Baby ! ...Cicatrizes Passadas...
23 Capítulo 23 - Someday
Notas iniciais
Nickelback-Someday (http://www.kboing.com.br/nickelback/1-300300/)
Mesmo sucumbindo à dor, Katniss sentiu uma pontada estranha no peito como se algo tivesse fugindo de suas mãos. Uma perda? Não sabe... Mas seus olhos por um segundo oscilaram ate o espelho retrovisor. Avistou uma imensa língua negra misturada com grandiosas chamas de fogo explodir por todo canto.
Um grave acidente. Que não foi ignorado por aqueles que usavam a estrada. Carros frearam, e por pouco Katniss não causou seu próprio se não freasse a tempo. Sua mente por um segundo oscilou compreensão e a fez movimentar o carro ate o acostamento.
Muitas pessoas saírem de seus veículos para olhar em direção ao acidente. No entanto, ela se recriminou por parar... Seja quem foi o acidentado, que Deus o tenha ou a tenha, ou que tenha sorte de ter sobrevivido. Como a maioria dos carros estavam parado no meio da estrada, Katniss pôs o seu em movimento seguindo pelo acostamento ate chegar ao fim, entrando na primeira rua que a levaria para escola de Prim.
Porem, Katniss percebeu que não poderia chegar naquele estado para buscar a filha e, voltou a parar o carro num local seguro. Ficou parada por alguns minutos ate se dar conta que o tempo estava passando.
Assim que chegou de frente a escola, estacionou o carro de frente e foi ate o portão. Mas uma coisa a intrigou obvio que estava atrasada para busca-la, mas a maioria dos alunos estavam ali.
-Olá, vim buscar minha filha. — Katniss forçou um sorriso para a professora da filha que atendia uma aluna que reclamava da demora da sua mãe.
-Oh, sim... Primrose? Sua mãe... – a professora chama. – Céus... Não sei o que está acontecendo com os pais... Estão todos atrasados...
Escutando o comentário da professora da filha, não repara quando a menina chega ate ela lhe abraçando. Intrigada, Katniss pergunta.
-Como? Pensei que tinha chegado cedo para buscar Prim.
A professora abre a boca para tentar dar uma resposta, mas a mãe de outro aluno chega toda afobada tagarelando.
-Ate que fim cheguei! O transito está um caus... Um acidente na rodovia fez com que todos os carros fizesse desvio atrapalhando nossas vidas.
-Acidente? Que tipo de acidente... – A professora pergunta com misto de curiosidade e espanto.
-Er. Sim. Estão falando na radio. Eu mesma não passei por lá...
-Nossa então o acidente foi cedo para estarem anunciando no radio. — recrimina a professora.
-Não... O acidente foi quase agora pouco. Vi mais ou menos quando fui... Estava passando pela estrada, depois vi labaredas de fogo subir... – Katniss comenta sem saber o por que.
Ela mesma não entendia porque estava dando importância para um acidente quando sua vida estava desabando em sua cabeça, porem isso era uma fuga para pelo menos tentar esquecer um pouco do que soube por aquela manhã.
Percebendo que Katniss queria está a par do assunto, a mãe do aluno continua a dizer.
-Pelo que entendi, as coisas estão sendo divulga porque um dos acidentados é um jogador famoso. Testemunhas viram o jogador Peeta Mellark perseguirem outro carro e investindo o dele no do outro, ate que o que estava sendo perseguido capotou e o carro de Mellark chocou contra um caminhão, mas esse... Bem. Já está sendo recebido por Deus. Que Deus o tenham... Não sou fã de futebol, mas o que vi dele é um desperdício de vida morrer tão jovem.
Katniss aquela altura já não escutava mais. Tudo a sua volta ficou mudo. Se fosse possível uma pessoa em um único dia entrar em estado catatônico e sair com a mesma rapidez, depois voltar novamente a ficar, diga-se que Katniss foi à sorteada.
Tudo foi tão rápido, que Katniss somente sentiu seu corpo se chocar contra o chão e seus olhos ficar escuros, porem sua única visão foi de Prim chorando ao vê-la desmaiar.
(***)
Dois dias depois...
-É uma grande perda para o futebol americano com a morte de um jogador com futuro grandioso. Foi confirmada que realmente era o corpo encontrado carbonizado do quaterback Peeta Mellark, acidente ocorrido há dois dias na rodovia 31 na Califórnia. Ainda não se sabe razão pelo qual o jogador estivesse em sua cidade natal e o porquê de está envolvido numa perseguição a outro veiculo. O que sabemos é que a outra vitima trata-se do Doutor Cato Lighton que por sua vez foi amigo do jogador em sua adolescência, esse se encontra em estado critico e não se sabe se terá o mesmo destino de Peeta Mellark. A família do Jogador enviou uma a representante da família notificar que o velório de Peeta acontecerá na mesma cidade onde ele nasceu, foi criado e passou grande parte de sua adolescência, e por fim o local onde encerrou seus últimos dias de vida. O corpo já está sendo velado na capela de São Carlos, onde somente amigos íntimos e família participarão. Fãs já estão no local prestando suas homenagens mesmo que não sendo possíveis suas entradas... Mas noticias no jornal da tarde...
