Notas iniciais
Olá pessoal, espero que gostem :)

— Eu vou passar na porta do seu apartamento, assim se você precisar ir pra casa sozinha já sabe o caminho ok? — Harry disse tirando por alguns segundos o olho da pista e olhando para mim, sorri como forma de agradecimento. Mesmo não conhecendo muito as redondezas do meu prédio percebi que estávamos perto dele mesmo, não deveria faltar muito tempo para chegar no condomínio onde ele e Lou moram.

— Sabe, você está aqui há alguns dias e não foi em lugar nenhum. Tenho que te levar nos pontos turísticos, nos lugares mais bonitos da cidade. Te levar pra conhecer a minha Londres. — ele disse e piscou.

— Hazza, eu adoraria. Conheço bastante aqui, mas nunca tive um guia turístico junto, muito menos alguém que nasceu aqui me mostrando tudo. — quando lhe respondi seu sorriso se estendeu de orelha a orelha, consegui perceber mesmo com ele olhando para frente. Uma de suas mãos estava entrelaçada com a minha e elas estavam descansando em minha coxa.

— Então podemos marcar pra ir em todos os lugares daqui. — Um cd do John Mayer estava tocando e Harry cantarolava Free Fallin’, não parava de olhar para ele e tinha certeza que estava com um sorriso bobo no rosto. Paramos na portaria do condomínio, era inteiro cercado por muros e tinha um enorme portão. Um segurança se aproximava do carro, Harry abaixou o vidro do carro e fez um sinal para ele. O portão foi aberto. Depois de alguns minutos andando lá dentro ele parou na frente de um sobrado. Ele era branco e bem grande, tinha um lindo jardim na frente.

— Olha, você entrou em tantas ruas parecidas que se eu precisar ir embora não sei nem pra qual lado ir. — disse enquanto ele abria a minha porta do carro e me dava a mão para sair do carro. — Me lembra da próxima vez trazer algumas migalhas pra ir fazendo o caminho, sabe tipo João e Maria? — rimos e ele completou.

— Quando eu e Lou nos mudamos, no primeiro mês precisávamos de GPS, a maioria das casas são iguais. Isso confunde muito. — pegou em minha mão e fomos andando pelo caminho desenhado da calçada até uma escada. Chegamos na sacada, tinha um sofá e uma mesa de cada lado. — Quando estamos livres ficamos aqui fora conversando e jogando carta.

— Vocês se tornaram melhores amigos ne? — enquanto dizia isso Harry destrancava a porta e desligava o alarme. Entramos na casa, tinha um hall com um grande espelho em uma parede e um sofá na outra.

— Sim, eles me entendem melhor do que qualquer um. — ele tinha um sorriso lindo no rosto enquanto me puxava pela mão para a sala de estar, andava um pouco mais na minha frente. — Vamos, vou te mostrar tudo aqui.

Depois de vemos quase a casa inteira fomos para o seu quarto. Ele era bege, azul e vermelho. Tínhamos que passar por um corredor que dava em seu closet e depois só que o quarto se abria e tinha uma cama enorme no meio e uma escrivaninha de um lado e umas quatro malas de viagem do outro na frente de um espelho.

— Acredita que ainda não consegui desfazê-las? Já deve fazer duas semanas que elas estão ai, pelo menos tenho certeza que as roupas estão limpas. — ele disse rindo e se sentando na cama e batendo no espaço ao seu lado para mim se juntar a ele.

— Pelo menos ne seu folgado? — eu disse sentando em seu colo. Ele me segurou me abraçando e beijou minha bochecha. Sorri e beijei a dele, ele se deitou na cama me puxando junto, soltei um grito e ele riu de mim.

— Sabe no que estava pensando? — estava deitada em cima dele e ele me abraçando fortemente, meus braços estavam apoiados em seu peito e uma de minhas mãos fazia cafuné em seu cabelo, enquanto a outra estava na mesma altura que esta mas estava entrelaçada com a dele. Estava de frente pra ele de um modo que conseguia olhar diretamente para o seu rosto.

— Não tenho a mínima ideia Haroldo. — ele riu e continuou

— Você sabe quando seus pais virão para Londres? Quero muito conhecê-los, acho melhor conversar com eles antes de eu dizer algo sobre nós para todos. — nesse instante eu apertei sua mão um pouco mais forte, me controlei e continuei.

— Meu pai vem duas vezes por mês pra Londres, não sei se vai continuar vindo tantas vezes se agora eu vou começar a cuidar da empresa.

