e rebelde. Mas as aparências iludem, e por detrás dessa faceta ela viu um menino dedicado à família, capaz de dar a vida para salvar os que lhe são queridos.
À medida que o tempo ia passando, ela ganhava uma admiração maior por ele. Perguntava-se como é que ele evoluía tanto em tão pouco tempo. Na verdade ela admirava-o, mas não deixava essa admiração transparecer. Quando apareceu à sua frente no dia da execução, Rukia não viu mais um miúdo; viu um Ichigo maduro, adulto. Estava a tornar-se um homem.
E agora ela estava apaixonada por aquele homem, e não o podia tocar, não o podia chatear, não podia insultá-lo e bater-lhe.
Ichigo debatia-se contra as memórias que lhe vinham à mente. Lembra-se de quando se apaixonou por Rukia. Não, ele não sabia que estava apaixonado, mas sentia algo diferente quando estava perto dela; era algo agradável e quente que o mantinha alegre e com vida. Lembra-se que foi quando Rukia voltou para Karakura para ajudar com os Arrankars, e teve que reconhecer que ficou muito mais aliviado e feliz com a sua presença.
Tanto Rukia como Ichigo pararam as recordações, e focalizaram a situação em que se encontravam. Ichigo foi obrigado a afogar os acontecimentos passados a partir do momento em que deixou de ver a sua amada. Rukia conseguia ver os seu morango, mas não o podia tocar, não lhe podia falar nem o podia amar.
A pequena passou pela parede do quarto do ruivo, e deixou os pés caírem sobre a cama de Ichigo. Desceu com graciosidade e aproximou-se dele.
“Quem me dera poder beijar-te… Quem me dera ter descoberto esta minha necessidade de ti mais cedo.” – pensou ela.
Sobressaltou-se quando viu Ichigo levantar-se com violência, levando as mãos à cabeça. Ele queria esquecer, não aguentava mais ter a face dela no seu pensamento. Nunca tinha sentido um desejo tão ardente de a poder abraçar, e martirizava-se por não o ter feito quando podia.
Com raiva atirou tudo o que estava na secretária para longe. Rukia assistiu a tudo com os olhos a lacrimejar. Tentava conter todas as lágrimas que conseguia. Não compreendia o porquê de Ichigo estar assim.
“Porquê? Porque não sais da minha mente?” – pensou o jovem frustrado.
-Porquê, Rukia? PORQUÊ??!!! – falou em voz alta – Eu… amo-te… Porquê?!! Porquê!!? – nesta última palavra ele explodiu e deu um murro na mesa.
Rukia não chegou a ouvir o barulho. Ainda estava completamente pasmada com aquilo que ouvira. “Ele… ama-me…” com estas palavras em mente, começou a chorar. As lágrimas salgadas ganharam a batalha e conquistaram o rosto de Rukia.
Ichigo encostou-se ao seu armário com as mãos na cabeça, e uma expressão pesarosa. A pequena aproximou-se mais dele e limpou as lágrimas. O ruivo lembrou-se de tudo o que aquele armário sofrera. Abriu-o e viu a cama de Rukia ainda feita. A shinigami admirou-se quando viu aquilo. Ainda estavam lá todas as coisas que ela levara para decorar aquele espaço, incluindo o poster do Chappy.
Ainda tinha o cheiro de Rukia. Ichigo trouxe um cobertor perto da sua face e absorveu o aroma que o hipnotizava. Rukia olhou a cena maravilhada. “Ele ama-me…” – estas palavras continuavam na cabeça da rapariga.
As saudades aumentaram, e Ichigo não se conseguia controlar. Pontapeou a cadeira contra a parede, o que provocou um estrondo. Rukia saltou com o barulho, e o rosto inundava-se com as gotas salgadas.
Sem pensar, ela aproximou-se dele e tentou alcançá-lo. Estavam a centímetros de distância. A medo, Rukia levantou a mão e tocou a face do seu amor. Ele não sentiu nada. Isso foi como uma facada no coração da pequena. Mas ela não desistiu. Já com as duas mãos no rosto dele, ela fechou os olhos e concentrou-se nas memórias, nos momentos que passara com o seu Shinigami Substituto, no quanto o amava e no quanto o queria.
Estranhamente, por puro instinto, Ichigo levou uma das suas mãos ao rosto, e sentiu calor na sua palma quando tocou algo macio e suave. Não sabia o que estava a tocar, mas estava a gostar da sensação. Ainda de olhos fechados, Rukia fez uma força enorme para que Ichigo a sentisse. E esse esforço não foi em vão.
Aos poucos, o ruivo focou a visão e conseguiu ver a pequena à sua frente. Ela não perdeu tempo e sorriu com aquilo. Ele não sabia o que pensar, nem sequer sabia se estava acordado.
-Eu… também te amo… — Rukia falou com a voz baixa, muito feliz por poder estar junto ao seu morango novamente.
Ele sorriu e pôs-lhe uma mão na cintura, puxando-a mais para si. Sem nenhum dos dois resistir, ambos se beijaram na hora. A ternura e a intimidade daquele doce beijo não permitiu que Ichigo esquecesse todos os momentos da sua vida; esses momentos eram o caminho que o levavam a Rukia, e ele não podia esquecer o seu amor por ela. A shinigami, quebrou o beijo, e sorriu mais uma vez.
-Não tentes esquecer… — disse ela, e Ichigo acentiu.
-Nunca mais.
Nesse mesmo momento, Rukia largou a face do rapaz e desapareceu do seu campo de visão como uma nuvem, ou uma miragem que se tenta alcançar a todo o custo. Nenhum dos dois podia negar a dor que estavam a sentir naquele momento. A separação custava muito, mas desta vez, era uma dor calorosa, porque ambos concretizaram as suas vontades.
Mesmo estando longe fisicamente, desde aquela noite fria de Dezembro que nunca mais se separaram. Ambos estavam sempre presentes no coração um do outro.
So this is me swallowing my pride,
Standing in front of you saying
I'm sorry for that night
And I go back to December all the time,
It turns out freedom ain't nothing but missin' you
Wishing I'd realized what I had when you were mine
And I go back to December, turn around
And make it all right
I go back to December all the time
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