Katniss ouvia todo o noticiário sem consegui esboçar qualquer emoção. Não que deixasse de sentir pela morte de Peeta. Ainda não conseguia acreditar no destino trágico a qual encerrou sua vida. Apesar de toda mentira que ele fez com que ela acreditasse esse tempo todo, não pode negar que Peeta mesmo com a mentira, fez tudo por uma única intenção.
Mesmo tendo a resposta, ainda que não tivesse sido ouvida vindo dos lábios dele, continuava a relutar e a se perguntar por que ele mentiu tomando todas as responsabilidades do que não fez? Mesmo que tivesse acobertado um crime, não sabia quem fez...
“- Ele mentiu para não fazer você sofrer.” – essas palavras sempre se repetiam em sua mente, embora tenha sido uma frase proferida por sua mãe e sua amiga Annie quando souberam do que aconteceu.
Mesmo que certa magoa ainda existisse dentro de seu peito. Katniss não poderia negar que de alguma maneira Peeta ágil com bondade ainda que de certa maneira tivesse conivência com o que Cato fez com ela. Não adiantava relutar, Peeta está morto e porque não liberar o perdão para que sua alma descanse em paz? Porem com relação a Cato, este Katniss não sabe o que sentir, um sentimento estranho arde em seu peito a sufocando de tal maneira intensificando seus sentimentos confusos, mas uma coisa ela sabe. Jamais conseguirá perdoar Cato.
-Vai ao velório? – Annie pergunta ao entrar no pequeno escritório da loja, onde encontra sua amiga e sócia com olhar distante.
Saindo do pequeno transe, Katniss direciona o olhar para ela respondendo.
-Não. Somente é permitida a entrada de amigos íntimos ou parente. Não sou nenhuma dessas coisas. – por fim ela desliga a TV que passava um anuncio qualquer.
Annie caminha lentamente ate alcançar uma cadeira que fica de frente a amiga do outro lado de sua mesa e senta-se dizendo.
-Você foi a melhor amiga dele na infância, adolescência e namorada por fim. Isso se enquadra “ser intimo” dele. – argumentou. — Além do mais ele foi quase pai de Prim, pelo menos ate então.
Katniss nega.
-É, mas ele não é... E o que aconteceu em relação a nossa vivencia e amizade na infância foi passado. Peeta está morto e ninguém sabe desse acontecimento ate os dias atrás. Além do mais não quero repórteres de frente a loja ou minha casa tentando obter um furo de reportagem sobre nossa relação. Já estou bem contente que esse fato não tenha chegado à mídia... Isso não faria bem a Prim.
Annie recosta na cadeira melhorando sua posição, mas com a declaração da amiga ela muda o rumo da conversa.
-E Prim? Contou a ela a verdade?
Katniss não consegue olhar para Annie, mas responde demonstrando certo desconforto pela pergunta.
-Ainda não. Preciso resolver algumas coisas e pensar como abordar esse assunto com ela sem que a deixe confusa.
-Bem, é obvio que ela irá querer conhecer o pai verdadeiro.
-Ela não vai. — Katniss interrompe Annie. – Manterei que Peeta é o pai dela... Não quero um só dedo de Cato próximo de minha filha.
Annie a encara perplexa, e diz em tom indignado.
-Ah, Katniss... Pelo amor de Deus! Ficará nessa por quanto tempo? Até quando vai ficar mantendo sua filha nas escuras? Acorda minha amiga! Hoje Primrose é uma criança, mas amanhã ela se tornará uma adolescente bem promissora, ela é bem esperta e irá procurar a verdade, digo que querer conhecer os avós... Nisso virá DNA para confirmar se ela é filha de Peeta, choque ao descobrir que não é, e principalmente: A mãe mentiu... Está preocupada com a mídia? Sim, nisso vem à bomba “mulher oportunista mente para filha alegando que ela é filha do Jogador Peeta Mellark”! Isso amiga continua a dar sequencia a essa mentira, porque dessa vez vai acontecer o que tanto não quis que acontecesse.
Katniss engole a seco vendo que Annie tinha razão.
-Mas o que quer que eu faça? – ela eleva o tom de sua voz em exaspero.
Annie bufa sem paciência, demonstrando que é bem obvio o que ela tem de fazer.
-Procure Cato, converse com ele, peça explicação sobre o que aconteceu. Depois você o perdoe ou não, mas coloque um ponto final nessa estória. Mesmo que tenha sido um canalha em ter transado com você bêbada, as coisas podem ter mudado. Prim precisa de um pai.
-Mas eu não preciso dele. — Katniss rebate.
-Oh, vai por mim. Você precisa dele, mas para outra coisa. – Annie rebate também.
Katniss franzi a testa confusa pelo que amiga disse.
-Do que está falando?
Annie rola os olhos, mas não se nega em respondê-la.
-Estou dizendo para você parar com essa negação do que sente por Cato.
-Eu não sinto nada por ele. — ela nega.