— E a sua mãe? Ela vem com ele toda vez? —Não consegui lhe responder, apenas escondi meu rosto em seu peito. — O que foi minha linda? — ele me abraçava mais forte e eu estava lutando para que as lágrimas não saíssem, mas não ganhei. Depois de alguns minutos me separei dele e sentei ao seu lado na cama, ele imitou meu movimento. Abriu a gaveta do criado mudo e tirou uma caixa de lenço, a colocou entre nós e pegou minha mão. — Era isso que você tinha que me falar?

— Também Harry. — eu disse secando minhas lágrimas com a mão livre. — Mês que vem vai fazer três anos que minha mãe sofreu um acidente aqui em Londres. Um carro bateu no dela na rodovia e praticamente ela foi espremida entre o canteiro e o outro carro. Levaram os acidentados para o hospital, mas não deu tempo, ela não resistiu. Eu também estava aqui quando isso aconteceu e só estávamos nós duas, era semana do meu aniversário e ela tinha ido comprar meu presente escondido. — ele me abraçou e beijou minha testa. — Eu vinha para cá sempre, com eles, mas depois disso nunca mais consegui. —suspirei e continuei — Essa é a primeira vez depois de tudo. — nos separamos, mas nossas mãos continuaram juntas.

— Eu sinto muito Vall, não sabia disso. — ele disse passando a mão em meu cabelo. — Me desculpe por fazer você lembrar disso. — dei um meio sorriso como se estivesse aceitando suas desculpas.

— Meu pai tentou chegar no mesmo dia do acidente, mas por causa do fuso horário não deu certo. Eu ainda não era emancipada e não podia ficar aqui sozinha, tive que ficar na casa de uma amiga da minha mãe, foi uma confusão.— Harry se deitou na cama e apoiou sua cabeça em seu braço, ele olhava para mim e quando meu olhar encontrava o seu ele fazia um sinal com a cabeça como se estivesse avisando que estava acompanhando o que eu lhe dizia. — Depois de quase quinze dias conseguimos voltar para casa, ela está enterrada aqui, não conseguimos mandar o corpo para o Brasil, meus avós e tios ficaram arrasados. — deitei ao seu lado ficando de frente para ele, entrelacei nossas mãos mais uma vez, ele beijou minha mão e depois sorriu, eu lhe acompanhei e acabei ficando um pouco sem graça, mas pelo menos agora estava mais calma, não estava chorando — Quando voltei ainda não tinha entendido o que tinha acontecido.. ou melhor, ainda não tinha aceitado. Todos os dias me sentia culpada pela morte dela.

— Você sabe que qualquer coisa que precisar estou aqui pra você viu princesa? E você não teve culpa. — ele se aproximou e me abraçou. — Agora vai me contar o que aconteceu pra você ter medo de se entregar em um relacionamento?

— Vou sim. — eu disse me sentando na cama, estava um pouco sem graça por contar isso a ele, mas precisava confiar isso nele. — Bom, eu estava namorando um garoto da minha escola, ele tinha 17 anos e eu 15, porque você sabe, eu sempre estava dois anos adiantada. — Harry continuava prestando muita atenção. Continuei a contar, mesmo sabendo que seria difícil contar isso para ele — Quando chegamos no Brasil a primeira pessoa que quis ir ver foi o Ricardo, meu pai me deixou na casa dele de tanto que pedi. Era sábado e quase onze horas da noite, não tinha avisado ele que estava voltando, quando cheguei na portaria do prédio encontrei o irmão dele chegando também. Subimos juntos conversando, quando ele abriu a porta do apartamento meu mundo caiu. Ele estava transando com a minha ex melhor amiga no sofá. Minha vontade era de sair correndo dali, mas não conseguia, parecia que minhas pernas estavam travadas. Eu sentia nojo deles, de ter confiado neles. — eu estava temendo um pouco, era como se todas aquelas imagens voltassem na minha gente, Harry sentou na minha frente e pegou minhas mãos. Sua expressão não estava nada boa, parecia com raiva. — O irmão dele me levou até a cozinha e tentou me acalmar. Depois de algum tempo Ricardo apareceu querendo se desculpar. Ele queria me abraçar e me beijar e achava que eu estava errada por fugir dele que além de tudo cheirava a álcool, no meio dessa confusão ele tentou me agredir, mas agradeço pelo irmão dele estar ali para me ajudar.

— Que canalha, como pôde fazer isso com você? Não precisa mais lembra disso, olha o quanto você está tremendo minha linda. — ele disse me abraçando. — Eu juro nunca te fazer sofrer Val. Juro.

— Me perdoe se você achar que em algum momento eu não confiei em você, não é isso, é uma questão de insegurança minha, tenho medo de daquilo se repetir e eu ficar sem chão novamente.

— Nada disso irá se repetir.

Notas finais
E ai? Gostaram? Deixem seu comentário aqui em baixo por favor :)
Nos três próximos capítulos teremos algumas surpresinhas hahahaha
Beijos Mi ;)