Annie cruza os braços na altura do peito e fixa seus olhos no de Katniss.
-Sabe do que você precisa? De chá de semancol. – ela inclina seu corpo pondo suas mãos na mesa. — Escuta Katniss, só você não enxerga o que está diante de seus olhos. Com tudo o que me contou sobre como foi sua relação com Peeta e Cato, e o que passou acontecer desde o dia em que ele e Peeta voltaram a cruzarem em sua vida depois de dez anos, cheguei à conclusão que mesmo com Peeta dentro ou fora da jogada, isso não muda o fato de existir uma situação mal resolvida entre você e Cato.
-Não existe nada mal resolvido. Só existe que ele cometeu um crime, é por infelicidade é pai de Prim.
-Ok, continue a ficar em negação. — Annie volta a recostar na cadeira e a cruzar os braços. — Mas me responda... Irá denunciar Cato por estrupo? Vai largar tudo e parti com Prim para um lugar onde ele não possa encontra-las?
-Não... Eu...
-Tá vendo?
-O que? – Katniss pergunta aturdida pela pressão que Annie está causando a ela.
Com um sorriso satisfeito, Annie continua a dizer.
-Se você tivesse tanta raiva, quisesse ficar longe de Cato ou o mante-se longe de Prim, iria denuncia-lo mesmo que hoje não seja um crime valido e sem testemunha, você faria e depois partiria com Prim.
-Não sou idiota em deixar meus negocio e casa que tanto lutei para ter e fugir por conta de um canalha. — Katniss argumente, e sem se abalar Annie volta a rebater.
-Queira ou não admitir você sente algo muito forte por Cato e todo mar de confusão é o que impede de você admitir isso. Só não quer admitir. No fundo você já o perdoou pelo que fez toda vez que olha no rosto de Prim e ainda sim não consegue se arrepender de tê-la.
Nos olhos de Katniss, Annie pode ver oscilar a verdade. Ela estava certa em sua observação, mas Katniss é muito cabeça dura para admitir em sua mente.
-Prim é a única pessoa importante nessa estória, e só a existência dela que ameniza todo que ele fez a mim, mas não muda o fato de que o quero longe dela e de mim.
-Mentira. – Annie argumente. – Olha Katniss, simplifica, muda o disco. Mas se resolva com Cato. – Ela levanta da cadeira na intenção de sair. – Bom tenho que ir, mas antes! Só me responde uma coisa?
Katniss arqueia a sobrancelha pelo que veria agora, mas assente.
-O que?
-Quando viu Peeta parado em sua porta com sorriso nos lábios que valia um milhão por segundo, o que sentiu?
-Você sabe... Fiquei surpresa e com medo, mas nada.
Annie amplia mais o seu sorriso, e isso começa a incomodar Katniss que sabia que aquele sorriso significava que ela estava conseguindo chegar onde queria.
-Sim, eu sei. – ela comenta vitoriosa. – E Cato? O que sentiu quando ele entrou na loja e você esbarrou com ele?
Sem conseguir evitar, Katniss engole a seco, pois como se voltasse reviver as emoções do dia em que Cato entrou em sua loja desesperado por um buque de rosas para dar de presente, sentiu seu coração vacilar, um frio subir por sua espinha e se espalhando por seu ventre e paralisar em sua garganta. Sinais de um sentimento contrario de ódio, aversão e desprezo.
De alguma maneira isso era o que fazia Annie ter razão, mas Katniss não estava disposta em admitir, então procurou se recompor e responde-la para logo se livrar daquele tortuoso interrogatório.
-Não foi o mesmo que senti quando vi Peeta, mas não teve nada de mais. Você sabe...
Com um novo sorriso cheiro de ironia, Annie diz.
-É eu sei... E não foi assim que definiu para mim na época. Vai amiga... Essa altura você já sabe a resposta que estou procurando, só que seu orgulho não permite que admita. Mas não precisa dizer. – ela interrompe Katniss que estava prestes a rebater e continua a dizer. — Só escute um conselho, e esse vai depender de qual decisão certa a tomar. Sei que de alguma maneira ama Cato, mas o rancor não permite que esse sentimento flua naturalmente em você e se entregue a ele. Ele te ama, é bem obvio pelo que vi numa vez que estava conversando. No entanto não precisa se entregar a ele de uma vez, deixa as coisas acontecerem, primeiro resolva a situação de Prim, o procura, veja a posição dele se assumira a menina, converse sobre o que aconteceu, conheça a sua versão... Depois... – ela respira. – Só não deixa de viver algo que tem chance de ser verdadeiro, por conta de desencontros banais. Seja feliz amiga, e não perca essa chance. Perdoar é uma dadiva, e isso não mata ou arranca pedaço de ninguém... Nós mulheres às vezes somos tachadas de burras por perdoar traição, mas não. Existe um porque na qual um dia somos recompensados, e isso não é tão diferente com você.
Sem dizer mais Annie vai embora deixando Katniss confusa... Realmente, sabia que Annie tem razão, mas naquele momento não estava preparada para procurar Cato e ter uma conversa definitiva.
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